29.12.06

OS MELHORES DO ANO


Pela primeira vez, numa iniciativa que se prolongará ao longo dos tempos, este blog irá realizar uma gala onde serão entregues os prémios para quem mais fez rir durante o ano!

Senhoras e senhores, com pompa e sem circunstância apresento-vos:
OS BOBOS D’OURO!


Em breve dir-vos-ei as categorias e os nomeados para cada uma delas.

PREVISÕES PARA 2007

Não é preciso ser cartomante, astrólogo ou lançar búzios para prever que todos os anos os professores Bambo, Karamba e outros ditongos nasais fazem algum a publicar as previsões para o próximo ano. Acaba Novembro e pimba: juntando o (in)útil ao agradável de Dezembro co-existir com Onzembro, o tal 13º mês, aí estão elas por todo o lado, as previsões que não fazem nem mal nem bem, como os menires do Obélix, ajudando-nos a... ajudando-nos a... a...


Também dou cartas nessa área e normalmente utilizo as repostas fornecidas pelo reputado “Oráculo das Cartas”! Como funciona? É simples: meto dentro de um saco toda a correspondência que me enviam a pedir para resolver problemas, a seguir ponho-me em cima duma cadeira, abro-o e despejo numa mesa o monte de cartas recebidas; para as que lá ficarem a resposta é sim, para as que caírem no chão a resposta é não. É raro mas para as que ficam de pé a resposta é nim.

Verdade seja dita que não me custa muito saber o futuro, já passei por ele, mas mesmo não estando à frente no tempo, para qualquer um é fácil prever que, por exemplo, todos os dias de natal morre um VIP ou sucede algo; ou melhor, como o natal é um dia importante lembramo-nos sempre dum facto notável como uma morte. Além disso, se não for no próprio dia, anda ali na zona do natal; já sabem que a astrologia é mais ou menos, não se preocupa com exactidão de efemérides.

Este ano foi o James Brown, o ano passado foi o tsunami e como a memória é curta não me lembro de mais para trás excepto o Charlie Chaplin há umas décadas. Já agora: querem apostar que no dia de ano novo (ou próximo dele) alguém vai morrer? E que se não houver ninguém notável a desaparecer vamos recordar-nos que o ex-presidente norte americano Gerald Ford e o Saddam Hussein morreu algures entre o natal e ano novo? Pelo menos durante um ano, depois já não sei…

Totalmente grátis (até ver) vou-vos apresentar as únicas e infalíveis previsões para o ano de 2007 com base na astrologia da Oceânia na qual sou um expert. Esta zona dos antípodas desenvolveu um ramo astrológico de grande profundidade simbólica e baseia-se na filosofia do Boomerang: “todo o bem ou mal que fizeres voltará inevitavelmente para ti!” Lindo, não é? Acho que um Cristo ou um Buda não desdenhariam a autoria deste conhecimento. Até prevejo que os seus seguidores me dirão que, talvez de outra forma, no essencial isso já foi dito por eles muito antes dos aborígenes!

"Segundo a astrologia da Oceânia, 2007 estará sob a influência do signo do Ornitorrinco. Tal como o animal que lhe dá nome, este será um ano de contradições e absurdos. As condições climatéricas extremas dominarão na natureza e várias figuras públicas mundiais morrerão durante o próximo ano. Em Portugal o governo de José Sócrates continuará a impôr-nos dificuldades não sendo de excluir uma vistoria fiscal a todas as empresas portuguesas na ânsia de encontrar alguma moeda perdida no chão. As novelas continuarão a dominar o panorama audio-visual e os Xutos e Pontapés continuarão a tocar. Só para concluir direi, para quem desconhece a astrologia Oceânica que todos os anos são regidos pelo signo do Ornitorrinco."

27.12.06

CALENDÁRIOS PIROSELLI

A mesma editora que publicou livros tão perenes como os da Carolina Salgado, a vida e obra de Jardel e as tácticas do Boloni prepara-se agora para enveredar por uma nova linha de produtos. Pegando na ideia do famoso calendário Pirelli onde mulheres de sonho aparecem desnudadas para delírio de mecânicos e camionistas da Europa, resolveu adaptar o conceito à realidade portuguesa.

Até agora o calendário mais popular entre os mecânicos era o do afamado Rei da Sucata cujo símbolo é um rei de copas com uma biela na mão; é constituído pelas folhas dos 12 meses e apenas uma foto da namorada do filho do Rei da Sucata, a Sónia, que aparece em biquini de cú espetado em cima do capot duma comercial Iveco.

Pois agora, para o próximo ano, a tal editora vai lançar calendários direcionados a vários públicos-alvo. A primeira linha de produto são 2 calendários Piroselli que podem ajudar a forrar as paredes de esteticistas e cabeleireiras.

O primeiro calendário tem uma folha com foto para cada mês do ano e desde já podemos adiantar que na foto de Junho temos um grande plano da cara insossa da Flori Tôla, na foto de Agosto um close-up literalmente apertado das mamas da Ana Mamalhoa e na foto de Novembro a nova miss Playboy portuguesa deitada de barriga pra baixo com uma almofadinha debaixo do ventre de modo a empinar o rabiosque pra cima.

O segundo calendário é semanal e nele aparecem 52 fotos da Elsa Rapa Esposo com 52 namorados diferentes, um para cada semana do ano. Note-se que na semana 36, lá pra meados de Julho, a foto da semana é na piscina, nua, com outra mulher ou lá o que é aquilo. Na última semana do ano, certamente antevendo um revéillon de arromba, a fotografia é uma fotomontagem com todos os namorados ao mesmo tempo. Mas se fizeram bem as contas verão que falta um namorado! Então deitem uma espreitadinha à semana 44 e nela poderão reparar que a semana está dividida em segunda, quarta e sexta com um gajo diferente do de terça, quinta e sábado! O domingo não tem foto, deve ser o dia do senhor (barão?)...

MÉDICOS...

Lembro-me que lá por 2006, aí em Portugal fui fazer análises de rotina e a seguir marquei uma consulta para o médico me explicar os resultados. Ainda tentei decifrar os números e códigos que vinham no relatório mas não entendi nada embora tenha uma forte suspeita que aquilo eram os planos de uma bomba atómica em potência.

Quando estava na sala de espera ouvi umas três ou quatro vezes chamarem pelo sr. Melo, o que já me estava a intrigar bastante, afinal o que é que o meu pai fazia ali? Só depois reparei que era o único na sala e a enfermeira olhava pra mim sem muita paciência…

Quando entrei no consultório o médico disse-me para eu me sentar, informação desnecessária já que também não fazia tenção de ficar em pé, e enquanto ele passava os olhos pelos meus relatórios não pude deixar de pensar que o pessoal dos hospitais é todo assim um bocadinho p'ó alucinado.

Ali o dia inteiro a snifar álcool, éter, tintura de iodo... Agora é que eu percebo porque é proibido fumar nos hospitais: se alguém acende um fósforo (bruá!) vai tudo pelos ares!!! Não admira que tenham as células cerebrais queimadas e a longo prazo pareçam uns janados agarrados ao frasco da cola; pelo menos é o que parece o Doctor House!...

Quando o médico começou a falar só dizia disparates uns atrás dos outros, parecia a letra duma música pop do final dos anos 60;
- vejam só que me falou de grandes dinossauros “-os triglicéridos estão elevados”
- que a “tensão estava alta”, como se eu tivesse alguma animosidade contra ele
- para ter atenção aos globos brancos - pronto, e eu lá me puz a olhar para as mamas da enfermeira
- pra ter “-cuidado com a ureia” – mas nem sei se se estava a referir à do norte ou à Ureia do sul. Bom, se fosse à do norte devia ser para me proteger dos mísseis daquele ditador anão
- e finalmente disse que a minha urina tinha uma cor amarelada! Aí fiquei um bocado decepcionado porque se a urina tivesse uma cor azulada ainda podia ganhar algum a mijar no circo…

Antes de me ir embora ainda me marcou para a próxima sexta-feira um exame igual ao que fez a filha do Nené, a Filipa Gonçalves: um exame de despistagem do cancro da próstata!...

26.12.06

GUERRA DOS MUNDOS

Sempre houve guerras entre espécies e é sabido que os dinossauros evoluíram espectacularmente até um determinado ponto quando subitamente todos se extinguiram. Porquê?

No universo existem inúmeras formas de vida com base no carbono e dessas a maior diferença é entre seres ovíparos, que são quase todos os reptilianos, e de tipo vivíparos como os mamíferos.

Ora bem: os dinossauros de facto evoluíram na Terra até ao ponto de constituirem uma civilização tecnologicamente avançada e mais desenvolvida que a que possuímos actualmente.

Mas seres extraterrestres de tipo mamífero, numa espectacular acção que visava exterminar os aliados de civilizações reptilianas pelo universo fora, viajaram para o passado e, através da contaminação biológica localizada eliminaram todos os antepassados dos seres que “actualmente” dominavam a Terra. Logo, deixaram de “existir” no presente, passaram para a tal realidade alternativa, deram espaço a que a nossa espécie evoluísse e no futuro se tornasse mais um planeta dominado por vivíparos.

No fundo somos mais uma bandeirinha mamífera no grande mapa do universo…

Também nos deixaram inculcado nos genes a informação para sobrevivermos o mais autonomamente possível: o pavor aos répteis! No entanto permitiram que os dinossauros evoluíssem na forma de aves para que pudessemos ter sempre presente o perigo.

Portanto, quando vocês olharem para as churrasqueiras onde são assados milhares de frangos, tenham presente que no fundo podem estar a assistir a um holocausto, um sacrifício ritual que pretende celebrar a nossa vitória nessa contenda milenar.

Contudo, por vezes os extraterrestres reptilianos através de espiões infiltrados fogem ao controlo dos nossos aliados mamíferos e tentam sabotar a nossa existência, sacrificando os da sua própria espécie com o fito de nos eliminar.


É verdade! Donde é que julgam que vem a gripe das aves
? E acham que se alastrasse ao ponto duma epidemia mundial nós sobreviveríamos? Vejam só: os sacanas a atacarem com vírus; olho por olho...

CÓDIGO DE CONDUTA

A questão da informação veiculada através do tempo é muito interessante e vou esclarecer alguns pontos.

Ao escrever-vos do futuro fui obrigado a assinar um documento rigorosíssimo onde me comprometo a não interferir directamente no passado. Sabemos também que as 5 pessoas que lêem este blog não o farão com base nas informações aqui publicadas e que mesmo que o tentem fazer serão consideradas tontinhas.

Há várias penalizações para quem se comunica pelo tempo e transgride este código de conduta, sendo talvez a mais grave de todas a eliminação do indivíduo no passado; logo, tudo o que viveu, produziu, disse, etc, passa para uma espécie de realidade alternativa, assim como um sonho.

Quem já não sonhou com locais, pessoas e situações que em tudo parecem reais mas não o são? Pois é: foram reais mas trasladaram-se para o reino do “podia ter sido”. Existe um infinito número de realidades e aquilo que nós percepcionamos é apenas uma entre essa infinidade. As circunstâncias geram um terreno propício a; o nosso livre arbítrio condiciona o resto.


Um dia aprofundarei esta questão mas por agora apenas vos contarei no próximo post uma história que estou autorizado a revelar acerca do passado e da evolução.

25.12.06

A MORTE DO NATAL

Há uns 20 anos atrás sucedeu um facto que mudou o natal até agora; esperemos que a partir de hoje as coisas se modifiquem. Aqui vai a história em forma de letra para canção; a música é a do velho Jingle Bells:

Já mataram, já mataram uma rena ao pai natal
Está tudo louco, é um horror! Que crime tão brutal

Já mataram, já mataram uma rena ao Pai natal
Onde é que isto irá parar? Que crime tão brutal

O Pai natal ao saír de casa ouve um grito no curral
Vem a correr vêr o que se passa e encontra um chavascal:
A três metros do trenó jaz uma rena ensanguentada
Umas gritam, outras choram e duas não fazem nada

Há pânico no curral, o natal já está estragado
Apanhem o culpado, tem de ser bem castigado

Já mataram, já mataram uma rena ao Pai natal

E nessa mesma noite nos telejornais
Já anda tudo à guerra é a vêr quem fala mais
Uns dizem que foi suicídio, outros dizem que ainda vive
Que a culpa é da Al Qaeda e pra outros foi Tel-A-Viv

O ocidente em peso, pelos Bushes liderado
Uniu-se numa frente contra o grande malvado
Montaram caça ao assassino dias e dias sem parar
Mas tornou-se um desatino, estava difícil de encontrar

Estamos quase na consoada, falta uma solução final,
Vamos dar nós os presentes, que se lixe o Pai natal

Todos os países ricos pagaram uma factura
Deram muitas “play-stations” e “barbies” com fartura
E quando as crianças se cansarem de brincar
Há montes de acessórios que o papá tem de comprar

(ideia luminosa)

… Então e a rena? E a rena?

Já mataram, já mataram uma rena ao Pai natal
Isso não é mais notícia, tornou-se banal…

Já mataram, já mataram uma rena ao Pai natal
Isso não é mais notícia e ponto final.

BACK TO BUSINESS


Imagino que para a maioria dos meus 5 leitores será difícil acreditar mas a razão da minha ausência desde a publicação do último post prende-se com o facto de ter havido uma guerra mundial que obrigou a cortar as comunicações especiais, como por exemplo, para o passado e para o futuro.

Estamos no final de 2031 e o movimento liderado por Whang estabeleceu uma nova ordem mundial acabando com as contendas que duravam há um ano e meio.

Um dia aprofundo o assunto e explico-vos o que se passou mas não deixa de ser curioso e quiçá de bom augúrio que tal facto tenha ocorrido no dia de natal; por agora vamos voltar à normal e regular informação que vos ia enviando. Saudações cordiais do futuro!

21.6.05

FILOSOFIA DE ALGIBEIRA

(Professor Bomba)
Um dia liguei o canal Viver e acabei por ouvir as previsões do professor Bomba;
Dizia o meu signo que devia evitar gastos supérfluos e ter mais cuidado com a saúde.
Às vezes penso que o professor Bomba podia perfeitamente ser minha mãe...

(A Mentira que cresce ou diminui)
Fase 1- O Pinóquio quando diz que tem um nariz de 20 centímetros está a mentir
Fase 2- Essa mentira realmente aumenta o nariz e quanto mais mente mais ele cresce.

Quando os homens falam das suas pilas, a fase 2 é toda ao contrário.

(Carmen Miranda)
O sucesso, como o amor, tem de ser cuidado e regado todos os dias
É preciso ser paciente e persistente senão veja-se o caso da Carmen Miranda:
Em pequena tinha sementes na cabeça, em jovem flores e só em adulta teve frutas!

(Star Treck)
Nem sempre o sucesso é imediato e só nos resta continuar a trabalhar;
A primeira vez que foi usado o tele-transportador na Enterprise não funcionou bem
O comandante ficou com as orelhas do Spock e este com as mamas da Uhura

(Espaço 1999)
Como o ovo e a galinha, não sabemos o que vem primeiro: a ficção ou a realidade
No Espaço 1999 a Lua separava-se da Terra e andava à deriva pelo universo
Na Terra 2005, Portugal separou-se da Europa e agora andamos todos à deriva...

(Certeza Absoluta)
Já repararam como é maravilhoso ter pelo menos uma certeza neste mundo louco?
Podemos não saber o futuro, se há vida em Marte ou onde pára o D.Sebastião
Mas já sabemos certamente que para o ano Portugal não ganha o festival da canção

(Super-Heróis)
Apesar do sucesso de algumas séries de TV outras houve que foram um total fiasco
Assim que lançaram o Homem-Aranha acabou-se o reinado do Super-Mosca
E o romântico Capitão Vela foi “apagado” pelo implacável General Eléctrico!


PORMENORES QUE FAZEM A DIFERENÇA

(25 de Abril)
Poucas pessoas sabem mas o movimento do 25 de Abril esteve quase a ser abortado
Na estação de rádio o locutor que devia por ‘Grândola Vila Morena’ chegou atrasado
E por pouco o estagiário de serviço não punha no ar ‘Ora Zumba na Caneca’

(Filosofia)
Jean Jacques Rousseau defendia uma educação naturalista, o bom selvagem
E que o Homem não se constitui só de intelecto: o mais importante são as emoções.
Pois agora sabemos que o cérebro tem dois lobos mas não há vestígios de cordeiros

(Formicologia)
Nas sociedades primitivas sacrificavam-se inocentes para aplacar a ira dos deuses
Assim se explica porque são atiradas milhares de formigas para fora dos formigueiros
Devoradas pelos Papa-Formigas as vítimas garantem o equilíbrio social da colónia



DÚVIDAS A DOIS TEMPOS

(Continência)
Será que os militares idosos que não fazem continência são incontinentes?
Ou será que incontinentes são os marinheiros porque não estão no continente?

(Conveniência)
Se os políticos, para “comprar” votos fazem discursos de conveniência
Será que os comentários dos analistas políticos são comprados em lojas de inconveniência?

FALHAS, FALHANÇOS E FALHADOS

… Na Terra tudo vive – e só o homem sente a dor e a desilusão da vida. E tanto mais as sente, quanto mais alarga e acumula a obra dessa inteligência que o torna homem, e que o separa da restante natureza, impensante e inerte. É no máximo de civilização que ele experimenta o máximo de tédio.” Eça de Queiroz in Civilização acerca do homem




Outro dia resolvi pegar numa disquette que tinha gravados uns textos escritos há muitos anos. Com o tempo acabou por ficar deteriorada e vejam só o que apareceu escrito quando a abri; é um texto de 2005:
“Embora estivesse programado para acontecer no Castorje de S.Jelo, o jantar de celebração do campeonato de A1 acabou por se realizar no Centro Gutural de Cullém. Estiveram presentes o presidente da República Dr. Jaio Samporge, sua esposa Dra. Maria Jitta Rosé, o ex-primeiro ministro Pedro Latana Santorpes e o actual Jócrates Sôzé, o presidente da Desunião Europeia Barão Durroso entre vários ministros para além dos promotores da festa Carlós Queiarlos e Luígo Fiz. Foram também convidadas figuras do jet-set e mundo do espectáculo como Leças Canili, Margarina Martins da Abraço, Joelo Casté Branco, Tererme Guilhesa, Judro Isílio, Henria Garcique, Guela Mamoura Nedes, Jim Sardinha e sua filha Pim Pim Jardinha, Ferrana Serrando com o marido Pedro Mirramos Gel, Iseira Figadel, Crisa Maruz e seu namorado Pão Juinto, Sabrão Simosa, Juré Mouzinho, Quinto da Posta, Ruivo de Caralh, Nuno Berreiro, Malfadada Peida, Paulo Zonzo, Pila Foleira com o marido, Ui Runas, Pão Balseminto, Mareff Ruía, a taraya Móloga e Lamedro Py recente vencedor da prova no autóril do Estouródromo que começaram a chegar bem cedo por volta das 17 horas.
Embora a frota principal fosse constituída pelos inevitáveis Audi, BMW e Mercedes alguns dos convidados que marcaram presença chegaram em carros como Toyolla Corota, MitsuStar Space Bichi, P7 Seiscentos e Jô. Nas entradas pudemos apreciar Pastau de Bacalhéis, Rirão de Camaróis, Piça com Linguão e Piço com Chourão. Para a refeição estavam preparados entre outros vários pratos como Bacalhipo à Zé do Pau, Bacalhás à Brau, Bacalhatas com Nau, Feijoana à Transmontada, Feijoeira à Brasilada, Assapaus Carados com Nhola à Espamolho, Sardada Assinha e para os mais novos, Quivalo com ovo a Batoque e Menu Hippy Mel. Para sobremesa Framboado de Gelesa, Toucéu do Cinho, Fudan Plin, Pudoff Molotin, Frigas de Barreira; para confortar os estôgamos no fim ainda assistiram à actuação dos Xés e Pontaputos bem como dos Ranchos Folclóricos de Santa Iróia da Azia e de Charnica da Capareca. Gisela Serrano ex-concorrente do Masterplan dizia em conversa que para estar presente na festa tinha contratado para a sobrinha uma baby-sister e Marco Paulo comentava o êxtase que sentiu numa recente viagem com a maravilha natural das cataratas do Niagara nos Estados Unidos; perante tão belo espectáculo só conseguiu balbuciar: “Oh my Dog!…” (Felizmente, nestas duas não houve gralhas)

30.5.05

Meio ano depois...

Caríssimos leitores:
Quando chega o fim do ano muitas publicações têm por hábito convidar bruxos, astrólogos ou videntes e pedir-lhes previsões sobre o que se passará no ano seguinte; menos habitual, pelo menos que me lembre, é a publicação do que se confirmou ou não. Meio ano depois de ter inaugurado este blog cabe-me render uma justa homenagem ao nosso astrólogo de serviço embora no fundo ele seja um batoteiro porque está a escrever do futuro. No entanto, mesmo já conhecendo o curso dos acontecimentos, não deixa de causar um certo impacto ler afirmações peremptórias sobre um assunto antes de ele acontecer. Sem mais qualquer comentário leiam o primeiro artigo escrito neste blog (fora a apresentação, claro) e depois vejam se tenho ou não razão.

28.5.05

ATAZANANDO POR DINHEIRO

De há uns anos a esta parte foi-se disseminando o conceito de que tudo é uma arte, todos podemos ser artistas e é por causa dessa vulgarização que o termo ganhou também uma conotação negativa. Se tudo pode ser arte porque não haveria a Renault de se alambazar publicitando que “cria” automóveis? Se andamos todos convencidos que somos artistas já se explica porque ficam profundamente deprimidos e revoltados os “artistas” portugueses que sucessivamente soçobram nos concursos Eurovisão da Canção ou os da bola que perdem finais e campeonatos; inebriados com a sua “arte” esquecem-se que são simples intervenientes numa troca comercial que os ultrapassa. Ao contrário do que vai sendo sugerido pela maioria dos participantes neste negócio, um espectáculo de strip-tease não é uma arte por mais que se tente branquear o seu carácter. O objectivo, o fim a que se destina é o de uma mera troca comercial que se pode definir da forma mais prosaica: “- tu pagas e eu dispo-me!”. O que pode existir entre o vendedor e o comprador é um tratamento mais delicado, maior brio, mais atenção mas daí a chamar-se uma arte é o mesmo que apelidar de pintura neo-clássica ao número 0,50, o preço que o sr. Virgílio da mercearia desenha no cartaz das latas de atum. Neste, como em qualquer outro negócio quanto maior for a capacidade de fingimento do vendedor maiores são as probabilidades de se obter sucesso. Pode parecer incrível mas há tipos que ao encomendar um table-dance (um strip feito à mesa do cliente) acreditam mesmo que a pobre rapariga está absolutamente extasiada e desinibida com a sua presença; elas fazem-nos sentir especiais e parecem nunca se importar com o facto da sala estar cheia de outros homens que aproveitam para ver de borla. Depois eles espantam-se como uma vez terminado o strip, ela subitamente torna-se muito pudica e tapa-se rápida e envergonhadamente de volta ao vestiário. É muito simples: como acabou a representação do seu papel “em pleno palco”, de repente aí está ela própria, não a actriz, exposta e ainda por cima toda nua. Há muitos anos atrás eu e duas amigas passeando por Paris na zona de Pigalle deslumbrados com a oferta e libertinagem a que não estávamos habituados em Portugal enchemo-nos de coragem aliada à curiosidade e fomos assistir a um show lésbico. Levaram-nos para um privado e ao fim de pouco tempo de espectáculo puseram-nos na rua e devolveram-nos o dinheiro!... A justificação que nos deram foi que as raparigas estavam inibidas por fazer o show em frente a outras; só com o homem não havia problema. Claro: para o totó que não fala a “linguagem feminina” é fácil enganar... Strip-tease quer dizer “o espectáculo de ir tirando a roupa” e se decompusermos, vimos que strip significa despir e tease atormentar, atiçar. Na área do mercantilismo sexual este é apenas um ramo e devemos ter sempre presente que este negócio se encontra no top 3 dos maiores do mundo, juntamente com as armas e a droga. Hoje em dia a maior parte das pessoas, por vários motivos, já nascem e são criadas sem outros princípios que não sejam a busca da fama e do dinheiro, logo, é sem grande esforço que várias raparigas embarcam por esta via como forma de alcançar estes fins. Os clientes são igualmente explorados através do apelo aos seus instintos mais básicos e quem realmente ganha o jogo sem problemas éticos são os patrões promotores destes negócios; a “matéria-prima” oferece-se os clientes também, porque raios haveriam de desperdiçar esta oportunidade? Vivemos numa sociedade capitalista que no seu melhor fomenta a expressão de uma individualidade própria mas no seu pior pode-nos mergulhar no mais puro egoísmo; não consigo deixar de associar esta ideia ao facto de alguém querer pagar para ser “atiçado”. Ou seja, basta ter o dinheiro que se pode adquirir um serviço assim: eu fico de braços cruzados a ver o que consegues fazer para me atazanar. Esta predisposição para a satisfação egoísta revela a total ausência de uma coisa que também não é para aqui chamada e que aliás nem nunca se deve misturar com os negócios: o amor.

27.1.05

Quem diria?

Melhor que explicar-vos exaustivamente o percurso de algumas figuras conhecidas da vossa época é contar-vos uma das coisas que estou a fazer neste momento. Recentemente fui convidado para escrever o guião de um talk-show e a seguir transcrevo algumas das perguntas que foram feitas aos dois convidados do primeiro programa.

NUNO GOMES – Capitão da equipa de futebol do Benfica
- Qual é a sensação de ter 58 anos, ainda jogar e ter comemorado este ano as bodas de prata como capitão do Benfica?
- O que pensas da substiuição de Mourinho à frente da selecção pelo treinador Cristiano Ronaldo que viste crescer ao teu lado?
- O teu neto, o Sandro Gomes, joga na mesma posição que tu. Não achas que seria mais educado oferecer-te a ti o lugar que ocupa no banco dos suplentes?
- Os teus colegas do lar de terceira idade costumam assistir aos teus jogos ou nem têm licença para sair?
- Não te sentes um pouco deslocado quando nos momentos de lazer nos estágios os teus colegas jogam Hyper-Playsation e tu vais à pesca?
- Há 25 anos atrás eras acusado de ser um jogador lento e agarrado ao lugar. Como é que lidas com as críticas, agora que mal te mexes?
- Tinhas fama de ser um sex-symbol que comia tudo. Como é hoje em dia? Continuas a papar tudo ou já só papas as papas?
- Quem é, para ti, melhor dirigente desportivo dos dois clubes rivais: Futre ou Pinto da Costa apesar dos seus 94 anos?
Obrigado Nuno e que continues por muitos e bons anos a jogar para regalo de todos os adeptos do futebol

ANA BOLA – Actriz e escritora detentora do prémio Nobel da Literatura 2023
- Em primeiro lugar os meus mais sinceros parabéns. Alguma vez pensaste ser distinguida com este prémio, ainda por cima com a forte concorrência da obra poética de Saddam Hussein?
- Mas não achas que o Nobel da Literatura ficou assim um pouco abalado quando há 9 anos atrás o Pipi o ganhou?
- Sim, um Nobel é sempre um Nobel. Depois de Saramago, Pipi e Bola pensas que há outros valores na língua portuguesa com possibilidades de algum dia chegar onde tu chegaste?
- Qual é a tua opinião sobre a nova corrente literária chamada “Abaixo de Lixo” com títulos publicados como (vai mostrando os livros) Ya, Então é assim:, Geração GuGu DaDa, Dassss entalei-me (não há livro para mostrar, porque o apresentador entalou-se a sério) e Aguenta a Cena ? (põe o último livro debaixo da caneca que está em cima da secretária) Este último também se vende no Aki.
- Eu sei que toda a gente te faz sempre perguntas sobre a tua auto-biografia Bola por Bola – do óvulo à bisavó e refere-o como o mais emblemático da tua carreira. Mas, para ti, qual foi o que te deu mais gozo escrever?
- Já lá vão mais de 20 anos desde que lançaste o teu primeiro Absolutamente tias, não é verdade? Planeias lançar mais algum brevemente?
- Porque é que achas que ainda não ganhaste nenhum Óscar apesar dos teus brilhantes desempenhos na sétima arte? Será por causa do tão propalado preconceito em relação aos actores-escritores?
Muito obrigado, muitos parabéns pela tua carreira e continua a trabalhar para os Ócares ou então para o teu 2º Nobel.

Com que então é infalível, hein?

“…de repente o fonógrafo começa a redizer, sem descontinuação, interminavelmente, com uma sonoridade cada vez mais rotunda, a sentença do conselheiro: -Quem não admirará os progressos deste século?” Eça de Queiroz in Civilização


Todos nós em algum momento da vida já nos debatemos com a questão de transpor informação de um sistema anacrónico, para um suporte mais evoluído; das fitas de gravação para as cassetes, das cassetes para os cd’s, do super 8 para o vídeo, do vídeo para DVD, etc. Recentemente, popularizou-se um sistema holográfico que permite armazenar praticamente toda a informação num simples cartão que cabe dentro duma carteira. Uma vez introduzido num aparelho próprio esse cartão reproduz tridimensionalmente toda a informação acumulada. Qualquer tirada aparentemente genial inventada no momento assim como um simples arroto que provocou um riso indescritível poderão ficar registados para a eternidade, deixando uma marca distinta e indelével da existência de um vulgar ser humano. Ainda me lembro que quando apareceu a tecnologia digital nos anos 80, nos foi impingida a ideia de que ao contrário dos discos de vinil, o CD era puro e indestrutível. Claro que bastou pouco tempo de utilização para esse mito cair por terra. Também não deviam pensar que as pessoas eram tão estúpidas para engolir assim essa teoria. Então se toda a gente sabe que os lasers na ficção científica servem para matar ou explodir naves imaginem o que fará a um CD. Sim, porque a “leitura” dos CD’s fazia-se através do bombardeamento de raios laser no plástico. Quem já não terá passado pela experiência de ouvir uns inadvertidos scratches ao mais puro estilo rap em cima duma Avé Maria barroca ou de vêr a princesa Fiona parar subitamente e desfazer-se em quadradinhos assim que ia dar um beijo ao Shreck? Se tendermos a confiar na tecnologia também temos mais tendência a enraivecer-nos com as suas falhas e por isso um dia em ameno passeio na praia à beira das ondas um amigo meu, certamente devoto seguidor de Schopenhauer me confessava: “É Fantástico! Porque será que a merda das garrafas de plástico não se conseguem destruir nem por nada e o cabrão do CD com tanta informação que me fazia falta está todo riscado?” Um dos casos mais divertidos sucedeu no fim dos anos 90 quando a Rádio Energia foi encerrada mas mantiveram a frequência aberta com a passagem de música feita através de uma máquina pré-programada de CD’s. Durante um fim-de-semana inteiro deliciei-me a ouvir dias seguidos o tema “Mr. Bombastic” que ininterruptamente não parava de tocar: riscava a meio e saltava para o princípio. Estabeleci logo uma rotina curta mas agradável enquanto durou: durante o dia ligava para amigos meus ou recebia chamadas em que ninguém falava do outro lado, simplesmente deleitavamo-nos a ouvir “Fan… Fan… Fantastic” e à noite antes de me deitar a dormir voltava a ligar o rádio, só para confirmar. Ao outro dia de manhã a primeira coisa que fazia era correr impaciente para o aparelho e durante vários dias sosseguei confortado porque lá estava ele, o inabalável “Fantastic, Mr. Bombastic” a dominar a frequência! Segundo me contaram o estúdio foi fechado à chave e a pessoa que a tinha foi para fora uns tempos, sem ser possível contactá-la, quem sabe se a fugir da civilização… Perguntam vocês que confiança é que eu tenho na nova tecnologia dos hologramas? Só vos digo que ainda hei-de assistir à notícia em que uma criança entornou um copo de leite em cima dum holograma, a família foi sugada para a sétima dimensão e o prédio onde viviam incendiou-se todo. É que são sempre os putos que descobrem com simplicidade as falhas dos “inteligentes” e nós, os burros é que pagamos. Ainda se lembram dos sistemas operativos Windows, por exemplo?

19.1.05

OS PAÍSES GRANDES DA EUROPA OCIDENTAL

É sabido que os maiores países do mundo materializam simbolicamente o seu poder em monumentos fálicos. Vamos começar com os franceses que vivem no centro da Europa. Há vários séculos atrás era o mesmo que dizer arrogantemente, no centro do universo; portanto só poderiam ser chauvinistas e andar sempre a cantar de galo. Como são os maiores fanfarrões em relação ao sexo não se podiam achar melhor retratados do que com a sua torre Eiffel: “- oh la la, comme elle est belle; é de áçô, êlêgante e está na modá. A realidade sexual dos franceses seria melhor traduzida através da “Linha Maginot”, uma espécie de cinto de castidade que não resistiu às investidas dos Panzers alemães, que entraram por ali dentro como se fosse manteiga; de facto, deviam era ter vergonha, deixarem-se de grandezas e mudar a designação de "Linha Maginot" para "Linha Imaginária" que é onde eles ainda vivem. Os romanos tiveram o mundo ocidental nas mãos durante séculos mas foram ridicularizados por bárbaros desorganizados e incultos; isto é dramático! Actualmente vivem numa bota e o nome do país começa por um “I”, e hi, hi, hi é o som do riso de escárnio; eles próprios já aceitaram esse papel e são os palhaços da Europa. De Berlusconnis a Cicciolinas, o seu símbolo deixou de ser o Coliseu em ruínas e passou a ser a torre de Pisa (em português, Piça): “- Vejam como a nossa é bella, buffa, tão brincalhona e até faz habilidades; entorta, entorta, entorta… (rufo de tambor) Ta-tchan, mas não cai! Os alemães conseguem o feito de serem odiados por quase toda a gente; ninguém gosta da sua língua nem dos seus ares de superioridade. Quando tentam demonstrar a sua real capacidade tecnológica através dum conflito, todos os outros se reúnem para os derrotar e já começam a ficar fartos de perder guerras. Só mesmo os jokers dos italianos é que se aliaram a eles; em resumo: ninguém gosta de fazer figura de parvo ao ponto de se mostrar amigo dum alemão. O máximo que conseguiram como símbolo é a porta de Bradenburgo que não é propriamente fálica, mas vaginal e, ainda por cima, sempre escancarada ao inimigo. Parece que está a dizer: “- willkomen, willkomen, pode entrar se quiser”. Daí a expressão “foi assim que a Alemanha perdeu a guerra”. Os castelhanos dominaram mais de um continente, e a imagem que temos deles é uma fiesta bárbara em que se torturam e matam animais. São muito estúpidos e 20 séculos depois dos romanos continuam a construir coliseus para gáudio da populaça. Uma praça de touros é o monumento que melhor simboliza o avanço cultural deste povo. Se lhes derem rédea solta têm uma forte tendência para espezinhar as culturas dos outros, não esquecendo as de dentro da sua própria casa… Há séculos que têm várias pain in the ass com os ingleses, uma das quais ainda lhes está lá enfiada em forma de rochedo. Os ingleses são cinzentos como o nevoeiro e tão chatos que o seu símbolo fálico, o “Big Ben”, tem um relógio na ponta: “-I’m sorry dear mas agora não; são cinco em ponto, hora do chá!”. Dlim-Dlão: “- Oops, eight o’clock, temos de terminar.” Como foram educados para ser escravos do tempo, tendem a rebelar-se e a ser calões e por isso é que os pubs fecham à hora de almoço, senão não iam trabalhar de tarde. O “rei da selva” pode ser o símbolo dos seus dirigentes, mas o do povo é mais o “cão de Pavlov” já que são obrigados a funcionar a toque de sinete para tudo, até para parar de beber cerveja. Vivem numa ilha e isso faz com que se sintam reunidos à volta de valores familiares e que brinquem muito com eles próprios, salvo seja. Só eles é que acham que o Ben é Big e como se sentem incompreendidos fazem amizade com gente estranha de outras ilhas, como por exemplo os portugueses. Os portugueses têm com os ingleses o tratado de amizade mais antigo do mundo, podem-se considerar uma ilha e aparecem aqui neste capítulo dos grandes, por uma razão: o seu símbolo fálico, a torre de Belém, pode ser pequenino mas é ladino. Tudo começou com a escola de D.Henrique (filho de uma inglesa) na famosa ponta de Sagres; com este impulso os portugueses espalharam-se pelo mundo, quais espermatozóides, fecundaram algumas terras, foderam outras, inventaram novas raças e deixaram de esperanças um país que tem um formato de grávida. Continuamos à espera de vêr quando é que o Brasil dá à luz o V Império…

OS PAÍSES PEQUENOS DA EUROPA OCIDENTAL

Um indivíduo tem características próprias; vários indivíduos vivendo ao mesmo tempo, sob as mesmas condições atmosféricas no mesmo espaço linguístico-geográfico, criam a chamada identidade nacional. Os símbolos dos países pequenos também o são, sem todavia deixar de ser muito significativos. A Bélgica tem uma criança a “urinar” água da pilinha; quem é que não fica logo cheio de sede, uhn, uhn? E quem não ouviu falar do Tin-Tin esse rapaz do qual nunca se vislumbrou uma namorada e cuja relação mais íntima que se conhece é com um cão que não sabemos se é cadela? Por falar em cadela, a outra relação íntima deste rapaz é com um velho bêbado… A Dinamarca já usou cornos na cabeça e vandalizou tudo à sua passagem. Agora é uma sereiazinha em cima duma rocha: “- Olhem para nós tão pequeninos e delicados em cima do rochedo alemão!”. A Suíça… enfim, tem a mania que é diferente, nunca se junta com os outros mas é tão quadrada como a sua bandeira. Sim, a bandeira desse aglomerado de cantões não é rectangular. Esta particularidade revela a imaginação presente no símbolo da cruz vermelha inventada na Suíça: é a mesma cruz que está na bandeira só que… com as cores ao contrário; voilá! Não saímos disto… Os Holandeses só se interessam pelo negócio e ponto final. Os moínhos e as vacas a pastar são o mais emblemático cinismo destes comerciantes: liberdade (o vento) para explorar o sexo (a vaca) e a droga (a pastar erva). Ganham milhões a exportar pornografia e ecstasy, uma droga que não suja as mãozinhas, e vendem-nas como se fossem rebuçados ou cromos do rato Mickey aos putos do mundo inteiro. O símbolo do Luxemburgo são os emigrantes portugueses. Este país só é mencionado porque foram para lá viver estas pessoas. A sua bandeira tem um truque que serve para enganar os participantes dos concursos de trívia: é praticamente igual à da Holanda e já chega de conversa! Os irlandeses, ai os irlandeses, tão giros, tão genuínos, tão autênticos, tão “guinesses”… Aquilo que não gostam dizem logo, nem que seja à bomba. O seu símbolo é uma harpa e é realmente através da música e dos sons que os podemos definir: as melodias tribais cantadas por bandos de bêbados nos pubs, o som das mesas a partir, dos vidros e copos a quebrar, das canas do nariz a rachar, da voz das suas esposas a cantar no coro da igreja, e a gritar em casa com o ensaio de porrada que levam deles. Mas não se pense que algo vai mudar: no fundo tudo está bem neste verde país. A Áustria gosta de pensar que é uma espécie de Alemanha elegante mas há mais de um século que só produz aberrações: o seu "império" despoletou a 1ª guerra mundial, deram à luz o génio que começou a segunda e a partir daí só nos lembramos de cientistas loucos e enfermeiras assassinas. Os países escandinavos têm fama de que é tudo à brava em relação ao sexo mas isso é um mito: todos preferem suar num sauna a suar numa cama. Os finlandeses são absolutamente frios como o vodka que produzem, sem cor e quase sem cheiro. Também o devem beber em grandes quantidades: só assim se explica o arrastamento e repetição de letras seguidas na sua língua entaramelada. De falta de cheiro não se podem queixar os noruegueses; estes ainda são os que estão mais próximos do mito: está sempre presente no nosso imaginário o “cheirinho” a peixe e principalmente a bacalhau pescado sabe-se lá quando. Os suecos, que são os que têm tudo controlado, vivem obcecados com normas de prevenção e segurança contra todos os riscos, gozam o sexo como? Alguém me explica? Esqueci-me dos gregos mas o melhor é nem falar disso porque há muitos séculos que não têm nada em pé…

10.12.04

Praga Cibernética

No ocidente habituámo-nos a pensar que as pragas são fenómenos naturais que têm origem nas zonas pobres do mundo. Nos anos 90, no entanto, surgiu uma praga artificial originária dos países ricos: refiro-me aos telemóveis. Na natureza todos os insectos têm um lugar próprio na cadeia ecológica mas em demasia tornam-se agressivos, invadem o espaço dos outros e causam danos por onde passam; em excesso, os telemóveis têm exactamente estas características. O seu “tiriri” ou musiquinha transistorizada revela as preferências e nível socio-económico dum receptor que automaticamente se torna emissor sem ninguém lhe pedir; no meio de um cinema ou de uma reunião pode ser tão desagradável e irritante como uma mosca no prato da sopa ou um grilo no quarto numa noite de insónias. Os telemóveis da primeira geração eram como os escaravelhos no antigo Egipto: não tinham uma utilidade real sendo apenas um símbolo de boa fortuna; serviram, porém, para revolver o terreno e prepará-lo para a próxima geração. A segunda era como as abelhas: ainda eram grandes e pesados mas ganharam “asas”; víamo-los sob uma perspectiva utilitária. Rapidamente evoluíram para melgas, mais pequenos e leves, zuniam que se fartavam e chupavam-nos a carteira. Tal como estes insectos o seu corpinho era muito frágil, desmanchando-se irremediavelmente ao primeiro acidente. No entanto, esta débil constituição escondia uma eficácia terrível quando se tratava de atacar: sugavam-nos o orçamento, deixavam-nos marcas de baba nas contas por pagar e de destruição nas células do cérebro. Todos os animais de maior porte transportam consigo outros mais pequenos ou mesmo microscópicos; alguns cooperam com o hospedeiro, outros parasitam-no. Os humanos passaram a transportar um que por mais escondido que esteja nunca deixa passar despercebida a sua pesença visual ou sonora. Começaram por ser pretos mas rapidamente se tornaram metálicos e garridamente coloridos, espelhando a magnífica diversidade cromática do maravilhoso mundo dos insectos. As cores mais usadas para iluminar os seus visores eram o verde-pirilampo, o azul-varejeira e o laranja couráceo. A manifestação sonora da sua existência era feita através de toques e musiquinhas em frequências por vezes tão elevadas que quase roçavam os ultra-sons, tal como o voo dos mosquitos mas em sintético; em grandes concentrações de pessoas eram uma nuvem de milhares a zunir ao mesmo tempo. Mais do que meros objectos que facilitam o nosso quotidiano, tornaram-se motivo de adoração em si mesmos e há 25 anos esses “bichos” sofreram a metamorfose da terceira geração: tornaram-se louva-a-deus fêmeas; um pouco maiores por causa do ecran com imagens e o estabelecimento de uma ligação passou a ser um momento quase orgásmico. Hoje em dia isso ainda continua assim mas se não temos cuidado e fugimos a tempo, somos comidos vivos pelas contas e violados na nossa privacidade. Porque continuamos então tão dependentes e como poderemos libertar-nos desta praga? Não sei. Parece que afinal nos portamos é como vegetais à espera que um insecto transmita a nossa informação a outro vegetal. Talvez imitando a interacção que existe entre estes dois reinos na natureza o melhor seria falar com as plantas e perguntar-lhes o que fazer.

9.12.04

Estranhas Coincidências parte 2

Ao terceiro dia (a simbologia do 3, o triângulo, a pirâmide, à terceira é de vez, etc.) uma quarta-feira, dia de Mercúrio o deus das comunicações, foi restabelecida alguma normalidade com a remoção de quase todas as viaturas, sem que nenhuma chegasse a explodir. As pessoas ainda tinham medo e como quinta-feira, dia de Júpiter, o deus dos deuses, era feriado (graças a Deus, Deus é grande, Alá), todos aproveitaram para não ir trabalhar na quarta, situação que se repetiu na sexta-feira, dia de Vénus, a deusa das artes e do prazer e neste caso também a deusa das pontes para o fim-de-semana. Em resumo, foi uma semana inteira sem fazer nenhum (os investigadores ainda não perceberam se há algum simbolismo nisto). Alguns estudiosos do para-normal procuraram fórmulas milagrosas para explicar o significado oculto dos factos e locais dos acontecimentos tendo sido descobertos, entre outros, o diâmetro total da pirâmide de Gizé, a distância da Lua ao Sol passando pela Terra e a data de nascimento do Emídio Rangel. Se digitarmos no computador a frase “segunda-feira66fiatvelhos” em Times New Roman, pendurarmos uma cenoura no ecrã e olharmos fixamente durante um minuto enquanto fazemos o pino, com algum esforço conseguimos vislumbrar o popular Zé Povinho a fazer um manguito.

Também muito popular na internet foi a descoberta nas profecias de Nostradamus da 5ª Centúria (outra vez o número 5), verso 70 (noves fora 7: as colinas de Lisboa) com a seguinte quadra:
“As regiões sujeitas à Balança (Lisboa é regida pelo signo da Balança)
Farão perturbar os montes por grande guerra (os tais sete montes ou as entradas de Lisboa estarão em guerra com filas, acidentes, discussões, etc.)
Cativos todo sexo deus (deu); e toda Bizâncio (em francês antigo, deu é o deus cristão e Bizâncio é islâmica, a acusada do acto; portanto todos os credos e todos os sexos, logo toda a gente ficará presa nas filas de trânsito)
Que se gritará ao amanhecer terra a terra (buzinarão logo de manhã em vários sítios por simpatia)”.
Incrível, não acham? O que ainda é mais espantoso é que houve 4 !!! veículos (66+4=70, o número do verso) que a polícia ainda não revelou se já estavam abandonados dentro da cidade ou faziam parte do esquema, ajudando também a empatar o trânsito todo. Mas o cúmulo do espanto é o governo não reagir a estas evidências e continuar desconfiado que houve aqui um dedinho de alguma organização ou partido de esquerda, como vingança de não querer dar ponte de quinta para sábado…

Nota: de facto espantoso, espantoso é ter inventado esta história toda, finalmente pegar num livro de profecias do Nostradamus, abrir numa página qualquer, olhar para um verso qualquer, ver a referência à Balança que é realmente o signo de Lisboa e dizer para mim próprio: “- É um bom princípio…”. No entanto, não deixo de pensar que a piada está em conseguir explicar tudo nem que seja à martelada ou de uma maneira idiota; logo este ou outro verso vão servir para trabalhar. Quando tento encontrar justificações através deste, subitamente tudo faz um terrível e arrepiante sentido. Será que é assim com todas as profecias? Serve esta nota para não pensarem que inventei a história a partir do verso.

Estranhas Coincidências parte 1

Demonstrando um grande conhecimento do modus operandi da mentalidade portuguesa que faz com que em 6 cabines de pagamento de portagem, 5 estejam vazias e 1 com uma fila enorme, um estranho grupo de terroristas por apenas dois mil e quinhentos euros parou a cidade de Lisboa por uma semana. Numa segunda-feira do ano 2012 (2 +1 + 2 = 5, o pentagrama, o demo!) de manhã, dia da Lua e símbolo do Islão um “exército” de 66 (falta um 6 para ser o número da besta) carros velhos, entre Renault’s 5 (o pentagrama), Fiat’s Uno e outros a cair aos bocados estava, como é normal, parado nas filas de trânsito para entrar em Lisboa. Em todas as principais entradas da capital por Cascais, pelo IC 19, pelas pontes, pelo norte e na 2ª circular, às 8 e 27 em ponto (os investigadores ainda não perceberam se há algum simbolismo nisto) simultâneamente todos os ocupantes dessas viaturas tocaram as buzinas durante 3 minutos e meio (?), o que por simpatia provocou um coro monumental de toques de claxon, discussões acaloradas e acidentes em cadeia; ao fim desse tempo arrancaram os cabos de distribuição eléctrica e abandonaram os veículos. Milhares de condutores pensaram tratar-se de uma manifestação (só podia ser contra o governo) e naturalmente tocaram as suas buzinas e alguns até abandonaram também os seus veículos. Quem se estava a preparar para sair de casa e ouviu as notícias já nem foi trabalhar, tendo-se mantido a confusão todo o dia porque não se percebiam bem os motivos desta “manifestação”. A CGTP e os comunistas bem se defendiam dos ataques do governo que os responsabilizava pela situação e o Bloco de Esquerda aplaudia entusiasticamente a reacção de descontentamento dos cidadãos e da classe trabalhadora às políticas deste governo; a polícia não tinha meios para remover tantas viaturas e o caso arrastou-se pela noite dentro. Às 4 e 24 (os investigadores ainda não perceberam se há algum simbolismo nisto) de terça-feira, dia de Marte, o deus da guerra, a esquadra da PSP do Rato (o primeiro signo da astrologia chinesa) recebeu uma chamada anónima revelando que esta acção tinha a autoria de um grupo religioso islâmico radical denominado “Oxalá Alcântara” (tradução literal: Deus queira a ponte) e que “- não tentassem remover os veículos, pois a maior parte deles estavam armadilhados”. As autoridades viram-se perante uma verdadeira roleta russa. Escusado será dizer que ninguém se atreveu a ir trabalhar nesse dia provocando um prejuízo total ao país de vários milhões de euros. Com medo de atentados em locais aglomerados de gente, os escritórios e repartições públicas esvaziaram mas curiosamente os cafés, as praias e os centros comerciais encheram. O homem das Bíblias do Rossio continuou a cantar frases incompreensíveis ao megafone, e as cervejas e jogos de computador esgotaram nos hipermercados. Um grupo de jovens tatuados, fechados numa casa para um reality-show televisivo fez um profundo e sentido minuto de silêncio pela paz no mundo. Um conhecido vidente veio à noite ao telejornal dizer que tinha tido uma visão, há uns meses, onde via vários carros parados em Lisboa mas nessa altura toda a gente o gozou; agora estava ali a prova de que tinha razão. Aproveitou para tentar hipnotizar o Nuno Rogeiro, crónico convidado na qualidade de comentador de questões de guerra, e ainda conseguiu cantar a capella uma cantiga do seu último CD.

Donaldim, o Pato Ventríloquizado

Donaldim, habitual colaborador do programa SIC 10 Horas tem uma das histórias mais pungentes que me foram dadas a conhecer. Como o seu manipulador, o artista José Freixo usava bastante a mão esquerda, ao longo dos anos desenvolveu-se uma extensa rede de vasos sanguíneos que tornaram Donaldim num ser com vida própria e quase autónomo. À medida que o tempo ia passando, cada vez mais Donaldim contestava os textos que Freixo escrevia para os espectáculos do duo; é certo que as punch-lines estavam reservadas para o pato mas este ia-se insurgindo contra a qualidade das mesmas, até que um dia começou ele a escrevê-las. Na mesma medida em que o seu papel no seio do duo ia aumentando, a influência do seu dono ia diminuindo até que este se começou a tornar desinteressado e desleixado chegando ao ponto de, a partir de uma determinada altura, ser o pato que fazia de ventríloquo do dono. 

Muitas vezes era Donaldim que arrastava José Freixo com a barba por fazer e óbvios sinais de embriaguez para cima do palco e praticamente fazia o show sozinho. Com frequência se ouviam violentas discussões dentro dos camarins, acompanhadas de sons de cadeiras a voar, vidros partidos e grasnados horríveis. Um dia, Donaldim chegou a aparecer de óculos escuros no plateau do estúdio e há quem diga que era para esconder um olho negro. Um dos técnicos da produtora do programa garante que ouviu José Freixo murmurar entre dentes que “um dia o cabrão ainda vai aparecer cozinhado”; depois riu-se malevolamente com a ideia e chegou a deixar escapar alto e bom som: “-Olha que engraçado, Donaldim à Pequim”. Talvez Freixo nunca tenha levado avante os seus intentos porque teria de cozinhar também a sua mão com os dedos incluídos. É óbvio que nessa altura o ambiente era literalmente de cortar à faca, e depois do pato questionar constantemente a utilidade de um apêndice tão desnecessário como o José, a insatisfação no seio da parceria levou a um inevitável divórcio entre os dois. 

Andaram em advogados mas a coisa nunca correu bem porque as duas partes litigantes estavam sempre presentes nas consultas que deveriam ser privadas. Com a parte do dinheiro que ganhava nos espectáculos, o pato que era o mais poupado pois não saía da caixa e nem sequer comia, juntou uma pequena fortuna; a troco de uma avultada quantia e com o apoio jurídico da Associação para a Defesa dos Animais conseguiu um dia convencer o depauperado José Freixo a marcar uma operação para a mútua separação. Foi uma intervenção muito delicada, similar à separação de gémeos siameses, requerendo imensos cuidados, dada a imensidão de veias, artérias e músculos que os dois partilhavam. Aproveitou na mesma altura para fazer uma lipo-aspiração à barriguita e uma plástica ao bico; começou a calçar o 45 porque com os pezinhos que tinha estava sempre a cair de bruços; cortou a guedelha, largou os trapos de velha que o seu manipulador lhe vestia e passou a usar fatinhos do Augustus. Depois de uma bem sucedida separação e um re-styling geral, Donaldim dedicou-se a uma carreira a solo actuando principalmente em espectáculos de stand-up comedy sentado. Freixo retirou-se do show-biz e passou a viver indigente no meio da rua. Infelizmente Donaldim, por ser muito novo, não percebeu que a razão do sucesso do duo era a dicotomia palhaço rico/palhaço pobre e uma vez eliminado um dos elementos, ele tinha deixado de ter graça porque não havia ninguém a seu lado para enxovalhar, e o público não estava para ser gozado por um pato; resta acrescentar que os fatinhos do Augustus também não ajudaram muito, ainda por cima num país de invejosos que não gosta de ver ninguém bem. 

Um dia no programa da Fátima Lopes, ficou registado para sempre na memória do público o momento em que Donaldim, vagueando pelas ruas ao volante do seu Smart, encontrou José Freixo a remexer num caixote do lixo, o convida para entrar no seu carro e dão um forte abraço cheio de comoção. Correram as lágrimas, trocaram-se juras de amor e fidelidade eternas, e esta foi mais uma história que apesar dos reveses da vida acabou em bem… Até a imprensa sensacionalista, chata como a sarna, ter agora “levantado a lebre” de que pode haver indícios de um escândalo sexual relacionado com o duo, ainda nos tempos em que estavam ligados. Várias comentadores juridicamente abalizados têm discutido se neste caso, a utilização da mão que manipulava o pato com o objectivo de obter satisfação sexual, poderia ser considerada masturbação ou coito oral. O Fernando Rocha no seu talk-show na SIC Comédia sugeriu que talvez fosse o facto de ser constantemente amamentado que deu vida ao pato; disse também que agora já percebe a expressão “fazer um bico” …