14.4.11

OS SENHORES DO TEMPO - 3ª PARTE

Não faço ideia se sou ateu ou simplesmente sem religião mas a leitura dos 5 primeiros livros da Bíblia hebraica ou da Bíblia cristã, alguns dos mais antigos escritos compilados pela humanidade, são extremamente deliciosos e interessantes para nos compreendermos enquanto espécie. Os teólogos dirão que a falta de entendimento destes textos por quem não segue uma ou outra religião se deve a uma atitude racionalista, más traduções ou interpretações erróneas. Quanto a mim, burro inculto, parece-me uma tentativa, até agora bem sucedida de fazer com que tribos dispersas geograficamente em ideias e crenças se reunam à volta de leis e regras estabelecidas, sei lá por quê ou quem. Não nos podemos esquecer que estes livros não foram escritos pela mão de Deus, no máximo foram ditados por Ele e são uma compilação de vários textos, aparentemente escritos por várias pessoas em diferentes épocas. Assim, embora se apele quase sempre à adoração "ao" Deus, há às vezes referência a outros deuses que giram na órbita "do" Deus Javé; é portanto admitido o politeísmo embora para os seguidores, o seu Deus seja o único digno de ser adorado. Basicamente não se diz que só existe um Deus, o que se diz é que o "meu é melhor que o teu". É como se no exemplo que dei sobre as duas dimensões, os judeus e os cristãos dissessem que tinham sido desenhados pela professora, vá lá, todas as pessoas que existem em desenhos; até há, de facto, outros desenhos feitos por alunos mas não interessa divagar sobre isso…

No princípio Deus criou o céu e a Terra, o seu espírito ia-se movendo sobre as águas e umas frases depois disse: "- Faça-se luz!" Parece que foi a partir desse Big Bang que começou a existir o tempo tal como o conhecemos porque Deus separou a luz das trevas e passou a chamar-lhes dia e noite; e fez-se tarde e manhã, ou seja criou-se uma ordem cronológica com base na luz que deu origem ao primeiro dia. No primeiro capítulo do Génesis, os nossos antepassados esclareceram-nos uns valentes milhares de anos antes de Einstein quanto à importância da relação entre luz e tempo. Quanto ao carácter de Deus omnipotente e omnisciente parece-me ter mudado ao longo do tempo: no antigo testamento mostra-se um pouco mesquinho e ciumento, mete-se nas contas das colheitas humanas, a sua ira é frequentemente saciada com holocaustos de animais, sacrifícios pessoais e até chega a instituir leis relativas a escravos!… No novo testamento já anda mais distante da humanidade, logo, talvez não se chateia tanto mas tem um filho que fala em nome d'Ele e sofre as maiores torturas por amor…

Outros deuses da antiguidade eram conhecidos por exibir humores volúveis e terem cortes reais à imagem dos humanos poderosos. Fica a ideia que também o deus judaico-cristão além de uma corte angelical, trata os humanos como lhes pertencendo, exigindo-lhes adoração, fidelidade e total devoção; tal e qual o que nós fazemos aos cães. Também lhes apuramos as raças, tiramos as crias a nosso bel-prazer, marcamo-los, alimentamo-los, exigimos amor e em troca permitimos-lhes uma vida mais confortável com umas festinhas à mistura; será assim que os cães vêem os donos, como deuses? Será que eles acham que nós é que os criámos? (Convido-vos a re-ler um post que publiquei em Janeiro de 2007 chamado "Cães") Há alguns vadios que não respeitam os humanos e esses, na complexa sociedade destes cheira-cús talvez sejam considerados os ateus, sacrílegos, etc. Uma coisa é certa: humanos mais poderosos tendem a considerar-se donos de humanos menos poderosos e sem as leis de Deus e a Sua orientação parece que todos estão condenados ao fracasso e daí estarmos quase há dois mil anos à espera que uma nova vinda de Cristo nos salve do caos a que chegámos; diariamente, milhões de humanos oram com devoção ou desespero pela intervenção divina nas suas vidas.

E assim, dando a volta ao texto chegámos novamente ao ponto de partida: de facto, a minha filha era a deusa dos Sims, foi ela que os criou e lhes deu vida. Quando os deixou sozinhos durante uma hora, eles ficaram entregues à sua sorte, acabando por se auto-aniquilar num ambiente caótico. Imagino que enquanto definhavam se tenham fartado de gritar a pedir ajuda divina mas ela chegou tarde demais… "- Então e agora filha, ficaste triste, não? Deram trabalho a criar e já te tinhas afeiçoado a eles?" "- Não há problema, papá! Antes de desligar o computador lembrei-me que podia NÃO salvar o jogo; assim quando o voltar a ligar, o jogo recomeça do ponto onde anteriormente tinha ficado, antes da desgraça…"

Será que é por a minha mente ter sido formatada entre o século XX e o XXI que isto me parece claro e simples? Aqueles seres chegaram a viver uma realidade alternativa onde se deu um colapso civilizacional e até morreram mas para eles deve ter sido só um sonho porque na verdade eles estão vivos e a vida continuou doutra forma… graças às leis do tempo e da intervenção divina. E nós? Será que somos também uma criação holográfica de algum deus sem a grandeza que imaginamos que ele deva ter?

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