12.4.11

CUMPRIR OBJECTIVOS

Peço desculpa aos meus três leitores mas no post de ontem escrevi uma incorrecção: de facto, quem vem chefiar a delegação do FMI é um dinamarquês, embora na comunicação social tenha sido dito que seria um tal de Sanjeev Gupta; não se esqueçam que estou a escrever isto em 2036 e a memória já me vai faltando, embora não consiga explicar porque me esqueci desta troca mas lembro-me perfeitamente dum nome, julgo que indiano, ah ah ah...


Mesmo com a incorrecção, o espírito do texto mantém-se: para o restrito clube de poderosos do mundo as pessoas não são importantes; temos é de servi-los, cumprindo os objectivos das suas causas. A comunicação social é o megafone que espalha a doutrina, informando ou desinformando conforme as suas necessidades. Não estou com isto a sugerir que existam espiões em todas as redacções maquiavelicamente a manipular a informação mas sejamos honestos: isso não é preciso.


O que há, mais uma vez, são pessoas comuns a cumprir objectivos que vêm sempre de cima; essas pessoas foram sendo formadas numa determinada lógica educativa e essa lógica vai privilegiando formas de desempenho formatadas para problemas que aos poucos vão matando a capacidade de pensar. Enfim, este assunto também é muito interessante para abordar mas será matéria para outro post. 


Por agora direi apenas que ao re...ver (2036 lembram-se?) uma entrevista que o Passos Coelho deu ontem na TVI, passavam em título algumas das frases-chave do seu discurso e numa dessas frases aparece escrita a palavra "COMVÉM". Não é preciso ser muito esperto para perceber que este erro não tem nada a ver com gralhas ou acordos ortográficos, revela apenas falta de leitura ao longo da vida... Se estas pessoas que trabalham nas redacções nem sequer sabem escrever como poderemos imaginar que alguma vez se deliciaram com o pensamento alheio de forma a situarem o seu próprio?

Todos nós estamos mais ou menos formatados para cumprir objectivos, sejam os nossos ou mandados por outros mas sobretudo se mexerem directamente com o funcionamento do complexo reptiliano que está ligado às funções mais básicas como defesa do território, sobrevivência, etc. Vou dar-vos um exemplo pessoal disso. Ainda ontem (ou seja, para mim, há 25 anos atrás) deixei à pressa o carro mal estacionado em segunda linha. Quando voltei para o arrumar convenientemente avaliei a situação: não vi nenhum lugar vago ao longo da rua mas descortinei um bastante estreito mesmo em frente que me iria dar algum trabalho a estacionar com cuidado; com esse objectivo em mente decidi que o melhor seria arrumá-lo de trás.

Ao fazer marcha-atrás uns metros para ter ângulo para a manobra, vi pelo retrovisor aquilo que parecia ser um lugar vago e até bastante espaçoso; não imaginam o que custou ao meu cérebro processar aquela informação! Entrei mentalmente em conflito: uma parte fortíssima de mim mandava-me continuar até cumprir o objectivo (eu já tinha visto anteriormente que não havia lugares, o estreito era o único disponível e alguém poderia roubá-lo entretanto), outra, a da "rebelião" sugeria-me virar o pescoço e confirmar se aquele novo lugar vago era mesmo verdade. Contra a minha "vontade" (até o braço queria meter sozinho a 1ª mudança para sair dali) virei o pescoço e verifiquei que era verdade; continuei nem um metro para trás e estacionei sem nenhuma dificuldade no novo e espaçoso lugar. Conclusão: foi tudo mais fácil e melhor para mim mas mesmo assim fiquei com uma sensação de frustração por não o ter posto onde tinha planeado. Isto é que é animalidade, hein? Saí dali a mentalizar-me que a segunda tinha sido a opção correcta, como se estivesse a pedir desculpa a mim próprio por me ter sabotado...     

2 comentários:

José Ceitil disse...

João, a escrita e a problemática que preocupa quem escreve em 1936 não deve ser muito diferente das de hoje. Ainda assim, escrever é um prazer!
Passa pelo meu espaço de liberdade:
http://vidasimplespensamentoselevados.blogspot.com/

eliane disse...

Deveriam dar um calote no FMI, como fez a Argentina, dane-se o FMI!
Gosto da sua escrita, João - "ridendo castigat mores" :)
Um beijo do Brasil!
Eliane