e simultâneamente a pessoa mais engraçada que já se cruzou na minha vida. Faleceu prematuramente há 3 anos, chamava-se Carlos Carvalho e era mais conhecido por todos como o “Batata”.Quem o conheceu sabe que nenhum elogio ao seu humor e à sua permanente energia para dispôr bem é imerecido; é uma pessoa que deixou uma marca muito vincada em tudo o que fazia e em todos nós. Senhor de um fortíssimo carisma, iluminava qualquer sítio apenas com a sua presença e conquistava toda a gente mal abria a boca.
Sempre tive orgulho nele e prezava bastante a sua companhia, infelizmente agora ainda mais. Tinha o dom de arrebatar com naturalidade o protagonismo de qualquer situação e, mesmo na presença de vedetas a quem isso incomoda, com ele aceitavam a situação sem mais: contra factos não há argumentos.
Em todas as minhas actividades televisivas e até em discos da Fúria do Açúcar o chamei a participar sempre que ele quisesse. Mesmo assim só nos honrava com a sua presença quando lhe apetecia, nunca se deixando seduzir por outra coisa que não fosse o seu prazer em divertir-se e, sobretudo, em divertir.
Várias vezes tentei que seguisse uma carreira nesta área sem grande sucesso até porque ao longo dos anos me apercebi que decorar textos escritos por outros e reproduzi-los punha-o desconfortável, não tinha nada a vêr com ele, aniquilava-lhe a graça; fazer-lhe isso era tão indigno como enjaular um leão.
Onde ele brilhava como nunca vi ninguém era na arte da espontâneidade. Aliava uma figura física engraçada a uma memória prodigiosa, um sentido crítico apurado e um dos raciocínios mais rápidos que conheci, sempre apto a responder a uma situação e a mantê-la literalmente o tempo que quisesse sem deixar caír o nível de hilariedade.
Eu e todos os que com ele conviveram assistimos durante anos a várias horas de show contínuo, sempre diferentes em que ele não parava de falar e nós não parávamos de rir, chegando ao ponto da dor física. Ao fim de uma hora causava dores insuportáveis escutá-lo mas era viciante demais para acabar: tínhamos prazer em continuar a “sofrer”.
A sua actividade profissional era a de vendedor onde lhe pagavam principescamente: em todas as empresas onde trabalhou era o melhor a léguas de distância dos outros. Acompanhei-o algumas vezes e quando ele entrava num espaço comercial não vendia nada: os responsáveis é que iam atrás dele para lhe comprarem.
Idealmente, um humorista é assim como um bom vendedor: tem de arrebatar e esmagar a assistência com os seus argumentos mas sem se impôr demasiado, vender o seu produto como se não o quisesse vender; tem de torná-lo desejado e os clientes é que querem ardentemente comprá-lo.
Acrescentou-nos anos de vida a todos mas infelizmente para nós, a dele seria muito curta. Foi no meio da partida para um compromisso inadiável no estrangeiro que eu e outro dos mais próximos amigos dele soubemos da sua, nem sequer pudemos estar presentes num último adeus. A perda foi tão grande que a mãe, um mês depois, também foi com o desgosto.
Os deuses são mais fortes e podem ser invejosos da nossa felicidade. Como todos os que são bons demais, querem-nos só para eles quanto antes e tenho a certeza que neste momento já tem um lugar de honra entre os mais poderosos que disputam a sua presença. Pudera: eu consigo bem imaginar a gargalhada geral que lá deve provocar.




















e na foto de Novembro a nova miss Playboy portuguesa deitada de barriga pra baixo com uma almofadinha debaixo do ventre de modo a empinar o rabiosque pra cima. 



