Como sabem eu vivo em 2036 portanto é do meu conhecimento o resultado das eleições do vosso próximo 5 de Junho; não esperem que o revele aqui, apenas tecerei algumas considerações para que pensem bem no assunto. Quem ganha já toda a gente sabe, portanto digo só que apesar de irmos assistir a algumas trocas na geografia política, não esperem grandes transformações no vosso dia-a-dia; a não ser para muito pior, claro! Preparem-se porque agora é "elas vão morder".
Sócrates. O grande líder socialista tem andado muito mais amargo do que já era: num jogo constante de mentiras de duvidosos objectivos, valha-nos o facto de pelo menos não conseguir esconder publicamente o azedume público que nos é transmitido através da comunicação social; desde a queda do governo que esse azedume se transformou em raiva ácida e se fosse a vocês tinha cuidado para não o enervar muito se estiverem à frente dele! Longe vão os tempos dos delírios narcisistas, do culto duma imagem civilizada que não renegava parecenças físicas com o galã George Clooney. Envelheceu e tornou-se negativo em tudo: foi-se o cabelo grisalho, sobram os brancos, foi-se a vaidade, sobra a presunção, foi-se a confiança na vitória, sobram as ameaças para o PSD de que terão uma grande decepção em Junho, foram-se os PEC's sobrou a porcaria dos restos do FMI; rosnou, rosnou mas lá ficou com o ossito e com ele ainda vai fazer um banquete com o sangue dos adversários até ao dia das eleições. É muito inteligente, ainda torna as dificuldades em oportunidades e agarra-se a tudo o que sabe fazer mossa nos outros; afinal não há osso mais amargo e duro de roer que ele! Acabará enxotado pelos votos no tal domingo mas far-se-á despedir ele próprio assumindo os erros, blá blá blá, congratulando os vencedores, abrindo a porta para novos dirigentes, enfim: a treta do costume. Vai desaparecer de cena até que...
Passos Coelho. O emergente grande líder social-democrata mal se sentiu debaixo dos focos das luzes da ribalta transfigurou-se: passou de um modesto e sombrio político para mais um insuportável vaidoso! Tem remoques, faz ameaças, levanta a voz... Ainda não é governo nem fez a ponta dum corno mas já tem uma biografia onde se auto-intitula o Obama de Massamá! Agora já percebo porque disse que era o "mais africano de todos os candidatos", Ahh ya, pois... faz sentido. A malta é que ainda não tinha lá chegado mas se há traço forte no seu carácter, deve ser a coerência, sim, deve ser, pois... Deixem passar o tempo e logo se vê. O amadorismo e o pé-de-chinelo parecem ensombrar todas as suas acções: da falta de apoio interno ao apoio do Nobre, dos pentelhos do Catroga ao Hitler Sócrates, das gorduras do estado a capacho da troika, tem sido um carnaval de afirmações. É difícil ser-se tão saloio mas este sub...urbano Tino de Rans consegue manter um invejável nível diário de lançamento de pérolas: anteontem deveríamos estar gratos pelo juro do FMI ser tão alto (merecemos um castigo), ontem manifestou a intenção de acabar com o Ministério da Cultura que para ele deve ser uma gordura estúpida que só absorve meios e dinheiro! Se já escreveu um livro, toca viola-baixo e foi casado com uma das Doce porque carga de água não terá tanta ou mais capacidade que muitos dos emproados intelectuais que por lá andaram a "mamar"? Há gajos que dedicam a vida toda a uma obra e há um país com vários gajos e gajas desses que tem um património de séculos mas o Coelho, nos tempos livres é que vai gerir isso tudo. Se não fosse tão ridículo era para chorar mas no mínimo convençam-se do seguinte: o traço mais marcante deste homem revelar-se-á numa terrível luta interna entre o desejo de brilhar e a educação/limitação que o faz manter-se humilde; que drama... Vem aí um capacho, um cãozinho ordeiro que quer mostrar serviço aos donos. Quem são os donos? Pfff nem eu sei, nem sei se ele próprio sabe, tal é o nível de domesticação que atingiu: são entidades como os espíritos, não têm forma nem as suas moléculas se reúnem numa matéria identificável; apenas sei que governam o mundo através do poder económico.
Paulo Portas. Só na república das Bananas isto seria possível: Santana Lopes "esqueceu-se" de o avisar que seria ministro do Mar e antes, no governo de Durão Barroso, Paulo Portas foi Ministro da Defesa, um indivíduo com mais esqueletos no armário que a Família Adams. Todas as pastas ministeriais são vulneráveis ao controle externo mas a da Defesa é a mais emblemática, certo? Não deveriam ser designadas para esses cargos as pessoas potencialmente menos corruptíveis? Se fossem só os submarinos alemães os únicos corpos escondidos... Como prova a própria carreira de Barroso, essa foi uma escolha feita a dedo. Assim, se algum dos escolhidos fugir às orientações dos seus donos já sabe que tem sempre a ameaça do escândalo ali ao virar da esquina; é garantia total de que se "Portam bem". Depois de ter vivido os seus momentos de glória como ministro e ter sido largado depois de usado, eis que Portas volta à carga e não é com pouco: atira-se sem pudor à hipótese de ser Primeiro-ministro, arroga-se nesse direito! Julgo que como acontece no futebol muitas vezes, o que ele está a fazer é um "discurso para dentro": está a lembrar aos seus donos que se portou bem no passado e perante a desconfiança deles em relação aos outros dois, vai mostrando que pode ser uma alternativa a pensar, assim lhe dêem oportunidade. Tem a maquinazinha dele toda montada, as sondagens, os estudos de imagem, etc e agora anda a passear uma pose de verdadeiro estadista moderno ocidental, com três ou quatro frases-chave, falando para as câmaras de TV com um capacete na cabeça se visita um estaleiro ou dando sem pudor uma beijoca na bochecha duma velha suada se visita uma feira; são fragmentos de imagens que ficam na retina dos eleitores (segundo os racionais estudos dos especialistas). Anda confiante num bom resultado, provavelmente com razão, já que as condições de crise económica favorecem as palermices oportunistas de direita. Uma coisa é certa: ganhar não ganha mas vai ficar colado aos vencedores; quanto apostam?...
Francisco Louçã. Por um lado lembra-me um Álvaro Cunhal do século XXI e por outro parece uma "sandes" mista de destreza mental, vocação eclesiástica e a boca cheia de "esquerda"; faz falta ao espectro político uma esquerda activa, sim, e ele tem sido o polícia de serviço mas se morresse, naqueles milésimos de segundo em que a vida passa num flash antes de abandonar o corpo iria perceber que o seu voluntarismo e espírito de missão fizeram com que fosse sempre enganado, até pelos seus correlegionários. Consigo imaginá-lo rodeado de novas tecnologias, jovens portugueses inteligentes, jovens criativos, jovens tolerantes, jovens com vontade de mudar, jovens sem causa e jovens com causa mas o facto é que tanta juventude e amálgama de interesses paga-se cara: quando se trata de agir no jogo político têm sido os papalvos de serviço! Fazem sempre aquilo que se espera que façam. Mesmo tendo em conta as previsíveis posições do Partido Comunista, o Bloco de Esquerda acaba por ser o partido mais controlável, sobretudo porque acha que não é. É tão óbvio que deve dar uma grande vontade de rir à matilha do poder. Toda a agenda do Bloco pode ser controlada: primeiro, porque na perspectiva de quem está no poder, as suas propostas são irrealizáveis, e segundo, se quiserem levá-los a votar verde, basta ameaçar com vermelho. Por falar em ameaça: pode ser que me engane mas o seu resultado eleitoral cheira-me a desgraça; lembram-se do PRD do Eanes, confiante antes de deitar abaixo o então governo? Na altura a populaça do centro (a que decide governos) também já estava farta de esquerda.
Jerónimo de Sousa. O Partido Comunista é um equívoco vivo mas não tenho a mais pequena dúvida que Jerónimo de Sousa é uma pessoa verdadeiramente afável e sensível; consigo imaginá-lo a dormir mal à noite sabendo que não sei quantas funcionárias não sei de que empresa foram para a rua. O problema é que o partido está aprisionado numa lógica da qual não se consegue libertar: tem orgulho no passado, quer-se modernizar mas não tem como; se tentassem apresentar uma linguagem "mais moderna" estariam a ser falsos, coisa que nunca farão. Novas tecnologias para o PCP é a "internet e isso assim"... Já mudaram para APU, CDU, mudaram para a cor azul mas toda a gente sabe que são comunistas e vermelhos; não vale a pena... Estão em aparente desvantagem em relação ao Bloco de Esquerda, excepto numa coisa: anjinhos é que não são! Já cá andam há muito tempo e têm sabido manter-se vivos, aglutinados, negociando posições mesmo depois do colapso da ideologia que lhes deu origem. Como os crocodilos que já existiam antes dos dinossauros, sabem esperar a sua vez, viram opções à esquerda aparecer, desaparecer e eles ainda se mantêm; condições sociais favoráveis não faltarão de futuro para que se possam levantar um pouco mais. Mas... não passam disto, brilham como o fogo fátuo.
Neste exacto momento vivo no ano 2044. Através de uma das onze dimensões existentes consigo fazer passar estes textos que escrevo no meu presente sobre o passado de há 25 anos, ou seja o seu presente, caro leitor. Para mim são crónicas escritas no presente sobre o passado, para si são crónicas sobre o presente escritas no futuro.
17.5.11
3.5.11
O REI LEÃO
No dia 2 de Maio de 2011 o presidente norte-americano anunciou a morte do terrorista mais procurado de sempre. Nesse dia, lembro-me que gostaria, como todo o mundo, de me sentir sinceramente aliviado pela notícia mas não conseguia mandar embora uma estranha sensação de cheiro a esturro. Vamos a ver se entendi: o Obama matou o Osama? Certo: mas quem é o Obama, desculpem, quem é o Osama? Aliás quem são os O_amas? A única coisa que sei é que um representa o bem e outro o mal…
Como já não sou bebé, sei que o mundo não se define a preto e branco e o que há mais até, são zonas cinzentas; os arquétipos têm servido para nos ensinar, educar e orientar moralmente mas num estágio mais adulto, a nossa experiência e capacidade de raciocínio permite-nos ver e dissertar sobre o que não vemos. O modo como em geral as notícias nos são dadas e em particular sobre este caso levam-me a suspeitar que o modelo simplista de mal e bem está deliberadamente a ser doutrinado para a populaça.
Aparentemente, ambos tiveram berço humilde mas enquanto a origem do Osama aparece bem documentada, a do Obama anda envolta em mistério; Osama significa leão, Obama nasceu sob o signo do leão. Curiosamente, os seus destinos levam para caminhos opostos: enquanto a vida do Obama aparece bem documentada, a do Osama anda envolta em mistério… O que é que se passa aqui? Bom, isso não faço ideia mas sei que ambos têm um espectacular poder de comunicação, um na sombra, outro debaixo das luzes da ribalta e pelo facto de serem dois zés-ninguém leva-me a pensar que serão apenas representações! Já nem quero chegar ao ponto de especular se serão reais mas esforçando-me por ser um pouco mais pragmático, o facto é que não passam de testas-de-ferro de um poder único, esse sim com pedigree!
A semana que passou foi pródiga em diversão mediática, olá se foi!!! A 29 de Abril na Europa o casamento do príncipe inglês, o do reino dos três leões, com lua-de-mel marcada para o Médio Oriente e a 30 de Abril, véspera de feriado no mundo inteiro, nos Estados Unidos um jantar na casa branca com várias celebridades do mundo do espectáculo, políticos, homens de negócios, etc. Nesse jantar o presidente fez uma piada acerca da sua certidão de nascimento, apresentando a prova irrefutável da sua veracidade: mostrou um trecho do filme da Disney, "O Rei Leão", onde se faz passar por Simba, o jovem leãozinho herdeiro do trono da selva e arruma a questão, ao ridicularizar os seus detractores; segundo as notícias que nos fornecem, foi na noite de 30 de Abril que Obama ordenou a operação que culminaria na madrugada de 2 de Maio com o anúncio da morte da encarnação do mal, Osama, ou neste caso Scar (o que deixou uma cicatriz no coração da população mundial), o maquiavélico tio de Simba que manteve um reinado de terror. Caramba, isto é mais que um filme, é um gozo puro, uma autêntica palhaçada mediática, anunciar o que vai fazer com um filme da Disney...
Querem mais? Dia 1 de Maio João Paulo II foi beatificado e a 30 de Abril, há 66 anos (ui, só falta outro 6...) Hitler suicidou-se embora a sua morte só tenha sido anunciada ao mundo a… 2 de Maio, voilá! É "chato" mas as sacanas das coincidências têm tendência a serem fabricadas e a salpicar aqui e ali estes acontecimentos. Assim, os que foram educados para serem exímios na comunicação e na prestação de serviços aos seus superiores têm todo o apoio dos simbolismos, dos meios e das celebridades disponíveis; como contrapartida podem vangloriar-se de ficar na história.
Eu não sei mas se fosse a vocês não gostaria de ser tratado como uma criança (de facto é como gado) e desconfiava de tanta coincidência, de tanta historinha engraçada. Passava uma vista de olhos pelas notícias mais pequenas desses dias, assuntos que não chamaram tanto a atenção, sei lá, avanços científicos, decisões políticas que parecem inócuas, ambiente… Pode ser que aí se encontrem alguns dados para pensar ou até algumas peças que faltam para completar o puzzle porque a história e as ciências provam que é natural para quem está no topo da cadeia alimentar, usar e divertir-se com os outros seres abaixo. E o que me parece é que isto tudo tem sido uma história pegada para nos adormecer antes do abate...
P.S. Ah, ah, ah, também estou na fila do matadouro mas pelo menos vou-me rindo: noutra vertente, não há-de tardar quem diga que a morte do terrível leão seja o primeiro milagre do agora beato João Paulo II... Não admira: nesta história há despojos suficientes para distribuir por todos os sectores do controle de massas!
Como já não sou bebé, sei que o mundo não se define a preto e branco e o que há mais até, são zonas cinzentas; os arquétipos têm servido para nos ensinar, educar e orientar moralmente mas num estágio mais adulto, a nossa experiência e capacidade de raciocínio permite-nos ver e dissertar sobre o que não vemos. O modo como em geral as notícias nos são dadas e em particular sobre este caso levam-me a suspeitar que o modelo simplista de mal e bem está deliberadamente a ser doutrinado para a populaça.
Aparentemente, ambos tiveram berço humilde mas enquanto a origem do Osama aparece bem documentada, a do Obama anda envolta em mistério; Osama significa leão, Obama nasceu sob o signo do leão. Curiosamente, os seus destinos levam para caminhos opostos: enquanto a vida do Obama aparece bem documentada, a do Osama anda envolta em mistério… O que é que se passa aqui? Bom, isso não faço ideia mas sei que ambos têm um espectacular poder de comunicação, um na sombra, outro debaixo das luzes da ribalta e pelo facto de serem dois zés-ninguém leva-me a pensar que serão apenas representações! Já nem quero chegar ao ponto de especular se serão reais mas esforçando-me por ser um pouco mais pragmático, o facto é que não passam de testas-de-ferro de um poder único, esse sim com pedigree!
A semana que passou foi pródiga em diversão mediática, olá se foi!!! A 29 de Abril na Europa o casamento do príncipe inglês, o do reino dos três leões, com lua-de-mel marcada para o Médio Oriente e a 30 de Abril, véspera de feriado no mundo inteiro, nos Estados Unidos um jantar na casa branca com várias celebridades do mundo do espectáculo, políticos, homens de negócios, etc. Nesse jantar o presidente fez uma piada acerca da sua certidão de nascimento, apresentando a prova irrefutável da sua veracidade: mostrou um trecho do filme da Disney, "O Rei Leão", onde se faz passar por Simba, o jovem leãozinho herdeiro do trono da selva e arruma a questão, ao ridicularizar os seus detractores; segundo as notícias que nos fornecem, foi na noite de 30 de Abril que Obama ordenou a operação que culminaria na madrugada de 2 de Maio com o anúncio da morte da encarnação do mal, Osama, ou neste caso Scar (o que deixou uma cicatriz no coração da população mundial), o maquiavélico tio de Simba que manteve um reinado de terror. Caramba, isto é mais que um filme, é um gozo puro, uma autêntica palhaçada mediática, anunciar o que vai fazer com um filme da Disney...
Querem mais? Dia 1 de Maio João Paulo II foi beatificado e a 30 de Abril, há 66 anos (ui, só falta outro 6...) Hitler suicidou-se embora a sua morte só tenha sido anunciada ao mundo a… 2 de Maio, voilá! É "chato" mas as sacanas das coincidências têm tendência a serem fabricadas e a salpicar aqui e ali estes acontecimentos. Assim, os que foram educados para serem exímios na comunicação e na prestação de serviços aos seus superiores têm todo o apoio dos simbolismos, dos meios e das celebridades disponíveis; como contrapartida podem vangloriar-se de ficar na história.
Eu não sei mas se fosse a vocês não gostaria de ser tratado como uma criança (de facto é como gado) e desconfiava de tanta coincidência, de tanta historinha engraçada. Passava uma vista de olhos pelas notícias mais pequenas desses dias, assuntos que não chamaram tanto a atenção, sei lá, avanços científicos, decisões políticas que parecem inócuas, ambiente… Pode ser que aí se encontrem alguns dados para pensar ou até algumas peças que faltam para completar o puzzle porque a história e as ciências provam que é natural para quem está no topo da cadeia alimentar, usar e divertir-se com os outros seres abaixo. E o que me parece é que isto tudo tem sido uma história pegada para nos adormecer antes do abate...
P.S. Ah, ah, ah, também estou na fila do matadouro mas pelo menos vou-me rindo: noutra vertente, não há-de tardar quem diga que a morte do terrível leão seja o primeiro milagre do agora beato João Paulo II... Não admira: nesta história há despojos suficientes para distribuir por todos os sectores do controle de massas!
14.4.11
OS SENHORES DO TEMPO- 1ª PARTE
Nas férias da Páscoa, em 2011 a minha filha ligou-me de casa da avó às 8 horas da manhã e parecendo-me que estava a acordar disse-me com uma voz dramática e grave: "- Pai, ontem estava no computador, deixei-o ligado e saí mais ou menos por uma hora; quando cheguei estava tudo morto!!!" Confesso que fiquei um pouco preocupado e perguntei-lhe: "- Tudo morto o quê? O computador, o ecrã, a impressora?…" enquanto em milésimos de segundo no meu cérebro saltitavam em pânico opções cada vez mais absurdas (as flores lá de casa, animais de estimação que não existem, a avó?)… "-Não, pai: os Sims! (Para quem não sabe, os Sims são um jogo electrónico de simulação de vida, onde se podem criar e controlar as vidas de pessoas virtuais) Continuando: "- Deixei o jogo em play e quando cheguei estavam contas por pagar, trabalhos de casa espalhados pelo chão, restos de comida por todo o lado e três túmulos dentro de casa…"
Podemos pensar que este jogo mostra uma perspectiva redutora da vida mas, no mínimo, o seu criador fornece entretenimento juntamente com o seu ponto de vista pessoal. Apesar de ser só um jogo, logo submetido a uma lógica comercial e que a mim em particular não aquece nem arrefece, consigo encontrar inúmeras analogias com a vida "real". Porquê real entre aspas? Como sabem vivo no ano 2036, portanto o que vou dizer não é resultado de qualquer brilhantismo intelectual mas sim fruto do conhecimento desta época: que se saiba, existem 11 dimensões, ao contrário das 3 que julgávamos existentes em 2011; por isso vos escrevo a partir do futuro como se estivesse aí. Onze dimensões parecem-vos absurdas?
Experimentem desenhar uma paisagem com várias pessoas numa folha de papel; esse desenho é uma representação da realidade a duas dimensões, comprimento e largura, certo? Agora imaginem que essas pessoas na folha de papel tinham realmente vida; como acham que elas percepcionariam o mundo onde estão? A duas dimensões! Ou seja: se continuássemos a desenhar, essas pessoas que viam o mundo a duas dimensões simplesmente constatariam que novos riscos tinham sido acrescentados, sem conseguir perceber como eles lá foram parar. Num estágio civilizacional avançado deste micro-cosmos, talvez as suas leis da física explicassem muita coisa mas só uma teorização matemática muito evoluída faria com que eles compreendessem, mesmo sem continuar a ver, que aqueles riscos só poderiam ser feitos por algo que possuísse mais uma dimensão. Não se esqueçam que apesar de suspeitarem da existência desse tal objecto (o lápis) a única coisa que eles poderiam ambicionar alguma vez ver seria o (para nós) microscópico ponto de contacto da ponta do lápis com o papel, nunca o objecto tridimensional em si.
E que dizer das questões filosófico/religiosas que seriam levantadas acerca disto? O tal "lápis" faz o desenho sozinho ou há alguém a manipulá-lo? E finalmente, qual é o objectivo de qualquer uma destas duas identidades, o deus que desenha ou o deus que manipula o que desenha? Mal sabem eles que o seu criador pode ser uma criança na escola e que o desenho foi feito por esse deus mas mandado executar por um outro superior. E assim sucessivamente… Bom, pelo menos já sabem que se algum dos vossos rabiscos de infância se incendiar ou explodir sozinho foi porque atingiram um grau de civilização elevado que os levou à auto-destruição…
Podemos pensar que este jogo mostra uma perspectiva redutora da vida mas, no mínimo, o seu criador fornece entretenimento juntamente com o seu ponto de vista pessoal. Apesar de ser só um jogo, logo submetido a uma lógica comercial e que a mim em particular não aquece nem arrefece, consigo encontrar inúmeras analogias com a vida "real". Porquê real entre aspas? Como sabem vivo no ano 2036, portanto o que vou dizer não é resultado de qualquer brilhantismo intelectual mas sim fruto do conhecimento desta época: que se saiba, existem 11 dimensões, ao contrário das 3 que julgávamos existentes em 2011; por isso vos escrevo a partir do futuro como se estivesse aí. Onze dimensões parecem-vos absurdas?
Experimentem desenhar uma paisagem com várias pessoas numa folha de papel; esse desenho é uma representação da realidade a duas dimensões, comprimento e largura, certo? Agora imaginem que essas pessoas na folha de papel tinham realmente vida; como acham que elas percepcionariam o mundo onde estão? A duas dimensões! Ou seja: se continuássemos a desenhar, essas pessoas que viam o mundo a duas dimensões simplesmente constatariam que novos riscos tinham sido acrescentados, sem conseguir perceber como eles lá foram parar. Num estágio civilizacional avançado deste micro-cosmos, talvez as suas leis da física explicassem muita coisa mas só uma teorização matemática muito evoluída faria com que eles compreendessem, mesmo sem continuar a ver, que aqueles riscos só poderiam ser feitos por algo que possuísse mais uma dimensão. Não se esqueçam que apesar de suspeitarem da existência desse tal objecto (o lápis) a única coisa que eles poderiam ambicionar alguma vez ver seria o (para nós) microscópico ponto de contacto da ponta do lápis com o papel, nunca o objecto tridimensional em si.
E que dizer das questões filosófico/religiosas que seriam levantadas acerca disto? O tal "lápis" faz o desenho sozinho ou há alguém a manipulá-lo? E finalmente, qual é o objectivo de qualquer uma destas duas identidades, o deus que desenha ou o deus que manipula o que desenha? Mal sabem eles que o seu criador pode ser uma criança na escola e que o desenho foi feito por esse deus mas mandado executar por um outro superior. E assim sucessivamente… Bom, pelo menos já sabem que se algum dos vossos rabiscos de infância se incendiar ou explodir sozinho foi porque atingiram um grau de civilização elevado que os levou à auto-destruição…
OS SENHORES DO TEMPO - 2ª PARTE
Enrico Fermi, brilhante italiano prémio Nobel da física, levantou pela primeira vez em 1950 a seguinte questão: "-onde estão eles, (ou em alternativa) onde está o mundo?" O que ficou conhecido como o paradoxo de Fermi é uma contradição aparente entre as altas estimativas de probabilidade de existência de civilizações extra-terrestres, e a falta de evidências ou contactos com tais civilizações. Como disse na primeira parte, agora em 2036 sabe-se que há onze dimensões e continuando com o registo ficcional, posso tentar dar uma resposta aproximada ao sr. Fermi com o exemplo da folha de papel: provavelmente eles estão "aqui", ao "pé de nós" mas noutra dimensão; só por não os vermos não significa que não existam (ah, ah, ah, se tudo fosse assim tão simples em ciência…)
Este blog é um exemplo de que consegui abrir um canal para o passado mas ainda não se consegue lá ir fisicamente. Talvez a nossa incapacidade em os vêr, como dizia Fermi, se relacione com o facto de não termos ainda atingido a velocidade que nos permite ultrapassar o tempo, uma das dimensões superiores. Tudo o que vemos e podemos "tocar" baseia-se na nossa percepção linear: passado, presente e futuro. A luz ilumina-nos o presente e quando olhamos para o céu temos uma imagem do passado, podemos estar literalmente a ver uma estrela que na realidade já não existe: se o sol neste preciso momento "desligasse o interruptor" só daqui a 8 minutos ficaríamos "às escuras"; o futuro, por enquanto, ainda nos escapa.
Como sou só um especulador posso dar-me ao luxo de imaginar um tempo, dimensionalmente "acima", uma espécie de portal ou interior dum buraco negro, onde os cientistas em 2011 admitem que se atinge aquilo a que se convencionou chamar singularidade, ou seja destruição das leis da física que em português corrente significa: não fazem a pôrra de ideia nenhuma do que é! Possivelmente poderíamos lá chegar viajando a mais de 300 mil quilómetros por segundo num mahayana, sânscrito para grande veículo e onde o tempo "parasse" segundo a nossa percepção tridimensional. Sem entrar muito na polémica do fenómeno OVNI, acredito na possibilidade e acredito também em poucas pessoas que dizem tê-los visto. Alguns relatos referem a sua aparição como que "do nada", como se se tivesse "descolado" da tela do céu e se tivesse materializado num objecto metálico; talvez seja essa a nossa visão daquilo que se atravessa nas dimensões que podemos percepcionar.
Para mim, os maiores génios da humanidade são aqueles que misturam uma excepcional capacidade lógica com uma imaginação fervilhante; afinal é disso que todos somos feitos e, privilegiar ou glorificar apenas uma dos lobos do cérebro amputa-nos o valor enquanto seres humanos. Nicola Tesla foi um dos expoentes máximos da genialidade humana mas pessoas assim tendem a acabar mal se não se renderem totalmente ao poder; um dia abordarei o seu drama. Outro génio com melhor sorte, Einstein, que em 1905 já tinha estabelecido uma relação entre os conceitos de tempo e espaço também foi um dos cientistas mais intuitivos e imaginativos que existiram. Na mesma linha me parece ser João Magueijo, jovem cientista português autor de uma teoria que contesta o pilar da Teoria da Relatividade de Einstein: a de que a velocidade da luz no vácuo é sempre constante; o João diz que a velocidade da luz nem sempre foi constante… Espero que o consiga provar porque na minha imbecilidade de ficcionista, acho que também nem foi sempre constante como é a velocidade da luz que temos que nos dá a consciência da tal "realidade" em que vivemos.
Este blog é um exemplo de que consegui abrir um canal para o passado mas ainda não se consegue lá ir fisicamente. Talvez a nossa incapacidade em os vêr, como dizia Fermi, se relacione com o facto de não termos ainda atingido a velocidade que nos permite ultrapassar o tempo, uma das dimensões superiores. Tudo o que vemos e podemos "tocar" baseia-se na nossa percepção linear: passado, presente e futuro. A luz ilumina-nos o presente e quando olhamos para o céu temos uma imagem do passado, podemos estar literalmente a ver uma estrela que na realidade já não existe: se o sol neste preciso momento "desligasse o interruptor" só daqui a 8 minutos ficaríamos "às escuras"; o futuro, por enquanto, ainda nos escapa.
Como sou só um especulador posso dar-me ao luxo de imaginar um tempo, dimensionalmente "acima", uma espécie de portal ou interior dum buraco negro, onde os cientistas em 2011 admitem que se atinge aquilo a que se convencionou chamar singularidade, ou seja destruição das leis da física que em português corrente significa: não fazem a pôrra de ideia nenhuma do que é! Possivelmente poderíamos lá chegar viajando a mais de 300 mil quilómetros por segundo num mahayana, sânscrito para grande veículo e onde o tempo "parasse" segundo a nossa percepção tridimensional. Sem entrar muito na polémica do fenómeno OVNI, acredito na possibilidade e acredito também em poucas pessoas que dizem tê-los visto. Alguns relatos referem a sua aparição como que "do nada", como se se tivesse "descolado" da tela do céu e se tivesse materializado num objecto metálico; talvez seja essa a nossa visão daquilo que se atravessa nas dimensões que podemos percepcionar.
Para mim, os maiores génios da humanidade são aqueles que misturam uma excepcional capacidade lógica com uma imaginação fervilhante; afinal é disso que todos somos feitos e, privilegiar ou glorificar apenas uma dos lobos do cérebro amputa-nos o valor enquanto seres humanos. Nicola Tesla foi um dos expoentes máximos da genialidade humana mas pessoas assim tendem a acabar mal se não se renderem totalmente ao poder; um dia abordarei o seu drama. Outro génio com melhor sorte, Einstein, que em 1905 já tinha estabelecido uma relação entre os conceitos de tempo e espaço também foi um dos cientistas mais intuitivos e imaginativos que existiram. Na mesma linha me parece ser João Magueijo, jovem cientista português autor de uma teoria que contesta o pilar da Teoria da Relatividade de Einstein: a de que a velocidade da luz no vácuo é sempre constante; o João diz que a velocidade da luz nem sempre foi constante… Espero que o consiga provar porque na minha imbecilidade de ficcionista, acho que também nem foi sempre constante como é a velocidade da luz que temos que nos dá a consciência da tal "realidade" em que vivemos.
OS SENHORES DO TEMPO - 3ª PARTE
Não faço ideia se sou ateu ou simplesmente sem religião mas a leitura dos 5 primeiros livros da Bíblia hebraica ou da Bíblia cristã, alguns dos mais antigos escritos compilados pela humanidade, são extremamente deliciosos e interessantes para nos compreendermos enquanto espécie. Os teólogos dirão que a falta de entendimento destes textos por quem não segue uma ou outra religião se deve a uma atitude racionalista, más traduções ou interpretações erróneas. Quanto a mim, burro inculto, parece-me uma tentativa, até agora bem sucedida de fazer com que tribos dispersas geograficamente em ideias e crenças se reunam à volta de leis e regras estabelecidas, sei lá por quê ou quem. Não nos podemos esquecer que estes livros não foram escritos pela mão de Deus, no máximo foram ditados por Ele e são uma compilação de vários textos, aparentemente escritos por várias pessoas em diferentes épocas. Assim, embora se apele quase sempre à adoração "ao" Deus, há às vezes referência a outros deuses que giram na órbita "do" Deus Javé; é portanto admitido o politeísmo embora para os seguidores, o seu Deus seja o único digno de ser adorado. Basicamente não se diz que só existe um Deus, o que se diz é que o "meu é melhor que o teu". É como se no exemplo que dei sobre as duas dimensões, os judeus e os cristãos dissessem que tinham sido desenhados pela professora, vá lá, todas as pessoas que existem em desenhos; até há, de facto, outros desenhos feitos por alunos mas não interessa divagar sobre isso…
No princípio Deus criou o céu e a Terra, o seu espírito ia-se movendo sobre as águas e umas frases depois disse: "- Faça-se luz!" Parece que foi a partir desse Big Bang que começou a existir o tempo tal como o conhecemos porque Deus separou a luz das trevas e passou a chamar-lhes dia e noite; e fez-se tarde e manhã, ou seja criou-se uma ordem cronológica com base na luz que deu origem ao primeiro dia. No primeiro capítulo do Génesis, os nossos antepassados esclareceram-nos uns valentes milhares de anos antes de Einstein quanto à importância da relação entre luz e tempo. Quanto ao carácter de Deus omnipotente e omnisciente parece-me ter mudado ao longo do tempo: no antigo testamento mostra-se um pouco mesquinho e ciumento, mete-se nas contas das colheitas humanas, a sua ira é frequentemente saciada com holocaustos de animais, sacrifícios pessoais e até chega a instituir leis relativas a escravos!… No novo testamento já anda mais distante da humanidade, logo, talvez não se chateia tanto mas tem um filho que fala em nome d'Ele e sofre as maiores torturas por amor…
Outros deuses da antiguidade eram conhecidos por exibir humores volúveis e terem cortes reais à imagem dos humanos poderosos. Fica a ideia que também o deus judaico-cristão além de uma corte angelical, trata os humanos como lhes pertencendo, exigindo-lhes adoração, fidelidade e total devoção; tal e qual o que nós fazemos aos cães. Também lhes apuramos as raças, tiramos as crias a nosso bel-prazer, marcamo-los, alimentamo-los, exigimos amor e em troca permitimos-lhes uma vida mais confortável com umas festinhas à mistura; será assim que os cães vêem os donos, como deuses? Será que eles acham que nós é que os criámos? (Convido-vos a re-ler um post que publiquei em Janeiro de 2007 chamado "Cães") Há alguns vadios que não respeitam os humanos e esses, na complexa sociedade destes cheira-cús talvez sejam considerados os ateus, sacrílegos, etc. Uma coisa é certa: humanos mais poderosos tendem a considerar-se donos de humanos menos poderosos e sem as leis de Deus e a Sua orientação parece que todos estão condenados ao fracasso e daí estarmos quase há dois mil anos à espera que uma nova vinda de Cristo nos salve do caos a que chegámos; diariamente, milhões de humanos oram com devoção ou desespero pela intervenção divina nas suas vidas.
E assim, dando a volta ao texto chegámos novamente ao ponto de partida: de facto, a minha filha era a deusa dos Sims, foi ela que os criou e lhes deu vida. Quando os deixou sozinhos durante uma hora, eles ficaram entregues à sua sorte, acabando por se auto-aniquilar num ambiente caótico. Imagino que enquanto definhavam se tenham fartado de gritar a pedir ajuda divina mas ela chegou tarde demais… "- Então e agora filha, ficaste triste, não? Deram trabalho a criar e já te tinhas afeiçoado a eles?" "- Não há problema, papá! Antes de desligar o computador lembrei-me que podia NÃO salvar o jogo; assim quando o voltar a ligar, o jogo recomeça do ponto onde anteriormente tinha ficado, antes da desgraça…"
Será que é por a minha mente ter sido formatada entre o século XX e o XXI que isto me parece claro e simples? Aqueles seres chegaram a viver uma realidade alternativa onde se deu um colapso civilizacional e até morreram mas para eles deve ter sido só um sonho porque na verdade eles estão vivos e a vida continuou doutra forma… graças às leis do tempo e da intervenção divina. E nós? Será que somos também uma criação holográfica de algum deus sem a grandeza que imaginamos que ele deva ter?
No princípio Deus criou o céu e a Terra, o seu espírito ia-se movendo sobre as águas e umas frases depois disse: "- Faça-se luz!" Parece que foi a partir desse Big Bang que começou a existir o tempo tal como o conhecemos porque Deus separou a luz das trevas e passou a chamar-lhes dia e noite; e fez-se tarde e manhã, ou seja criou-se uma ordem cronológica com base na luz que deu origem ao primeiro dia. No primeiro capítulo do Génesis, os nossos antepassados esclareceram-nos uns valentes milhares de anos antes de Einstein quanto à importância da relação entre luz e tempo. Quanto ao carácter de Deus omnipotente e omnisciente parece-me ter mudado ao longo do tempo: no antigo testamento mostra-se um pouco mesquinho e ciumento, mete-se nas contas das colheitas humanas, a sua ira é frequentemente saciada com holocaustos de animais, sacrifícios pessoais e até chega a instituir leis relativas a escravos!… No novo testamento já anda mais distante da humanidade, logo, talvez não se chateia tanto mas tem um filho que fala em nome d'Ele e sofre as maiores torturas por amor…
Outros deuses da antiguidade eram conhecidos por exibir humores volúveis e terem cortes reais à imagem dos humanos poderosos. Fica a ideia que também o deus judaico-cristão além de uma corte angelical, trata os humanos como lhes pertencendo, exigindo-lhes adoração, fidelidade e total devoção; tal e qual o que nós fazemos aos cães. Também lhes apuramos as raças, tiramos as crias a nosso bel-prazer, marcamo-los, alimentamo-los, exigimos amor e em troca permitimos-lhes uma vida mais confortável com umas festinhas à mistura; será assim que os cães vêem os donos, como deuses? Será que eles acham que nós é que os criámos? (Convido-vos a re-ler um post que publiquei em Janeiro de 2007 chamado "Cães") Há alguns vadios que não respeitam os humanos e esses, na complexa sociedade destes cheira-cús talvez sejam considerados os ateus, sacrílegos, etc. Uma coisa é certa: humanos mais poderosos tendem a considerar-se donos de humanos menos poderosos e sem as leis de Deus e a Sua orientação parece que todos estão condenados ao fracasso e daí estarmos quase há dois mil anos à espera que uma nova vinda de Cristo nos salve do caos a que chegámos; diariamente, milhões de humanos oram com devoção ou desespero pela intervenção divina nas suas vidas.
E assim, dando a volta ao texto chegámos novamente ao ponto de partida: de facto, a minha filha era a deusa dos Sims, foi ela que os criou e lhes deu vida. Quando os deixou sozinhos durante uma hora, eles ficaram entregues à sua sorte, acabando por se auto-aniquilar num ambiente caótico. Imagino que enquanto definhavam se tenham fartado de gritar a pedir ajuda divina mas ela chegou tarde demais… "- Então e agora filha, ficaste triste, não? Deram trabalho a criar e já te tinhas afeiçoado a eles?" "- Não há problema, papá! Antes de desligar o computador lembrei-me que podia NÃO salvar o jogo; assim quando o voltar a ligar, o jogo recomeça do ponto onde anteriormente tinha ficado, antes da desgraça…"
Será que é por a minha mente ter sido formatada entre o século XX e o XXI que isto me parece claro e simples? Aqueles seres chegaram a viver uma realidade alternativa onde se deu um colapso civilizacional e até morreram mas para eles deve ter sido só um sonho porque na verdade eles estão vivos e a vida continuou doutra forma… graças às leis do tempo e da intervenção divina. E nós? Será que somos também uma criação holográfica de algum deus sem a grandeza que imaginamos que ele deva ter?
12.4.11
CUMPRIR OBJECTIVOS
Peço desculpa aos meus três leitores mas no post de ontem escrevi uma incorrecção: de facto, quem vem chefiar a delegação do FMI é um dinamarquês, embora na comunicação social tenha sido dito que seria um tal de Sanjeev Gupta; não se esqueçam que estou a escrever isto em 2036 e a memória já me vai faltando, embora não consiga explicar porque me esqueci desta troca mas lembro-me perfeitamente dum nome, julgo que indiano, ah ah ah...
Mesmo com a incorrecção, o espírito do texto mantém-se: para o restrito clube de poderosos do mundo as pessoas não são importantes; temos é de servi-los, cumprindo os objectivos das suas causas. A comunicação social é o megafone que espalha a doutrina, informando ou desinformando conforme as suas necessidades. Não estou com isto a sugerir que existam espiões em todas as redacções maquiavelicamente a manipular a informação mas sejamos honestos: isso não é preciso.
O que há, mais uma vez, são pessoas comuns a cumprir objectivos que vêm sempre de cima; essas pessoas foram sendo formadas numa determinada lógica educativa e essa lógica vai privilegiando formas de desempenho formatadas para problemas que aos poucos vão matando a capacidade de pensar. Enfim, este assunto também é muito interessante para abordar mas será matéria para outro post.
Por agora direi apenas que ao re...ver (2036 lembram-se?) uma entrevista que o Passos Coelho deu ontem na TVI, passavam em título algumas das frases-chave do seu discurso e numa dessas frases aparece escrita a palavra "COMVÉM". Não é preciso ser muito esperto para perceber que este erro não tem nada a ver com gralhas ou acordos ortográficos, revela apenas falta de leitura ao longo da vida... Se estas pessoas que trabalham nas redacções nem sequer sabem escrever como poderemos imaginar que alguma vez se deliciaram com o pensamento alheio de forma a situarem o seu próprio?
Todos nós estamos mais ou menos formatados para cumprir objectivos, sejam os nossos ou mandados por outros mas sobretudo se mexerem directamente com o funcionamento do complexo reptiliano que está ligado às funções mais básicas como defesa do território, sobrevivência, etc. Vou dar-vos um exemplo pessoal disso. Ainda ontem (ou seja, para mim, há 25 anos atrás) deixei à pressa o carro mal estacionado em segunda linha. Quando voltei para o arrumar convenientemente avaliei a situação: não vi nenhum lugar vago ao longo da rua mas descortinei um bastante estreito mesmo em frente que me iria dar algum trabalho a estacionar com cuidado; com esse objectivo em mente decidi que o melhor seria arrumá-lo de trás.
Ao fazer marcha-atrás uns metros para ter ângulo para a manobra, vi pelo retrovisor aquilo que parecia ser um lugar vago e até bastante espaçoso; não imaginam o que custou ao meu cérebro processar aquela informação! Entrei mentalmente em conflito: uma parte fortíssima de mim mandava-me continuar até cumprir o objectivo (eu já tinha visto anteriormente que não havia lugares, o estreito era o único disponível e alguém poderia roubá-lo entretanto), outra, a da "rebelião" sugeria-me virar o pescoço e confirmar se aquele novo lugar vago era mesmo verdade. Contra a minha "vontade" (até o braço queria meter sozinho a 1ª mudança para sair dali) virei o pescoço e verifiquei que era verdade; continuei nem um metro para trás e estacionei sem nenhuma dificuldade no novo e espaçoso lugar. Conclusão: foi tudo mais fácil e melhor para mim mas mesmo assim fiquei com uma sensação de frustração por não o ter posto onde tinha planeado. Isto é que é animalidade, hein? Saí dali a mentalizar-me que a segunda tinha sido a opção correcta, como se estivesse a pedir desculpa a mim próprio por me ter sabotado...
Mesmo com a incorrecção, o espírito do texto mantém-se: para o restrito clube de poderosos do mundo as pessoas não são importantes; temos é de servi-los, cumprindo os objectivos das suas causas. A comunicação social é o megafone que espalha a doutrina, informando ou desinformando conforme as suas necessidades. Não estou com isto a sugerir que existam espiões em todas as redacções maquiavelicamente a manipular a informação mas sejamos honestos: isso não é preciso.
O que há, mais uma vez, são pessoas comuns a cumprir objectivos que vêm sempre de cima; essas pessoas foram sendo formadas numa determinada lógica educativa e essa lógica vai privilegiando formas de desempenho formatadas para problemas que aos poucos vão matando a capacidade de pensar. Enfim, este assunto também é muito interessante para abordar mas será matéria para outro post.
Por agora direi apenas que ao re...ver (2036 lembram-se?) uma entrevista que o Passos Coelho deu ontem na TVI, passavam em título algumas das frases-chave do seu discurso e numa dessas frases aparece escrita a palavra "COMVÉM". Não é preciso ser muito esperto para perceber que este erro não tem nada a ver com gralhas ou acordos ortográficos, revela apenas falta de leitura ao longo da vida... Se estas pessoas que trabalham nas redacções nem sequer sabem escrever como poderemos imaginar que alguma vez se deliciaram com o pensamento alheio de forma a situarem o seu próprio?
Todos nós estamos mais ou menos formatados para cumprir objectivos, sejam os nossos ou mandados por outros mas sobretudo se mexerem directamente com o funcionamento do complexo reptiliano que está ligado às funções mais básicas como defesa do território, sobrevivência, etc. Vou dar-vos um exemplo pessoal disso. Ainda ontem (ou seja, para mim, há 25 anos atrás) deixei à pressa o carro mal estacionado em segunda linha. Quando voltei para o arrumar convenientemente avaliei a situação: não vi nenhum lugar vago ao longo da rua mas descortinei um bastante estreito mesmo em frente que me iria dar algum trabalho a estacionar com cuidado; com esse objectivo em mente decidi que o melhor seria arrumá-lo de trás.
Ao fazer marcha-atrás uns metros para ter ângulo para a manobra, vi pelo retrovisor aquilo que parecia ser um lugar vago e até bastante espaçoso; não imaginam o que custou ao meu cérebro processar aquela informação! Entrei mentalmente em conflito: uma parte fortíssima de mim mandava-me continuar até cumprir o objectivo (eu já tinha visto anteriormente que não havia lugares, o estreito era o único disponível e alguém poderia roubá-lo entretanto), outra, a da "rebelião" sugeria-me virar o pescoço e confirmar se aquele novo lugar vago era mesmo verdade. Contra a minha "vontade" (até o braço queria meter sozinho a 1ª mudança para sair dali) virei o pescoço e verifiquei que era verdade; continuei nem um metro para trás e estacionei sem nenhuma dificuldade no novo e espaçoso lugar. Conclusão: foi tudo mais fácil e melhor para mim mas mesmo assim fiquei com uma sensação de frustração por não o ter posto onde tinha planeado. Isto é que é animalidade, hein? Saí dali a mentalizar-me que a segunda tinha sido a opção correcta, como se estivesse a pedir desculpa a mim próprio por me ter sabotado...
11.4.11
GUIA DE SOBREVIVÊNCIA
No vosso amanhã concreto, ou seja 12 de Abril de 2011, chega a Portugal a delegação do FMI que vem negociar a rendição do país. Sim, não sei se repararam mas estivemos envolvidos numa guerra que perdemos! Talvez não saibam mas o representante do FMI é um sub-director europeu desta organização de nome indiano e conhecido pela alcunha de "chopper"; talvez a melhor tradução seja "o implacável cortador de carne nos talhos". Já agora fiquem também a saber que o seu director europeu é um tipo que se chama... António Borges e é membro do PSD... Não sei se tem uma alcunha mas à luz da história neste caso poderia ser o "foda-se que coincidência"... Segundo a imprensa, estima-se que o FMI vai ganhar 520 milhões de euros, enquanto os países europeus lucrarão 1060 milhões com a ajuda a Portugal. O que nos vão propor é que para viver mais uns anos a fingir que somos uma nação, paguemos mais por um empréstimo que nem no século XXX (o que já é bastante hard-core) conseguirá ser pago; basicamente o que nos vão dizer é que se queremos continuar a ter um país chamado Portugal, vamos ter de sofrer mais por isso...
O representante do governo vencido, o engenheir (não falta qualquer coisa?) José Sócrates, considerava-se um bom aluno europeu e julgava que o seu carisma o levaria longe. Quando percebeu que os seus professores sabem que além do "o" lhe falta também pedigree e que como todos os outros dirigentes internacionais era uma figura dispensável no contexto do poder ocidental, começou a procurar alternativas económicas através do Brasil e da China, tornando-se igualmente amigo de alguns desperados da cena internacional como Chavez ou Kadafhi! Depois de ter vivido anos numa ilusão narcisista, resolveu recentemente armar-se em patriota e bater teimosamente o pé à agenda internacional do poder económico. Agora parte para novas eleições com o habitual brilhantismo oratório com que costuma destroçar adversários, juntando-lhe a recém adquirida convicção de saber o que é menos mau para o país.
No mundo "marginal", Saddam Hussein, Kadafhi e dezenas de outros exemplos também julgavam que a sua secreta amizade com os poderosos da finança mundial os livrariam pessoalmente de danos de maior mas esquecem-se sempre que qualquer pessoa é dispensável: não interessam os meios, o que contam são os fins. Até podem sabê-lo de antemão mas como todos os dirigentes políticos traídos por "algo" mais poderoso, só no momento em que são traídos é que sentem na carne a desfeita e todos reagem com desorientação misturada com teimosia; qualquer tipo de reacção está prevista pelos traidores e o próximo passo já está delineado desde a partida. Entretanto, a situação fugiu ao controle do traído porque não se apercebeu que a opinião pública foi sendo "envenenada", os amigos esconderam-se, os inimigos aparecem com novas armas... Depois de acordarem da ilusão, sabem realmente o que está em causa, ficaram a conhecer as pessoas, mas... é tarde demais.
No mundo não ocidental os dirigentes geralmente resistem virando-se contra a própria população; nas democracias ocidentais, se se demitem a bem, ficam com uma vida privada melhor: mais rendimentos, cargos honoríficos... Se tiverem a sorte de serem "escolhidos" até lhes dão cargos mais poderosos do que os anteriores que detinham, como por exemplo Guterres, Barroso, Constâncio que vão continuando a servir ainda melhor os seus chefes... Em ambos os casos, civilizado ocidental ou reles ditador do terceiro mundo, as reacções são simplesmente manifestações de sobrevivência individual, nada mais que isso; podemos julgá-las com diferentes padrões morais, obter diferentes consequências mas cada um faz o que acha ser melhor para si, para sobreviver.
O engenheir Sócrates parece decidido em continuar a teimar até se tornar um mártir da causa nacional mas como eu vivo no futuro, aconselho-o a procurar uma via espiritual se não quer ser ridicularizado ou levar o país ao esmagamento; talvez os seus novos dotes de paladino fossem melhor empregues ao serviço da salvação das almas, já que os corpos parecem estar perdidos... Mas se com o engenheir seremos esmagados, com o auto-intitulado Obama de Massamá estamos condenados a sermos lentamente torturados em lume nada brando... No fundo ele não passa de um obediente Baldrick às ordens de Black Adder.
Então qual é a nossa hipótese de sobrevivência? Numa investigação de carácter pseudo-científico que desenvolvi, concluí que só há duas, os chamados 2 g's, coeficiente que determina o limite de tolerância máxima que o corpo de um povo pode suportar; o primeiro g é o método Gandhi, organizarmo-nos para resistir, resistir, resistir, e o segundo é o método Gagarin...
Gagarin? Eu explico. Amanhã é uma data assinalável por outro motivo: foi no dia 12 de Abril de 1961 que o primeiro homem saiu para o espaço; cumprem-se amanhã 50 anos sobre esse feito fantástico. Portanto, cá está uma dica: fujam, carago! Fujam, se possível para bem longe, fujam como puderem! Quem não conseguir entrar em órbita que encha os hospitais com doenças e os hospícios com desarranjos psiquiátricos que impeçam de andar em contacto com a realidade. Gostava de ver qual seria o próximo passo dos nossos "donos" se toda a população enlouquecesse subitamente... Matavam-nos?
O representante do governo vencido, o engenheir (não falta qualquer coisa?) José Sócrates, considerava-se um bom aluno europeu e julgava que o seu carisma o levaria longe. Quando percebeu que os seus professores sabem que além do "o" lhe falta também pedigree e que como todos os outros dirigentes internacionais era uma figura dispensável no contexto do poder ocidental, começou a procurar alternativas económicas através do Brasil e da China, tornando-se igualmente amigo de alguns desperados da cena internacional como Chavez ou Kadafhi! Depois de ter vivido anos numa ilusão narcisista, resolveu recentemente armar-se em patriota e bater teimosamente o pé à agenda internacional do poder económico. Agora parte para novas eleições com o habitual brilhantismo oratório com que costuma destroçar adversários, juntando-lhe a recém adquirida convicção de saber o que é menos mau para o país.
No mundo "marginal", Saddam Hussein, Kadafhi e dezenas de outros exemplos também julgavam que a sua secreta amizade com os poderosos da finança mundial os livrariam pessoalmente de danos de maior mas esquecem-se sempre que qualquer pessoa é dispensável: não interessam os meios, o que contam são os fins. Até podem sabê-lo de antemão mas como todos os dirigentes políticos traídos por "algo" mais poderoso, só no momento em que são traídos é que sentem na carne a desfeita e todos reagem com desorientação misturada com teimosia; qualquer tipo de reacção está prevista pelos traidores e o próximo passo já está delineado desde a partida. Entretanto, a situação fugiu ao controle do traído porque não se apercebeu que a opinião pública foi sendo "envenenada", os amigos esconderam-se, os inimigos aparecem com novas armas... Depois de acordarem da ilusão, sabem realmente o que está em causa, ficaram a conhecer as pessoas, mas... é tarde demais.
No mundo não ocidental os dirigentes geralmente resistem virando-se contra a própria população; nas democracias ocidentais, se se demitem a bem, ficam com uma vida privada melhor: mais rendimentos, cargos honoríficos... Se tiverem a sorte de serem "escolhidos" até lhes dão cargos mais poderosos do que os anteriores que detinham, como por exemplo Guterres, Barroso, Constâncio que vão continuando a servir ainda melhor os seus chefes... Em ambos os casos, civilizado ocidental ou reles ditador do terceiro mundo, as reacções são simplesmente manifestações de sobrevivência individual, nada mais que isso; podemos julgá-las com diferentes padrões morais, obter diferentes consequências mas cada um faz o que acha ser melhor para si, para sobreviver.
O engenheir Sócrates parece decidido em continuar a teimar até se tornar um mártir da causa nacional mas como eu vivo no futuro, aconselho-o a procurar uma via espiritual se não quer ser ridicularizado ou levar o país ao esmagamento; talvez os seus novos dotes de paladino fossem melhor empregues ao serviço da salvação das almas, já que os corpos parecem estar perdidos... Mas se com o engenheir seremos esmagados, com o auto-intitulado Obama de Massamá estamos condenados a sermos lentamente torturados em lume nada brando... No fundo ele não passa de um obediente Baldrick às ordens de Black Adder.
Então qual é a nossa hipótese de sobrevivência? Numa investigação de carácter pseudo-científico que desenvolvi, concluí que só há duas, os chamados 2 g's, coeficiente que determina o limite de tolerância máxima que o corpo de um povo pode suportar; o primeiro g é o método Gandhi, organizarmo-nos para resistir, resistir, resistir, e o segundo é o método Gagarin...
Gagarin? Eu explico. Amanhã é uma data assinalável por outro motivo: foi no dia 12 de Abril de 1961 que o primeiro homem saiu para o espaço; cumprem-se amanhã 50 anos sobre esse feito fantástico. Portanto, cá está uma dica: fujam, carago! Fujam, se possível para bem longe, fujam como puderem! Quem não conseguir entrar em órbita que encha os hospitais com doenças e os hospícios com desarranjos psiquiátricos que impeçam de andar em contacto com a realidade. Gostava de ver qual seria o próximo passo dos nossos "donos" se toda a população enlouquecesse subitamente... Matavam-nos?
4.4.11
O CRIADOR, A OBRA E A FAMA
Ainda hoje persiste no imaginário colectivo a ideia romântica de um artista envolto em fumo, mergulhado em álcool ou drogas, deambulando pela noite, abraçado a musas reais ou imaginárias e com pactos com deuses ou diabos… O grande público julga que é assim que se cria e muitas vezes essa imagem acaba por se sobrepor ao próprio trabalho. Dois dos maiores mitos acerca do trabalho criativo de um artista prendem-se com os seguintes aspectos: 1- a dependência de substâncias, algo ou alguém que levam à inspiração, e 2- a necessidade de experimentar previamente o que descreve na sua criação.
Poucos conhecem devidamente a obra de Fernando Pessoa mas toda a gente sabe que ele "gostava de beber uns copos"; o foco neste aspecto da personalidade do criador parece ser mais excitante do que o trabalho em si, descrito pelos eruditos como fantástico mas muito longe da realidade da massa inculta ou desinteressada. Assim, um simples traço de comportamento aproxima mais o "génio" ao comum mortal; o "deus" tem um defeito que todos nós podemos ter e acaba precisamente por ser essa a razão que o torna "popular", é um de nós "mas em bom". Esse caminho tem provado ser o mais duradouro no tempo em termos de fama, basta constatar o sucesso das histórias dos míticos heróis helénicos ou de Cristo, por exemplo.
Bach, Mozart e Beethoven não seriam seguramente modelos de carácter, eram imperfeitos como qualquer um de nós mas a obra não reflecte necessariamente os fait-divers pessoais pelos quais os criadores são conhecidos. Não precisaram de viver todas as emoções que as suas obras nos provocam, simplesmente precisaram de ter conhecimento delas e souberam criá-las com técnica musical. A música transporta consigo inspiração que por vezes consideramos divina mas os criadores não são deuses; quanto muito foram antenas ou canais de transmissão dessa inspiração. Portanto, estes três exemplos tinham um talento fora do comum, estudaram e trabalharam. Quem tem esse tal talento sabe que a criação é um processo solitário, implica liberdade individual e silêncio; só quem não os tem é que julga que precisa de ver e ouvir tudo o que existe, provavelmente para encontrar o seu espaço, ser reconhecido como parte deste ou daquele movimento ou para sugar qualquer coisa a obras que já tinham nascido elas próprias de reciclagens anteriores.
Na área do show-business a definição de artista passou a englobar criadores, reprodutores de formas de arte, entertainers, cozinheiros, bailarinas de strip-tease, fabricantes de produtos, etc, etc e a promiscuidade entre a personalidade do novo "artista" e o que ele produz é a norma. A proliferação de gente vulgar leva a que a popularidade destas pessoas esteja inevitavelmente ligada à exibição de alguma faceta mais excêntrica do seu aspecto ou do seu carácter; podemos julgar que isso é mais comum nos nossos dias mas na verdade, sempre foi assim. Não temos consciência disso porque não há nenhum contemporâneo das famosas excentricidades das vedetas do show-biz do século XIX, as das vedetas dos anos 60 morrerão com quem as viveu na sua juventude, as da Lady Gaga serão esquecidas assim que surgir outra diva; tirando isso, o trabalho que ficou sobreviverá ao autor?…
Por outro lado, se hoje perguntarmos a alguém quem é, quase toda a gente tende a dizer o que faz; é a profissão que define a pessoa? Não deveria ser a profissão apenas uma extensão do que ela própria é? Hoje, no modelo de sociedade industrializado, o reconhecimento da individualidade e do nosso lugar na hierarquia está intimamente relacionado com a actividade que produzimos; logo, se não formos reconhecidos pela actividade não somos ninguém… Por isso toda a gente procura algum tipo de notoriedade mediática, acompanhar a moda em permanência, para se sentir alguém em vida e tenho a certeza que essa pessoa morrerá mais feliz se o conseguir plenamente; certo, mas o que deixou de si para inspirar gerações vindouras?
Sem uma obra, o espírito do tempo condenará ao esquecimento estas pessoas; para os artistas com obra uns serão lembrados como caricaturas e outros como retratos duma determinada época; muito poucos transcenderão o seu tempo, acabando por se tornar clássicos e como tal, modelos de intemporalidade a seguir. "Os clássicos são livros que, quanto mais pensamos conhecer por ouvir dizer, quando são lidos de facto mais se revelam novos, inesperados, inéditos" - Italo Calvino.
E já agora Fernando Pessoa dizia que "a fama é para as actrizes e para os produtos farmacêuticos". Pois é: tirando a Aspirina e a Coca-Cola, assim de repente não me lembro de nenhum produto que tenha passado tantas gerações; actrizes, lembro-me de várias cuja lembrança morrerá comigo; só não morrerão se tiverem participado num filme de um daqueles realizadores que transcendem a época. A obra de Fernando Pessoa viverá eterna; e além disso, com ela, o homem que a criou.
Poucos conhecem devidamente a obra de Fernando Pessoa mas toda a gente sabe que ele "gostava de beber uns copos"; o foco neste aspecto da personalidade do criador parece ser mais excitante do que o trabalho em si, descrito pelos eruditos como fantástico mas muito longe da realidade da massa inculta ou desinteressada. Assim, um simples traço de comportamento aproxima mais o "génio" ao comum mortal; o "deus" tem um defeito que todos nós podemos ter e acaba precisamente por ser essa a razão que o torna "popular", é um de nós "mas em bom". Esse caminho tem provado ser o mais duradouro no tempo em termos de fama, basta constatar o sucesso das histórias dos míticos heróis helénicos ou de Cristo, por exemplo.
Bach, Mozart e Beethoven não seriam seguramente modelos de carácter, eram imperfeitos como qualquer um de nós mas a obra não reflecte necessariamente os fait-divers pessoais pelos quais os criadores são conhecidos. Não precisaram de viver todas as emoções que as suas obras nos provocam, simplesmente precisaram de ter conhecimento delas e souberam criá-las com técnica musical. A música transporta consigo inspiração que por vezes consideramos divina mas os criadores não são deuses; quanto muito foram antenas ou canais de transmissão dessa inspiração. Portanto, estes três exemplos tinham um talento fora do comum, estudaram e trabalharam. Quem tem esse tal talento sabe que a criação é um processo solitário, implica liberdade individual e silêncio; só quem não os tem é que julga que precisa de ver e ouvir tudo o que existe, provavelmente para encontrar o seu espaço, ser reconhecido como parte deste ou daquele movimento ou para sugar qualquer coisa a obras que já tinham nascido elas próprias de reciclagens anteriores.
Na área do show-business a definição de artista passou a englobar criadores, reprodutores de formas de arte, entertainers, cozinheiros, bailarinas de strip-tease, fabricantes de produtos, etc, etc e a promiscuidade entre a personalidade do novo "artista" e o que ele produz é a norma. A proliferação de gente vulgar leva a que a popularidade destas pessoas esteja inevitavelmente ligada à exibição de alguma faceta mais excêntrica do seu aspecto ou do seu carácter; podemos julgar que isso é mais comum nos nossos dias mas na verdade, sempre foi assim. Não temos consciência disso porque não há nenhum contemporâneo das famosas excentricidades das vedetas do show-biz do século XIX, as das vedetas dos anos 60 morrerão com quem as viveu na sua juventude, as da Lady Gaga serão esquecidas assim que surgir outra diva; tirando isso, o trabalho que ficou sobreviverá ao autor?…
Por outro lado, se hoje perguntarmos a alguém quem é, quase toda a gente tende a dizer o que faz; é a profissão que define a pessoa? Não deveria ser a profissão apenas uma extensão do que ela própria é? Hoje, no modelo de sociedade industrializado, o reconhecimento da individualidade e do nosso lugar na hierarquia está intimamente relacionado com a actividade que produzimos; logo, se não formos reconhecidos pela actividade não somos ninguém… Por isso toda a gente procura algum tipo de notoriedade mediática, acompanhar a moda em permanência, para se sentir alguém em vida e tenho a certeza que essa pessoa morrerá mais feliz se o conseguir plenamente; certo, mas o que deixou de si para inspirar gerações vindouras?
Sem uma obra, o espírito do tempo condenará ao esquecimento estas pessoas; para os artistas com obra uns serão lembrados como caricaturas e outros como retratos duma determinada época; muito poucos transcenderão o seu tempo, acabando por se tornar clássicos e como tal, modelos de intemporalidade a seguir. "Os clássicos são livros que, quanto mais pensamos conhecer por ouvir dizer, quando são lidos de facto mais se revelam novos, inesperados, inéditos" - Italo Calvino.
E já agora Fernando Pessoa dizia que "a fama é para as actrizes e para os produtos farmacêuticos". Pois é: tirando a Aspirina e a Coca-Cola, assim de repente não me lembro de nenhum produto que tenha passado tantas gerações; actrizes, lembro-me de várias cuja lembrança morrerá comigo; só não morrerão se tiverem participado num filme de um daqueles realizadores que transcendem a época. A obra de Fernando Pessoa viverá eterna; e além disso, com ela, o homem que a criou.
8.7.10
DANTES E AGORA
Como vivo em 2035 e quero evitar confusões mentais com os meus leitores que vivem em 2010, esclareço que o termo "dantes" que doravante usarei neste post se refere aos anos 70/80 do séc. XX e que o termo "agora" se refere precisamente a 2010.
Um dos grandes marcos rituais da minha vida, foi a passagem para a adolescência que coincidiu exactamente com o 25 de Abril de 1974. Era uma época de grande abertura de costumes e ainda me lembro, por exemplo, que nenhuma revista de anedotas era engraçada mas tinham muitas mulheres nuas; hoje as revistas são uma anedota, todas têm mulheres nuas mas sem graça nenhuma... Dantes eram pin-ups com pentelheeeeeiras, agora são gajas com tatuaaaaagens; dantes havia fotos muito manhoooooosas, agora têm photo-shop! Se os adolescentes queriam ver algo com sexo podiam escolher entre as revistas Tânia e Gina; hoje, qualquer criança que vá ao Google tropeça em sexo. Dantes usava-se bigodinho na cara dos homens, agora usa-se bigodinho na pachacha das mulheres. O gel usava-se no cabelo, agora é nas unhas. Dantes o plástico ia substituindo o vidro, agora substitui as mamas.
Dantes atirávamos comida para o lixo, agora há quem vá buscar comida ao lixo. Dantes só se bebia água da torneira, agora a água da torneira compra-se em garrafas. Dantes só nos despíamos perante um médico, agora até para entrar num avião nos despimos. Dantes fazíamos exames porque estávamos doentes, agora fazemos exames para provar que somos saudáveis. Dantes a televisão era um luxo, agora a televisão é um lixo. Dantes o futebol português era mau e não ganhava nada, agora é bom e não ganha nada. Dantes adoravam-se deuses, agora adora-se tudo. Dantes havia casamentos para encobrir a homossexualidade, agora há casamentos para expor a homossexualidade.
Dantes o natal era a 25 de Dezembro, agora são dois meses! Dantes apanhava-se mais depressa um mentiroso que um coxo, agora os mentirosos governam-nos, deixam-nos coxos e ninguém os apanha. Dantes trabalhávamos para gozar a reforma, agora é a reforma que goza connosco. Dantes as férias eram um mês num ano de trabalho, agora, com sorte, o trabalho é um mês num ano de férias. Dantes ganhava-se muito dinheiro com negócios da China, agora os chineses ficam com o negócio todo. Dantes, com o Salazar, vivíamos orgulhosamente sós, agora com a União Europeia vivemos envergonhadamente acompanhados pela Grécia. Dantes toda a gente se preocupava com o importante, agora toda a gente se preocupa com o supérfluo. Dantes, "cultura" era mais lavrar a terra que a identidade própria de um povo; agora nem uma coisa nem outra...
Um dos grandes marcos rituais da minha vida, foi a passagem para a adolescência que coincidiu exactamente com o 25 de Abril de 1974. Era uma época de grande abertura de costumes e ainda me lembro, por exemplo, que nenhuma revista de anedotas era engraçada mas tinham muitas mulheres nuas; hoje as revistas são uma anedota, todas têm mulheres nuas mas sem graça nenhuma... Dantes eram pin-ups com pentelheeeeeiras, agora são gajas com tatuaaaaagens; dantes havia fotos muito manhoooooosas, agora têm photo-shop! Se os adolescentes queriam ver algo com sexo podiam escolher entre as revistas Tânia e Gina; hoje, qualquer criança que vá ao Google tropeça em sexo. Dantes usava-se bigodinho na cara dos homens, agora usa-se bigodinho na pachacha das mulheres. O gel usava-se no cabelo, agora é nas unhas. Dantes o plástico ia substituindo o vidro, agora substitui as mamas.
25.5.10
MATÉRIA
Aqui em 2035 lembro-me como todos nós recebemos em 2010 o penúltimo papa e voltei a emocionar-me com a candura e fé dos portugueses; um povo como este nasceu para ser “papado” mas as coisas não deveriam ser assim! Quem tem consciência disso, em vez de se aproveitar e nos explorar, podia dar um sinal claro de evolução civilizacional respeitando-nos, tal como deveríamos todos fazer o mesmo com a natureza. Somos um povo infantil e na sua vertente mais positiva estamos ao nível das tribos “perdidas” de África, da Oceânia e da Amazónia, alegres e criativos; esta é uma identidade que é urgente preservar como forma de garantir a diversidade e em última análise, garantir a própria continuidade da espécie humana. Na sua vertente mais negativa somos melancólicos, invejosos e desconfiados; pois eu nunca vi tamanha alegria, entrega e devoção a alguém como a que dispensamos aos papas que nos visitam. João Paulo II arrastava multidões em quase todo o lado mas para além disso, em Portugal teve também uma ligação única e pessoal. Com a visita ao nosso país, Bento XVI praticamente limpou a imagem bolorenta e ganhou novo fôlego para o seu ego e o da Igreja! Fantástico! Se as coisas estiverem a correr mal no Vaticano, já sabem: uma visita a Portugal relança a carreira!
Ninguém quer pensar nisso, aliás, a fé deve andar sempre longe do pensamento racional mas quem o faz sabe bem que a religião organizada é um dos maiores embustes da humanidade. Não sei muito bem o que são anti-Cristos nem sei se os católicos considerarão Leão X, que reinou entre 1513 e 1521 como tal; numa carta dirigida a um cardeal, este papa escreveu que “desde tempos imemoriais que se sabe quão proveitosa nos tem sido esta fábula de Jesus Cristo”… Talvez a minha questão seja simplesmente esta: eu gostava de acreditar mas não consigo! Se quiserem saber em que acredito, digo-o frontalmente: no génio humano! No génio para criar deuses, mitos, tecnologia, construir civilizações, destruir outras, enfim, sobreviver egoisticamente a todo o custo no imediato mesmo que isso implique a não sobrevivência a longo prazo. O grande problema é este: vivemos num mundo de matéria e não há volta a dar a isto! Os deuses faraós morriam, Cristo também e eu já não me estou a sentir nada bem… Esta angústia existencial é o que as religiões tentam acalmar dizendo que nos falta Deus nas nossas vidas, logo é melhor acreditar que os faraós foram para outro lado, Cristo ressuscitou e eu posso continuar descansado a ser explorado porque quando morrer serei recompensado. Talvez até seja meritório acalmar o espírito num estágio mais infantil, precisamos de confiança para crescer mas à medida que o fazemos, o processo deveria consistir na desmistificação das fábulas e concentrarmo-nos na nossa evolução, sabendo que somos frágeis. A nossa insegurança pessoal não deveria dominar toda a existência; assumir num estágio adulto que somos temporários dar-nos-ia a oportunidade de progredirmos enquanto civilização.
Podemos não compreender quase nada do nosso mundo mas pelo menos, pelo estudo da história já sabemos que há sempre uma coisa que leva a outra, determinadas circunstâncias criam outras, ou seja, não sabemos donde veio e o que provoca mas sabemos como funciona; este é um dos poucos factos que podemos ter como certos, certo? Continuando este raciocínio: se nunca se conseguiu uma prova cabal da existência de outras civilizações fora da Terra, como querem logo que eu queime etapas e tenha a certeza que algum ser divino nos criou? Mais facilmente acreditaria em extra-terrestres que em Deus! De todos os nossos irmãos seres vivos da Terra somos os únicos que possuem uma civilização tecnológica, nunca vi formigas a construir foguetões para ir ao espaço, portanto, primeiro seria necessário saber se há outro tipo de irmãos no universo, só depois poderíamos cruzar informação para tentar conhecer a mãe. Não havendo troca sexual para gerar, o termo “mãe” parece-me mais correcto; além disso “pai” é um termo com uma origem demasiado suspeita porque na nossa espécie primata são os machos que dominam. Se as hienas filosofarem, provavelmente acreditam em Deusa que teve uma filha, Crista, que veio ao mundo para salvar a hienidade…
Várias vezes assisti pela televisão às celebrações do 13 de Maio em Fátima e fui informado de vários milagres associados à fé, como entrevados que se levantam e cancros que se curam; sim, é incrível mas dentro do fantástico leque de possíveis milagres há um bastante simples para o anunciado poder de Deus e que desde sempre me intrigou ele não ter capacidade para o realizar: fazer crescer membros em amputados! Segundo os crentes, Ele foi capaz de criar o universo, pôr planetas a mexer, sóis a brilhar mas isso parece-me uma simples constatação preguiçosa: vemos algo e atribuímos-lhe um significado que depois é perpetuado conforme o potencial de quem o inventa. Os fantásticos milagres relatados na Bíblia não mais se repetiram, não há vivos que o confirmem nem registos em vídeo no YouTube, e os mais pequenos a que hoje temos direito são quase todos explicados pela incómoda e por vezes odiada ciência. E mais: não é preciso ter fé para eles acontecerem, para obter algumas curas milagrosas e até para mortos acordarem nas morgues; agora, uma coisa tão fácil para Deus como fazer crescer um membro num amputado, torna-se impossível neste cruel mundo material. Há portanto uma clara selecção no tipo de milagres que Deus executa: aqueles que a ciência pode explicar. Assim, quase que posso garantir o seguinte: se alguma vez a minha vida for transformada por um milagre não será por causa da minha fé em Deus. Então para que precisamos dele? Sejamos honestos: só para nos agarrarmos a algo em momentos de aflição que podem ser superados pelo génio humano e para evitar os desvarios desse mesmo génio; já que nem a pena de morte pode travar pelo medo alguns dos nossos irmãos, tem-se mantido esta forma de controle dum Big Father que tantos dividendos tem trazido aos seus agentes. Os pontos donde retiram o seu poder são as zonas da "alma" ou "espírito", algo ainda não definido, mas em concreto se pode dizer que é um filão que lhes permitirá talvez continuar a explorar eternamente.
Em resumo: apesar de tudo, a matéria é a única coisa que conhecemos vagamente, tudo o resto são esperanças, incertezas e fé. Fora da matéria, acredito que quando morrer, ou seja, quando esta organização atómica do qual sou composto e me dá consciência se desfizer a minha noção de mim vai exactamente para o mesmo local onde eu estava antes de nascer: no nada! Algumas moléculas do meu desorganizado corpo irão desaparecer e outras continuarão a existir associadas a organismos vivos ou não vivos. Com sorte, algumas das moléculas que passaram por mim viverão no futuro numa rocha à beira-mar, numa flor de laranjeira ou nos olhos de uma criança.
Ninguém quer pensar nisso, aliás, a fé deve andar sempre longe do pensamento racional mas quem o faz sabe bem que a religião organizada é um dos maiores embustes da humanidade. Não sei muito bem o que são anti-Cristos nem sei se os católicos considerarão Leão X, que reinou entre 1513 e 1521 como tal; numa carta dirigida a um cardeal, este papa escreveu que “desde tempos imemoriais que se sabe quão proveitosa nos tem sido esta fábula de Jesus Cristo”… Talvez a minha questão seja simplesmente esta: eu gostava de acreditar mas não consigo! Se quiserem saber em que acredito, digo-o frontalmente: no génio humano! No génio para criar deuses, mitos, tecnologia, construir civilizações, destruir outras, enfim, sobreviver egoisticamente a todo o custo no imediato mesmo que isso implique a não sobrevivência a longo prazo. O grande problema é este: vivemos num mundo de matéria e não há volta a dar a isto! Os deuses faraós morriam, Cristo também e eu já não me estou a sentir nada bem… Esta angústia existencial é o que as religiões tentam acalmar dizendo que nos falta Deus nas nossas vidas, logo é melhor acreditar que os faraós foram para outro lado, Cristo ressuscitou e eu posso continuar descansado a ser explorado porque quando morrer serei recompensado. Talvez até seja meritório acalmar o espírito num estágio mais infantil, precisamos de confiança para crescer mas à medida que o fazemos, o processo deveria consistir na desmistificação das fábulas e concentrarmo-nos na nossa evolução, sabendo que somos frágeis. A nossa insegurança pessoal não deveria dominar toda a existência; assumir num estágio adulto que somos temporários dar-nos-ia a oportunidade de progredirmos enquanto civilização.
Podemos não compreender quase nada do nosso mundo mas pelo menos, pelo estudo da história já sabemos que há sempre uma coisa que leva a outra, determinadas circunstâncias criam outras, ou seja, não sabemos donde veio e o que provoca mas sabemos como funciona; este é um dos poucos factos que podemos ter como certos, certo? Continuando este raciocínio: se nunca se conseguiu uma prova cabal da existência de outras civilizações fora da Terra, como querem logo que eu queime etapas e tenha a certeza que algum ser divino nos criou? Mais facilmente acreditaria em extra-terrestres que em Deus! De todos os nossos irmãos seres vivos da Terra somos os únicos que possuem uma civilização tecnológica, nunca vi formigas a construir foguetões para ir ao espaço, portanto, primeiro seria necessário saber se há outro tipo de irmãos no universo, só depois poderíamos cruzar informação para tentar conhecer a mãe. Não havendo troca sexual para gerar, o termo “mãe” parece-me mais correcto; além disso “pai” é um termo com uma origem demasiado suspeita porque na nossa espécie primata são os machos que dominam. Se as hienas filosofarem, provavelmente acreditam em Deusa que teve uma filha, Crista, que veio ao mundo para salvar a hienidade…
Várias vezes assisti pela televisão às celebrações do 13 de Maio em Fátima e fui informado de vários milagres associados à fé, como entrevados que se levantam e cancros que se curam; sim, é incrível mas dentro do fantástico leque de possíveis milagres há um bastante simples para o anunciado poder de Deus e que desde sempre me intrigou ele não ter capacidade para o realizar: fazer crescer membros em amputados! Segundo os crentes, Ele foi capaz de criar o universo, pôr planetas a mexer, sóis a brilhar mas isso parece-me uma simples constatação preguiçosa: vemos algo e atribuímos-lhe um significado que depois é perpetuado conforme o potencial de quem o inventa. Os fantásticos milagres relatados na Bíblia não mais se repetiram, não há vivos que o confirmem nem registos em vídeo no YouTube, e os mais pequenos a que hoje temos direito são quase todos explicados pela incómoda e por vezes odiada ciência. E mais: não é preciso ter fé para eles acontecerem, para obter algumas curas milagrosas e até para mortos acordarem nas morgues; agora, uma coisa tão fácil para Deus como fazer crescer um membro num amputado, torna-se impossível neste cruel mundo material. Há portanto uma clara selecção no tipo de milagres que Deus executa: aqueles que a ciência pode explicar. Assim, quase que posso garantir o seguinte: se alguma vez a minha vida for transformada por um milagre não será por causa da minha fé em Deus. Então para que precisamos dele? Sejamos honestos: só para nos agarrarmos a algo em momentos de aflição que podem ser superados pelo génio humano e para evitar os desvarios desse mesmo génio; já que nem a pena de morte pode travar pelo medo alguns dos nossos irmãos, tem-se mantido esta forma de controle dum Big Father que tantos dividendos tem trazido aos seus agentes. Os pontos donde retiram o seu poder são as zonas da "alma" ou "espírito", algo ainda não definido, mas em concreto se pode dizer que é um filão que lhes permitirá talvez continuar a explorar eternamente.
Em resumo: apesar de tudo, a matéria é a única coisa que conhecemos vagamente, tudo o resto são esperanças, incertezas e fé. Fora da matéria, acredito que quando morrer, ou seja, quando esta organização atómica do qual sou composto e me dá consciência se desfizer a minha noção de mim vai exactamente para o mesmo local onde eu estava antes de nascer: no nada! Algumas moléculas do meu desorganizado corpo irão desaparecer e outras continuarão a existir associadas a organismos vivos ou não vivos. Com sorte, algumas das moléculas que passaram por mim viverão no futuro numa rocha à beira-mar, numa flor de laranjeira ou nos olhos de uma criança.
20.1.10
PREVISÕES PARA 2010
Uma amiga jornalista que trabalhava na redacção de uma conhecida revista contou-me que ligaram para a astróloga de serviço, pedindo para lhes mandar rapidamente as previsões para essa semana, o que ainda não tinha feito; o fecho de redacção estava próximo e tinham apenas umas horas para a enviar para impressão. Alegando que já não tinha tempo para o fazer, a astróloga sugeriu que fossem aos arquivos buscar as previsões para a mesma semana referentes ao ano passado; justificou com um "sabem como é: não tem grande importância, os ciclos anuais andam todos, mais ou menos à volta do mesmo". Houve alguma risota indignada na redacção mas enfim, lá se publicou...
Sem pretender minimamente esconder a proveniência do seguinte texto, digo-vos frontalmente que ele foi retirado de um post que publiquei neste blog em 29 de Dezembro de 2006, referindo-se às minhas previsões para 2007; podem considerá-lo válido para 2010, ok?
"Segundo a astrologia da Oceânia, 2007 estará sob a influência do signo do Ornitorrinco. Tal como o animal que lhe dá nome, este será um ano de contradições e absurdos. As condições climatéricas extremas dominarão na natureza e várias figuras públicas mundiais morrerão durante o próximo ano. Em Portugal o governo de José Sócrates continuará a impôr-nos dificuldades não sendo de excluir uma vistoria fiscal a todas as empresas portuguesas na ânsia de encontrar alguma moeda perdida no chão. As novelas continuarão a dominar o panorama audio-visual e os Xutos e Pontapés continuarão a tocar. Só para concluír direi, para quem desconhece a astrologia Oceânica, que todos os anos são regidos pelo signo do Ornitorrinco."
Quem é que continua a pensar que a atitude da astróloga foi assim tão descabida?...
Sem pretender minimamente esconder a proveniência do seguinte texto, digo-vos frontalmente que ele foi retirado de um post que publiquei neste blog em 29 de Dezembro de 2006, referindo-se às minhas previsões para 2007; podem considerá-lo válido para 2010, ok?
"Segundo a astrologia da Oceânia, 2007 estará sob a influência do signo do Ornitorrinco. Tal como o animal que lhe dá nome, este será um ano de contradições e absurdos. As condições climatéricas extremas dominarão na natureza e várias figuras públicas mundiais morrerão durante o próximo ano. Em Portugal o governo de José Sócrates continuará a impôr-nos dificuldades não sendo de excluir uma vistoria fiscal a todas as empresas portuguesas na ânsia de encontrar alguma moeda perdida no chão. As novelas continuarão a dominar o panorama audio-visual e os Xutos e Pontapés continuarão a tocar. Só para concluír direi, para quem desconhece a astrologia Oceânica, que todos os anos são regidos pelo signo do Ornitorrinco."
Quem é que continua a pensar que a atitude da astróloga foi assim tão descabida?...
19.1.10
ONDE PÁRA A INFÂNCIA?
Uma tendência que se tinha vindo a acentuar nos últimos anos, acabou por se confirmar em 2009: a infância morreu! Muito do entretenimento de BD e filmes que se dirigia a um target dos 5 aos 9 anos sofreu um re-styling, cresceu e tornou-se adolescente. Hoje a carga sexual desceu as escadas da adolescência e chegou ao patamar da infância, ou melhor: todos os que passam a fase de bebé, por volta dos 4 anos, são imediatamente seduzidos a arrepiar caminho, a subir sofregamente os degraus que conduzem ao patamar da pré-adolescência. Como ninguém quer ser o último nem gosta de ficar pelo caminho, assim que percebem que os seus amigos estão a subir a escadaria de interesses, precipitam-se em direcção a eles mesmo não percebendo bem atrás do que correm… Assim, é ver uma multidão de crianças numa ânsia desenfreada para chegar o mais rapidamente possível ao patamar seguinte. Como os verdadeiros pré-adolescentes não querem ser vistos ao pé de bebés, fogem em direcção ao patamar superior e assim sucessivamente até aos adultos que independentemente da idade recusam-se a sair do patamar dos 21 anos: o culto da juventude arrasa tudo, mesmo os velhos têm vergonha de não estar na moda…
O resultado é que a zona dos 5 aos 9 anos ficou vazia, apenas com algumas crianças perdidas. E porque é que esta zona ficou deserta? Porque as multinacionais assim como “montam e desmontam a tenda” nos locais economicamente mais vantajosos perceberam que é mais rentável “puxar” os seus habitantes naturais para outro local. O objectivo é apenas um: abreviar rapidamente esse espaço temporal inútil de 4 a 5 anos, rentabilizar as crianças, torná-las consumidoras, cônscias do sentido da utilidade, encaminhá-las tão breve quanto possível para a roda do trabalho/consumo. As crianças precisam de muito tempo para brincar, interagir com os pais, não fazer nada mas isso está a ser totalmente negado pela sociedade em geral...
Um dia ainda virá mais cedo mas por enquanto, a despedida da fase pré-primária marca afinal a despedida de toda a infância. É a época em que a conspiração empresas/estado e os próprios pais, já doutrinados com esta filosofia de utilidade, começam a encher a cabeça dos filhos com preocupações, tarefas e trabalhos. Haverá algum pai, nas sociedades capitalistas urbanas que queira ver os seus filhos fora de actividades formativas como a informática, o inglês, a música, a natação, andar a cavalo, etc.? Os exemplos de quem não tem essas possibilidades estão aí à vista por todo o lado, sob a forma de miúdos pobres ou desamparados que não têm actividades extra-curriculares e brincam na rua, à mercê dos mais terríveis prognósticos: marginalidade e deficiente preparação para integrar um mercado que subtilmente entrou no nosso léxico quotidiano, o mercado de trabalho; o tal que permite ter condições para consumir (viver).
A imprevisibilidade do génio humano dá azo a excepções mas basicamente já está tudo mais ou menos previamente organizado: as crianças que não tiveram investimento na sua formação são canalizadas para a marginalidade ou empregos como caixas de supermercado, operários, seguranças, etc. No entanto, o mais curioso é que as que tiveram um bárbaro investimento parental, aquelas cujos pais dinamizaram a economia consumindo livros, actividades físicas, computadores, formação específica, psicólogos e sei lá mais o quê, nem assim se livram de serem apenas “normais”, já que o tal mercado de trabalho está saturado de licenciados! Depois dos sacrifícios, da escravatura duma vida e de terem esturrado uma fortuna a educar os filhos, quando chegam a esse beco sem saída é que os pais compreendem na carne aquilo que distingue à partida os casos de sucesso: é, não só a formação, mas sobretudo a família de origem. Por isso, há tantos interessados em começar a criar essas raízes que dão estatuto (perante o resto da sociedade é mais importante que o dinheiro), sendo que a forma mais prosaica de as conseguir é através do mundo do espectáculo; até os ricos lá andam e qualquer macaco com um talento especial pode salientar-se e criar uma dinastia. Agora os pais procuram nos filhos a mais leve inclinação, o mais ténue talento que permita vingar nesta área, de modo a canalizar todo o seu esforço para a formação de especialistas em entretenimento. Infelizmente, a grande maioria acaba por denegrir as nobres artes circenses, tornando-se imitações pobres de palhaços ricos.
Até aos 4 anos, o entretenimento é baseado no estímulo visual de cores garridas, sobretudo primárias: o Noddy usa t-shirt azul, calções vermelhos, barrete azul, lenço amarelo às bolas vermelhas e sapatos vermelhos; o Ruca só muda a cor da t-shirt para amarelo, os sapatos têm atacadores verdes e é careca; o Bob Construtor tem um macacão azul, camisa aos quadrados amarela e laranja, sapatos com as mesmas cores e capacete amarelo. A partir desta idade passamos imediatamente para o estímulo 3D ou dos brilhantes made in China, usados até escalões etários impensáveis há uns anos. Já restam poucos heróis animais ou em desenhos animados, salta-se por cima de toda a infância e o que é oferecido às crianças a partir dos 5 anos são novelas com actores humanos sobre o dia-a-dia das escolas, séries de feiticeiros e magias, séries sobre o mundo do espectáculo, séries acerca de séries, assexuadas, sim, mas onde se discutem namoros, os primeiros beijos, gravidezes e abortos, casamentos e divórcios… É interessante notar que a Disney que sustentou o seu crescimento na divulgação de histórias com animais, seja agora uma das locomotivas desta nova ideologia antropomorfizada: hoje os heróis continuam a ter um passado familiar mais ou menos conturbado ou nebuloso, frequentam a escola e são vedetas do show-biz. Tudo me leva a crer que se o Ruca transpusesse a barreira etária dos 4 anos, imediatamente os seus pais se divorciavam e mesmo assim já levava um ano de bónus sobre a média dos casamentos…
Longe vão os tempos do Pluto, que significa Plutão em inglês e apareceu com esse nome para capitalizar a popularidade da descoberta em 1930 do novo planeta que ao fim duns anos se provou ser um aldrabão, tendo-nos enganado durante décadas em relação à sua importância: afinal não passa de um reles calhau! De qualquer forma a mascote do rato Mickey era um cão normal. Andava pelado sobre 4 patas, ao contrário do Pateta, o melhor amigo de Mickey, um cão que andava todo vestido, erecto e falava. Mickey, namorada e sobrinhos eram todos pretos e só tinham direito a usar uma t-shirt, com as partes pudibundas ao léu; a Minnie andava nua da cintura para baixo mas com luvas e sapatos de salto alto… A sua melhor amiga era uma vaca, Clarabela, que tinha um “amigo especial“, como agora se diz, o Horácio, um cavalo! Sobre o ramo dos patos o panorama físico e psicológico não era mais policromático: todos brancos, também andavam nus da cintura para baixo, nunca se soube quem eram os pais, apenas existiam tios e sobrinhos e a Margarida era uma pata que namorava com o Donald mas mantinha-se sempre aberta à sedução do Gastão; com um era pata, com o outro uma p… Só a inocência relativa à época em que estas personagens apareceram, permitiu que nunca tivéssemos reparado nestas poucas-vergonhas…
Agora a Moranguinho, um bebé que já foi rechonchudo, tornou-se uma menina de formas esguias, a Turma da Mônica cresceu, as personagens ganharam maminhas, acne, penteados jovens, skates e telemóveis, a Barbie ganhou carta de condução, bebés, enfim todos subiram de escalão etário. Aqueles que mantiveram os desenhos originais, no mínimo mudaram a ideologia para um nível acima e se antigamente eram os maiores da rua deles, hoje lutam pelo planeta contra os mais terríveis vilões. Enquanto os super-poderes dos defensores da humanidade foram crescendo, os dos arqui-inimigos também se incrementaram e as lutas cada vez mais titânicas passaram a incluir todo o universo. Como anda tudo à bulha no mesmo palco, a Terra e como já são heróis e malfeitores a mais no mesmo espaço, muitas batalhas são travadas em dimensões paralelas às nossas ou em locais imaginários, criados numa primeira fase pelos vídeo-jogos. Os miúdos sabem todos os pormenores destes conflitos mas não fazem a mínima ideia quem foi Hitler ou a extensão dos estragos causados pelo seu ódio. A mim, por exemplo, continua a fazer-me imensa confusão a inconveniente ausência do Homem-Aranha, o Super-Homem ou o Capitão América durante o ataque às torres gémeas no dia 11 de Setembro de 2001…
O resultado é que a zona dos 5 aos 9 anos ficou vazia, apenas com algumas crianças perdidas. E porque é que esta zona ficou deserta? Porque as multinacionais assim como “montam e desmontam a tenda” nos locais economicamente mais vantajosos perceberam que é mais rentável “puxar” os seus habitantes naturais para outro local. O objectivo é apenas um: abreviar rapidamente esse espaço temporal inútil de 4 a 5 anos, rentabilizar as crianças, torná-las consumidoras, cônscias do sentido da utilidade, encaminhá-las tão breve quanto possível para a roda do trabalho/consumo. As crianças precisam de muito tempo para brincar, interagir com os pais, não fazer nada mas isso está a ser totalmente negado pela sociedade em geral...
Um dia ainda virá mais cedo mas por enquanto, a despedida da fase pré-primária marca afinal a despedida de toda a infância. É a época em que a conspiração empresas/estado e os próprios pais, já doutrinados com esta filosofia de utilidade, começam a encher a cabeça dos filhos com preocupações, tarefas e trabalhos. Haverá algum pai, nas sociedades capitalistas urbanas que queira ver os seus filhos fora de actividades formativas como a informática, o inglês, a música, a natação, andar a cavalo, etc.? Os exemplos de quem não tem essas possibilidades estão aí à vista por todo o lado, sob a forma de miúdos pobres ou desamparados que não têm actividades extra-curriculares e brincam na rua, à mercê dos mais terríveis prognósticos: marginalidade e deficiente preparação para integrar um mercado que subtilmente entrou no nosso léxico quotidiano, o mercado de trabalho; o tal que permite ter condições para consumir (viver).
A imprevisibilidade do génio humano dá azo a excepções mas basicamente já está tudo mais ou menos previamente organizado: as crianças que não tiveram investimento na sua formação são canalizadas para a marginalidade ou empregos como caixas de supermercado, operários, seguranças, etc. No entanto, o mais curioso é que as que tiveram um bárbaro investimento parental, aquelas cujos pais dinamizaram a economia consumindo livros, actividades físicas, computadores, formação específica, psicólogos e sei lá mais o quê, nem assim se livram de serem apenas “normais”, já que o tal mercado de trabalho está saturado de licenciados! Depois dos sacrifícios, da escravatura duma vida e de terem esturrado uma fortuna a educar os filhos, quando chegam a esse beco sem saída é que os pais compreendem na carne aquilo que distingue à partida os casos de sucesso: é, não só a formação, mas sobretudo a família de origem. Por isso, há tantos interessados em começar a criar essas raízes que dão estatuto (perante o resto da sociedade é mais importante que o dinheiro), sendo que a forma mais prosaica de as conseguir é através do mundo do espectáculo; até os ricos lá andam e qualquer macaco com um talento especial pode salientar-se e criar uma dinastia. Agora os pais procuram nos filhos a mais leve inclinação, o mais ténue talento que permita vingar nesta área, de modo a canalizar todo o seu esforço para a formação de especialistas em entretenimento. Infelizmente, a grande maioria acaba por denegrir as nobres artes circenses, tornando-se imitações pobres de palhaços ricos.
Até aos 4 anos, o entretenimento é baseado no estímulo visual de cores garridas, sobretudo primárias: o Noddy usa t-shirt azul, calções vermelhos, barrete azul, lenço amarelo às bolas vermelhas e sapatos vermelhos; o Ruca só muda a cor da t-shirt para amarelo, os sapatos têm atacadores verdes e é careca; o Bob Construtor tem um macacão azul, camisa aos quadrados amarela e laranja, sapatos com as mesmas cores e capacete amarelo. A partir desta idade passamos imediatamente para o estímulo 3D ou dos brilhantes made in China, usados até escalões etários impensáveis há uns anos. Já restam poucos heróis animais ou em desenhos animados, salta-se por cima de toda a infância e o que é oferecido às crianças a partir dos 5 anos são novelas com actores humanos sobre o dia-a-dia das escolas, séries de feiticeiros e magias, séries sobre o mundo do espectáculo, séries acerca de séries, assexuadas, sim, mas onde se discutem namoros, os primeiros beijos, gravidezes e abortos, casamentos e divórcios… É interessante notar que a Disney que sustentou o seu crescimento na divulgação de histórias com animais, seja agora uma das locomotivas desta nova ideologia antropomorfizada: hoje os heróis continuam a ter um passado familiar mais ou menos conturbado ou nebuloso, frequentam a escola e são vedetas do show-biz. Tudo me leva a crer que se o Ruca transpusesse a barreira etária dos 4 anos, imediatamente os seus pais se divorciavam e mesmo assim já levava um ano de bónus sobre a média dos casamentos…
Longe vão os tempos do Pluto, que significa Plutão em inglês e apareceu com esse nome para capitalizar a popularidade da descoberta em 1930 do novo planeta que ao fim duns anos se provou ser um aldrabão, tendo-nos enganado durante décadas em relação à sua importância: afinal não passa de um reles calhau! De qualquer forma a mascote do rato Mickey era um cão normal. Andava pelado sobre 4 patas, ao contrário do Pateta, o melhor amigo de Mickey, um cão que andava todo vestido, erecto e falava. Mickey, namorada e sobrinhos eram todos pretos e só tinham direito a usar uma t-shirt, com as partes pudibundas ao léu; a Minnie andava nua da cintura para baixo mas com luvas e sapatos de salto alto… A sua melhor amiga era uma vaca, Clarabela, que tinha um “amigo especial“, como agora se diz, o Horácio, um cavalo! Sobre o ramo dos patos o panorama físico e psicológico não era mais policromático: todos brancos, também andavam nus da cintura para baixo, nunca se soube quem eram os pais, apenas existiam tios e sobrinhos e a Margarida era uma pata que namorava com o Donald mas mantinha-se sempre aberta à sedução do Gastão; com um era pata, com o outro uma p… Só a inocência relativa à época em que estas personagens apareceram, permitiu que nunca tivéssemos reparado nestas poucas-vergonhas…
Agora a Moranguinho, um bebé que já foi rechonchudo, tornou-se uma menina de formas esguias, a Turma da Mônica cresceu, as personagens ganharam maminhas, acne, penteados jovens, skates e telemóveis, a Barbie ganhou carta de condução, bebés, enfim todos subiram de escalão etário. Aqueles que mantiveram os desenhos originais, no mínimo mudaram a ideologia para um nível acima e se antigamente eram os maiores da rua deles, hoje lutam pelo planeta contra os mais terríveis vilões. Enquanto os super-poderes dos defensores da humanidade foram crescendo, os dos arqui-inimigos também se incrementaram e as lutas cada vez mais titânicas passaram a incluir todo o universo. Como anda tudo à bulha no mesmo palco, a Terra e como já são heróis e malfeitores a mais no mesmo espaço, muitas batalhas são travadas em dimensões paralelas às nossas ou em locais imaginários, criados numa primeira fase pelos vídeo-jogos. Os miúdos sabem todos os pormenores destes conflitos mas não fazem a mínima ideia quem foi Hitler ou a extensão dos estragos causados pelo seu ódio. A mim, por exemplo, continua a fazer-me imensa confusão a inconveniente ausência do Homem-Aranha, o Super-Homem ou o Capitão América durante o ataque às torres gémeas no dia 11 de Setembro de 2001…
15.1.10
GORDOS
Em Janeiro de 2010 tinha 48 anos, agora em 2035, tenho 73. É verdade que não tenho obesos na família, o que reduz bastante essa tendência mas passei os últimos 30 e tal anos sentado em frente a um computador sem nunca fazer exercício, o único que faço é de casa para o café; continuo a não engordar! É estranho… Será porque aos primeiros sinais de obesidade parava de ingerir porcarias, tipo snacks, hamburgers, bebidas com gás, deixei de comer mais do que precisava e acabei com os jantares alarves? Bastou isto? Nunca fiz dieta e só durante uma fase da minha vida andei num ginásio, no entanto mantenho-me sempre no mesmo peso. Parece milagre, não? Como não acredito em prodígios nem acredito que pertença a uma espécie rara de humanos, só consigo concluir a partir da minha própria experiência o seguinte: a justificação do sedentarismo como motivo para a obesidade parece-me demasiado empolada.
No natal de 2009 resolvi passar para DVD bobines de filmes super 8 deixadas pelo meu pai, filmadas entre os anos 60 e 70 e que não via há uns 20 anos; a minha namorada, mais preocupada com essas questões reparou num pormenor: nem vou falar das crianças, mas em centenas de adultos que lá aparecem em mais de 4 horas de filmagens, só um era gordo! Quando andava na escola primária, na minha turma só havia um gordo, cuja alcunha era… o gordo! No liceu, mais do mesmo: havia um gordo na turma cuja alcunha era… o gordo! As histórias do menino Nicolau de Sempé e Goscinny que eu devorava e ainda leio, relatam as aventuras de uma turma de crianças onde uma delas é… gorda! Isto significa que no universo em que cresci a percentagem de gordos era tão baixa que um gordo era um freak, uma espécie única que se tornava notada por isso mesmo. Só para rematar devo-vos dizer que há alguns anos fizemos uma reunião de antigos alunos do liceu que nunca mais tinha visto e todos estavam disformes como se tivesse explodido uma bomba dentro deles; o único que estava magro era… o gordo!
Que eu saiba, ninguém que aparece nos tais filmes passava fome e nós em particular comíamos que nem bestas e no entanto eram todos magros, em contraste com a percentagem de gordos que existe hoje. Que me lembre, as profissões eram maioritariamente sedentárias e ninguém fazia o mínimo exercício além de andar. O ideal de beleza feminina era muito mais “cheínho” nos anos 60 mas não tenho memória de tanta gorda como hoje; o que me lembro é dum ar “saudável”; hoje as mais cheias têm um ar doente. O que mudou? O parâmetro de avaliação? Talvez seja um pouco isso: hoje uma mulher, mesmo magra, já se acha uma gorda em potência mas esse facto também não explica tudo. O que se passa é que comemos imensos produtos processados que não existiam nessa época, ou eram consumidos de vez em quando, não regularmente. Depois, tudo o que é animal ou vegetal já cresceu à pressa, foi engordado à pressão para se tornar rentável o mais cedo possível. Quando ingerimos esses alimentos, parece que têm o mesmo efeito em nós: engordamos rapidamente! A seguir, toca a ir para o ginásio queimar violentamente mas acaba por ser um processo infinito porque ao continuar a ingerir este lixo, precisamos de exercício quase desumano para o eliminar. No momento em que se pára é o descalabro. Correr quilómetros por dia porquê? Somos todos geneticamente maratonistas, tipo Carlos Lopes? Veja-se o aspecto dele assim que parou de correr…
Tal como os animais e plantas que engordamos a um ritmo alucinante, somos máquinas de processar rapidamente. O motor do corpo tem as rotações puxadas ao máximo, muitas vezes ultrapassando os limites do risco vermelho que dá panne. Talvez para arrefecer a máquina, médicos e geneticistas passaram subitamente a recomendar a ingestão de quantidades absurdas de água. Sempre bebi um copito ou outro do precioso líquido mas de um dia para o outro “acordei” com recomendações de ingestão mínima de um litro por dia, e até já ouvi falar em dois litros diários!… Mas desde quando é que um ser humano precisa de andar acorrentado a um urinol? Está tudo louco? Acho que nem todos ensandeceram sobretudo se nos lembrarmos que uma garrafita de água mineral comprada numa bomba de gasolina custa quatro vezes mais que o combustível que pomos no depósito do carro! Hein? É verdade… Sempre a refilar com o preço dos combustíveis e mecanicamente damos uma moeda de 1€ por 0,25l de água…
E eis-nos de volta ao mesmo assunto de sempre dos posts deste ano: tem tudo uma razão económica! Não quero adiantar muito mais sobre o futuro mas recordem-se da crise económica mundial de 2008: fomos estimulados a comprar ao máximo e de repente tiram-nos todas as formas de continuar a consumir. Quem tiver um emprego é um abençoado pelos deuses, mesmo que esteja a ganhar muito menos que há 20 anos, quando o objectivo era encher-nos de produtos. Agora preparem-se para uma crise mundial de alimentação e água! Depois de nos terem criado o vício de comer e beber lixo, nos terem engordado durante décadas já há planos para nos tirar tudo e pôr-nos ainda mais dependentes do que houver. Comecem a fazer o desmame daquilo em que estão viciados e a preparar uns jejuns, se não querem ser apanhados de surpresa; é que se não o fizerem, a fome que passarem, misturada com o pouco lixo que conseguirem comer daqui a uns anos, ainda vos tornará mais gordos…
No natal de 2009 resolvi passar para DVD bobines de filmes super 8 deixadas pelo meu pai, filmadas entre os anos 60 e 70 e que não via há uns 20 anos; a minha namorada, mais preocupada com essas questões reparou num pormenor: nem vou falar das crianças, mas em centenas de adultos que lá aparecem em mais de 4 horas de filmagens, só um era gordo! Quando andava na escola primária, na minha turma só havia um gordo, cuja alcunha era… o gordo! No liceu, mais do mesmo: havia um gordo na turma cuja alcunha era… o gordo! As histórias do menino Nicolau de Sempé e Goscinny que eu devorava e ainda leio, relatam as aventuras de uma turma de crianças onde uma delas é… gorda! Isto significa que no universo em que cresci a percentagem de gordos era tão baixa que um gordo era um freak, uma espécie única que se tornava notada por isso mesmo. Só para rematar devo-vos dizer que há alguns anos fizemos uma reunião de antigos alunos do liceu que nunca mais tinha visto e todos estavam disformes como se tivesse explodido uma bomba dentro deles; o único que estava magro era… o gordo!
Que eu saiba, ninguém que aparece nos tais filmes passava fome e nós em particular comíamos que nem bestas e no entanto eram todos magros, em contraste com a percentagem de gordos que existe hoje. Que me lembre, as profissões eram maioritariamente sedentárias e ninguém fazia o mínimo exercício além de andar. O ideal de beleza feminina era muito mais “cheínho” nos anos 60 mas não tenho memória de tanta gorda como hoje; o que me lembro é dum ar “saudável”; hoje as mais cheias têm um ar doente. O que mudou? O parâmetro de avaliação? Talvez seja um pouco isso: hoje uma mulher, mesmo magra, já se acha uma gorda em potência mas esse facto também não explica tudo. O que se passa é que comemos imensos produtos processados que não existiam nessa época, ou eram consumidos de vez em quando, não regularmente. Depois, tudo o que é animal ou vegetal já cresceu à pressa, foi engordado à pressão para se tornar rentável o mais cedo possível. Quando ingerimos esses alimentos, parece que têm o mesmo efeito em nós: engordamos rapidamente! A seguir, toca a ir para o ginásio queimar violentamente mas acaba por ser um processo infinito porque ao continuar a ingerir este lixo, precisamos de exercício quase desumano para o eliminar. No momento em que se pára é o descalabro. Correr quilómetros por dia porquê? Somos todos geneticamente maratonistas, tipo Carlos Lopes? Veja-se o aspecto dele assim que parou de correr…
Tal como os animais e plantas que engordamos a um ritmo alucinante, somos máquinas de processar rapidamente. O motor do corpo tem as rotações puxadas ao máximo, muitas vezes ultrapassando os limites do risco vermelho que dá panne. Talvez para arrefecer a máquina, médicos e geneticistas passaram subitamente a recomendar a ingestão de quantidades absurdas de água. Sempre bebi um copito ou outro do precioso líquido mas de um dia para o outro “acordei” com recomendações de ingestão mínima de um litro por dia, e até já ouvi falar em dois litros diários!… Mas desde quando é que um ser humano precisa de andar acorrentado a um urinol? Está tudo louco? Acho que nem todos ensandeceram sobretudo se nos lembrarmos que uma garrafita de água mineral comprada numa bomba de gasolina custa quatro vezes mais que o combustível que pomos no depósito do carro! Hein? É verdade… Sempre a refilar com o preço dos combustíveis e mecanicamente damos uma moeda de 1€ por 0,25l de água…
E eis-nos de volta ao mesmo assunto de sempre dos posts deste ano: tem tudo uma razão económica! Não quero adiantar muito mais sobre o futuro mas recordem-se da crise económica mundial de 2008: fomos estimulados a comprar ao máximo e de repente tiram-nos todas as formas de continuar a consumir. Quem tiver um emprego é um abençoado pelos deuses, mesmo que esteja a ganhar muito menos que há 20 anos, quando o objectivo era encher-nos de produtos. Agora preparem-se para uma crise mundial de alimentação e água! Depois de nos terem criado o vício de comer e beber lixo, nos terem engordado durante décadas já há planos para nos tirar tudo e pôr-nos ainda mais dependentes do que houver. Comecem a fazer o desmame daquilo em que estão viciados e a preparar uns jejuns, se não querem ser apanhados de surpresa; é que se não o fizerem, a fome que passarem, misturada com o pouco lixo que conseguirem comer daqui a uns anos, ainda vos tornará mais gordos…
AVÉ NOVA DEUSA QUE NOS GUIA E PROTEGE!
De vez em quando são lançados uns iscos para ocupar aquilo que julgamos ser o nosso pensamento, a nossa opinião particular, quando, na verdade, estamos apenas a responder emocionalmente a estímulos exteriores. O último exemplo mais mediático, foi o laborioso trabalho prometido e executado para aprovar uma lei que permite o casamento gay. Geraram-se discussões acaloradas, a esquerda aplaudiu mas reclamou mais, um indivíduo socialmente influente disse que embora seja de direita, considerou essa aprovação um sinal de evolução civilizacional e o papa, talvez o mais anedótico de todos, justificou a sua oposição argumentando que esses casamentos põem em causa a reprodução da espécie; deve julgar que há poucos humanos no mundo e estes só se fazem com uma anilha no dedo. Ou será que a comunicação social só passou estas declarações infelizes retiradas dum contexto mais lato para achincalhar um dos mais conhecidos defensores do matrimónio à maneira "clássica"?…
Esta discussão é como um arbusto em que toda a gente debate a ramagem mas todos se esquecem de falar sobre a raiz. Escrevo sobre o assunto porque não ouvi ninguém referir as verdadeiras razões desta aprovação que são de natureza puramente económica, senão não o teriam feito, óbvio! É claro que medidas destas não vivem desacompanhadas de uma intenção de desgastar instituições que nos habituámos a respeitar. É como se os novos bispos, discípulos da matéria dissessem: "-meus amigos, as regras agora são outras e somos nós que as ditamos em nome do rigor orçamental". É também uma forma de dizer que nada escapa à nova deusa, a prepotente Economia; tudo está debaixo da sua alçada, a mais poderosa de todas! Se há instituições que se baseavam noutros princípios e iam sobrevivendo escondidas num sobretudo assobiando para o lado, não existirá o menor pejo em humilhá-las se oferecerem resistência. Não esqueçamos que a pouco e pouco, tudo se tem convertido a esta religião; a bem ou a mal como em todas.
Sou heterossexual (acho eu) e prezo de tal forma essa instituição que em mais de 48 anos de vida nunca me considerei apto para a abraçar. Receio de não ter a certeza se, por exemplo, a fidelidade conjugal seria até ao fim da vida? Talvez… O matrimónio era para sempre, um passo muito sério que se dava cuidadosamente e até os meus pais só o contraíram ao fim de 40 anos de convívio! Em países como o nosso, mais conservadores habituámos-nos a olhar com desdém para a prática dos casamentos por dá cá aquela palha, nos países mais liberais mas ainda chegará o dia em que a piada que foi a vida conjugal de Elisabeth Taylor será respeitada! Em 1928, sobre Portugal, Fernando Pessoa escrevia que "ninguém sabe que coisa quer, ninguém conhece que alma tem, nem o que é mal nem o que é bem"; pois bem: a partir de agora já temos liberdade legal para brincar aos casados e como o mais certo é não se ter a certeza se o acordo matrimonial é eterno, existe sempre a possibilidade de outro acordo: o divórcio! Concretamente o que foi feito foi incorporar mais uma instituição que assentava sobre valores éticos numa lógica capitalista: o casamento é um contrato material e ponto final. Os votos já não são trocados perante um padre representante de Deus na Terra que só permite a união entre sexos diferentes mas perante um bispo representante da nova deusa.
À luz da ciência e bem vistas as coisas, morfologicamente os sexos até podem ser definidos mas interiormente somos uma mistura química de percentagens de sexos diferentes. Os mais desequilibrados para um dos lados podem ter quase a certeza que pertencem a um género específico mas os mais equilibrados quimicamente são de que género? O matrimónio é uma tarefa complicada e não seria por muita gente ter desrespeitado os votos conjugais que a instituição perderia valor: vários reis tiveram amantes e outros eram obrigados a reproduzir-se com o horrível sexo oposto mas não era a instituição em si que estava mal, quem estava mal era quem borrava a pintura. A instituição é um código de conduta ideal e o esforço deveria ser feito para a cumprir. Por querer brincar aos casados, Henrique VIII criou uma nova religião na qual tinha o direito de fazer o que lhe apetecia e é essa herança cultural, política e económica que agora nos impõem. Este é que é o maior espinho encravado na garganta do papa católico mas não deixa de ser curioso que vários bispos anglicanos tenham recentemente pedido para voltar a abraçar o rebanho de Roma, fartos das "liberdades" da sua religião.
As regras do casamento são muito antiquadas? Então porque é que quem vive uma relação livre dessas regras deseja submeter-se a elas? Porque já sabe que são a fingir, são uma brincadeira, vêm transmitir mais pimenta à relação! Qual será o gozo de pessoas que eventualmente já vivem como uma família terem um papel a dizer que o são? Serão mais aceites socialmente do que já eram ou pretendem inconscientemente desmascarar a falsidade do carácter do casamento? É claro que os visados directos pela aprovação da lei aproveitaram para se fazer ouvir e reivindicar até ao limite possível o máximo de igualdade. Com este caminho aberto, meias-soluções não satisfizeram, havia que ir até ao fim. Na pós-aprovação da lei, e se quiserem justificar as suas pretensões, sugeria-lhes responder com um slogan publicitário em voga: "se eu podia viver sem o casamento? Podia mas não era a mesma coisa"; não dá "pica", digo eu... E também sugiro outra coisa: vamos mais longe! Acabemos de vez com este cinismo que entrava a plena integração social de todos os humanos e já agora com a parvoíce de, por exemplo, obrigatoriedade de cuidados na saúde e na doença, jurar fidelidade, etc. etc.; não há entretenimento, seguros de saúde e gajaria por aí aos pontapés? Não é para aí que caminhamos? Arrepiemos caminho e acabemos é com o casamento! No fundo, fraco como sou, sempre vivi sem ele mas admirando quem se empenhava, pensando que era uma meta apenas ao alcance de eleitos que deveriam atingir um certo grau de perfeição ao se dedicarem a cumprir as suas regras. E é nesta destruição de utopias, valores pelos quais valeria a pena lutar para se auto-melhorar que consiste a religião da nova deusa, Economia.
14.1.10
OS CUS DOS CAVALOS ROMANOS
Esta é a primeira vez que vos contarei um segredo verdadeiramente importante acerca do futuro: ele pode ser modificado aí no presente! Ou seja: se alguém resolver alterar o que está destinado a acontecer, o meu presente, o vosso futuro passa a ser um entre ziliões de futuros possíveis; a questão é que ninguém ainda o fez… Lembram-se da trilogia de filmes Regresso ao Futuro? É um pouco parecido com isso; a única diferença é que nessa série, as alterações no passado produziam apenas um único futuro; na verdade, o que sucede é que de cada vez que voltamos ao passado e o alteramos, estamos a somar mais um futuro alternativo que coexistirá numa dimensão paralela àquela em que vivemos. Parece complicado mas não é; o que é complicado é ter coragem de modificar o presente.
Admito que não seja uma tarefa fácil e também cada vez mais é complicado apenas um humano ter poder para isso. Hoje em dia, só um grupo muito forte de pessoas e acções poderia ter capacidade para o fazer; porquê? Porque desde há várias décadas que o nosso destino é traçado por um conjunto organizado de pessoas interessadas em controlá-lo e munida dos meios para o executar. Assim, se alguém desse um tiro na cabeça do Barak Obama, o presidente do banco europeu Jean Claude Trichet morresse num acidente, as sedes das maiores empresas do mundo ruíssem com um terramoto, os dirigentes eram substituídos, os bens reconstruídos e o sistema manter-se-ia. Se, na juventude, D. Afonso Henriques tivesse partido o pescoço num acidente de cavalo, muito provavelmente não existiria esta incómoda língua, nem um país tão controlável como descontrolado, chamado Brasil, ou seja: tinha feito muita diferença! Hoje, o ditado popular "uma andorinha não faz a primavera", faz todo o sentido, sendo que, para o nosso quotidiano material, a primavera vem quando esse grupo que decide por nós, assim o deseja.
Como conseguem fazê-lo? De base, têm os conhecimentos fundamentais das artes guerreiras e de organização, em especial do Império Romano. É notória, até em obras materiais, a adoração que a maior potência da actualidade, os Estados Unidos, nutre pelo Império Romano. Numa primeira fase de conquista este império estabeleceu-se através do estímulo de rivalidades locais (dividir para reinar); numa segunda fase, consolidou-se com a uniformização das leis, economia, religião, etc. (unir para reinar). Querem maior semelhança com a actualidade? Houve altos e baixos, os dirigentes sucederam-se às dezenas mas o império em si durou mais de 500 anos! São os mesmos princípios usados hoje, só que na altura não tinham todos os meios que existem agora. A idade média na civilização ocidental é tão odiada pelos grupos que nos controlam porque destruiu este modelo organizacional tão adorado. Estou convicto que se o império não tivesse caído de podre, empurrado pelos bárbaros, o homem tinha chegado à Lua no século XVI, se quisesse. É óbvio que não se consegue chegar ao ponto de controlar totalmente uma ovelha mas o grosso do rebanho é dirigido para onde se quer: há poucos seres mais dependentes de outros da sua espécie como os humanos. O controle do império era feito através de várias formas, entre outras: presença militar, vias de comunicação fluidas, apascentação dos povos com regalias, conflito permanente, distracções lúdicas ou religiosas, tudo isto sustentado numa corrupção generalizada. Voltamos ao mesmo: querem maior semelhança com a actualidade?
A tecnologia permite utilizar outras ferramentas mas o método é o mesmo. A força militar ainda é mais ou menos visível conforme as regiões. As comunicações dão a ilusão de liberdade individual mas a doutrinação de que somos alvo desde a nascença nunca nos permitirá conhecer outra forma de ver o mundo; só vemos as coisas da forma que nos foram ensinadas. Os grandes escritores, poetas, músicos, pensadores, filósofos etc. não são esquizofrénicos, alucinados, agarrados ao álcool, ópio, sexo e sei lá mais o quê que nos querem fazer crer; não! São pessoas que nos transmitiam a imagem da nossa própria dimensão humana e que em última análise podem hoje ser considerados subversivos. Por isso, as suas obras tendem a desaparecer do ensino e do consumo geral. Os livros transmissores de pensamento artisticamente contemplativo ou crítico, por exemplo, são uma espécie em vias de extinção. Além de as editoras já não publicarem este tipo de obras, as livrarias vão sendo substituídas por hipermercados que vendem aventuras mágicas, estudos ou tendências de fenómenos de moda, guias de viagens, gastronomia, biografias de pessoas banais, a maior parte, escritos de pobres de espírito que venceram materialmente ou ascenderam na escala social. São estes os nossos modelos. No fundo, é tudo o que nos impeça de pensar por nós; só nos são oferecidos escapes e formas de atingir o sucesso. Que ilusão… Para um atingir o sucesso, normalmente efémero, vários milhares foram condenados ao insucesso e como cada vez somos mais na Terra, é fazer as contas… Tenhamos sempre presente que os grandes mestres nunca não nos ensinaram a segui-los mas sim ajudaram-nos a pensar por nós próprios!
A internet ainda é livre, sim; mas o que é que isso interessa? Quantos têm tempo e capacidade para usar as suas potencialidades, de procurar e descobrir um grão de ouro no meio do desértico areal? O que há mais é fancaria e este falso brilho gera o efeito oposto à suposta liberdade anunciada: vivemos intoxicados de informação, musiquinhas incidentais, preocupações que não nos pertencem, tarefas que nos ocupam, aspirações que não desejávamos à partida… Em suma, temos a cabeça cheia de merda que impede o livre fluxo de ideias e que assim, permite sermos mais facilmente controlados. Infelizmente, agora também já ninguém precisa de nos mandar fazer seja o que for: este atavismo passou a fazer parte da nossa essência e se não nos distrairmos com qualquer coisa é a loucura, já não nos conseguimos ouvir no meio do "ruído" que produzimos e somos nós próprios que o procuramos de livre e espontânea vontade, de modo a nos sentirmos vivos.
Durante anos lutámos individualmente por conforto e agora que o temos mais ou menos generalizado procuramos o quê? Se fizermos um inquérito de rua a cidadãos comuns, ninguém sabe definir em concreto a razão de tanta ânsia. Tudo acaba inevitavelmente por confluir nas preocupações materiais, sobretudo na manutenção do nível de conforto a que nos habituámos; e é aqui que entra a apascentação das massas, misturada com o conflito permanente. O engordamento pacientemente cultivado ao longo de décadas, retirou-nos capacidade de reacção ao mesmo tempo que o medo da perda de regalias atormenta-nos o espírito e ela é uma ameaça constante, martelada e massificada pelos média. É o medo da perda que nos abre as portas da corrupção! Se nos países ocidentais as guerras têm os seus palcos em locais tão distantes, como manter a população em permanente pânico? Através da violência urbana, gangs, ameaças terroristas… A humanidade só produziu génios quando a luta pela sobrevivência estava assegurada; como não somos perfeitos, só dedicando totalmente a energia a um assunto, descurando outros, se chega lá e raríssimos foram os que escaparam a esta limitação. Ninguém que se preocupa em aparecer vivo todos os dias ou ter dinheiro para comer se põe a meditar sobre o sexo dos anjos. Esta constante exposição ao perigo é a forma de nos aniquilar os pensamentos! O resto do trabalho de alienação é complementado pela nossa dependência do entretenimento: nunca houve uma época tão fabulosa na história humana de oferta de entretenimento!
Há uns anos contaram-me uma história, não sei se verdadeira mas o que interessa é atentar nas ligações que as coisas têm, podemos não as conseguir explicar mas elas estão lá e às vezes até as intuímos; se as quisermos entender na totalidade só precisamos de procurá-las bem fundo e ter atenção à história: ela repete-se incessantemente. Uma das preocupações de manutenção do Império Romano eram as vias de comunicação e à medida que se ia expandindo eram construídas várias estradas; as que deixou nas ilhas Britânicas foram sempre usadas até à revolução industrial a partir da qual serviram de molde para a dimensão das linhas de caminho de ferro que se iniciaram. Nas colónias, o princípio era o mesmo, os modelos de construção tinham as medidas que eles usavam na metrópole: pés, galões, jardas e toda a espécie de medidas morfológicas de determinado rei que ainda usam hoje… Nos Estados Unidos as linhas de comboio que se construíram tiveram como base as medidas das linhas inglesas. Quando os Space Shuttles foram construídos, a sua dimensão e local de construção implicaram que fossem transportados para o sítio da montagem em peças de tamanho suficiente para caber nos comboios de mercadorias, ou seja: a fabricação dos Space Shuttles tinha condicionantes logísticas motivadas pelo tamanho das linhas de caminho de ferro que tinham as medidas inglesas, que tinham vindo de Inglaterra, que tinham sido construídas com base nas medidas das estradas romanas que eram construídas com essas medidas de forma a caberem nelas uma carroça com dois cavalos emparelhados. Em conclusão: o tamanho total de dois cus de cavalos lado a lado interferiu directamente, a 20 séculos de distância na fabricação do veículo tecnologicamente mais avançado feito pela humanidade, destinado a sair da órbita terrestre…
11.11.09
PRINCÍPIO, MEIO E FIM
Aproveitando a estreia em Portugal de 2009 do filme “2012” cujo tema é o fim do mundo, devo relembrar-vos que vivo em 2034 e até agora, fim, só vi o do “2001 Odisseia no Espaço” e tenho a impressão que ainda não percebi… Não me vou debruçar sobre a fita em si (uma ideia feliz para alguém fazer muito dinheiro) mas sobre o clima que permite que ela tenha espectadores, e que existe pelo menos desde a passagem de 1999 para 2000 ou, se quiserem, do século XX para o XXI. Se olharmos para a história com uma visão mais lata do tempo verificamos que não é surpresa que assim seja; nós, humanos, derrotámos tigres dentes de Sabre, até vamos matando alguns dragões mas o último desafio, vencer a morte, nunca conseguimos. Entretanto, quais macacos de Kubrik, vamos fazendo um escarcel tremendo antes de ela nos tomar. Deveríamos estar felizes por cá estar, respeitarmo-nos e o que nos circunda: somos parte do todo e um elo de ligação na cadeia que liga passado ao futuro. A contagem do tempo é meramente circunstancial e só ganha relevância a partir do ponto de vista do observador; como somos pequenos, o tempo que nos interessa também o é. Aqui é preciso fazer uma justa homenagem à civilização Maia pelo seu elevado grau de compreensão dos mecanismos do universo.
Noutras eras as preocupações da humanidade situavam-se num plano mais infantil de desenvolvimento como espécie: castigo e recompensa dos nossos actos perante um pai divino. No século XXI a humanidade está na adolescência, tomou consciência que cresceu e construiu por si os meios que lhe permitem tomar conta da "casa" sozinha. Agora já não há pai que nos castigue, precisamos rapidamente de nos tornar adultos e governarmo-nos com o que temos; ainda somos como jovens vivendo numa república estudantil em bebedeira constante, só fazendo disparates e partindo a casa toda. Assim, esta paranóia mundial com o fim só deveria ter paralelo com cuidados concretos para nos preservarmos a nós e ao planeta.
Em 2009 estávamos no fim de uma era, a era de Peixes e era normal que surgissem profetas e profecias anunciando o fim próximo; já o mesmo se tinha passado na transição da era de Carneiro para a de Peixes. Eu não vivi essa época mas caramba, basta ter lido um poucochinho sobre o assunto para nos virem à ideia várias semelhanças: acaso já ninguém se lembra que essa foi a altura em que Cristo surgiu, bem como milhares de outros profetas e profecias, todos mergulhados num contexto pré-apocalíptico? As suas fantasias eram mais ou menos semelhantes às dos profetas actuais, só que hoje, com mais rapidez de informação não há lugar para a manutenção de mitos muito prolongados no tempo. Os que existem são antigos, nasceram numa época em que não se pode provar muita coisa. Por isso já tivemos semi-deuses, milagres e hoje em dia nenhuma destas coisas fantásticas ocorre.
Consta que Cristo era diferente, embora se contextualizarmos a época não censuro quem não tenha pensado o mesmo… Sobretudo por causa dos que pegaram na sua história, este foi o profeta que vingou sobre os contemporâneos mas uma simples leitura do Livro escrito sobre a sua vida, faz-me crêr que ele e os acólitos mais próximos morreram a pensar que o dia do julgamento final se encontrava para breve. Talvez Cristo fosse diferente dos demais profetas porque acreditava genuinamente no que dizia e é sobre esse tipo de carácter que os oportunistas estabelecem o seu poder e levam uma vida confortável. Depois da sua morte e os séculos terem passado sem nenhum fim à vista, os seguidores encarregaram-se de esticar no tempo até ao infinito o tal dia do julgamento final, pudera: já cá andam há uns 2000 anos e conhecem bem os perigos de fazer afirmações rigorosas e definitivas sobre profecias! Desde sempre e ainda mais hoje em dia, os profetas perceberam que a imortalidade está directamente relacionada com o mediatismo das suas acções e com as sementes que deixam no coração dos outros, sendo isto tão válido para o ódio como para o amor! Muitas vezes, mais do que obras materiais é a transmissão de afectos que perdura no tempo!
Embora injusto também é normal que se atribuam todas as responsabilidades do que está mal à era que termina e se veja como portadora de esperança e de salvação, a que se segue; é o fim de um ciclo e o começo de outro, a uma escala mais pequena é um fenómeno semelhante ao vivido no fim do ano com a passagem para o próximo. A era que se aproxima, a de Aquário, é descrita pelas pessoas mais “espirituais” como uma era de elevação sobre a matéria, de amor desprendido, universal e etc, etc. Mas se quisermos seguir a simbologia zodiacal ninguém me conseguiu convencer em que é que isso difere assim tanto da simbologia dos Peixes! Honestamente: acham que a era de Peixes foi terrível e a de Aquário será fantástica? É claro que não, o que se passa é que a de Peixes está usada, já se viveram dois mil anos nela e Aquário é a novidade! Sou capaz de jurar pela minha alma em como daqui a dois mil anos toda a gente irá culpar a era de Aquário pela desordem então instalada, depositando grande esperança na que se segue, a de Capricórnio, ansiando organização e prosperidade. Parece-vos absurdo? Não se convençam disso, tudo muda com o tempo; o que se passa é que estou a falar de uma moda que só virá daqui a 2000 anos e como tal não tem o mínimo interesse ou credibilidade neste momento. É tão óbvio que até chateia! Já agora, também chateia um bocado saber que não restará o mínimo grão de pó de mim ou destas palavras para provar que estou certo mas isto é mesmo assim, não há nada a fazer...
Não me interpretem mal, não quero de forma alguma dizer que o que aí vem não é melhor; basta pensar onde estava a humanidade entre 24 a 26 mil anos atrás quando entrámos na última era de Aquário; nessa altura não era igualmente fabulosa?… Há de facto uma contínua evolução mas o espaço e o tempo são demasiado grandes para as nossas vidinhas; por isso não acredito em milagres instantâneos nem fomento esperanças ridículas, sobretudo quando estas implicam espezinhar ou esquecer o que já foi feito. Fim do mundo em 2012? Ofereço-vos desde o futuro uma emoção mais forte e real: finalmente se provou que o nosso sol faz parte de um sistema binário, ou seja, o sol e o seu séquito, juntamente com outra estrela e o respectivo sistema giram os dois à volta de qualquer coisa ainda não definida! Não vos quero maçar muito com pormenores mas a esta altura já consigo sentir à distância o desinteresse dos leitores: “-só isso?” Pois é, só isto, mas pensem nas implicações filosóficas que trará à nossa maneira de ver o mundo e a nós próprios!
No mesmo espaço contemporâneo, o Islão vive no século XV, os cristãos no XXI, os judeus no LVIII! Quanto ao tal fim do mundo, nunca se esqueçam que a Terra e o resto do universo estão-se um bocado a cagar para a nossa cronologia do tempo: se tudo tiver que acabar um dia, até pode ser à noite, será na altura que lhes der na real gana; se por acaso for numa data específica prevista por alguém, isso não será mais que uma espectacular coincidência que em princípio não deixará seguidores para glorificar o visionário. De que serve então anunciá-lo? Tirando os bem intencionados avisadores, a maior parte das vezes as previsões catastróficas servem para que um ou alguns mortais mantenham um ascendente ético, intelectual ou material sobre os demais; é um acto desesperado de alguém que quer ganhar ou pelo menos, não perder poder mas aos olhos de um deus qualquer acima do universo conhecido todos nós devemos parecer completamente patéticos na nossa demanda pela imortalidade.
As pessoas e as coisas vão-se todas e as ideias só se mantêm enquanto forem sentidas e vividas; se outras novas preencherem o nosso coração, “adeus ó vai-te embora” da nossa vida, despachada para as páginas de um livro: o que sucedeu, por exemplo, à espectacular e poderosa família de deuses egípcios que reinaram durante mais de 30 séculos? Seria efectivamente uma pena mas morrer não me tira o sono: transformar-me naturalmente em pó será apenas um regressar à forma donde vim. Aquilo que me dá insónias são as mortes que já provocámos por egoísmo de bem-estar momentâneo ou por não aceitar que as nossas vidas ou ideias têm um fim; que espécie tão ridícula… Se querem acreditar em algo, acreditem nisto: nós não somos um princípio mas temos um princípio; nós não somos um fim mas temos um fim; nós somos e temos um meio!
Noutras eras as preocupações da humanidade situavam-se num plano mais infantil de desenvolvimento como espécie: castigo e recompensa dos nossos actos perante um pai divino. No século XXI a humanidade está na adolescência, tomou consciência que cresceu e construiu por si os meios que lhe permitem tomar conta da "casa" sozinha. Agora já não há pai que nos castigue, precisamos rapidamente de nos tornar adultos e governarmo-nos com o que temos; ainda somos como jovens vivendo numa república estudantil em bebedeira constante, só fazendo disparates e partindo a casa toda. Assim, esta paranóia mundial com o fim só deveria ter paralelo com cuidados concretos para nos preservarmos a nós e ao planeta.
Em 2009 estávamos no fim de uma era, a era de Peixes e era normal que surgissem profetas e profecias anunciando o fim próximo; já o mesmo se tinha passado na transição da era de Carneiro para a de Peixes. Eu não vivi essa época mas caramba, basta ter lido um poucochinho sobre o assunto para nos virem à ideia várias semelhanças: acaso já ninguém se lembra que essa foi a altura em que Cristo surgiu, bem como milhares de outros profetas e profecias, todos mergulhados num contexto pré-apocalíptico? As suas fantasias eram mais ou menos semelhantes às dos profetas actuais, só que hoje, com mais rapidez de informação não há lugar para a manutenção de mitos muito prolongados no tempo. Os que existem são antigos, nasceram numa época em que não se pode provar muita coisa. Por isso já tivemos semi-deuses, milagres e hoje em dia nenhuma destas coisas fantásticas ocorre.
Consta que Cristo era diferente, embora se contextualizarmos a época não censuro quem não tenha pensado o mesmo… Sobretudo por causa dos que pegaram na sua história, este foi o profeta que vingou sobre os contemporâneos mas uma simples leitura do Livro escrito sobre a sua vida, faz-me crêr que ele e os acólitos mais próximos morreram a pensar que o dia do julgamento final se encontrava para breve. Talvez Cristo fosse diferente dos demais profetas porque acreditava genuinamente no que dizia e é sobre esse tipo de carácter que os oportunistas estabelecem o seu poder e levam uma vida confortável. Depois da sua morte e os séculos terem passado sem nenhum fim à vista, os seguidores encarregaram-se de esticar no tempo até ao infinito o tal dia do julgamento final, pudera: já cá andam há uns 2000 anos e conhecem bem os perigos de fazer afirmações rigorosas e definitivas sobre profecias! Desde sempre e ainda mais hoje em dia, os profetas perceberam que a imortalidade está directamente relacionada com o mediatismo das suas acções e com as sementes que deixam no coração dos outros, sendo isto tão válido para o ódio como para o amor! Muitas vezes, mais do que obras materiais é a transmissão de afectos que perdura no tempo!
Embora injusto também é normal que se atribuam todas as responsabilidades do que está mal à era que termina e se veja como portadora de esperança e de salvação, a que se segue; é o fim de um ciclo e o começo de outro, a uma escala mais pequena é um fenómeno semelhante ao vivido no fim do ano com a passagem para o próximo. A era que se aproxima, a de Aquário, é descrita pelas pessoas mais “espirituais” como uma era de elevação sobre a matéria, de amor desprendido, universal e etc, etc. Mas se quisermos seguir a simbologia zodiacal ninguém me conseguiu convencer em que é que isso difere assim tanto da simbologia dos Peixes! Honestamente: acham que a era de Peixes foi terrível e a de Aquário será fantástica? É claro que não, o que se passa é que a de Peixes está usada, já se viveram dois mil anos nela e Aquário é a novidade! Sou capaz de jurar pela minha alma em como daqui a dois mil anos toda a gente irá culpar a era de Aquário pela desordem então instalada, depositando grande esperança na que se segue, a de Capricórnio, ansiando organização e prosperidade. Parece-vos absurdo? Não se convençam disso, tudo muda com o tempo; o que se passa é que estou a falar de uma moda que só virá daqui a 2000 anos e como tal não tem o mínimo interesse ou credibilidade neste momento. É tão óbvio que até chateia! Já agora, também chateia um bocado saber que não restará o mínimo grão de pó de mim ou destas palavras para provar que estou certo mas isto é mesmo assim, não há nada a fazer...
Não me interpretem mal, não quero de forma alguma dizer que o que aí vem não é melhor; basta pensar onde estava a humanidade entre 24 a 26 mil anos atrás quando entrámos na última era de Aquário; nessa altura não era igualmente fabulosa?… Há de facto uma contínua evolução mas o espaço e o tempo são demasiado grandes para as nossas vidinhas; por isso não acredito em milagres instantâneos nem fomento esperanças ridículas, sobretudo quando estas implicam espezinhar ou esquecer o que já foi feito. Fim do mundo em 2012? Ofereço-vos desde o futuro uma emoção mais forte e real: finalmente se provou que o nosso sol faz parte de um sistema binário, ou seja, o sol e o seu séquito, juntamente com outra estrela e o respectivo sistema giram os dois à volta de qualquer coisa ainda não definida! Não vos quero maçar muito com pormenores mas a esta altura já consigo sentir à distância o desinteresse dos leitores: “-só isso?” Pois é, só isto, mas pensem nas implicações filosóficas que trará à nossa maneira de ver o mundo e a nós próprios!
No mesmo espaço contemporâneo, o Islão vive no século XV, os cristãos no XXI, os judeus no LVIII! Quanto ao tal fim do mundo, nunca se esqueçam que a Terra e o resto do universo estão-se um bocado a cagar para a nossa cronologia do tempo: se tudo tiver que acabar um dia, até pode ser à noite, será na altura que lhes der na real gana; se por acaso for numa data específica prevista por alguém, isso não será mais que uma espectacular coincidência que em princípio não deixará seguidores para glorificar o visionário. De que serve então anunciá-lo? Tirando os bem intencionados avisadores, a maior parte das vezes as previsões catastróficas servem para que um ou alguns mortais mantenham um ascendente ético, intelectual ou material sobre os demais; é um acto desesperado de alguém que quer ganhar ou pelo menos, não perder poder mas aos olhos de um deus qualquer acima do universo conhecido todos nós devemos parecer completamente patéticos na nossa demanda pela imortalidade.
As pessoas e as coisas vão-se todas e as ideias só se mantêm enquanto forem sentidas e vividas; se outras novas preencherem o nosso coração, “adeus ó vai-te embora” da nossa vida, despachada para as páginas de um livro: o que sucedeu, por exemplo, à espectacular e poderosa família de deuses egípcios que reinaram durante mais de 30 séculos? Seria efectivamente uma pena mas morrer não me tira o sono: transformar-me naturalmente em pó será apenas um regressar à forma donde vim. Aquilo que me dá insónias são as mortes que já provocámos por egoísmo de bem-estar momentâneo ou por não aceitar que as nossas vidas ou ideias têm um fim; que espécie tão ridícula… Se querem acreditar em algo, acreditem nisto: nós não somos um princípio mas temos um princípio; nós não somos um fim mas temos um fim; nós somos e temos um meio!
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