Neste exacto momento vivo no ano 2044. Através de uma das onze dimensões existentes consigo fazer passar estes textos que escrevo no meu presente sobre o passado de há 25 anos, ou seja o seu presente, caro leitor. Para mim são crónicas escritas no presente sobre o passado, para si são crónicas sobre o presente escritas no futuro.
15.1.10
AVÉ NOVA DEUSA QUE NOS GUIA E PROTEGE!
14.1.10
OS CUS DOS CAVALOS ROMANOS
11.11.09
PRINCÍPIO, MEIO E FIM
Noutras eras as preocupações da humanidade situavam-se num plano mais infantil de desenvolvimento como espécie: castigo e recompensa dos nossos actos perante um pai divino. No século XXI a humanidade está na adolescência, tomou consciência que cresceu e construiu por si os meios que lhe permitem tomar conta da "casa" sozinha. Agora já não há pai que nos castigue, precisamos rapidamente de nos tornar adultos e governarmo-nos com o que temos; ainda somos como jovens vivendo numa república estudantil em bebedeira constante, só fazendo disparates e partindo a casa toda. Assim, esta paranóia mundial com o fim só deveria ter paralelo com cuidados concretos para nos preservarmos a nós e ao planeta.
Em 2009 estávamos no fim de uma era, a era de Peixes e era normal que surgissem profetas e profecias anunciando o fim próximo; já o mesmo se tinha passado na transição da era de Carneiro para a de Peixes. Eu não vivi essa época mas caramba, basta ter lido um poucochinho sobre o assunto para nos virem à ideia várias semelhanças: acaso já ninguém se lembra que essa foi a altura em que Cristo surgiu, bem como milhares de outros profetas e profecias, todos mergulhados num contexto pré-apocalíptico? As suas fantasias eram mais ou menos semelhantes às dos profetas actuais, só que hoje, com mais rapidez de informação não há lugar para a manutenção de mitos muito prolongados no tempo. Os que existem são antigos, nasceram numa época em que não se pode provar muita coisa. Por isso já tivemos semi-deuses, milagres e hoje em dia nenhuma destas coisas fantásticas ocorre.
Consta que Cristo era diferente, embora se contextualizarmos a época não censuro quem não tenha pensado o mesmo… Sobretudo por causa dos que pegaram na sua história, este foi o profeta que vingou sobre os contemporâneos mas uma simples leitura do Livro escrito sobre a sua vida, faz-me crêr que ele e os acólitos mais próximos morreram a pensar que o dia do julgamento final se encontrava para breve. Talvez Cristo fosse diferente dos demais profetas porque acreditava genuinamente no que dizia e é sobre esse tipo de carácter que os oportunistas estabelecem o seu poder e levam uma vida confortável. Depois da sua morte e os séculos terem passado sem nenhum fim à vista, os seguidores encarregaram-se de esticar no tempo até ao infinito o tal dia do julgamento final, pudera: já cá andam há uns 2000 anos e conhecem bem os perigos de fazer afirmações rigorosas e definitivas sobre profecias! Desde sempre e ainda mais hoje em dia, os profetas perceberam que a imortalidade está directamente relacionada com o mediatismo das suas acções e com as sementes que deixam no coração dos outros, sendo isto tão válido para o ódio como para o amor! Muitas vezes, mais do que obras materiais é a transmissão de afectos que perdura no tempo!
Embora injusto também é normal que se atribuam todas as responsabilidades do que está mal à era que termina e se veja como portadora de esperança e de salvação, a que se segue; é o fim de um ciclo e o começo de outro, a uma escala mais pequena é um fenómeno semelhante ao vivido no fim do ano com a passagem para o próximo. A era que se aproxima, a de Aquário, é descrita pelas pessoas mais “espirituais” como uma era de elevação sobre a matéria, de amor desprendido, universal e etc, etc. Mas se quisermos seguir a simbologia zodiacal ninguém me conseguiu convencer em que é que isso difere assim tanto da simbologia dos Peixes! Honestamente: acham que a era de Peixes foi terrível e a de Aquário será fantástica? É claro que não, o que se passa é que a de Peixes está usada, já se viveram dois mil anos nela e Aquário é a novidade! Sou capaz de jurar pela minha alma em como daqui a dois mil anos toda a gente irá culpar a era de Aquário pela desordem então instalada, depositando grande esperança na que se segue, a de Capricórnio, ansiando organização e prosperidade. Parece-vos absurdo? Não se convençam disso, tudo muda com o tempo; o que se passa é que estou a falar de uma moda que só virá daqui a 2000 anos e como tal não tem o mínimo interesse ou credibilidade neste momento. É tão óbvio que até chateia! Já agora, também chateia um bocado saber que não restará o mínimo grão de pó de mim ou destas palavras para provar que estou certo mas isto é mesmo assim, não há nada a fazer...
Não me interpretem mal, não quero de forma alguma dizer que o que aí vem não é melhor; basta pensar onde estava a humanidade entre 24 a 26 mil anos atrás quando entrámos na última era de Aquário; nessa altura não era igualmente fabulosa?… Há de facto uma contínua evolução mas o espaço e o tempo são demasiado grandes para as nossas vidinhas; por isso não acredito em milagres instantâneos nem fomento esperanças ridículas, sobretudo quando estas implicam espezinhar ou esquecer o que já foi feito. Fim do mundo em 2012? Ofereço-vos desde o futuro uma emoção mais forte e real: finalmente se provou que o nosso sol faz parte de um sistema binário, ou seja, o sol e o seu séquito, juntamente com outra estrela e o respectivo sistema giram os dois à volta de qualquer coisa ainda não definida! Não vos quero maçar muito com pormenores mas a esta altura já consigo sentir à distância o desinteresse dos leitores: “-só isso?” Pois é, só isto, mas pensem nas implicações filosóficas que trará à nossa maneira de ver o mundo e a nós próprios!
No mesmo espaço contemporâneo, o Islão vive no século XV, os cristãos no XXI, os judeus no LVIII! Quanto ao tal fim do mundo, nunca se esqueçam que a Terra e o resto do universo estão-se um bocado a cagar para a nossa cronologia do tempo: se tudo tiver que acabar um dia, até pode ser à noite, será na altura que lhes der na real gana; se por acaso for numa data específica prevista por alguém, isso não será mais que uma espectacular coincidência que em princípio não deixará seguidores para glorificar o visionário. De que serve então anunciá-lo? Tirando os bem intencionados avisadores, a maior parte das vezes as previsões catastróficas servem para que um ou alguns mortais mantenham um ascendente ético, intelectual ou material sobre os demais; é um acto desesperado de alguém que quer ganhar ou pelo menos, não perder poder mas aos olhos de um deus qualquer acima do universo conhecido todos nós devemos parecer completamente patéticos na nossa demanda pela imortalidade.
As pessoas e as coisas vão-se todas e as ideias só se mantêm enquanto forem sentidas e vividas; se outras novas preencherem o nosso coração, “adeus ó vai-te embora” da nossa vida, despachada para as páginas de um livro: o que sucedeu, por exemplo, à espectacular e poderosa família de deuses egípcios que reinaram durante mais de 30 séculos? Seria efectivamente uma pena mas morrer não me tira o sono: transformar-me naturalmente em pó será apenas um regressar à forma donde vim. Aquilo que me dá insónias são as mortes que já provocámos por egoísmo de bem-estar momentâneo ou por não aceitar que as nossas vidas ou ideias têm um fim; que espécie tão ridícula… Se querem acreditar em algo, acreditem nisto: nós não somos um princípio mas temos um princípio; nós não somos um fim mas temos um fim; nós somos e temos um meio!
5.11.09
A TRADIÇÃO DAS FESTAS
Não se espantem, não há nada de novo nisto! Quando a lógica de poder era exercida através do temor pelo sobrenatural, no ocidente, o cristianismo apoderou-se de todas as festas pagãs e transformou-as em celebrações religiosas; por exemplo, a mais conhecida de todas, o solstício de Inverno, como sabem, chama-se agora o natal. O tempo passou, mantiveram-se todas as festas mas mais uma vez foram travestidas na sua essência. Durante vários séculos pertencemos ao rebanho de Deus que nos castigava ou recompensava através dos seus representantes terrenos. Por um breve período de transição chamaram-nos cidadãos, educando-nos com a ilusão de que tínhamos liberdade de escolha e preparam-nos para o que somos hoje: consumidores, máquinas biológicas de processar o que nos oferecem!
Assim, quase sem darmos por isso, o calendário anual ajustou-se a interesses económicos que nos obrigam a ter de consumir determinados produtos, todos supérfluos, claro, sob pena de nos sentirmos desajustados; para uma espécie que tem na sua essência hábitos sociais, o pior que pode acontecer a um dos seus indivíduos é sentir-se à margem dos outros… Em 2034 as coisas não são muito diferentes, vamos tendo umas festas regulares que nos ajudam a suportar e sobretudo a esquecer que somos manipulados através dos nossos próprios instintos. As economias emergentes em 2009 conseguiram marcar pontos ao longo dos anos e associar alguns aspectos culturais locais a celebrações mundiais; não se esqueçam que nos dias de hoje, se uma festa for celebrada 3 anos seguidos passa a ser uma “tradição”!
Como o natal calhava muito em cima do ano novo, adoptou-se o ano novo chinês que é lá para fins de Janeiro, o que deu a oportunidade aos consumidores de ao fim de mais um mês de trabalho terem outra vez dinheiro para gastar; o 13º mês já não existe: as empresas poupam e os consumidores têm um mês para juntar recursos para estoirar na passagem de ano em viagens ou explosivos; o lobby das armas trabalhou bem… Em Fevereiro celebra-se o dia de S.Valentim, onde os namorados oferecem provas do seu amor (uma sequela do natal) e entre esse mês e Março temos o Carnaval à moda brasileira (é preciso comprar máscaras), sendo que 47 dias depois há a Páscoa, o antigo equinócio da Primavera, agora o paraíso do chocolate e sobretudo dos comerciantes suíços e alemães. Em Abril, graças à eficiência de Al Gore temos o dia da Terra, em que se celebra a impossibilidade de mais países além das potências que já produzem, poderem criar indústrias porque dão cabo do planeta; tradicionalmente oferecem-se flores, e vasos com plantas a qualquer pessoa (estamos todos no mesmo barco); bom trabalho do lobby holandês nos Estados Unidos.
Em Maio temos o dia da Mulher, uma ideia da Rússia em que tradicionalmente se oferecem Matrioskas de todos os tamanhos mas só com o invólucro exterior; é como um Kinder Surpresa para mulheres: lá dentro podem estar as mais variadas prendas, dependendo da capacidade económica do comprador. Em Junho há o dia da Criança, outra sequela do natal, em que se pode dar qualquer coisa mas a tradição manda que se ofereçam consolas de jogos ou filmes japoneses às crianças. Em Julho celebra-se o dia da independência dos Estados Unidos, uma espécie de usurpação do dia da tomada da Bastilha, ou melhor, uma versão aperfeiçoada e actual. Tradicionalmente compram-se uniformes e bandeiras, uma sequela do Carnaval, fazem-se desfiles e celebra-se a liberdade, sobretudo de compra, dos consumidores.
Se no final de Outubro já havia o Halloween (outra sequela do Carnaval), o dia dos mortos perdeu significado por ser muito perto dessa data. A Índia agarrou a oportunidade e instituiu-se pelo mundo fora a celebração dos mortos e da renovação espiritual em Agosto; agora, no pino do sol e da vida celebra-se a lembrança que de um dia para o outro podemos ir desta para melhor! A época de banhos que já era sagrada em Portugal ganhou mais misticismo, o potente lobby da cera patrocinou a sua instituição e agora, tradicionalmente, toda a gente compra velas para pôr a boiar nos rios. O feriado da Ascenção de Nossa Senhora ficou literalmente a ver navios mas em breve a nossa cultura iria absorver o espírito da celebração: as velas vendidas em Fátima com formas de braços, dedos, pés, etc, são agora lançadas sobretudo ao rio Trancão, o mais parecido com o Ganges, pelo menos em sujidade. Em Setembro celebra-se o dia dos avós, uma vitória do lobby das indústrias farmacêuticas. No dia 23 o Outono da Terra mistura-se simbolicamente com o Outono da vida e como é da tradição, oferecem-se Viagras aos avôs e Aspirinas às avós. Como já vimos, no final de Outubro há o Halloween e no final de Novembro o dia da Acção de Graças onde aqui em Portugal continuamos sem saber muito bem o que é mas as explorações avícolas apreciam o nosso empenho nessa festa.
Não sei se repararam mas quase todas estas festas são no final do mês; pode ser um mero acaso que elas coincidam com a altura em que toda a classe trabalhadora passou a receber o seu ordenado mas o movimento comercial agradece e aproveita-o. Só mais uma nota final: os franceses continuam a produzir carros, armas, foguetes, filmes, a manter o seu espaço em África e no Canadá mas soçobraram novamente ao tentar impor o seu diazito de inspiração francófona. O lobby anglófono já lhes tinha tirado influência cultural, territorial, a maçonaria, a fraternidade, a igualdade, o dia da liberdade e mais recentemente não conseguiram fazer vingar internacionalmente o dia do Obélix que em França se celebra comprando um menir e deixando-o à ombreira da porta para conjurar o perigo que é o céu lhes cair um dia na cabeça. Durante uma semana só se come javali, bebem-se poções alucinogénicas, usam-se capacetes com asas e fazem-se orgias. Estes gauleses são loucos…
15.10.09
O QUE É QUE UMA SIMPLES ACTRIZ DIZ SOBRE NÓS PRÓPRIOS?
Se vamos pelo caminho do preconceito, penso que os americanos em geral, são assim, tendo dinheiro acham que podem comprar tudo: amigos, beleza, bem estar, valores, a aprovação dos outros, saúde, enfim... É o espelho duma cultura materialista jovem, às vezes infantilizada, que goza com os velhos e que cada vez está mais disseminada pelo mundo. Não tem mal, só se torna negativa quando tenta impôr esses padrões como referenciais para toda a humanidade que não os aceita ou lhes resiste. Daí a estupefacção do norte-americano comum com a derrota na guerra no Vietname e com a resistência ao extremo estupidamente(?) suicida dos iraquianos.
O único respeito/temor que culturas jovens têm é a quem é mais rico e poderoso que eles. Há uns anos houve uma indignação nacional no Brasil quando num episódio dos Simpsons, Rio de Janeiro foi retratada como uma cidade cheia de macacos deambulando pelas ruas; porquê? Estão fartos da analogia com os nossos parentes símios ao recordar-lhes que são um país caótico ou porque lhes lembram que são uma sociedade maioritariamente amulatada e de clima quente? Talvez por isso grande parte dos brasileiros, ao explicar o seu país ponha bastante ênfase no facto de existir uma região ao sul com invernos rigorosos onde só vivem descendentes de alemães...
Conheço as américas e digo-vos: se ficarmos num hotel de luxo do Brasil e se pedirmos um elefante cor-de-rosa no quarto, eles arranjam-no! Desde que haja dinheiro para isso, vale tudo... Casos como os do "técnico", tenho às dezenas em hotéis brasileiros mas aqui ninguém iria achar graça (o preconceito lusitano sobre os brasileiros já encara como natural esses comportamentos) e se fosse dito numa tertúlia de tontas não se tornaria num caso nacional no Brasil. Já agora: o 3 virado ao contrário foi a coisa mais absurda que encontraram em Sintra? Isto são pessoas que nunca se afastaram muito do quarto do hotel. O ego nacional em Portugal ficou tão ferido que acho que já ninguém reparou como no final do vídeo, a própria tonta foi gozada pela apresentadora!
Aparentemente, o que mais indignou as consciências lusitanas foi o facto de ela cá vir com frequência "aproveitar-se" dos portugueses, fazendo espectáculos ou angariando receitas, sei lá, nunca vi nada dela, e dizer que ama o país, como até o refere no vídeo em que tenta fazer as pazes... Primeiro temos que compreender que ela é uma actriz, por amor de Deus! Dizer que ama ou não ama tem a mesma relevância que um papagaio que diz uma asneira: pode chocar-nos mas é um ser irracional que repete o que lhe ensinaram. Agora, se acham que ela vem cá "mamar", no mínimo sejamos magnânimos e pelo menos concedamos-lhe a tradicional opção de engolir ou deitar fora; ao pé da fonte parece que ela escolheu a segunda... De facto, esta cena só me parece ser uma de duas coisas: uma miúda imbecil da primária a fazer porcarias com cuspo ou uma actriz porno a deitá-"lo" fora. Talvez a verdade esteja numa mistura das duas...
Estou-me borrifando para o caso, não subscrevo abaixo-assinados, o que este episódio me merece é uma reflexão sobre nós próprios: se vamos sobrevalorizar, só nos enterramos, caramba! Que raio de país é este tão pequeno que se indigna com os comentários de uma actriz qualquer? É por ser brasileira? Que ressentimento feio... O nosso analfabetismo e pouco interesse por valores culturais é que hipotecam a nossa grandeza, não nos permitindo rir do que tem graça, desvalorizar o que não tem importância e indignarmo-nos com o que é verdadeiramente chocante. Porque é que não vi tamanha indignação em Portugal quando os guerrilheiros Taliban metralharam e dinamitaram Budas milenares no Afeganistão? Porque hoje somos pequenos! Aquilo está muito longe e não é nosso; se fôssemos grandes, também sentiríamos aquilo como nosso; como somos pequenos, o pouco que temos é defendido com unhas e dentes e ganha uma dimensão quase religiosa. Para nós, aquela cabeça de vento cuspiu no Santo Sudário!
Se tivessemos real respeito e conhecimento pela nossa história saberíamos que o Mosteiro dos Jerónimos simboliza o nosso triunfo mundial na demanda das Índias; a América não "existia", não nos interessava a nós nem a nenhuma potência mundial da época dos descobrimentos. Vasco da Gama morreu rico e respeitado com o troféu da Índia no bolso enquanto Colombo morreu quase na miséria e convencido que também lá tinha chegado. Só para mostrar o seu conhecimento ao mundo, D.Manuel I mandou um obscuro capitão de mar (que tristemente já poucos em Portugal sabem dizer o nome) desempenhar uma tarefa que acredito que não fosse a mais apetecível para a elite dos marinheiros: descobrir oficialmente as terras a ocidente. Que amor próprio podem ter os brasileiros se o início da sua vida como "civilização" ocidental começa com um facto mediático protagonizado por um actor de segunda? De facto, não se sabe muito sobre Pedro Álvares Cabral; tal como Neil Armstrong que não tem curriculum de nenhuma bravura particular, ele foi lá pôr o pé, e como esses territórios ganharam importância no futuro, acabou deixando o nome para a posteridade.
Alguma vez mostrámos interesse pelo Brasil até ele se ter tornado apetecível economicamente? A partir daí só o explorámos e parece que só ligámos ao nosso "filho" quando ele se tornou adolescente e penso que esse facto também pesa no ressentimento infantil de que somos alvo por parte dos brasileiros. Fomos o pai, talvez mais descuidado que os outros europeus que obrigámos o filho desde cedo a trabalhar. Sabemos que ele tem de crescer e ultrapassar esse rancor, enquanto não o fizer não amadurece mas a nós cabe-nos a ingrata tarefa de tolerar e suportar as culpas de todos os seus próprios defeitos. Isso é respeitar a história e seguirmos a nossa própria vida. Retiremos lições dos erros e cresçamos também, o nosso caminho é diferente, somos mais velhos mas precisamos de voltar a ser grandes; isso só lá vai com tolerância!
12.8.09
EXERCÍCIO DE MEMÓRIA
im o que se passa no vosso presente. Apesar disso, não posso deixar de comentar aqui um acontecimento que comoveu o país em Agosto de 2009, a morte de Raul Solnado. Passei pela mesma comoção há 25 anos atrás quando a vivi e aprendi na altura uma coisa que mantenho até hoje: é preciso seleccionar muito bem o tipo e qualidade de material que se guarda na memória! Isto porquê? Porque apesar de gostar muito e admirar genuinamente o Raul, só após a sua morte e com a passagem de vários documentários sobre a sua vida é que me recordei da sua excelência! Foi preciso ele desaparecer para, na minha memória se puxar o brilho à minha admiração. Numa época de superlativos em que as dimensões do espanto popular não param de aumentar, de bom para super, de super para hiper, de mega para giga, de giga para tera, de “espectáculo” para “cinco e
strelas” de “cinco estrelas” para “não há palavras” prefiro manter como referências os melhores que já existiram e valorar daí para baixo; como antigamente se fazia nas boas escolas, nunca dar um 20; a escala dos muitos bons terminava no 18. Por exemplo, na música, os limites do génio humano, no conjunto da sua obra, com várias diferenças na forma como o atingiram, encontram-se personificados nas figuras de Bach, Mozart e Beethoven. Claro que cada um aprecia o que quer, alguns artistas até nos tocam mais pessoalmente por uma, mais obras ou circunstâncias mas nunca poderemos perder de vista o que de melhor foi feito sob pena de hipotecarmos o nosso próprio futuro. Este exercício de memória deveria ser feito com alguma regularidade, como quem vai ao ginásio: não só o corpo e o raciocínio claro devem ser exercitados mas, como rampa de lançamento para o futuro, devemos exercitar também a memória. Conheci pessoalmente o Raul em 1991 numa altura em que com o seu filho e outro actor formámos a Fúria do Açúcar. Qualquer pessoa conseguirá imaginar o grau de excitaç
ão que me assolou quando o conheci: eu, entre outras coisas a tentar ser engraçado e tinha ali ao meu lado, dando conselhos, um mestre daqueles! É que ainda por cima, parte da sua brilhante carreira foi navegada por águas que eu pretendia trilhar nessa primeira fase do grupo, fazendo uma espécie de stand-up comedy e cantando! Contudo, devo dizer que acima da fineza do trato e humor, elegância intelectual e toque de qualidade que parecia acrescentar a todas as suas intervenções, aquilo que mais me marcou e pelo qual lhe estarei eternamente grato foi o ter-me proporcionado genuína alegria numa época em que ela escasseava: antes do 25 de Abril o país não era a preto e branco, era cinzento, e sempre que ele aparecia a minha vida coloria; há poucas coisas tão nobres na vida como essa! Daí o carinho e admiração popular duma geração mais velha e por aqueles que se interessam pelo humor, de gerações mais recentes.Não se iludam acerca da importância que algumas pessoas ou situações possuem nas vossas vidas. O humor do Raul tem, sem dúvida, uma base intemporal mas as gerações que não o conhecem só poderão compreender como funcionou a 10
0% no público se o apreciarem contextualizado com a sua época. Muito do material que ele produziu tem de ser visto sob essa perspectiva e por isso não julguem vocês, jovens de 2009 que os vossos descendentes rirão com o mesmo entusiasmo com que vocês próprios riram a ver um sketch do Herman ou dos Gato Fedorento! Garanto-vos que os vossos netos quando olharem para o sketch do "eles falam, falam, falam" ficarão espantados com o riso que ele vos provoca enquanto pensam: "que graça é que isto tem?" A capacidade de intervenção, factor que devemos bastante ao Raul, só faz absoluto sentido no momento em que é usada; posteriormente o que fica é uma recordação, a sua utilidade esgota-se. Ainda bem que existem vários registos dele mas infelizmente terá de ficar na memória grande parte da sua obra, o que será sempre o drama dum actor que não se dedique só ao cinema, à televisão ou ao registo fonográfico. É esse exercício, o do que não ficou registado materialmente que deveremos sempre exercitar porque como bem sabemos, os registos físicos acabarão por aparecer aqui e ali sempre que interesses propagandísticos ou económicos manifestarem vontade; isso só nos leva a reagir, nunca a pensar por nós, e em última análise a sermos livres e felizes. Façam lá esse favor…
6.9.08
'TÁ-SE MAL É NA CRUZINHA...
melhores do mundo” ainda que quem faça esse tipo de afirmações raramente tenha saído do lugarejo onde vive. Ser o melhor ou pior implica uma comparação objectiva com outros mas isso aqui raramente sucede; somos os melhores mas duma forma subjectiva, não científica, ou seja: sabemos que o somos mas não temos como prová-lo ao mundo, que chatice! Deve ser por isso que não nos ligam nenhuma… Vociferamos contra o mau funcionamento do nosso sistema interno mas se chamarmos a atenção ao ponto de um estrangeiro escutar e ele tiver a infelicidade de concordar, então a nossa indignação não conhece limites: só nós é que estamos autorizados a dizer mal de nós próprios!
Por outro lado, aqueles aspectos do comportamento colectivo dos quais nos envergonhamos são para manter em segredo, uma espécie de cultura não documentada e transmitida secretamente de pai para filho, de colega em colega de modo a safarem-se na vida, a serem mais espertos que os outros. Entre esses pedaços de conhecimento encontram-se o “aproveitar ao máximo pos
sível aquilo que não foi conseguido com o nosso esforço” como brindes, ofertas, subsídios, viagens, “não és mais do que eu” que se traduz em resistência à autoridade ou superiores hierárquicos e inveja pelas aquisições alheias e “comer pela calada ou pelo menos não ser comido”, que basicamente consiste em não fazer figura de urso; isso consegue-se tentando sempre ultrapassar os outros usando meios legais ou não e independentes do mérito pessoal.
O que sucedeu ao infeliz Marco Fortes na China foi que cometeu a estupidez de revelar que usou esse conhecimento secreto em proveito próprio, algo que obviamente nos devemos coibir de comentar em público… Compreende-se: ele estava lá longe, relaxado, num ambiente cosmopolita, a curtir uma espécie de “Erasmus” do desporto, a beber uns copos e tal, nada de mal; quase todos os portugueses que lá estavam com ele sabem o que isso é, partilhavam o mesmo sentimento, sou capaz de jurar que o próprio jornalista que gravou as declarações nem se deve ter apercebido da s
uposta “gravidade”, apenas se tornou um caso porque descontextualizadas, a milhares de quilómetros de distância, as palavras pareceram quase ofensivas para os “ursos” que cá ficaram. Subitamente, todos os que andaram a descontar nos impostos para pagar a deslocação do Marco à China se sentiram “papados” e isso foi o pior que poderia ter sucedido ao infeliz; daí, mais tarde, em entrevista, ele ter acentuado que não se pode considerar subsídio o valor irrisório que recebeu, como se dissesse: “-Eh pá, eu posso ter muitos defeitos mas não vos enganei, hein?”
A sua inconfidência tornou-o automaticamente numa vítima destinada a aplacar a ira nacional e exigia um castigo exemplar: foi então necessário chicoteá-lo e crucificá-lo para que a nossa alma fosse salva! A sua exposição na cruz é também um aviso à navegação e no fundo toda a gente sabe, incluindo o próprio, que ele apenas foi um totó involuntário escolhido para ser mandado para a cruz. Azar e... ámen!
3.9.08
EU JÁ VIVI O VOSSO FUTURO
ste texto não foi escrito por mim mas vale a pena incluí-lo no blog, já que não poderia ser mais oportuno. São declarações do escritor, dissidente soviético, Vladimir Bukovsky sobre o Tratado de Lisboa
"É surpreendente que após ter enterrado um monstro, a URSS, se tenha construído outro semelhante: a União Europeia (UE). O que é, exactamente a União Europeia? Talvez fiquemos a sabê-lo examinando a sua versão soviética.
A URSS era governada por quinze pessoas não eleitas que se co
optavam mutuamente e não tinham que responder perante ninguém. A UE é governada por duas dúzias de pessoas que se reúnem à porta fechada e, também não têm que responder perante ninguém, sendo politicamente impunes.Poderá dizer-se que a UE tem um Parlamento. A URSS também tinha uma espécie de Parlamento, o Soviete Supremo. Nós, (na URSS) ap
rovámos, sem discussão, as decisões do Politburo, como na prática acontece no Parlamento Europeu, em que o uso da palavra concedido a cada grupo está limitado, frequentemente, a um minuto por cada interveniente.Na UE há centenas de milhares
de eurocratas com vencimentos muito elevados, com prémios e privilégios enormes e, com imunidade judicial vitalícia, sendo apenas transferidos de um posto para outro, façam bem ou façam mal. Não é a URSS escarrada?A URSS foi criada sob coacção, muitas vez
es pela via da ocupação militar. No caso da Europa está a criar-se uma UE, não sob a força das armas, mas pelo constrangimento e pelo terror económicos.Para poder continuar a existir, a URSS expandiu-se de forma crescente. Desde que deixou de crescer, começou a desabar. Suspeito que venha a acontecer o mesmo com a UE. Proclamou-se que o objectivo da URSS era criar uma nova entidade histórica: o Povo Soviético. Era necessário esquecer as nacionalidades, as tradições e os costumes. O mesmo acontece
com a UE parece. A UE não quer que sejais ingleses ou franceses, pretende dar-vos uma nova identidade: ser «europeus», reprimindo os vosso sentimentos nacionais e, forçar-vos a viver numa comunidade multinacional. Setenta e três anos deste sistema na URSS acabaram em mais conflitos étnicos, como não aconteceu em nenhuma outra parte do mundo.Um dos objectivos «grandiosos» da URSS era destruir os estados-nação. É exactamente isso que vemos na Europa, hoje. Bruxelas tem a intenção de fagocitar
os estados-nação para que deixem de existir.O sistema soviético era corrupto de alto a baixo. Acontece a mesma coisa na UE. Os procedimentos antidemocráticos que víamos na URSS florescem na UE. Os que se lhe opõem ou os denunciam são amordaçados ou punidos. Nada mudou. Na URSS tínhamos o «goulag». Creio que ele também existe na UE. Um goulag intelectual, designado por «politicamente correcto». Experimentai dizer o que pensais sobre q
uestões como a raça e a sexualidade. Se as vossas opiniões não forem «boas», «politicamente correctas», sereis ostracizados. É o começo do «goulag». É o princípio da perda da vossa liberdade. Na URSS pensava-se que só um estado federal evitaria a guerra. Dizem-nos exactamente a mesma coisa na UE. Em resumo, é a mesma ideologia em ambos os sistemas. A UE é o velho modelo soviético vestido à moda ocidental. Mas, como a URS
S, a UE traz consigo os germes da sua própria destruição. Desgraçadamente, quando ela desabar, porque irá desabar, deixará atrás de si um imenso descalabro e enormes problemas económicos e étnicos. O antigo sistema soviético era irreformável. Do mesmo modo, a UE também o é. (…)Eu já vivi o vosso «futuro»…"
12.2.08
A VIAGEM DO MARQUÊS
Na minha estranha viagem pelo ano de 2008, pude constatar que deve ter havido um terramoto, no mínimo semelhante ao de 1755; nenhum dos meus acompanhantes o admitiu mas verifiquei que não há sítio em Lisboa que não esteja em obras. A avenida da liberdade, ao meu tempo considerada de uma largueza absurda, estava toda entupida de coches mas sem cavalos, embora os meus acompanhantes me garantissem que os têm, às vezes até às duas centenas! Ora bem: bastou-me ter feito umas contas simples para concluír que só naquela extensão de meia légua, à chamada “hora de ponta”, estariam imobilizados uns 500 coches e à volta de uns 30000 cavalos; é obra!!! Chamem-me antigo mas esta tropa toda parece-me uma tremenda asneirada e nem sequer contabilizei o milhar de asnos que se encontrariam cativos dentro dos coches. O cenário repetia-se em quase todas as artérias da capital e arredores… Também me disseram que os cavalos desses coches são alimentados por um líquido tão caro e raro que quase todas as guerras desta época se despoletam pelo seu controle. Comida para cavalo é motivo de conflitos e escravidão de pessoas e estados?
Posso afirmar que aboli a escravatura nas Índias portuguesas; foi-me dito que essa medida já se estendeu a todo o território nacional mas francamente não a vislumbrei. E pior, parece que agora é tudo ao contrário: no meu tempo os escravos querem libertar-se do trabalho, em 2008 são eles próprios que o procuram e não lhes dão. Observei milhares deles numa manifestação, exigindo trabalhar em condições miseráveis e mesmo assim ninguém os quer!… Vi uma hasta pública das finanças do estado onde foram leiloados vários escravos vestidos duma forma humilhante, de xadrez, pertencentes a um tal Boavista Futebol Clube; também ninguém os quis… Visitei um local a que chamam de “ginásio” onde dezenas de escravos eram levados ao limite da exaustão física, só que em vez de trabalharem a céu aberto corriam em passadeiras como hamsters em rodinhas numa gaiola; outros puxavam pesos, quiçá treinando para puxar carroças, incentivados a esforçar-se mais e mais pelos gritos duns negreiros, tudo ao som duns tambores que não consegui ver quem tocava. O estranho é que eles gostavam de ser torturados, aparentemente só para obter um corpo semelhante ao dos escravos. Até o próprio chefe do governo tenta mostrar que é igual a eles: vi-o a correr todo suado com um sorriso, mas amarelo, tipo esgar enjoado…
Já que falo nisso, Portugal agora é governado por um homem chamado Sócrates mas acho que este nome serve só para transmitir um certo estatuto intelectual. De manhã vai correr em calções (e depois nesta época ainda zombam da minha cabeleira...), à tarde assina papéis e à noite é apupado pelo povo. Se me apupassem assim mandava logo enforcá-los, por pouco mais, até reduzi algumas famílias poderosas a pó! Contaram-me que ele não é assim tão bruto, aparenta um intelecto refinado e parece que até tem formação em engenharia, completa… Portanto, o método agora é diferente; vai engendrando “esquemas” que estrangulam aos poucos, envenenam lentamente e não só para alguns: está a reduzir todas as famílias não poderosas a cinzas! Mesmo assim tem algo semelhante a mim: enquanto governante chamaram-me “déspota esclarecido”; vejo que esse tal engenheiro me quer imitar os passos...
Reformei o ensino e tornei obrigatório o uso da língua portuguesa, sobretudo no Brasil mas basta ver como os jovens comunicam através dum sistema chamado sms para perceber que foi um esforço inglório. Tentei ler vários desses textos que se revelaram absolutamente indecifráveis para mim, com uma absurda profusão da letra k e símbolos como parêntesis, dois pontos, etc. Os meus acompanhantes abriram-me uma caixa de correio numa coisa chamada internet para receber informações preciosas do resto do mundo. Ao fim de 1 hora estava cheia de mensagens que diziam: "mine is bigger than yours" e “get a bigger pennis”; fiquei aterrorizado e só desejei que não fosse “in my ass”. Por falar nisso, não me estou a sentir muito bem e parece-me estar a ver imagens etéreas dos Távoras todos queimados, rindo-se malevolamente e a chamarem-me com o dedinho. Ai, que me está a doer o peito, pôrra! Que dor tão agu
A partir daqui os escritos pararam. Os historiadores, inadvertidamente, acabariam por interferir com a história já que o velho Marquês faleceu de ataque cardíaco, um dia antes da data oficial da sua morte. Nunca ficou provado mas é natural que o teor das mensagens recebidas na mail box tenham causado a sua morte prematura. Por fim, ele até chegaria a viajar ao ano 2033, mas no estado de "rigor mortis", onde foi deixado 24 horas numa arca frigorífica; durante todo o dia 5 de Maio de 1782, um actor do século XXI fez de Marquês no século XVIII e no dia 6 o corpo do falecido foi transportado para o passado, tendo aí substituído o seu sósia vivo.
4.2.08
D-Mail: a minha contribuição!
Anãozinho Repelente de Intrusos
Quem não gosta de um doce e simpático anãozinho à entrada de casa?
Pois é; mas sempre que alguém tocar à campaínha eis que… o anãozinho liberta um assustador Rottweiler que causará danos cardíacos a carteiros e cob
radores de dívidas e fará soltar umas boas risadas entre os amigos, depois de se recomporem do susto, claro; ufa!… Uma ideia simpática para oferecer à sua sogra ou surpreender os convidados.Um novo e moderno design para este utilíssimo prato falante com contador de calorias! Diz-lhe em voz alta quantas calorias têm os alim
entos no prato e dá-lhe conselhos dietéticos. Poderá ouvir essas indicações no modo “compreensivo”, com a voz do Fernando Mendes, ou “repreensivo”, com a voz da Sofia Aparício, bastando para isso, apenas mudar de posição num botão. Engraçado para toda a gente, mas especialmente útil para quem tenha dificuldade em suster a gula. Funciona com pilha incluída. Jantes anti-cães
É muito frustrante chegar ao pé do seu carro e ter as rodas todas mijadas pelos cães!… Isso acabou, graças a estas inova
doras jantes com desenho de um jornal dobrado! Ao aproximar-se do seu carro qualquer cão relacionará imediatamente as palavras “mau”, “feio” e “não se faz” ao castigo de levar com um jornal no focinho. Ideal, também, para os afugentar quando perseguem carros em andamento. Disponível em três versões: jornal pesado, médio ou leve; referências “Expresso”, “Diário de Notícias” ou “Destak”. Afugentador de ladrões por infra-sons
Indispensável para quem tem medo de ladrões, este aparelho emit
e um feixe dirigido de infra-sons. Uma vez apontado na direcção do meliante, age sobre o seu sistema digestivo, provocando-lhe imediatamente um estado de desconforto no baixo ventre e imobilizando-o em dolorosos espasmos. É eficaz num raio de 6 metros. Ideal para todos aqueles que gostam de caminhar livremente, sem se sentirem ameaçados por gatunos. Funciona com uma pilha de 9V e vem fornecido com um prático e útil guarda… chuva. Almofada de alfinetes/Boneco de vudú Sócrates
Finalmente, uma solução eficaz para juntar todos os alfinetes espalhados pela casa e aliviar o peso dum dia vi
vido em Portugal! Daqui para a frente, para descarregar o stress, basta pegar em alfinetes e espetá-los naquele boneco antipático que lhe anda a dar cabo da vidinha toda. Com modo de voz incluído. Muito prático para ter no seu sofá enquanto assiste às notícias pela televisão. Útil e verdadeiramente original!Simpático Baú

Aqui está a solução para os sonhos de todas as pessoas arrumadas: um simpático e prático baú onde poderá livrar-se de vez de todos os desperdícios inúteis comprados na D-Mail. Basta deixá-lo todas as noites à porta de casa e como que por milagre, tudo o que lá está dentro desaparecerá. Na verdade, a eliminação é efectuada por uma equipa de simpáticos duendes viajando num mágico camião verde que engole e devora o conteúdo deste baú. Uma óptima ideia para a namorada ou para uma amiga super-organizada!
30.1.08
O Homem do Sistema Binário
tudo aos pares. Aliás, este sistema dominou toda a minha vida, ainda nem eu era nascido! Ninguém sabia o meu sexo mas já estava decidido: vou vestir azul ou cor-de-rosa! Será que não se punha a hipótese cinzento-banana, preto pastel ou verde corintiano da Jamaica? É que isto começa logo quando eu era pequeno e ficava em casa a v
er televisão a preto e branco (embora me parecesse cin
ro, chegou a casa com uns catálogos de Minis e perguntou-me: 
-Qual é que gostas mais, do Austin ou do Morris?
-Pode ser um Rolls-Royce?
-Vê lá se queres levar 2 estalos!
Quando fui para a escola primária a sala de aula tinha 2 fotografias na parede; dum lado o Oliveira Salazar e do outro Am
érico Tomás. Graças a Deus havia um terceiro ao meio mas coitado tinha um ar tão triste (não sei se da companhia…) É que o desgraçado tinha os 2 braços esticados e as 2 mãos pregadas! T
ambém éramos obrigados a cantar um hino onde se mandava marchar contra os canhões e jurar fidelidade eterna a uma bandeiraverde e vermelha; se bem que também tinha um amarelo lá no meio, graças a Deus. As minhas maiores dificuldades sempre foram 2: português e matemática; nunca me dei bem com duplos sentidos nem raízes quadradas. No recreio a turma
dividia-se em 2 para jogar à bola e perguntavam-me:-Sporting ou Benfica?
Nas férias grandes tínhamos sempre 2 hipóteses: campo ou praia. Quando íamos para a praia eu tinha sempre 2 opções: ou esturrava ao sol ou enregelava na água. 2 vezes durante o dia, de manhã e à tarde passava o homem dos gelados e das batatas fritas
sempre aos gritos:-É frutó chocolate!
-Não tem baunilha?
-Não mas também tenho batatinha: Ti-Ti ou Pála Pála?
Às 2 da tarde íamos almoçar ao restaurante dos 2 Irmãos e mal entrávamos tínhamos que levar com o cromo do empregado:
-Boa tarde, então o que é que vai ser hoje? Carne ou peixe?
-Não te
nho fome-O menino não quer que lhe faça um preguinho ou uma bifana?
-Pode ser uma omelete!
-E p’ra beber, a senhora? Ah, uma águinha. Fresca ou natural? Com gás ou sem gás? Pois não. E o senhor? Uma cervejinha; Sagres ou Super Bock? E o menino? Um Sumol? Muito bem; laranja ou ananás?
(Já desesperado)-Traga-me um copo de veneno!...
Mas vocês julgam que isto dos pares acabava aqui? Não! Continuava todo o santo almoço, meu Deus. O empregado voltava à carga e trazia para o meu pai o azeite e o vinagre, para a minha mãe o sal e a pimenta para mim o ketchup e a mayonese, o tira-nódoas ou o pó-talco porque entretanto eu já tinha espirrado tudo nos calções ou na camisola!
Finalmente aquilo terminava porque no fim o meu pai dizia: -Queria a conta, se faz favor! - E o empregado:
-Queria? Já não quer? (E ria-se...)

A minha vida continuou, sempre perseguido por esta sina até que em adolescente decidi que não queria mais estudar e disse à minha mãe:
-Mãe não quero estudar…
-Bom, bom!…
Então fui ter com o meu pai e disse-lhe:
-Pai não quero estudar!
-Mau, mau!…
É fantástico como 2 pessoas que estão juntas há tanto tempo tenham 2 opiniões tão diferentes... mas tão iguais. Não tive grande escolha e disseram-me que podia seguir 2 vias: letras ou ciências. (Não haverá um curso de vadiagem?). Para cheg
ar à faculdade tinha de ir em 2 tansportes: autocarro emetro. Para fazer 2 quilómetros do Rossio ao Marquês apanhava um autocarro de 2 andares. A seguir apanhava o metro com 2 carruagens e 2 linhas: Sete-Rios e Entre-Campos. Eu ficava no Campo-Pequeno na saída norte. Também havia a sul…
Na faculdade havia umas miúdas "muita" giras: 2. Um dia fui falar com a que tinha 2 bolas quase a caírem do cai-cai e perguntei-lhe:
-Olá, como é que te te chamas?
-Mimi, e tu?
-Desculpa? Desculpa?
-Mimi, e tu?
-Tó…tó! Vamos tomar um café ao Vavá ou beber um copo ao Bora-Bora? ‘Bora?


Fomos a um baile. Parecíamos 2 jarras a dançar ao som dos grandes artistas populares - “truka-truka“, “pimba-pimba“, “mexe-mexe que eu gosto“ - “toma-toma minha linda“, “mexe-mexe que eu gosto“- “piri-piri”, “mais e mais“, “mexe, mexe que eu gosto” - até que surgiu a inevitável pergunta:
-Na tua casa ou na minha?
Fomos
para a pensão Lulu, começámos no truca-truca e pumba, PUMBA: tornámo-nos os 2 num casal. Aliás, 2 casais, contando com os gémeos com que ela ficou lá dentro da barriga. Casámos há 2 anos e sempre que vamos a uma festa ela pergunta-me: -Achas que vá de saia ou de calças? 
Hoje já estou um bocadinho xexé, meio gagá e p’ra já-p’ra já a minha vida não ata nem desata. Outro dia perguntaram-me se quando morrer quero ser enterrado ou cremado?… Acho que prefiro ser atirado para a atmosfera! Sempre continuo a ter 2 opções: ou fico a vaguear pelo espaço ou caio tipo meteorito em cima da torre de Belém ou dos Jerónimos…

29.1.08
O Maravilhoso Mundo D Mail - O Triunfo do Gosto Duvidoso

A caneca que assobia

Ofereça a um amigo ou familiar esta caneca tão especial para os fazer começar o dia com um sorriso! Tem as formas provocantes de uma bela rapariga e, quando a levanta para beber, ouve um assobio de admiração! De cerâmica finamente decorada à mão, com sensor e bateria incorporada.
4 Canecas “Papa”
Quatro belas canecas de cerâmica, evocando os 4 Papas que se sucederam nos últimos anos: Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II e Bento XVI. Não lavar na máquina.
(As associações sindicais dos bruxos e dos assassinos a soldo acham que a D Mail lhes quer tirar o pão da boca! Mais uma vez é a miopia dos sindicatos que impede o desenvolvimento económico. É óbvio que este produto vem é estimular a longo-prazo a procura desses profissionais!)

