É pá, isto é fantástico: a acabar de escrever o texto anterior, ligo a televisão e qual é a notícia do dia? Dois apostadores de Moreira de Cónegos ganharam num loto europeu 43 milhões de euros!!! 890 mil é muito? G’anda merda… Parece que os dois homens se esconderam em parte incerta para fugir ao folclore do costume e como devem estar fechados numa casa só rezo para que tenham net, acedam a este blog e tenham piedade de mim: faço daqui um apelo patético para que me emprestem uma pequenina percentagem! Posso pagar tudo em menos de 110 anos, a sério! Agora a brincar, vamos fazer contas porque para a aritmética já tenho jeito: 43 milhões a dividir por 2, dá 21 e meio a cada um (omiti o “milhões” para ser mais fácil) . Se pusermos 1 e meio de lado (só por causa das coisas) e assumirmos que vamos esturrar 20 milhões em 20 anos dá qualquer coisa como 100 mil por ano; dividindo por 365 dá aproximadamente 274 euros por dia. Agora sim, temos um número aceitável para “trabalhar”. São 54 contos por dia, 11 euros por hora… Vamos pensar nos momentos em que não o podem gastar, ou seja: se decidirem ler “A Bola” na casa-de-banho enquanto defecam durante 15 minutos, acabaram de poupar 2 euros e 75 cêntimos. Como dormiam mal com as dificuldades económicas passaram a dormir melhor agora que não as têm mas esta vantagem anula-se porque ganharam preocupações de quem tem muito dinheiro; portanto continuam a dormir as mesmas 7 horas só que agora poupam 77 euros enquanto dormem. Se por acaso apanharem uma gripe e tiverem que ficar de “molho” durante 3 dias acabam por poupar 162 contos, isto se a mulher não for ao centro comercial entretanto… Moral da história: parece que nasci mesmo para ser pobre porque só consigo imaginar 21 milhões e meio se forem parcelados em 54 esturráveis contos diários.
Neste exacto momento vivo no ano 2044. Através de uma das onze dimensões existentes consigo fazer passar estes textos que escrevo no meu presente sobre o passado de há 25 anos, ou seja o seu presente, caro leitor. Para mim são crónicas escritas no presente sobre o passado, para si são crónicas sobre o presente escritas no futuro.
29.11.04
Quanto é que Portugal é pequeno?
Os números são uma matéria absolutamente fascinante, principalmente para alguém como eu que pouco entende essa linguagem. Todos nós temos um limite numérico para percepcionar a realidade e quanto mais baixos forem os números que nos fornecem para a definir mais temos a sensação que a controlamos. Lembro-me que quando comecei a jogar flippers as máquinas ainda eram de soma mecânica e não ultrapassavam os 5 dígitos; a sensação que se tinha era de controle (era um ás) porque facilmente se dava a volta ao contador e com alguma perícia e sorte se atingia o limite máximo de 15 créditos. Mais tarde, quando apareceram os contadores digitais e cada palhaço derrubado dava 1 milhão de pontos em vez dos 50, comecei a perder o controle do que fazia, a máquina passou a dominar-me, logo desinteressei-me. Imagino que para um puto americano meu contemporâneo, milhões eram números quotidianos, como a distância em quilómetros da Terra à Lua mas para mim, português dos anos setenta, que várias vezes apanhei o 4 de dois andares da Carris, cuja carreira começava no Rossio e acabava no Marquês de Pombal (dois ronceiros quilómetros), com um canal de televisão ao quadrado e a duas cores, uma marca de pasta de dentes infantil com dois sabores e outra de batatas-fritas industriais com o nome repetido, o “sistema binário” moldou-me a realidade e era mais comum no meu dia-a-dia. Os tempos mudaram e se hoje já podemos escolher vinte e tal versões dum modelo qualquer, antigamente os meus pais só podiam optar entre duas do mesmo Mini: Austin ou Morris! Para os humanos, de uma maneira geral não interessa o número, o que conta é a intenção; para mim, o número é também a dimensão divina do racional e pode ser tão mal usado como a palavra. Estatísticamente, um relatório com números brutalmente frios até pode impressionar, embora em Portugal, país cujo povo é pouco dado a elocubrações matemáticas provoque quase sempre no comum cidadão o seguinte comentário de cepticismo crítico: “- Calma lá! Isso é muito relativo!...” como se os números com a sua aura de infalibilidade e prepotência intelectual tentassem distorcer uma realidade por todos percepcionada de maneira diferente. Ainda por cima esses números são frequentemente usados pelos poderosos à frente do governo e instituições como armas de tecnologia de ponta apontadas à cabeça do cidadão incumpridor; individualmente ou em pequenos grupos tentamos reagir mas parece que estamos a combater armas de laser com fisgas. Os números, tal como as armas, só por si não têm possibilidade de nos atingir, precisam de estar apontados e ser disparados através de um meio transmissor. O bombardeamento de números é propagado pelos meios de comunicação social e é um caso em que raramente se “mata” o mensageiro a não ser que a vítima seja um poderoso Padrinho. Quem já não se sentiu atingido e ferido por um número que, por exemplo, refere as mortes por cancro disto ou daquilo provocada por maus hábitos que temos de corrigir? Esta é uma guerra em que os números isolados nos ferem mais do que em conjunto, quando por exemplo são agrupados em percentagens. Essa invenção permite teorizar a realidade e daí a população não se sentir tão afectada: é pior saber que morrem 3 pessoas por dia na estrada do que saber que houve um aumento de 15% dos acidentes mortais. Quando é aplicada ao déficit ou à inflacção então ainda se torna mais ridícula aos olhos de quem tem todos os dias de sobreviver com um ordenado baixo.
Em Fevereiro deste ano, de visita a S.Paulo no Brasil vi uma manchete num diário que referia como tinha sido escandalosamente parcelada no tempo uma dívida ao fisco negociada por um particular e uma repartição do estado. Em Portugal contei a história a vários amigos e perguntei se conseguiam imaginar em quantos anos tinha sido parcelada essa dívida; muito surpreendemente garanto que a quase totalidade das pessoas me respondeu 110 anos. Pois… A manchete referia que a dívida foi parcelada em 890 mil anos!!! Dava à volta de 1 euro por ano! Se o homo-sapiens apareceu há mais ou menos 2 milhões de anos essa dívida pode ser paga no futuro em quase metade do tempo de existência da nossa espécie! Para um português 100 é um limite escandaloso mas como estamos a falar do Brasil, vá lá, mais 10. Tentando perceber o ponto de vista dos aldrabões concluo que 890 é o limite do limite; vê-se perfeitamente que foi um número trabalhado e obedeceu a critérios de negociação muito bem pensados em termos psicológicos. Vamos raciocinar ao contrário e começar por cima: milhão é um escândalo; novecentos é a última sequência antes do fim; oitocentos e noventa é o máximo perto do limite tolerável do bom senso; mais que isso já seria “esticar muito a corda”. Assim chegamos a um número que se ninguém lhe mexer não dá muito nas vistas… Agora não vou ser irónico: Ai o Brasil, essa terra que os olhos hão-de comer, como é grande e divertido…
Em Fevereiro deste ano, de visita a S.Paulo no Brasil vi uma manchete num diário que referia como tinha sido escandalosamente parcelada no tempo uma dívida ao fisco negociada por um particular e uma repartição do estado. Em Portugal contei a história a vários amigos e perguntei se conseguiam imaginar em quantos anos tinha sido parcelada essa dívida; muito surpreendemente garanto que a quase totalidade das pessoas me respondeu 110 anos. Pois… A manchete referia que a dívida foi parcelada em 890 mil anos!!! Dava à volta de 1 euro por ano! Se o homo-sapiens apareceu há mais ou menos 2 milhões de anos essa dívida pode ser paga no futuro em quase metade do tempo de existência da nossa espécie! Para um português 100 é um limite escandaloso mas como estamos a falar do Brasil, vá lá, mais 10. Tentando perceber o ponto de vista dos aldrabões concluo que 890 é o limite do limite; vê-se perfeitamente que foi um número trabalhado e obedeceu a critérios de negociação muito bem pensados em termos psicológicos. Vamos raciocinar ao contrário e começar por cima: milhão é um escândalo; novecentos é a última sequência antes do fim; oitocentos e noventa é o máximo perto do limite tolerável do bom senso; mais que isso já seria “esticar muito a corda”. Assim chegamos a um número que se ninguém lhe mexer não dá muito nas vistas… Agora não vou ser irónico: Ai o Brasil, essa terra que os olhos hão-de comer, como é grande e divertido…
25.11.04
Beleza Interior
Nasci em Portugal em 1961 e a educação que recebi reflecte as tendências da classe média da época; por isso sou João José como poderia ter sido João Paulo ou João Luís mas não tinha tios com esse nome e João Armando ainda seria pior do que o que ficou. A informação que me foi fornecida para responder aos desafios do mundo social foi, no meu caso, escassa e por isso todas as modificações ou evoluções são para mim um processo de compreensão mais racional que sensitivo. Serve isto para dizer que nunca tinha ouvido falar em beleza interior até recentemente e com tanta frequência, logo será através da análise que tentarei compreender o seu significado. Em primeiro lugar quem é que costuma utilizar essa expressão? Depois de uma investigação sociológica no terreno e poupando-vos a milhares de pormenores técnicos, o que interessa reter é o seguinte: concluí que quem fala do valor da beleza interior são pessoas feias de um nível sócio-económico baixo; basicamente é isto! Sempre que a ouço o meu primeiro impulso é imaginar-me uma espécie de Super-Homem (eu papava os comics todos) com visão de raios X a observar um lindíssimo fígado ou outra víscera do género; para essas pessoas, entretanto percebi que se estão a referir a algo como carácter ou qualquer outra coisa que a aparência exterior oculta (dificulta e muitas vezes inculta...). Se nunca viram beleza à sua volta, pais que gritam, famílias unicamente preocupadas em pôr o pão na mesa todos os dias, gente feia porca e má em amontoados de prédios ou barracas, a sua táctica de sobrevivência será dizer que a vêem onde a vista não alcança. É uma atitude digna e louvável; o que me chateia é a falta de decoro na sua propagação contribuindo para a poluição geral do país. Isso também me levou a outro dado interessante: neste mundo competitivo de procura de parceiros para efeitos de acasalamento quem tem beleza exterior tem quase tudo; nestes, a beleza interior não é o principal e quando existe aparece como um bónus. Infelizmente a conclusão é triste: a pobreza é o principal motor de procura da tal beleza interior. Os ricos apreciam a beleza (só) e são bonitos; quando não são também a podem comprar. Os pobres são feios e apreciam fundamentalmente a beleza exterior; quando não a têm contentam-se com a beleza interior. Em conclusão, hoje já não existe aquela pobreza humilde dos fados da Amália e se um pobre atinge algum grau de notoriedade não tem nenhum complexo em alardear a sua origem; o irónico é que quase nunca se apercebe que o faz...
Histórias Infantis
No próximo domingo, dia 5 de Dezembro de 2004 pelas 11 horas da manhã, na inevitável confusão da FNAC do Centro Comercial Colombo será lançada a colecção de 4 histórias infantis com CD da "Família Galaró". Esta notícia é aqui referida porque o administrador, director de conteúdos, redactor e moço de fretes deste blog foi o autor das bandas sonoras que estão incluídas nos CD's. São 4 livros acompanhados de um CD onde se podem ouvir as histórias contadas por Ana Nave, Diogo Infante, Lúcia Moniz e José Alberto Carvalho que as contarão ao vivo nesse domingo. Pode-se simultâneamente apreciar separadamente a qualidade das referidas bandas sonoras que foram recentemente nomeadas para os prémios "Emmy" do planeta Júpiter. Este facto só vem provar o velho dito popular que diz "ninguém é profeta na sua Terra".
23.11.04
Abertura
Caros Internautas:
De futuro encontrarão aqui um espaço de opinião pessoal (mais um, dâsss!...) e segundo a minha querida os livros do Herman José de receitas estão cheios de erros. Por agora só estou a urinar no território; até breve.
De futuro encontrarão aqui um espaço de opinião pessoal (mais um, dâsss!...) e segundo a minha querida os livros do Herman José de receitas estão cheios de erros. Por agora só estou a urinar no território; até breve.
Previsões para 2005
Segundo a astrologia da Oceania, na qual sou um expert, 2005 estará sob a influência do signo do Ornitorrinco. Tal como o animal que lhe dá nome, este será um ano de contradições e absurdos. As condições climatéricas extremas dominarão na natureza e várias figuras públicas mundiais morrerão durante o próximo ano. Em Portugal o governo de Pedro Santana Lopes passará por várias dificuldades não sendo de excluir uma eventual remodelação ou mesmo a sua queda. A Quinta das Celebridades terá uma segunda edição e os Xutos e Pontapés continuarão a tocar. Descobrir-se-á um poderoso factor cancerígeno nos maços de tabaco do SG Filtro e do Ventil (juro que já tinha previsto isto há um mês) e assistir-se-á a um reforço das relações culturais entre Portugal e o Brasil, nomeadamente com o aumento da vinda de actores brasileiros para trabalhar em Portugal.
Só para concluír direi, para quem desconhece a astrologia Oceânica que todos os anos são regidos pelo signo do Ornitorrinco.
Só para concluír direi, para quem desconhece a astrologia Oceânica que todos os anos são regidos pelo signo do Ornitorrinco.
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