29.1.07

EM MEMÓRIA DO BATATA

Este texto é muito especial para mim porque visa homenagear um grande amigo e simultâneamente a pessoa mais engraçada que já se cruzou na minha vida. Faleceu prematuramente há 3 anos, chamava-se Carlos Carvalho e era mais conhecido por todos como o “Batata”.

Quem o conheceu sabe que nenhum elogio ao seu humor e à sua permanente energia para dispôr bem é imerecido; é uma pessoa que deixou uma marca muito vincada em tudo o que fazia e em todos nós. Senhor de um fortíssimo carisma, iluminava qualquer sítio apenas com a sua presença e conquistava toda a gente mal abria a boca.

Sempre tive orgulho nele e prezava bastante a sua companhia, infelizmente agora ainda mais. Tinha o dom de arrebatar com naturalidade o protagonismo de qualquer situação e, mesmo na presença de vedetas a quem isso incomoda, com ele aceitavam a situação sem mais: contra factos não há argumentos.

Em todas as minhas actividades televisivas e até em discos da Fúria do Açúcar o chamei a participar sempre que ele quisesse. Mesmo assim só nos honrava com a sua presença quando lhe apetecia, nunca se deixando seduzir por outra coisa que não fosse o seu prazer em divertir-se e, sobretudo, em divertir.

Várias vezes tentei que seguisse uma carreira nesta área sem grande sucesso até porque ao longo dos anos me apercebi que decorar textos escritos por outros e reproduzi-los punha-o desconfortável, não tinha nada a vêr com ele, aniquilava-lhe a graça; fazer-lhe isso era tão indigno como enjaular um leão.

Onde ele brilhava como nunca vi ninguém era na arte da espontâneidade. Aliava uma figura física engraçada a uma memória prodigiosa, um sentido crítico apurado e um dos raciocínios mais rápidos que conheci, sempre apto a responder a uma situação e a mantê-la literalmente o tempo que quisesse sem deixar caír o nível de hilariedade.

Eu e todos os que com ele conviveram assistimos durante anos a várias horas de show contínuo, sempre diferentes em que ele não parava de falar e nós não parávamos de rir, chegando ao ponto da dor física. Ao fim de uma hora causava dores insuportáveis escutá-lo mas era viciante demais para acabar: tínhamos prazer em continuar a “sofrer”.

A sua actividade profissional era a de vendedor onde lhe pagavam principescamente: em todas as empresas onde trabalhou era o melhor a léguas de distância dos outros. Acompanhei-o algumas vezes e quando ele entrava num espaço comercial não vendia nada: os responsáveis é que iam atrás dele para lhe comprarem.

Idealmente, um humorista é assim como um bom vendedor: tem de arrebatar e esmagar a assistência com os seus argumentos mas sem se impôr demasiado, vender o seu produto como se não o quisesse vender; tem de torná-lo desejado e os clientes é que querem ardentemente comprá-lo.

Acrescentou-nos anos de vida a todos mas infelizmente para nós, a dele seria muito curta. Foi no meio da partida para um compromisso inadiável no estrangeiro que eu e outro dos mais próximos amigos dele soubemos da sua, nem sequer pudemos estar presentes num último adeus. A perda foi tão grande que a mãe, um mês depois, também foi com o desgosto.


Os deuses são mais fortes e podem ser invejosos da nossa felicidade. Como todos os que são bons demais, querem-nos só para eles quanto antes e tenho a certeza que neste momento já tem um lugar de honra entre os mais poderosos que disputam a sua presença. Pudera: eu consigo bem imaginar a gargalhada geral que lá deve provocar.

14.1.07

CÃES

Confesso que um dos comportamentos que mais me intriga nos seres humanos é a sua relação com os animais de estimação, em particular os cães. Quase todos nós gostamos de subjugar o próximo mas aqueles que preferem fugir ao confronto com os outros “macacos”, geralmente refugiam-se no apego a um animal de estimação e, embora haja quem adopte espécies raras, basicamente a humanidade divide-se em apreciadores de felídeos ou canídeos; é sobre estes últimos que irei falar.

Um bebé humano quando nasce tem um aspecto horrível, como um joelho enrugado ou o avô Simpson mas saiu do nosso corpo, gostamos dele porque tem os nossos genes. O cão não; tem de nascer logo com um ar fofo de modo a garantir a sua aceitação no seio da macacada, o que lhe pode granjear sustento e afecto sem precisar de se esforçar muito. Sou capaz de apostar que antes de serem domesticados os cães eram asquerosos, aliás como outros canídeos selvagens da actualidade.

Para os que foram domesticados, se submeteram incondicionalmente, guardamos os nossos melhores sentimentos e títulos como “o fiel amigo” ou “o melhor amigo do homem”. Em Portugal, o nosso gosto pela comida faz com que esses títulos possam também ser aplicados a um bacalhau!... Quando era criança imaginava que alguns humanos, quando estavam tristes, se dirigissem à casa-de-banho para desabafar as suas mágoas com um bacalhau de estimação (um fiel amigo), que mantinham vivo na banheira só até ao natal, claro.

Nós é que não somos fiéis e os canídeos que também o não são, hienas ou coiotes, são quase indignos aos nossos olhos. No imaginário colectivo, o piorzinho que pode haver em termos de terror, maldade e ferocidade é o lobo (mau); também pela proximidade, é certo, mas porque razão não nos merece tanta admiração como um lince ou outro felídeo selvagem mais próximo? Talvez porque estão emocionalmente mais próximos, resistem e não aceitam ser pisados por nós. É esse o drama do Lobisomem; ele é a imagem perfeita de um excluído social.

Na antiguidade o cão era utilizado para caçar, guardar ou servir de guardanapo nos banquetes dos ricos. Há umas décadas atrás um cão já era um boneco peludo giro ou um atrasadito mental sensível que por ali andava. Os nomes que lhes dávamos espelhavam essa ideia: farrusco, piloto, piruças, benfica, bobi, bolinhas... Com a descaracterização e impessoalidade das relações humanas, hoje em dia ganharam contornos de parceiros quase ao nosso nível. Agora têm nomes de pessoas e é raro o cão que não se chame Gaspar, Óscar, Sebastião ou Francisco. Estes companheiros do século XXI fazem os donos sair da caminha e ir p'rá rua às 3 da manhã de um frio e chuvoso inverno só para urinar nas rodas dos carros, perseguir e descobrir qualquer coisa putrefacta, ladrar a um movimento qualquer ao longe, ou fazer o dono agachar-se para apanhar o excremento do passeio. Uau: que poder sobre o macaco!

Nesta sociedade regulada e convencionada, um dos maiores prazeres que os cães nos dão é sabermos que são totalmente despidos de ética ou moral. Podem ser castigados pelas travessuras mas dão-nos o gozo secreto da inconsciência, fazem o que nós gostaríamos de fazer: cheiram o cu uns dos outros, bebem água da sanita, comem porcarias do meio da rua, mijam no sofá, montam-se na perna dos convidados e copulam livremente. Como até parecem ter prazer naquilo, a suprema heresia, também os punimos com epítetos da maior baixeza moral; cadela é, por exemplo, um dos piores insultos que se pode aplicar a uma mulher.

Há milhares de histórias de cães que salvaram pessoas, que são inteligentíssimos, que têm patentes militares, que entraram em órbita mas as que eu conheço pessoalmente não são tão gloriosas. Um primo meu tem um cão que se apontarmos para uma árvore e dissermos “-olha o gato”, juro que se não o formos buscar ele fica literalmente a noite toda aos saltos na árvore e a ladrar à copa para o seu visceral e invisível inimigo. Um conhecido meu tinha um chihuahua que morreu subitamente; fizeram-lhe autópsia e descobriram que tinha sido asfixiado por… uma minúscula folhinha de relva!!! Foi concebido para sniffar cactos e metem-no na Europa em espaços arranjadinhos, é o que dá.

Embora quase nunca o tivesse desejado, por vontade alheia tive vários animais de estimação chegando até a sustentá-los e mantê-los como se fosse eu o verdadeiro dono. Em jovem tive um cão, o Kimba, tão rebarbado que mal saía de casa corria a montar qualquer ser da mesma espécie independentemente do tamanho ou do sexo; o outro animal ficava a olhar para mim como se dissesse (tenho a certeza que queria dizer alguma coisa): “-Então, como é que é? É pra deixar fazer? Não lhe dizes nada?” Mais tarde tive uma cadela, a Estrela, um estranho cruzamento de raças, vítima de testes falhados de alunos duma faculdade veterinária: “coitadinha, vai ser abatida, mais não sei o quê”, ok, ficamos com ela. Como foi a minha experiência com esse animal? Só vos digo que se houvesse manicómios para cães era lá que ela devia estar internada! Consta que com o tempo os animais e os donos se assemelham; será que os meus dizem algo sobre mim próprio? Chiça, penico!...


Se dizem algo sobre mim não sei mas que me dizem algo, dizem, e logo no meu primeiro dia de vida na Terra. Nasci ao final da tarde e segundo a minha mãe, nessa noite eu comecei a chorar, só parando quando ouvi um cão que ladrava; mal ele parava eu recomeçava a chorar, o cão voltava a ladrar, eu tornava a calar-me e assim sucessivamente. Diz a minha mãe que pensou logo: "- Bem, parece que surdo ele não é". Ou seja: para além da porrada que levei da freira a tentar reanimar-me à nascença, da progenitora e do pai babado, o meu quarto contacto com este planeta e o primeiro com o mundo exterior ao hospital foi estabelecido com um cão!

O que mais me diverte acerca dos cães é a antropomorfização de que são alvo mas só para ser chato façamos a seguinte experiência: tiremos uma foto a um cão, por exemplo, a arfar com a língua de fora; que informação é que retiramos dessa imagem? Simples! O animal está certamente com uma das seguintes emoções: excitado, relaxado, nervoso, calmo, feliz, deprimido, esfomeado, saciado, divertido, aborrecido...

5.1.07

COMO FABRICAR UM HIT - parte 3: a atitude.

Tratemos agora do próprio artista. Se o objectivo é obter prestígio, qualquer aspirante a vedeta sabe que, em Portugal, é melhor ter um apelido estrangeiro verdadeiro (uma sorte invejada pelos outros), repescado dum parente mais afastado ou que tenha vindo da mãe, não sendo, portanto, o último; confere importância e um certo desligamento do cardume, uma saliência adicional. Só vale ser estranho, anglófono, germanófilo, itálico, ou, vá lá, francófono; se for hispânico pode produzir um efeito contrário. Exemplos: Adolfo Luxúria Canibal, Filipe Crawford, José Wallenstein, Marcantónio del Carlo, André Sardet, Shegundo Gallarza. Para cantar fado aconselhamos nomes como Margarida Villa Nova, Inês Castel Branco ou Alexandra Lencastre. Os Pereiras, Carvalhos e Rodrigues já eram.

Se a intenção fôr ser engraçado temos de pensar na vertente fonética do nome privilegiando os sons “ih” e “oh” associados ao escárnio, por exemplo: Beatriz Costa (ih-oh), Marina Mota (ih-oh), António Silva (oh-ih), Ivone Silva (ti-nó-ni) ou Hermínia Silva (hi-hi-hi). Obtemos assim lindos efeitos que variam entre o zurrar dum burro, sirenes ou risinhos.

Em geral, a malta mais jovem gosta de se agrupar e para encontrar um nome dá importância ao que está na moda ou a uma boa piada que possa cativar as miúdas pela inteligência do trocadilho. Lembram-se da primeira vez que ouviram falar dos Xutos e Pontapés? Poderíamos pensar que se tratava de um nome ligado ao consumo de drogas mas não, é apenas uma afirmação de rebelião, de carácter juvenil. Cá está: um truque giro cuja graça acabou por ganhar uma nova dimensão; hoje em dia são avós e tocam e cantam como se tivessem 17 anos. 4Taste, é para experimentar, não é um Ford T, ou qualquer outro modelo. Mais: D’zert; não é um deserto é “dizer-te” com sotaque madeirense. A evitar como o diabo foge da cruz, são os nomes que já foram fofos um dia como Tonicha, Nucha, Tucha, Chucha, Concha e outros que tais; agora são tão démodés como Rajá, Ajax, Juá, Pajú ou Sanjo.

Importante: quando já se anda há algum tempo neste meio convém não mencionar esse facto, "faz de conta" que apareceu agora; é melhor! O fenómeno das chamadas carreiras anda mais ligado à música popular e ligeira mas também sucede noutras áreas. Nós sabemos que é complicado, o ego não resiste à tentação e há sempre a tendência para fazer da idade um posto, até porque é frustrante ver chegar uns tansos despejados aos trambolhões de um casting qualquer e começarem a mijar no território que já foi seu. Também sabemos que por vezes a única maneira de se diferenciar é dizer que se tem um passado mas atenção que se pode virar contra o próprio artista: este é um modo de vida efémero, sem muita gratidão e a vedeta pode cair no ridículo se se afastar muito da realidade. Dizer que se tem, por exemplo, 20 anos de carreira pode levar à seguinte questão: “- Então andas aí há 20 anos e ainda não passaste dessa merda?” Manda a prudência e o bom senso que em muitos casos é melhor fazer uma série de poucos episódios, em vez de uma novela onde a história se arrasta até ao patético ou pior, ao esquecimento.

Como nota final vale a pena referir que apesar de tudo, o mais importante para se obter sucesso no chamado music-business é ter uma atitude, uma postura coerente seja qual for estilo e apostar sobretudo NA FORMA, o conteúdo vem por arrasto, senão vejam: o David Fonseca canta em inglês porque tem sonhos internacionais e o português, enfim o português... perceber-se-ia melhor; o Pedro Abrunhosa nunca tira os óculos porque tem mesmo os olhos tortos como o Marty Feldman; a Mariza canta fado porque diz que sempre o fez desde o berço, e é onde vai buscar a profundidade... que procura; o Marco Paulo acha que deve a carreira ao público porque é tão ingénuo como ele era; o Roberto Leal acha que deve a carreira à Nossa Senhora porque sempre rezou e trabalhou para isso; o Emanuel canta música pimba porque tem o "curso do conservatório" e a "música clássica", enfim a "música clássica"... não dá; o Toy canta porque sim; o Manuel João dos Ena Pá 2000 tem graça porque não convive com o poder nem se dá com os seus colegas do show-biz.

COMO FABRICAR UM HIT - parte 2: a letra.

Agora as palavras. Para a letra o processo é um pouco mais complexo e embora se assista a uma globalização onde imperialismos culturais se impõem, há que ter em conta especificidades regionais.

Estudos de mercado revelam que em Espanha o sabor favorito dos consumidores é o limão, (qué?!) algo impensável em Portugal. Imaginemos que vamos aqui ao supermercado comprar um yogurte; qual é o sabor? Yogurte / … morango! Voilá. Os espanhóis gostam de fritos e de petiscar nós gostamos de tudo o que seja muito doce ou muito salgado. Logo, um título de sucesso para um CD em Portugal pode ser, por exemplo, "Morangos com Açúcar". Em Espanha talvez fosse melhor chamar-lhe “Tapas com Limões”. Estão a vêr como funciona?

Os temas NUNCA devem abordar a racionalidade e sim os sentidos: "Aromas" - o perfume, livro preferido das vedettes, "Sabores" - o gosto dos teus lábios, "Vislumbres" - os teus olhos, "Sensações" - sentir o teu corpo e "Deleites" - ouvir-te cantar o fado, são bons exemplos. Irracionalidade também é bem-vinda como palavras ou frases sem sentido, gritos, grunhidos, suspiros e lá lá lás.

Se quisermos falar de assuntos quotidianos sigamos o exemplo da nossa bandeira republicana verde e vermelha, um contraste gritante; mas se quisermos dizer o indizível trilhemos os caminhos sugeridos pela bandeira monárquica, azul e branca como a nossa alma. Qualquer letra que tenha a palavra "azul", em Portugal conduz à contemplação poética: mar azul, céu azul… Qualquer letra que contenha "feitiço" ou "feiticeira" produz uma magia nas emoções: é impossível fugir ao seu fascínio. Eis exemplos de algumas das melhores palavras: amor, paixão, desejo, noite, mistério, solidão, desespero... Nota importante: todas as letras, pelo menos uma vez, devem referir o corpo ou partes dele, em especial as seguintes vísceras: coração e olhos. 

Muitas vezes as letras ajudam a definir a ideologia de um género simplesmente por contingências rítmicas ou limitações de rimas; suspeito bastante que o fado seja um desses casos: quanta forma e vida bizarra não está associada a este meio só porque o seu instrumento principal se chama... guitarra? Quantas vezes não ouvimos o fadista cantar esse adjectivo para dois versos depois esbarrar com os cornos no tal substantivo?   

A reter: as letras podem ser escritas por qualquer pessoa, um primo um amigo, a mãe, isso não tem o mínimo problema; embora fossem mais necessários letristas, em cada português há um potencial poeta com os seus inconfessáveis escritos guardados a sete chaves numa gaveta, até ao momento em que se pergunta se os querem ver publicados: como que por magia deixam de ser secretos. Talvez devessem continuar nesse estado porque assim evitaríamos tomar contacto com um dos dois resultados da tal poesia: ou são quadras em que infantilidades teimam em rimar, ou prosa despida de qualquer ideia ou ritmo; tanto num como noutro, um átomo solto de um substantivo liga-se a um átomo solto de um adjectivo para formar um novo elemento; normalmente já é conhecido pelos cientistas da língua mas se não for tem poucas probabilidades de manter intacta a sua invulgar estrutura atómica. Estas partículas vagueiam soltas em prosa pelo papel, numa sopa orgânica sem sentido, alma ou intenção. Como diria numa quadra Fernando Pessoa, verdadeiro mestre na arte de brincar com ideias e palavras: "...não sei o que faça, não sei o que penso, o frio não passa e o tédio é imenso... dorme coração". É melhor, é....   

3.1.07

COMO FABRICAR UM HIT - parte 1: a música.

Existem muitos e variados ritmos mas para fabricar um sucesso vamos esquecer todos e usar apenas o quaternário. O ritmo quaternário pode ser considerado uma variação do binário (a dois tempos como o pulsar dum coração) e compõe-se de quatro tempos, forte, fraco, intermédio, fraco. É usado em marchas, toda a música pop/rock, dance, blues, samba, fado, etc, etc.

A ditadura do ritmo quaternário. Este é o ritmo mais adequado porque como dizia Hermann Rauschning, dissidente do partido nazi e escritor do livro Revolução do Nihilismo, “Marchar diverte os pensamentos dos homens. A marcha mata o pensamento. A marcha mata o fim da individualidade. A marcha é o passe de mágica indispensável com o fim de habituar o povo a uma actividade mecânica, quase ritual, até que se torne uma segunda natureza.” Estamos esclarecidos?

O batimento cardíaco humano anda à volta das 70 pulsações por minuto; logicamente, cançonetas que tenham esse beat, as de tipo slow, são absorvidas pelo ouvinte através do tranquilo processo de osmose. Em geral acelera-se um pouco mais para "puxar" o ouvinte, para o desafiar. Se se quiser pôr o receptor a mexer, vulgo dançar, utiliza-se um batimento de 120 b.p.m. (beats por minuto) embora com o acelerar da vida moderna e stress esse valor já chegue aos 130 b.p.m.. Se a ideia é pôr os ouvintes em transe, interferir com o seu ritmo orgânico, o valor deve ser de 140 b.p.m., o dobro do ritmo cardíaco normal, ou mais. Estes últimos valores são utilizados na música dance, trance, techno, etc.

Neste tipo de registos sonoros ajuda bastante ouvi-los num ambiente em que as luzes têm um papel muito importante piscando ritmadamente de modo a criar um efeito hipnótico. Se houver álcool à mistura o cocktail de alienação completa-se, é como conduzir um automóvel a alta velocidade numa auto-estrada observando as faixas descontínuas. Quem não tiver o ritmo cardíaco elevado passa ao lado da sensação de se integrar numa entidade colectiva pulsando em sintonia; para o conseguir basta-lhe injectar adrenalina, fumar uns cigarros ou tomar umas pastilhas. Uma discoteca pode ser assim uma espécie de congregação religiosa onde cada um se anula para experimentar o prazer de ser parte dum todo e onde o disc-jockey, do alto do seu púlpito, faz o papel de pastor do rebanho; os mestres são os artistas, a ideologia são os sons. Todos os jovens procuram orientação espiritual e esta é uma maneira prosaica de a obterem.

Como já toda a gente sabe cantar, até o Abrunhosa, vamos passar ao próximo passo, a melodia. Quanto a esta, o melhor é fazer o seguinte: melodias vagamente familiares causam logo uma aproximação emocional ao ouvinte predispondo-o a escutar, daí o sucesso descaradamente assumido das versões e das chamadas remixes. Os jovens são sensíveis a uma maior gama de frequências que os adultos e quando largam as lengalengas infantis e são introduzidos às frequências graves dá-se uma transformação da qual já não se conseguem libertar: são violentados organicamente com essa gama baixa e ficam viciados nas emoções fortes que elas transmitem, em particular os jovens do sexo masculino. Para responder a essa procura foram desenvolvidos, nos aparelhos reprodutores de música, sistemas que salientam cada vez mais intensamente essas frequências; há sempre um botãozinho de loudness ou super bass que às vezes roça o infra som e que está sempre ligado. Se se o desliga é como ouvir rádio em onda média...

Importante lição a reter: o segredo do tema está no arranjo, não confundir com composição. Há outra confusão bastante comum: ninguém neste processo está a produzir arte, portanto não misturar música com arte; a arte não se destina a agradar a um público e a música de que estamos a falar é a do género "variedades", ou seja, um mero amontoado de notas e acordes que servem de base à venda de um produto de entretenimento. É isto que têm de ter sempre presente. Devem por isso encontrar um bom produtor que dê a "roupagem" aos temas de modo a atingirem o público a que se destina o produto. Podem pegar na guitarra e mostrar-lhe qual é a sequência dos acordes que tanto pode resultar numa música pimba, pop, rock, o que se quiser; o produtor é que "vestirá" com um estilo.

2.1.07

COMER À TRIPA FÔRRA

O espólio pessoal de Fernado Pessoa é composto por uns 20% de material sobre astrologia; nele, há um famoso horóscopo onde se refere que Portugal é um país nativo do signo Peixes. É curioso como esses animais parecem tão apropriados à nossa identidade: se tivermos um aquário com peixes lá dentro e os alimentarmos constantemente, eles simplesmente não param de comer e rebentam!...

Antes de partirmos para as descobertas, imagino que os sabores dominantes deveriam ser os das carnes, peixes e castanhas cozidas com couves. Assim que nos pusémos em contacto com os produtos africanos e as especiarias do oriente, desenvolveu-se um irreprimível gosto pelo exótico, que levou os mais ricos a exageros de condimentação, ou seja: viciámo-nos em sabores fortes.

Outros impérios subjugaram povos e nações para lhes roubar o ouro, as terras, matérias primas e energia. Nós fizemos guerras pela comida e lutámos que nem uns valentes pelo seu controle; esse parece ser o principal motivo da ida à Índia, e nem sequer há pudor em encobri-lo, vem em todos os manuais escolares. Foi aí que provavelmente nasceu o apetite por alimentos extremamente salgados, tipo granadas de bacalhau, os doces conventuais, verdadeiras bombas de açúcar, explosões de piri-piri, mísseis de caril, gases mostarda, pontapés na canela, balas de chocolate e morteiradas de cafeína. Actualmente, onde se destacam os portugueses empreendedores pelo mundo fora? Pelo menos em padarias, delis e supermercados, somos príncipes! Parece que a nossa guerra continua a ser com os indianos...
Hoje, tal como ontem, o tempo para a refeição em Portugal é sagrado e não há forma de contornar esse facto; só falta um dia ver um restaurante fechado à hora de almoço, com o letreiro: "encerrado para almoço". Liga-se para uma empresa de Lisboa para falar com o responsável e diz a telefonista: “- O soutôr já saiu para almoçar, quer deixar recado?” Ok, parece que a hora de almoço começa às 11 horas, mas se ligar às 2 e 5 aposto que ninguém vai atender, a telefonista deve estar, ela própria, ainda a almoçar…

Às 3 e um quarto volto a ligar e diz a telefonista: “- o soutôr ainda não chegou do almoço, quer deixar recado? (Já no limite reprimo um “chiça, muito comem estes gajos!”) “- É que estão cá uns clientes estrangeiros e o soutôr foi com eles almoçar a Sesimbra; vai deixar recado?” Ah bom, já estou a vêr que hoje é melhor esquecer; por vergonha alheia desisto de deixar o tal recado a dizer que "ligou o idiota que tinha combinado com ele ao meio dia”.

Desligo, o meu pensamento voa, e só imagino o soutôr, depois de uns presuntos com melão a comer um arrozinho de tamboril, a beber uma reserva especial com nome rústico, a contar piadas rascas intraduzíveis num sotaque macarrónico, a beber cafés e a fumar charutos, convencido que deixou uma marca indelével de hospitalidade nos seus convidados. Quem sabe, à noite ainda os vai levar ao Passerelle

Às 4 e meia recebo uma chamada de telemóvel do soutôr a falar mais alto que o ruído de fundo do carro enquanto conduz de volta pra Lisboa: “- Tou?... Tou?... (brshh) é pá desculpe lá isto d’ hoje, estes gajos... Tou?... É pá tou aqui numa zona sem rede... estes gajos, uns alemães apareceram-me aqui assim de repente, já sabe como é que é (por acaso sei: os alemães não aparecem de repente a não ser em Varsóvia); podemos marcar para a próx... (brshh) quinta-feira? Você passa lá ao fim da manhã e a gente depois até vai almoçar”.

Na tal quinta-feira, comigo presente, o almoço é descrito para a sua secretária como uma reunião de trabalho e “cancele-me aí tudo até às 4”. Mensagem subliminar pra mim: "hoje és tu o sultão, os outros que se lixem!" O pior é se nessa tal “reunião de trabalho” também vêm soutôras, seres naturalmente castradores dos instintos primários. Um gajo ainda vai ter de comer bróculos cozidos, esquece lá cervejas, não se pode estar à vontade para abardinar, e depois já não é almoço, não é nada; ainda se torna mesmo numa reunião, querem ver?…

MÃE: SOU UM TERRORISTA! E TU TAMBÉM, AHA!

A partir de hoje o governo dos Estados Unidos implementou uma resolução que obriga todos os cidadãos europeus a serem espiolhados nos seus movimentos de cartão de crédito e correio electrónico se quiserem entrar em território yankee por via aérea e tenham comprado o bilhete com esse tipo de cartão. Porquê? Porque à partida somos potenciais terroristas!

Pragmáticos, como sempre, os americanos continuam a mostrar quem pode e manda e quem tem de baixar a bola. Os europeus, quais aristocratas, continuam a julgar que o futebol se joga sem sujar as mãozinhas e quem lá as meter é castigado mas futebol para eles tem outras regras: joga-se armado até aos dentes, aos empurrões, à placagem, à cabeçada ao adversário e com as mãos. “Foot ball” é o que eles quiserem, como aliás, em tudo o resto. E ainda por cima, como salientou um dia John Cleese, quando organizam um campeonato mundial daquilo a que chamam futebol, têm a mania de não convidar as outras nações; o campeonato mundial é só deles!!!

A desfaçatez dos americanos compreende-se perfeitamente: a sua pátria foi em grande parte construída por hordas de aventureiros sem nada a perder que tiveram coragem para abandonar os países de origem onde viviam mal; quem lá manda agora são os descendentes de gente voluntariosa e competitiva, brancos/protestantes. O que restou na Europa foram os demasiado miseráveis para comprar um bilhete para o novo mundo, demasiado cobardes para o fazer, demasiado interessados noutras questões que não as de fazer fortuna ou demasiado ricos para terem interesse nisso; de facto, tal como na idade média, os europeus continuam a ser governados por umas dúzias de famílias poderosas conservadoras.

O cinismo, cobardia, interesses divergentes e inépcia dos europeus leva a que não tenham nenhum papel activo no mundo. Nem sequer conseguem resolver conflitos internos… Ainda não foi há muito tempo que andaram cá os americanos a meter o nariz, o corpo e as armas na guerra da ex-Jugoslávia; como é que eles haveriam de nos respeitar? Que não subsista a menor dúvida: no topo da pirâmide os Estados Unidos, mais abaixo o velho continente.

E Portugal? Subiu alguma coisa com a entrada na Europa? Toda a gente me diz que seria muito pior se não tivessemos aderido à comunidade ou não pertencessemos à zona euro mas todos nós sabemos que não estamos nada bem nem melhoraremos. Terá a escolha de ser feita entre merda absoluta e desgraça engravatada? Oh terrível inevitabilidade!...

Afinal hoje não deve ser o dia 1 de Janeiro mas o primeiro de Abril, ah ah ah, porque enganaram mais dois! A Bulgária e a Roménia já são membros de pleno direito da “Liga dos Cínicos e Cobardes” e no próprio dia em que aderiram, a patética associação foi renomeada; agora chama-se “Liga dos Potenciais Terroristas”! Julgavam que passavam directamente da 3ª para a 1ª divisão mas ficaram-se pela 2ª, os totós!

Os portugueses já sabem muito bem o que vai acontecer a esses infelizes: alguns ricos instalam-se e uns anos mais tarde debandam para paragens mais baratas; se entretanto os autóctones se souberem amanhar… Tal como cá esses patinhos sonham com a sublimação, em que de um estado gasoso se passa para um sólido mas cedo vão perceber que se ficaram pela condensação e não serão mais do que nós: um estado líquido sem liquidez com tendência a evaporar-se...
Agora vejam do ponto de vista dos americanos: não bastava o ajavardamento de pobres/não evangélicos a que isto chegou? Ainda tinham de meter mais Roménias e Bulgárias? E depois querem falar de igual para igual! Então quando isto um dia começar a meter Turquias... De qualquer forma, para eles, hoje já somos uma espécie de Paraguais "Iraquizados".

29.12.06

OS MELHORES DO ANO


Pela primeira vez, numa iniciativa que se prolongará ao longo dos tempos, este blog irá realizar uma gala onde serão entregues os prémios para quem mais fez rir durante o ano!

Senhoras e senhores, com pompa e sem circunstância apresento-vos:
OS BOBOS D’OURO!


Em breve dir-vos-ei as categorias e os nomeados para cada uma delas.

PREVISÕES PARA 2007

Não é preciso ser cartomante, astrólogo ou lançar búzios para prever que todos os anos os professores Bambo, Karamba e outros ditongos nasais fazem algum a publicar as previsões para o próximo ano. Acaba Novembro e pimba: juntando o (in)útil ao agradável de Dezembro co-existir com Onzembro, o tal 13º mês, aí estão elas por todo o lado, as previsões que não fazem nem mal nem bem, como os menires do Obélix, ajudando-nos a... ajudando-nos a... a...


Também dou cartas nessa área e normalmente utilizo as repostas fornecidas pelo reputado “Oráculo das Cartas”! Como funciona? É simples: meto dentro de um saco toda a correspondência que me enviam a pedir para resolver problemas, a seguir ponho-me em cima duma cadeira, abro-o e despejo numa mesa o monte de cartas recebidas; para as que lá ficarem a resposta é sim, para as que caírem no chão a resposta é não. É raro mas para as que ficam de pé a resposta é nim.

Verdade seja dita que não me custa muito saber o futuro, já passei por ele, mas mesmo não estando à frente no tempo, para qualquer um é fácil prever que, por exemplo, todos os dias de natal morre um VIP ou sucede algo; ou melhor, como o natal é um dia importante lembramo-nos sempre dum facto notável como uma morte. Além disso, se não for no próprio dia, anda ali na zona do natal; já sabem que a astrologia é mais ou menos, não se preocupa com exactidão de efemérides.

Este ano foi o James Brown, o ano passado foi o tsunami e como a memória é curta não me lembro de mais para trás excepto o Charlie Chaplin há umas décadas. Já agora: querem apostar que no dia de ano novo (ou próximo dele) alguém vai morrer? E que se não houver ninguém notável a desaparecer vamos recordar-nos que o ex-presidente norte americano Gerald Ford e o Saddam Hussein morreu algures entre o natal e ano novo? Pelo menos durante um ano, depois já não sei…

Totalmente grátis (até ver) vou-vos apresentar as únicas e infalíveis previsões para o ano de 2007 com base na astrologia da Oceânia na qual sou um expert. Esta zona dos antípodas desenvolveu um ramo astrológico de grande profundidade simbólica e baseia-se na filosofia do Boomerang: “todo o bem ou mal que fizeres voltará inevitavelmente para ti!” Lindo, não é? Acho que um Cristo ou um Buda não desdenhariam a autoria deste conhecimento. Até prevejo que os seus seguidores me dirão que, talvez de outra forma, no essencial isso já foi dito por eles muito antes dos aborígenes!

"Segundo a astrologia da Oceânia, 2007 estará sob a influência do signo do Ornitorrinco. Tal como o animal que lhe dá nome, este será um ano de contradições e absurdos. As condições climatéricas extremas dominarão na natureza e várias figuras públicas mundiais morrerão durante o próximo ano. Em Portugal o governo de José Sócrates continuará a impôr-nos dificuldades não sendo de excluir uma vistoria fiscal a todas as empresas portuguesas na ânsia de encontrar alguma moeda perdida no chão. As novelas continuarão a dominar o panorama audio-visual e os Xutos e Pontapés continuarão a tocar. Só para concluir direi, para quem desconhece a astrologia Oceânica que todos os anos são regidos pelo signo do Ornitorrinco."

27.12.06

CALENDÁRIOS PIROSELLI

A mesma editora que publicou livros tão perenes como os da Carolina Salgado, a vida e obra de Jardel e as tácticas do Boloni prepara-se agora para enveredar por uma nova linha de produtos. Pegando na ideia do famoso calendário Pirelli onde mulheres de sonho aparecem desnudadas para delírio de mecânicos e camionistas da Europa, resolveu adaptar o conceito à realidade portuguesa.

Até agora o calendário mais popular entre os mecânicos era o do afamado Rei da Sucata cujo símbolo é um rei de copas com uma biela na mão; é constituído pelas folhas dos 12 meses e apenas uma foto da namorada do filho do Rei da Sucata, a Sónia, que aparece em biquini de cú espetado em cima do capot duma comercial Iveco.

Pois agora, para o próximo ano, a tal editora vai lançar calendários direcionados a vários públicos-alvo. A primeira linha de produto são 2 calendários Piroselli que podem ajudar a forrar as paredes de esteticistas e cabeleireiras.

O primeiro calendário tem uma folha com foto para cada mês do ano e desde já podemos adiantar que na foto de Junho temos um grande plano da cara insossa da Flori Tôla, na foto de Agosto um close-up literalmente apertado das mamas da Ana Mamalhoa e na foto de Novembro a nova miss Playboy portuguesa deitada de barriga pra baixo com uma almofadinha debaixo do ventre de modo a empinar o rabiosque pra cima.

O segundo calendário é semanal e nele aparecem 52 fotos da Elsa Rapa Esposo com 52 namorados diferentes, um para cada semana do ano. Note-se que na semana 36, lá pra meados de Julho, a foto da semana é na piscina, nua, com outra mulher ou lá o que é aquilo. Na última semana do ano, certamente antevendo um revéillon de arromba, a fotografia é uma fotomontagem com todos os namorados ao mesmo tempo. Mas se fizeram bem as contas verão que falta um namorado! Então deitem uma espreitadinha à semana 44 e nela poderão reparar que a semana está dividida em segunda, quarta e sexta com um gajo diferente do de terça, quinta e sábado! O domingo não tem foto, deve ser o dia do senhor (barão?)...

MÉDICOS...

Lembro-me que lá por 2006, aí em Portugal fui fazer análises de rotina e a seguir marquei uma consulta para o médico me explicar os resultados. Ainda tentei decifrar os números e códigos que vinham no relatório mas não entendi nada embora tenha uma forte suspeita que aquilo eram os planos de uma bomba atómica em potência.

Quando estava na sala de espera ouvi umas três ou quatro vezes chamarem pelo sr. Melo, o que já me estava a intrigar bastante, afinal o que é que o meu pai fazia ali? Só depois reparei que era o único na sala e a enfermeira olhava pra mim sem muita paciência…

Quando entrei no consultório o médico disse-me para eu me sentar, informação desnecessária já que também não fazia tenção de ficar em pé, e enquanto ele passava os olhos pelos meus relatórios não pude deixar de pensar que o pessoal dos hospitais é todo assim um bocadinho p'ó alucinado.

Ali o dia inteiro a snifar álcool, éter, tintura de iodo... Agora é que eu percebo porque é proibido fumar nos hospitais: se alguém acende um fósforo (bruá!) vai tudo pelos ares!!! Não admira que tenham as células cerebrais queimadas e a longo prazo pareçam uns janados agarrados ao frasco da cola; pelo menos é o que parece o Doctor House!...

Quando o médico começou a falar só dizia disparates uns atrás dos outros, parecia a letra duma música pop do final dos anos 60;
- vejam só que me falou de grandes dinossauros “-os triglicéridos estão elevados”
- que a “tensão estava alta”, como se eu tivesse alguma animosidade contra ele
- para ter atenção aos globos brancos - pronto, e eu lá me puz a olhar para as mamas da enfermeira
- pra ter “-cuidado com a ureia” – mas nem sei se se estava a referir à do norte ou à Ureia do sul. Bom, se fosse à do norte devia ser para me proteger dos mísseis daquele ditador anão
- e finalmente disse que a minha urina tinha uma cor amarelada! Aí fiquei um bocado decepcionado porque se a urina tivesse uma cor azulada ainda podia ganhar algum a mijar no circo…

Antes de me ir embora ainda me marcou para a próxima sexta-feira um exame igual ao que fez a filha do Nené, a Filipa Gonçalves: um exame de despistagem do cancro da próstata!...

26.12.06

GUERRA DOS MUNDOS

Sempre houve guerras entre espécies e é sabido que os dinossauros evoluíram espectacularmente até um determinado ponto quando subitamente todos se extinguiram. Porquê?

No universo existem inúmeras formas de vida com base no carbono e dessas a maior diferença é entre seres ovíparos, que são quase todos os reptilianos, e de tipo vivíparos como os mamíferos.

Ora bem: os dinossauros de facto evoluíram na Terra até ao ponto de constituirem uma civilização tecnologicamente avançada e mais desenvolvida que a que possuímos actualmente.

Mas seres extraterrestres de tipo mamífero, numa espectacular acção que visava exterminar os aliados de civilizações reptilianas pelo universo fora, viajaram para o passado e, através da contaminação biológica localizada eliminaram todos os antepassados dos seres que “actualmente” dominavam a Terra. Logo, deixaram de “existir” no presente, passaram para a tal realidade alternativa, deram espaço a que a nossa espécie evoluísse e no futuro se tornasse mais um planeta dominado por vivíparos.

No fundo somos mais uma bandeirinha mamífera no grande mapa do universo…

Também nos deixaram inculcado nos genes a informação para sobrevivermos o mais autonomamente possível: o pavor aos répteis! No entanto permitiram que os dinossauros evoluíssem na forma de aves para que pudessemos ter sempre presente o perigo.

Portanto, quando vocês olharem para as churrasqueiras onde são assados milhares de frangos, tenham presente que no fundo podem estar a assistir a um holocausto, um sacrifício ritual que pretende celebrar a nossa vitória nessa contenda milenar.

Contudo, por vezes os extraterrestres reptilianos através de espiões infiltrados fogem ao controlo dos nossos aliados mamíferos e tentam sabotar a nossa existência, sacrificando os da sua própria espécie com o fito de nos eliminar.


É verdade! Donde é que julgam que vem a gripe das aves
? E acham que se alastrasse ao ponto duma epidemia mundial nós sobreviveríamos? Vejam só: os sacanas a atacarem com vírus; olho por olho...

CÓDIGO DE CONDUTA

A questão da informação veiculada através do tempo é muito interessante e vou esclarecer alguns pontos.

Ao escrever-vos do futuro fui obrigado a assinar um documento rigorosíssimo onde me comprometo a não interferir directamente no passado. Sabemos também que as 5 pessoas que lêem este blog não o farão com base nas informações aqui publicadas e que mesmo que o tentem fazer serão consideradas tontinhas.

Há várias penalizações para quem se comunica pelo tempo e transgride este código de conduta, sendo talvez a mais grave de todas a eliminação do indivíduo no passado; logo, tudo o que viveu, produziu, disse, etc, passa para uma espécie de realidade alternativa, assim como um sonho.

Quem já não sonhou com locais, pessoas e situações que em tudo parecem reais mas não o são? Pois é: foram reais mas trasladaram-se para o reino do “podia ter sido”. Existe um infinito número de realidades e aquilo que nós percepcionamos é apenas uma entre essa infinidade. As circunstâncias geram um terreno propício a; o nosso livre arbítrio condiciona o resto.


Um dia aprofundarei esta questão mas por agora apenas vos contarei no próximo post uma história que estou autorizado a revelar acerca do passado e da evolução.

25.12.06

A MORTE DO NATAL

Há uns 20 anos atrás sucedeu um facto que mudou o natal até agora; esperemos que a partir de hoje as coisas se modifiquem. Aqui vai a história em forma de letra para canção; a música é a do velho Jingle Bells:

Já mataram, já mataram uma rena ao pai natal
Está tudo louco, é um horror! Que crime tão brutal

Já mataram, já mataram uma rena ao Pai natal
Onde é que isto irá parar? Que crime tão brutal

O Pai natal ao saír de casa ouve um grito no curral
Vem a correr vêr o que se passa e encontra um chavascal:
A três metros do trenó jaz uma rena ensanguentada
Umas gritam, outras choram e duas não fazem nada

Há pânico no curral, o natal já está estragado
Apanhem o culpado, tem de ser bem castigado

Já mataram, já mataram uma rena ao Pai natal

E nessa mesma noite nos telejornais
Já anda tudo à guerra é a vêr quem fala mais
Uns dizem que foi suicídio, outros dizem que ainda vive
Que a culpa é da Al Qaeda e pra outros foi Tel-A-Viv

O ocidente em peso, pelos Bushes liderado
Uniu-se numa frente contra o grande malvado
Montaram caça ao assassino dias e dias sem parar
Mas tornou-se um desatino, estava difícil de encontrar

Estamos quase na consoada, falta uma solução final,
Vamos dar nós os presentes, que se lixe o Pai natal

Todos os países ricos pagaram uma factura
Deram muitas “play-stations” e “barbies” com fartura
E quando as crianças se cansarem de brincar
Há montes de acessórios que o papá tem de comprar

(ideia luminosa)

… Então e a rena? E a rena?

Já mataram, já mataram uma rena ao Pai natal
Isso não é mais notícia, tornou-se banal…

Já mataram, já mataram uma rena ao Pai natal
Isso não é mais notícia e ponto final.

BACK TO BUSINESS


Imagino que para a maioria dos meus 5 leitores será difícil acreditar mas a razão da minha ausência desde a publicação do último post prende-se com o facto de ter havido uma guerra mundial que obrigou a cortar as comunicações especiais, como por exemplo, para o passado e para o futuro.

Estamos no final de 2031 e o movimento liderado por Whang estabeleceu uma nova ordem mundial acabando com as contendas que duravam há um ano e meio.

Um dia aprofundo o assunto e explico-vos o que se passou mas não deixa de ser curioso e quiçá de bom augúrio que tal facto tenha ocorrido no dia de natal; por agora vamos voltar à normal e regular informação que vos ia enviando. Saudações cordiais do futuro!

21.6.05

FILOSOFIA DE ALGIBEIRA

(Professor Bomba)
Um dia liguei o canal Viver e acabei por ouvir as previsões do professor Bomba;
Dizia o meu signo que devia evitar gastos supérfluos e ter mais cuidado com a saúde.
Às vezes penso que o professor Bomba podia perfeitamente ser minha mãe...

(A Mentira que cresce ou diminui)
Fase 1- O Pinóquio quando diz que tem um nariz de 20 centímetros está a mentir
Fase 2- Essa mentira realmente aumenta o nariz e quanto mais mente mais ele cresce.

Quando os homens falam das suas pilas, a fase 2 é toda ao contrário.

(Carmen Miranda)
O sucesso, como o amor, tem de ser cuidado e regado todos os dias
É preciso ser paciente e persistente senão veja-se o caso da Carmen Miranda:
Em pequena tinha sementes na cabeça, em jovem flores e só em adulta teve frutas!

(Star Treck)
Nem sempre o sucesso é imediato e só nos resta continuar a trabalhar;
A primeira vez que foi usado o tele-transportador na Enterprise não funcionou bem
O comandante ficou com as orelhas do Spock e este com as mamas da Uhura

(Espaço 1999)
Como o ovo e a galinha, não sabemos o que vem primeiro: a ficção ou a realidade
No Espaço 1999 a Lua separava-se da Terra e andava à deriva pelo universo
Na Terra 2005, Portugal separou-se da Europa e agora andamos todos à deriva...

(Certeza Absoluta)
Já repararam como é maravilhoso ter pelo menos uma certeza neste mundo louco?
Podemos não saber o futuro, se há vida em Marte ou onde pára o D.Sebastião
Mas já sabemos certamente que para o ano Portugal não ganha o festival da canção

(Super-Heróis)
Apesar do sucesso de algumas séries de TV outras houve que foram um total fiasco
Assim que lançaram o Homem-Aranha acabou-se o reinado do Super-Mosca
E o romântico Capitão Vela foi “apagado” pelo implacável General Eléctrico!


PORMENORES QUE FAZEM A DIFERENÇA

(25 de Abril)
Poucas pessoas sabem mas o movimento do 25 de Abril esteve quase a ser abortado
Na estação de rádio o locutor que devia por ‘Grândola Vila Morena’ chegou atrasado
E por pouco o estagiário de serviço não punha no ar ‘Ora Zumba na Caneca’

(Filosofia)
Jean Jacques Rousseau defendia uma educação naturalista, o bom selvagem
E que o Homem não se constitui só de intelecto: o mais importante são as emoções.
Pois agora sabemos que o cérebro tem dois lobos mas não há vestígios de cordeiros

(Formicologia)
Nas sociedades primitivas sacrificavam-se inocentes para aplacar a ira dos deuses
Assim se explica porque são atiradas milhares de formigas para fora dos formigueiros
Devoradas pelos Papa-Formigas as vítimas garantem o equilíbrio social da colónia



DÚVIDAS A DOIS TEMPOS

(Continência)
Será que os militares idosos que não fazem continência são incontinentes?
Ou será que incontinentes são os marinheiros porque não estão no continente?

(Conveniência)
Se os políticos, para “comprar” votos fazem discursos de conveniência
Será que os comentários dos analistas políticos são comprados em lojas de inconveniência?

FALHAS, FALHANÇOS E FALHADOS

… Na Terra tudo vive – e só o homem sente a dor e a desilusão da vida. E tanto mais as sente, quanto mais alarga e acumula a obra dessa inteligência que o torna homem, e que o separa da restante natureza, impensante e inerte. É no máximo de civilização que ele experimenta o máximo de tédio.” Eça de Queiroz in Civilização acerca do homem




Outro dia resolvi pegar numa disquette que tinha gravados uns textos escritos há muitos anos. Com o tempo acabou por ficar deteriorada e vejam só o que apareceu escrito quando a abri; é um texto de 2005:
“Embora estivesse programado para acontecer no Castorje de S.Jelo, o jantar de celebração do campeonato de A1 acabou por se realizar no Centro Gutural de Cullém. Estiveram presentes o presidente da República Dr. Jaio Samporge, sua esposa Dra. Maria Jitta Rosé, o ex-primeiro ministro Pedro Latana Santorpes e o actual Jócrates Sôzé, o presidente da Desunião Europeia Barão Durroso entre vários ministros para além dos promotores da festa Carlós Queiarlos e Luígo Fiz. Foram também convidadas figuras do jet-set e mundo do espectáculo como Leças Canili, Margarina Martins da Abraço, Joelo Casté Branco, Tererme Guilhesa, Judro Isílio, Henria Garcique, Guela Mamoura Nedes, Jim Sardinha e sua filha Pim Pim Jardinha, Ferrana Serrando com o marido Pedro Mirramos Gel, Iseira Figadel, Crisa Maruz e seu namorado Pão Juinto, Sabrão Simosa, Juré Mouzinho, Quinto da Posta, Ruivo de Caralh, Nuno Berreiro, Malfadada Peida, Paulo Zonzo, Pila Foleira com o marido, Ui Runas, Pão Balseminto, Mareff Ruía, a taraya Móloga e Lamedro Py recente vencedor da prova no autóril do Estouródromo que começaram a chegar bem cedo por volta das 17 horas.
Embora a frota principal fosse constituída pelos inevitáveis Audi, BMW e Mercedes alguns dos convidados que marcaram presença chegaram em carros como Toyolla Corota, MitsuStar Space Bichi, P7 Seiscentos e Jô. Nas entradas pudemos apreciar Pastau de Bacalhéis, Rirão de Camaróis, Piça com Linguão e Piço com Chourão. Para a refeição estavam preparados entre outros vários pratos como Bacalhipo à Zé do Pau, Bacalhás à Brau, Bacalhatas com Nau, Feijoana à Transmontada, Feijoeira à Brasilada, Assapaus Carados com Nhola à Espamolho, Sardada Assinha e para os mais novos, Quivalo com ovo a Batoque e Menu Hippy Mel. Para sobremesa Framboado de Gelesa, Toucéu do Cinho, Fudan Plin, Pudoff Molotin, Frigas de Barreira; para confortar os estôgamos no fim ainda assistiram à actuação dos Xés e Pontaputos bem como dos Ranchos Folclóricos de Santa Iróia da Azia e de Charnica da Capareca. Gisela Serrano ex-concorrente do Masterplan dizia em conversa que para estar presente na festa tinha contratado para a sobrinha uma baby-sister e Marco Paulo comentava o êxtase que sentiu numa recente viagem com a maravilha natural das cataratas do Niagara nos Estados Unidos; perante tão belo espectáculo só conseguiu balbuciar: “Oh my Dog!…” (Felizmente, nestas duas não houve gralhas)

30.5.05

Meio ano depois...

Caríssimos leitores:
Quando chega o fim do ano muitas publicações têm por hábito convidar bruxos, astrólogos ou videntes e pedir-lhes previsões sobre o que se passará no ano seguinte; menos habitual, pelo menos que me lembre, é a publicação do que se confirmou ou não. Meio ano depois de ter inaugurado este blog cabe-me render uma justa homenagem ao nosso astrólogo de serviço embora no fundo ele seja um batoteiro porque está a escrever do futuro. No entanto, mesmo já conhecendo o curso dos acontecimentos, não deixa de causar um certo impacto ler afirmações peremptórias sobre um assunto antes de ele acontecer. Sem mais qualquer comentário leiam o primeiro artigo escrito neste blog (fora a apresentação, claro) e depois vejam se tenho ou não razão.

28.5.05

ATAZANANDO POR DINHEIRO

De há uns anos a esta parte foi-se disseminando o conceito de que tudo é uma arte, todos podemos ser artistas e é por causa dessa vulgarização que o termo ganhou também uma conotação negativa. Se tudo pode ser arte porque não haveria a Renault de se alambazar publicitando que “cria” automóveis? Se andamos todos convencidos que somos artistas já se explica porque ficam profundamente deprimidos e revoltados os “artistas” portugueses que sucessivamente soçobram nos concursos Eurovisão da Canção ou os da bola que perdem finais e campeonatos; inebriados com a sua “arte” esquecem-se que são simples intervenientes numa troca comercial que os ultrapassa. Ao contrário do que vai sendo sugerido pela maioria dos participantes neste negócio, um espectáculo de strip-tease não é uma arte por mais que se tente branquear o seu carácter. O objectivo, o fim a que se destina é o de uma mera troca comercial que se pode definir da forma mais prosaica: “- tu pagas e eu dispo-me!”. O que pode existir entre o vendedor e o comprador é um tratamento mais delicado, maior brio, mais atenção mas daí a chamar-se uma arte é o mesmo que apelidar de pintura neo-clássica ao número 0,50, o preço que o sr. Virgílio da mercearia desenha no cartaz das latas de atum. Neste, como em qualquer outro negócio quanto maior for a capacidade de fingimento do vendedor maiores são as probabilidades de se obter sucesso. Pode parecer incrível mas há tipos que ao encomendar um table-dance (um strip feito à mesa do cliente) acreditam mesmo que a pobre rapariga está absolutamente extasiada e desinibida com a sua presença; elas fazem-nos sentir especiais e parecem nunca se importar com o facto da sala estar cheia de outros homens que aproveitam para ver de borla. Depois eles espantam-se como uma vez terminado o strip, ela subitamente torna-se muito pudica e tapa-se rápida e envergonhadamente de volta ao vestiário. É muito simples: como acabou a representação do seu papel “em pleno palco”, de repente aí está ela própria, não a actriz, exposta e ainda por cima toda nua. Há muitos anos atrás eu e duas amigas passeando por Paris na zona de Pigalle deslumbrados com a oferta e libertinagem a que não estávamos habituados em Portugal enchemo-nos de coragem aliada à curiosidade e fomos assistir a um show lésbico. Levaram-nos para um privado e ao fim de pouco tempo de espectáculo puseram-nos na rua e devolveram-nos o dinheiro!... A justificação que nos deram foi que as raparigas estavam inibidas por fazer o show em frente a outras; só com o homem não havia problema. Claro: para o totó que não fala a “linguagem feminina” é fácil enganar... Strip-tease quer dizer “o espectáculo de ir tirando a roupa” e se decompusermos, vimos que strip significa despir e tease atormentar, atiçar. Na área do mercantilismo sexual este é apenas um ramo e devemos ter sempre presente que este negócio se encontra no top 3 dos maiores do mundo, juntamente com as armas e a droga. Hoje em dia a maior parte das pessoas, por vários motivos, já nascem e são criadas sem outros princípios que não sejam a busca da fama e do dinheiro, logo, é sem grande esforço que várias raparigas embarcam por esta via como forma de alcançar estes fins. Os clientes são igualmente explorados através do apelo aos seus instintos mais básicos e quem realmente ganha o jogo sem problemas éticos são os patrões promotores destes negócios; a “matéria-prima” oferece-se os clientes também, porque raios haveriam de desperdiçar esta oportunidade? Vivemos numa sociedade capitalista que no seu melhor fomenta a expressão de uma individualidade própria mas no seu pior pode-nos mergulhar no mais puro egoísmo; não consigo deixar de associar esta ideia ao facto de alguém querer pagar para ser “atiçado”. Ou seja, basta ter o dinheiro que se pode adquirir um serviço assim: eu fico de braços cruzados a ver o que consegues fazer para me atazanar. Esta predisposição para a satisfação egoísta revela a total ausência de uma coisa que também não é para aqui chamada e que aliás nem nunca se deve misturar com os negócios: o amor.

27.1.05

Quem diria?

Melhor que explicar-vos exaustivamente o percurso de algumas figuras conhecidas da vossa época é contar-vos uma das coisas que estou a fazer neste momento. Recentemente fui convidado para escrever o guião de um talk-show e a seguir transcrevo algumas das perguntas que foram feitas aos dois convidados do primeiro programa.

NUNO GOMES – Capitão da equipa de futebol do Benfica
- Qual é a sensação de ter 58 anos, ainda jogar e ter comemorado este ano as bodas de prata como capitão do Benfica?
- O que pensas da substiuição de Mourinho à frente da selecção pelo treinador Cristiano Ronaldo que viste crescer ao teu lado?
- O teu neto, o Sandro Gomes, joga na mesma posição que tu. Não achas que seria mais educado oferecer-te a ti o lugar que ocupa no banco dos suplentes?
- Os teus colegas do lar de terceira idade costumam assistir aos teus jogos ou nem têm licença para sair?
- Não te sentes um pouco deslocado quando nos momentos de lazer nos estágios os teus colegas jogam Hyper-Playsation e tu vais à pesca?
- Há 25 anos atrás eras acusado de ser um jogador lento e agarrado ao lugar. Como é que lidas com as críticas, agora que mal te mexes?
- Tinhas fama de ser um sex-symbol que comia tudo. Como é hoje em dia? Continuas a papar tudo ou já só papas as papas?
- Quem é, para ti, melhor dirigente desportivo dos dois clubes rivais: Futre ou Pinto da Costa apesar dos seus 94 anos?
Obrigado Nuno e que continues por muitos e bons anos a jogar para regalo de todos os adeptos do futebol

ANA BOLA – Actriz e escritora detentora do prémio Nobel da Literatura 2023
- Em primeiro lugar os meus mais sinceros parabéns. Alguma vez pensaste ser distinguida com este prémio, ainda por cima com a forte concorrência da obra poética de Saddam Hussein?
- Mas não achas que o Nobel da Literatura ficou assim um pouco abalado quando há 9 anos atrás o Pipi o ganhou?
- Sim, um Nobel é sempre um Nobel. Depois de Saramago, Pipi e Bola pensas que há outros valores na língua portuguesa com possibilidades de algum dia chegar onde tu chegaste?
- Qual é a tua opinião sobre a nova corrente literária chamada “Abaixo de Lixo” com títulos publicados como (vai mostrando os livros) Ya, Então é assim:, Geração GuGu DaDa, Dassss entalei-me (não há livro para mostrar, porque o apresentador entalou-se a sério) e Aguenta a Cena ? (põe o último livro debaixo da caneca que está em cima da secretária) Este último também se vende no Aki.
- Eu sei que toda a gente te faz sempre perguntas sobre a tua auto-biografia Bola por Bola – do óvulo à bisavó e refere-o como o mais emblemático da tua carreira. Mas, para ti, qual foi o que te deu mais gozo escrever?
- Já lá vão mais de 20 anos desde que lançaste o teu primeiro Absolutamente tias, não é verdade? Planeias lançar mais algum brevemente?
- Porque é que achas que ainda não ganhaste nenhum Óscar apesar dos teus brilhantes desempenhos na sétima arte? Será por causa do tão propalado preconceito em relação aos actores-escritores?
Muito obrigado, muitos parabéns pela tua carreira e continua a trabalhar para os Ócares ou então para o teu 2º Nobel.