Nas férias da Páscoa, em 2011 a minha filha ligou-me de casa da avó às 8 horas da manhã e parecendo-me que estava a acordar disse-me com uma voz dramática e grave: "- Pai, ontem estava no computador, deixei-o ligado e saí mais ou menos por uma hora; quando cheguei estava tudo morto!!!" Confesso que fiquei um pouco preocupado e perguntei-lhe: "- Tudo morto o quê? O computador, o ecrã, a impressora?…" enquanto em milésimos de segundo no meu cérebro saltitavam em pânico opções cada vez mais absurdas (as flores lá de casa, animais de estimação que não existem, a avó?)… "-Não, pai: os Sims! (Para quem não sabe, os Sims são um jogo electrónico de simulação de vida, onde se podem criar e controlar as vidas de pessoas virtuais) Continuando: "- Deixei o jogo em play e quando cheguei estavam contas por pagar, trabalhos de casa espalhados pelo chão, restos de comida por todo o lado e três túmulos dentro de casa…"
Podemos pensar que este jogo mostra uma perspectiva redutora da vida mas, no mínimo, o seu criador fornece entretenimento juntamente com o seu ponto de vista pessoal. Apesar de ser só um jogo, logo submetido a uma lógica comercial e que a mim em particular não aquece nem arrefece, consigo encontrar inúmeras analogias com a vida "real". Porquê real entre aspas? Como sabem vivo no ano 2036, portanto o que vou dizer não é resultado de qualquer brilhantismo intelectual mas sim fruto do conhecimento desta época: que se saiba, existem 11 dimensões, ao contrário das 3 que julgávamos existentes em 2011; por isso vos escrevo a partir do futuro como se estivesse aí. Onze dimensões parecem-vos absurdas?
Experimentem desenhar uma paisagem com várias pessoas numa folha de papel; esse desenho é uma representação da realidade a duas dimensões, comprimento e largura, certo? Agora imaginem que essas pessoas na folha de papel tinham realmente vida; como acham que elas percepcionariam o mundo onde estão? A duas dimensões! Ou seja: se continuássemos a desenhar, essas pessoas que viam o mundo a duas dimensões simplesmente constatariam que novos riscos tinham sido acrescentados, sem conseguir perceber como eles lá foram parar. Num estágio civilizacional avançado deste micro-cosmos, talvez as suas leis da física explicassem muita coisa mas só uma teorização matemática muito evoluída faria com que eles compreendessem, mesmo sem continuar a ver, que aqueles riscos só poderiam ser feitos por algo que possuísse mais uma dimensão. Não se esqueçam que apesar de suspeitarem da existência desse tal objecto (o lápis) a única coisa que eles poderiam ambicionar alguma vez ver seria o (para nós) microscópico ponto de contacto da ponta do lápis com o papel, nunca o objecto tridimensional em si.
E que dizer das questões filosófico/religiosas que seriam levantadas acerca disto? O tal "lápis" faz o desenho sozinho ou há alguém a manipulá-lo? E finalmente, qual é o objectivo de qualquer uma destas duas identidades, o deus que desenha ou o deus que manipula o que desenha? Mal sabem eles que o seu criador pode ser uma criança na escola e que o desenho foi feito por esse deus mas mandado executar por um outro superior. E assim sucessivamente… Bom, pelo menos já sabem que se algum dos vossos rabiscos de infância se incendiar ou explodir sozinho foi porque atingiram um grau de civilização elevado que os levou à auto-destruição…
Neste exacto momento vivo no ano 2044. Através de uma das onze dimensões existentes consigo fazer passar estes textos que escrevo no meu presente sobre o passado de há 25 anos, ou seja o seu presente, caro leitor. Para mim são crónicas escritas no presente sobre o passado, para si são crónicas sobre o presente escritas no futuro.
14.4.11
OS SENHORES DO TEMPO - 2ª PARTE
Enrico Fermi, brilhante italiano prémio Nobel da física, levantou pela primeira vez em 1950 a seguinte questão: "-onde estão eles, (ou em alternativa) onde está o mundo?" O que ficou conhecido como o paradoxo de Fermi é uma contradição aparente entre as altas estimativas de probabilidade de existência de civilizações extra-terrestres, e a falta de evidências ou contactos com tais civilizações. Como disse na primeira parte, agora em 2036 sabe-se que há onze dimensões e continuando com o registo ficcional, posso tentar dar uma resposta aproximada ao sr. Fermi com o exemplo da folha de papel: provavelmente eles estão "aqui", ao "pé de nós" mas noutra dimensão; só por não os vermos não significa que não existam (ah, ah, ah, se tudo fosse assim tão simples em ciência…)
Este blog é um exemplo de que consegui abrir um canal para o passado mas ainda não se consegue lá ir fisicamente. Talvez a nossa incapacidade em os vêr, como dizia Fermi, se relacione com o facto de não termos ainda atingido a velocidade que nos permite ultrapassar o tempo, uma das dimensões superiores. Tudo o que vemos e podemos "tocar" baseia-se na nossa percepção linear: passado, presente e futuro. A luz ilumina-nos o presente e quando olhamos para o céu temos uma imagem do passado, podemos estar literalmente a ver uma estrela que na realidade já não existe: se o sol neste preciso momento "desligasse o interruptor" só daqui a 8 minutos ficaríamos "às escuras"; o futuro, por enquanto, ainda nos escapa.
Como sou só um especulador posso dar-me ao luxo de imaginar um tempo, dimensionalmente "acima", uma espécie de portal ou interior dum buraco negro, onde os cientistas em 2011 admitem que se atinge aquilo a que se convencionou chamar singularidade, ou seja destruição das leis da física que em português corrente significa: não fazem a pôrra de ideia nenhuma do que é! Possivelmente poderíamos lá chegar viajando a mais de 300 mil quilómetros por segundo num mahayana, sânscrito para grande veículo e onde o tempo "parasse" segundo a nossa percepção tridimensional. Sem entrar muito na polémica do fenómeno OVNI, acredito na possibilidade e acredito também em poucas pessoas que dizem tê-los visto. Alguns relatos referem a sua aparição como que "do nada", como se se tivesse "descolado" da tela do céu e se tivesse materializado num objecto metálico; talvez seja essa a nossa visão daquilo que se atravessa nas dimensões que podemos percepcionar.
Para mim, os maiores génios da humanidade são aqueles que misturam uma excepcional capacidade lógica com uma imaginação fervilhante; afinal é disso que todos somos feitos e, privilegiar ou glorificar apenas uma dos lobos do cérebro amputa-nos o valor enquanto seres humanos. Nicola Tesla foi um dos expoentes máximos da genialidade humana mas pessoas assim tendem a acabar mal se não se renderem totalmente ao poder; um dia abordarei o seu drama. Outro génio com melhor sorte, Einstein, que em 1905 já tinha estabelecido uma relação entre os conceitos de tempo e espaço também foi um dos cientistas mais intuitivos e imaginativos que existiram. Na mesma linha me parece ser João Magueijo, jovem cientista português autor de uma teoria que contesta o pilar da Teoria da Relatividade de Einstein: a de que a velocidade da luz no vácuo é sempre constante; o João diz que a velocidade da luz nem sempre foi constante… Espero que o consiga provar porque na minha imbecilidade de ficcionista, acho que também nem foi sempre constante como é a velocidade da luz que temos que nos dá a consciência da tal "realidade" em que vivemos.
Este blog é um exemplo de que consegui abrir um canal para o passado mas ainda não se consegue lá ir fisicamente. Talvez a nossa incapacidade em os vêr, como dizia Fermi, se relacione com o facto de não termos ainda atingido a velocidade que nos permite ultrapassar o tempo, uma das dimensões superiores. Tudo o que vemos e podemos "tocar" baseia-se na nossa percepção linear: passado, presente e futuro. A luz ilumina-nos o presente e quando olhamos para o céu temos uma imagem do passado, podemos estar literalmente a ver uma estrela que na realidade já não existe: se o sol neste preciso momento "desligasse o interruptor" só daqui a 8 minutos ficaríamos "às escuras"; o futuro, por enquanto, ainda nos escapa.
Como sou só um especulador posso dar-me ao luxo de imaginar um tempo, dimensionalmente "acima", uma espécie de portal ou interior dum buraco negro, onde os cientistas em 2011 admitem que se atinge aquilo a que se convencionou chamar singularidade, ou seja destruição das leis da física que em português corrente significa: não fazem a pôrra de ideia nenhuma do que é! Possivelmente poderíamos lá chegar viajando a mais de 300 mil quilómetros por segundo num mahayana, sânscrito para grande veículo e onde o tempo "parasse" segundo a nossa percepção tridimensional. Sem entrar muito na polémica do fenómeno OVNI, acredito na possibilidade e acredito também em poucas pessoas que dizem tê-los visto. Alguns relatos referem a sua aparição como que "do nada", como se se tivesse "descolado" da tela do céu e se tivesse materializado num objecto metálico; talvez seja essa a nossa visão daquilo que se atravessa nas dimensões que podemos percepcionar.
Para mim, os maiores génios da humanidade são aqueles que misturam uma excepcional capacidade lógica com uma imaginação fervilhante; afinal é disso que todos somos feitos e, privilegiar ou glorificar apenas uma dos lobos do cérebro amputa-nos o valor enquanto seres humanos. Nicola Tesla foi um dos expoentes máximos da genialidade humana mas pessoas assim tendem a acabar mal se não se renderem totalmente ao poder; um dia abordarei o seu drama. Outro génio com melhor sorte, Einstein, que em 1905 já tinha estabelecido uma relação entre os conceitos de tempo e espaço também foi um dos cientistas mais intuitivos e imaginativos que existiram. Na mesma linha me parece ser João Magueijo, jovem cientista português autor de uma teoria que contesta o pilar da Teoria da Relatividade de Einstein: a de que a velocidade da luz no vácuo é sempre constante; o João diz que a velocidade da luz nem sempre foi constante… Espero que o consiga provar porque na minha imbecilidade de ficcionista, acho que também nem foi sempre constante como é a velocidade da luz que temos que nos dá a consciência da tal "realidade" em que vivemos.
OS SENHORES DO TEMPO - 3ª PARTE
Não faço ideia se sou ateu ou simplesmente sem religião mas a leitura dos 5 primeiros livros da Bíblia hebraica ou da Bíblia cristã, alguns dos mais antigos escritos compilados pela humanidade, são extremamente deliciosos e interessantes para nos compreendermos enquanto espécie. Os teólogos dirão que a falta de entendimento destes textos por quem não segue uma ou outra religião se deve a uma atitude racionalista, más traduções ou interpretações erróneas. Quanto a mim, burro inculto, parece-me uma tentativa, até agora bem sucedida de fazer com que tribos dispersas geograficamente em ideias e crenças se reunam à volta de leis e regras estabelecidas, sei lá por quê ou quem. Não nos podemos esquecer que estes livros não foram escritos pela mão de Deus, no máximo foram ditados por Ele e são uma compilação de vários textos, aparentemente escritos por várias pessoas em diferentes épocas. Assim, embora se apele quase sempre à adoração "ao" Deus, há às vezes referência a outros deuses que giram na órbita "do" Deus Javé; é portanto admitido o politeísmo embora para os seguidores, o seu Deus seja o único digno de ser adorado. Basicamente não se diz que só existe um Deus, o que se diz é que o "meu é melhor que o teu". É como se no exemplo que dei sobre as duas dimensões, os judeus e os cristãos dissessem que tinham sido desenhados pela professora, vá lá, todas as pessoas que existem em desenhos; até há, de facto, outros desenhos feitos por alunos mas não interessa divagar sobre isso…
No princípio Deus criou o céu e a Terra, o seu espírito ia-se movendo sobre as águas e umas frases depois disse: "- Faça-se luz!" Parece que foi a partir desse Big Bang que começou a existir o tempo tal como o conhecemos porque Deus separou a luz das trevas e passou a chamar-lhes dia e noite; e fez-se tarde e manhã, ou seja criou-se uma ordem cronológica com base na luz que deu origem ao primeiro dia. No primeiro capítulo do Génesis, os nossos antepassados esclareceram-nos uns valentes milhares de anos antes de Einstein quanto à importância da relação entre luz e tempo. Quanto ao carácter de Deus omnipotente e omnisciente parece-me ter mudado ao longo do tempo: no antigo testamento mostra-se um pouco mesquinho e ciumento, mete-se nas contas das colheitas humanas, a sua ira é frequentemente saciada com holocaustos de animais, sacrifícios pessoais e até chega a instituir leis relativas a escravos!… No novo testamento já anda mais distante da humanidade, logo, talvez não se chateia tanto mas tem um filho que fala em nome d'Ele e sofre as maiores torturas por amor…
Outros deuses da antiguidade eram conhecidos por exibir humores volúveis e terem cortes reais à imagem dos humanos poderosos. Fica a ideia que também o deus judaico-cristão além de uma corte angelical, trata os humanos como lhes pertencendo, exigindo-lhes adoração, fidelidade e total devoção; tal e qual o que nós fazemos aos cães. Também lhes apuramos as raças, tiramos as crias a nosso bel-prazer, marcamo-los, alimentamo-los, exigimos amor e em troca permitimos-lhes uma vida mais confortável com umas festinhas à mistura; será assim que os cães vêem os donos, como deuses? Será que eles acham que nós é que os criámos? (Convido-vos a re-ler um post que publiquei em Janeiro de 2007 chamado "Cães") Há alguns vadios que não respeitam os humanos e esses, na complexa sociedade destes cheira-cús talvez sejam considerados os ateus, sacrílegos, etc. Uma coisa é certa: humanos mais poderosos tendem a considerar-se donos de humanos menos poderosos e sem as leis de Deus e a Sua orientação parece que todos estão condenados ao fracasso e daí estarmos quase há dois mil anos à espera que uma nova vinda de Cristo nos salve do caos a que chegámos; diariamente, milhões de humanos oram com devoção ou desespero pela intervenção divina nas suas vidas.
E assim, dando a volta ao texto chegámos novamente ao ponto de partida: de facto, a minha filha era a deusa dos Sims, foi ela que os criou e lhes deu vida. Quando os deixou sozinhos durante uma hora, eles ficaram entregues à sua sorte, acabando por se auto-aniquilar num ambiente caótico. Imagino que enquanto definhavam se tenham fartado de gritar a pedir ajuda divina mas ela chegou tarde demais… "- Então e agora filha, ficaste triste, não? Deram trabalho a criar e já te tinhas afeiçoado a eles?" "- Não há problema, papá! Antes de desligar o computador lembrei-me que podia NÃO salvar o jogo; assim quando o voltar a ligar, o jogo recomeça do ponto onde anteriormente tinha ficado, antes da desgraça…"
Será que é por a minha mente ter sido formatada entre o século XX e o XXI que isto me parece claro e simples? Aqueles seres chegaram a viver uma realidade alternativa onde se deu um colapso civilizacional e até morreram mas para eles deve ter sido só um sonho porque na verdade eles estão vivos e a vida continuou doutra forma… graças às leis do tempo e da intervenção divina. E nós? Será que somos também uma criação holográfica de algum deus sem a grandeza que imaginamos que ele deva ter?
No princípio Deus criou o céu e a Terra, o seu espírito ia-se movendo sobre as águas e umas frases depois disse: "- Faça-se luz!" Parece que foi a partir desse Big Bang que começou a existir o tempo tal como o conhecemos porque Deus separou a luz das trevas e passou a chamar-lhes dia e noite; e fez-se tarde e manhã, ou seja criou-se uma ordem cronológica com base na luz que deu origem ao primeiro dia. No primeiro capítulo do Génesis, os nossos antepassados esclareceram-nos uns valentes milhares de anos antes de Einstein quanto à importância da relação entre luz e tempo. Quanto ao carácter de Deus omnipotente e omnisciente parece-me ter mudado ao longo do tempo: no antigo testamento mostra-se um pouco mesquinho e ciumento, mete-se nas contas das colheitas humanas, a sua ira é frequentemente saciada com holocaustos de animais, sacrifícios pessoais e até chega a instituir leis relativas a escravos!… No novo testamento já anda mais distante da humanidade, logo, talvez não se chateia tanto mas tem um filho que fala em nome d'Ele e sofre as maiores torturas por amor…
Outros deuses da antiguidade eram conhecidos por exibir humores volúveis e terem cortes reais à imagem dos humanos poderosos. Fica a ideia que também o deus judaico-cristão além de uma corte angelical, trata os humanos como lhes pertencendo, exigindo-lhes adoração, fidelidade e total devoção; tal e qual o que nós fazemos aos cães. Também lhes apuramos as raças, tiramos as crias a nosso bel-prazer, marcamo-los, alimentamo-los, exigimos amor e em troca permitimos-lhes uma vida mais confortável com umas festinhas à mistura; será assim que os cães vêem os donos, como deuses? Será que eles acham que nós é que os criámos? (Convido-vos a re-ler um post que publiquei em Janeiro de 2007 chamado "Cães") Há alguns vadios que não respeitam os humanos e esses, na complexa sociedade destes cheira-cús talvez sejam considerados os ateus, sacrílegos, etc. Uma coisa é certa: humanos mais poderosos tendem a considerar-se donos de humanos menos poderosos e sem as leis de Deus e a Sua orientação parece que todos estão condenados ao fracasso e daí estarmos quase há dois mil anos à espera que uma nova vinda de Cristo nos salve do caos a que chegámos; diariamente, milhões de humanos oram com devoção ou desespero pela intervenção divina nas suas vidas.
E assim, dando a volta ao texto chegámos novamente ao ponto de partida: de facto, a minha filha era a deusa dos Sims, foi ela que os criou e lhes deu vida. Quando os deixou sozinhos durante uma hora, eles ficaram entregues à sua sorte, acabando por se auto-aniquilar num ambiente caótico. Imagino que enquanto definhavam se tenham fartado de gritar a pedir ajuda divina mas ela chegou tarde demais… "- Então e agora filha, ficaste triste, não? Deram trabalho a criar e já te tinhas afeiçoado a eles?" "- Não há problema, papá! Antes de desligar o computador lembrei-me que podia NÃO salvar o jogo; assim quando o voltar a ligar, o jogo recomeça do ponto onde anteriormente tinha ficado, antes da desgraça…"
Será que é por a minha mente ter sido formatada entre o século XX e o XXI que isto me parece claro e simples? Aqueles seres chegaram a viver uma realidade alternativa onde se deu um colapso civilizacional e até morreram mas para eles deve ter sido só um sonho porque na verdade eles estão vivos e a vida continuou doutra forma… graças às leis do tempo e da intervenção divina. E nós? Será que somos também uma criação holográfica de algum deus sem a grandeza que imaginamos que ele deva ter?
12.4.11
CUMPRIR OBJECTIVOS
Peço desculpa aos meus três leitores mas no post de ontem escrevi uma incorrecção: de facto, quem vem chefiar a delegação do FMI é um dinamarquês, embora na comunicação social tenha sido dito que seria um tal de Sanjeev Gupta; não se esqueçam que estou a escrever isto em 2036 e a memória já me vai faltando, embora não consiga explicar porque me esqueci desta troca mas lembro-me perfeitamente dum nome, julgo que indiano, ah ah ah...
Mesmo com a incorrecção, o espírito do texto mantém-se: para o restrito clube de poderosos do mundo as pessoas não são importantes; temos é de servi-los, cumprindo os objectivos das suas causas. A comunicação social é o megafone que espalha a doutrina, informando ou desinformando conforme as suas necessidades. Não estou com isto a sugerir que existam espiões em todas as redacções maquiavelicamente a manipular a informação mas sejamos honestos: isso não é preciso.
O que há, mais uma vez, são pessoas comuns a cumprir objectivos que vêm sempre de cima; essas pessoas foram sendo formadas numa determinada lógica educativa e essa lógica vai privilegiando formas de desempenho formatadas para problemas que aos poucos vão matando a capacidade de pensar. Enfim, este assunto também é muito interessante para abordar mas será matéria para outro post.
Por agora direi apenas que ao re...ver (2036 lembram-se?) uma entrevista que o Passos Coelho deu ontem na TVI, passavam em título algumas das frases-chave do seu discurso e numa dessas frases aparece escrita a palavra "COMVÉM". Não é preciso ser muito esperto para perceber que este erro não tem nada a ver com gralhas ou acordos ortográficos, revela apenas falta de leitura ao longo da vida... Se estas pessoas que trabalham nas redacções nem sequer sabem escrever como poderemos imaginar que alguma vez se deliciaram com o pensamento alheio de forma a situarem o seu próprio?
Todos nós estamos mais ou menos formatados para cumprir objectivos, sejam os nossos ou mandados por outros mas sobretudo se mexerem directamente com o funcionamento do complexo reptiliano que está ligado às funções mais básicas como defesa do território, sobrevivência, etc. Vou dar-vos um exemplo pessoal disso. Ainda ontem (ou seja, para mim, há 25 anos atrás) deixei à pressa o carro mal estacionado em segunda linha. Quando voltei para o arrumar convenientemente avaliei a situação: não vi nenhum lugar vago ao longo da rua mas descortinei um bastante estreito mesmo em frente que me iria dar algum trabalho a estacionar com cuidado; com esse objectivo em mente decidi que o melhor seria arrumá-lo de trás.
Ao fazer marcha-atrás uns metros para ter ângulo para a manobra, vi pelo retrovisor aquilo que parecia ser um lugar vago e até bastante espaçoso; não imaginam o que custou ao meu cérebro processar aquela informação! Entrei mentalmente em conflito: uma parte fortíssima de mim mandava-me continuar até cumprir o objectivo (eu já tinha visto anteriormente que não havia lugares, o estreito era o único disponível e alguém poderia roubá-lo entretanto), outra, a da "rebelião" sugeria-me virar o pescoço e confirmar se aquele novo lugar vago era mesmo verdade. Contra a minha "vontade" (até o braço queria meter sozinho a 1ª mudança para sair dali) virei o pescoço e verifiquei que era verdade; continuei nem um metro para trás e estacionei sem nenhuma dificuldade no novo e espaçoso lugar. Conclusão: foi tudo mais fácil e melhor para mim mas mesmo assim fiquei com uma sensação de frustração por não o ter posto onde tinha planeado. Isto é que é animalidade, hein? Saí dali a mentalizar-me que a segunda tinha sido a opção correcta, como se estivesse a pedir desculpa a mim próprio por me ter sabotado...
Mesmo com a incorrecção, o espírito do texto mantém-se: para o restrito clube de poderosos do mundo as pessoas não são importantes; temos é de servi-los, cumprindo os objectivos das suas causas. A comunicação social é o megafone que espalha a doutrina, informando ou desinformando conforme as suas necessidades. Não estou com isto a sugerir que existam espiões em todas as redacções maquiavelicamente a manipular a informação mas sejamos honestos: isso não é preciso.
O que há, mais uma vez, são pessoas comuns a cumprir objectivos que vêm sempre de cima; essas pessoas foram sendo formadas numa determinada lógica educativa e essa lógica vai privilegiando formas de desempenho formatadas para problemas que aos poucos vão matando a capacidade de pensar. Enfim, este assunto também é muito interessante para abordar mas será matéria para outro post.
Por agora direi apenas que ao re...ver (2036 lembram-se?) uma entrevista que o Passos Coelho deu ontem na TVI, passavam em título algumas das frases-chave do seu discurso e numa dessas frases aparece escrita a palavra "COMVÉM". Não é preciso ser muito esperto para perceber que este erro não tem nada a ver com gralhas ou acordos ortográficos, revela apenas falta de leitura ao longo da vida... Se estas pessoas que trabalham nas redacções nem sequer sabem escrever como poderemos imaginar que alguma vez se deliciaram com o pensamento alheio de forma a situarem o seu próprio?
Todos nós estamos mais ou menos formatados para cumprir objectivos, sejam os nossos ou mandados por outros mas sobretudo se mexerem directamente com o funcionamento do complexo reptiliano que está ligado às funções mais básicas como defesa do território, sobrevivência, etc. Vou dar-vos um exemplo pessoal disso. Ainda ontem (ou seja, para mim, há 25 anos atrás) deixei à pressa o carro mal estacionado em segunda linha. Quando voltei para o arrumar convenientemente avaliei a situação: não vi nenhum lugar vago ao longo da rua mas descortinei um bastante estreito mesmo em frente que me iria dar algum trabalho a estacionar com cuidado; com esse objectivo em mente decidi que o melhor seria arrumá-lo de trás.
Ao fazer marcha-atrás uns metros para ter ângulo para a manobra, vi pelo retrovisor aquilo que parecia ser um lugar vago e até bastante espaçoso; não imaginam o que custou ao meu cérebro processar aquela informação! Entrei mentalmente em conflito: uma parte fortíssima de mim mandava-me continuar até cumprir o objectivo (eu já tinha visto anteriormente que não havia lugares, o estreito era o único disponível e alguém poderia roubá-lo entretanto), outra, a da "rebelião" sugeria-me virar o pescoço e confirmar se aquele novo lugar vago era mesmo verdade. Contra a minha "vontade" (até o braço queria meter sozinho a 1ª mudança para sair dali) virei o pescoço e verifiquei que era verdade; continuei nem um metro para trás e estacionei sem nenhuma dificuldade no novo e espaçoso lugar. Conclusão: foi tudo mais fácil e melhor para mim mas mesmo assim fiquei com uma sensação de frustração por não o ter posto onde tinha planeado. Isto é que é animalidade, hein? Saí dali a mentalizar-me que a segunda tinha sido a opção correcta, como se estivesse a pedir desculpa a mim próprio por me ter sabotado...
11.4.11
GUIA DE SOBREVIVÊNCIA
No vosso amanhã concreto, ou seja 12 de Abril de 2011, chega a Portugal a delegação do FMI que vem negociar a rendição do país. Sim, não sei se repararam mas estivemos envolvidos numa guerra que perdemos! Talvez não saibam mas o representante do FMI é um sub-director europeu desta organização de nome indiano e conhecido pela alcunha de "chopper"; talvez a melhor tradução seja "o implacável cortador de carne nos talhos". Já agora fiquem também a saber que o seu director europeu é um tipo que se chama... António Borges e é membro do PSD... Não sei se tem uma alcunha mas à luz da história neste caso poderia ser o "foda-se que coincidência"... Segundo a imprensa, estima-se que o FMI vai ganhar 520 milhões de euros, enquanto os países europeus lucrarão 1060 milhões com a ajuda a Portugal. O que nos vão propor é que para viver mais uns anos a fingir que somos uma nação, paguemos mais por um empréstimo que nem no século XXX (o que já é bastante hard-core) conseguirá ser pago; basicamente o que nos vão dizer é que se queremos continuar a ter um país chamado Portugal, vamos ter de sofrer mais por isso...
O representante do governo vencido, o engenheir (não falta qualquer coisa?) José Sócrates, considerava-se um bom aluno europeu e julgava que o seu carisma o levaria longe. Quando percebeu que os seus professores sabem que além do "o" lhe falta também pedigree e que como todos os outros dirigentes internacionais era uma figura dispensável no contexto do poder ocidental, começou a procurar alternativas económicas através do Brasil e da China, tornando-se igualmente amigo de alguns desperados da cena internacional como Chavez ou Kadafhi! Depois de ter vivido anos numa ilusão narcisista, resolveu recentemente armar-se em patriota e bater teimosamente o pé à agenda internacional do poder económico. Agora parte para novas eleições com o habitual brilhantismo oratório com que costuma destroçar adversários, juntando-lhe a recém adquirida convicção de saber o que é menos mau para o país.
No mundo "marginal", Saddam Hussein, Kadafhi e dezenas de outros exemplos também julgavam que a sua secreta amizade com os poderosos da finança mundial os livrariam pessoalmente de danos de maior mas esquecem-se sempre que qualquer pessoa é dispensável: não interessam os meios, o que contam são os fins. Até podem sabê-lo de antemão mas como todos os dirigentes políticos traídos por "algo" mais poderoso, só no momento em que são traídos é que sentem na carne a desfeita e todos reagem com desorientação misturada com teimosia; qualquer tipo de reacção está prevista pelos traidores e o próximo passo já está delineado desde a partida. Entretanto, a situação fugiu ao controle do traído porque não se apercebeu que a opinião pública foi sendo "envenenada", os amigos esconderam-se, os inimigos aparecem com novas armas... Depois de acordarem da ilusão, sabem realmente o que está em causa, ficaram a conhecer as pessoas, mas... é tarde demais.
No mundo não ocidental os dirigentes geralmente resistem virando-se contra a própria população; nas democracias ocidentais, se se demitem a bem, ficam com uma vida privada melhor: mais rendimentos, cargos honoríficos... Se tiverem a sorte de serem "escolhidos" até lhes dão cargos mais poderosos do que os anteriores que detinham, como por exemplo Guterres, Barroso, Constâncio que vão continuando a servir ainda melhor os seus chefes... Em ambos os casos, civilizado ocidental ou reles ditador do terceiro mundo, as reacções são simplesmente manifestações de sobrevivência individual, nada mais que isso; podemos julgá-las com diferentes padrões morais, obter diferentes consequências mas cada um faz o que acha ser melhor para si, para sobreviver.
O engenheir Sócrates parece decidido em continuar a teimar até se tornar um mártir da causa nacional mas como eu vivo no futuro, aconselho-o a procurar uma via espiritual se não quer ser ridicularizado ou levar o país ao esmagamento; talvez os seus novos dotes de paladino fossem melhor empregues ao serviço da salvação das almas, já que os corpos parecem estar perdidos... Mas se com o engenheir seremos esmagados, com o auto-intitulado Obama de Massamá estamos condenados a sermos lentamente torturados em lume nada brando... No fundo ele não passa de um obediente Baldrick às ordens de Black Adder.
Então qual é a nossa hipótese de sobrevivência? Numa investigação de carácter pseudo-científico que desenvolvi, concluí que só há duas, os chamados 2 g's, coeficiente que determina o limite de tolerância máxima que o corpo de um povo pode suportar; o primeiro g é o método Gandhi, organizarmo-nos para resistir, resistir, resistir, e o segundo é o método Gagarin...
Gagarin? Eu explico. Amanhã é uma data assinalável por outro motivo: foi no dia 12 de Abril de 1961 que o primeiro homem saiu para o espaço; cumprem-se amanhã 50 anos sobre esse feito fantástico. Portanto, cá está uma dica: fujam, carago! Fujam, se possível para bem longe, fujam como puderem! Quem não conseguir entrar em órbita que encha os hospitais com doenças e os hospícios com desarranjos psiquiátricos que impeçam de andar em contacto com a realidade. Gostava de ver qual seria o próximo passo dos nossos "donos" se toda a população enlouquecesse subitamente... Matavam-nos?
O representante do governo vencido, o engenheir (não falta qualquer coisa?) José Sócrates, considerava-se um bom aluno europeu e julgava que o seu carisma o levaria longe. Quando percebeu que os seus professores sabem que além do "o" lhe falta também pedigree e que como todos os outros dirigentes internacionais era uma figura dispensável no contexto do poder ocidental, começou a procurar alternativas económicas através do Brasil e da China, tornando-se igualmente amigo de alguns desperados da cena internacional como Chavez ou Kadafhi! Depois de ter vivido anos numa ilusão narcisista, resolveu recentemente armar-se em patriota e bater teimosamente o pé à agenda internacional do poder económico. Agora parte para novas eleições com o habitual brilhantismo oratório com que costuma destroçar adversários, juntando-lhe a recém adquirida convicção de saber o que é menos mau para o país.
No mundo "marginal", Saddam Hussein, Kadafhi e dezenas de outros exemplos também julgavam que a sua secreta amizade com os poderosos da finança mundial os livrariam pessoalmente de danos de maior mas esquecem-se sempre que qualquer pessoa é dispensável: não interessam os meios, o que contam são os fins. Até podem sabê-lo de antemão mas como todos os dirigentes políticos traídos por "algo" mais poderoso, só no momento em que são traídos é que sentem na carne a desfeita e todos reagem com desorientação misturada com teimosia; qualquer tipo de reacção está prevista pelos traidores e o próximo passo já está delineado desde a partida. Entretanto, a situação fugiu ao controle do traído porque não se apercebeu que a opinião pública foi sendo "envenenada", os amigos esconderam-se, os inimigos aparecem com novas armas... Depois de acordarem da ilusão, sabem realmente o que está em causa, ficaram a conhecer as pessoas, mas... é tarde demais.
No mundo não ocidental os dirigentes geralmente resistem virando-se contra a própria população; nas democracias ocidentais, se se demitem a bem, ficam com uma vida privada melhor: mais rendimentos, cargos honoríficos... Se tiverem a sorte de serem "escolhidos" até lhes dão cargos mais poderosos do que os anteriores que detinham, como por exemplo Guterres, Barroso, Constâncio que vão continuando a servir ainda melhor os seus chefes... Em ambos os casos, civilizado ocidental ou reles ditador do terceiro mundo, as reacções são simplesmente manifestações de sobrevivência individual, nada mais que isso; podemos julgá-las com diferentes padrões morais, obter diferentes consequências mas cada um faz o que acha ser melhor para si, para sobreviver.
O engenheir Sócrates parece decidido em continuar a teimar até se tornar um mártir da causa nacional mas como eu vivo no futuro, aconselho-o a procurar uma via espiritual se não quer ser ridicularizado ou levar o país ao esmagamento; talvez os seus novos dotes de paladino fossem melhor empregues ao serviço da salvação das almas, já que os corpos parecem estar perdidos... Mas se com o engenheir seremos esmagados, com o auto-intitulado Obama de Massamá estamos condenados a sermos lentamente torturados em lume nada brando... No fundo ele não passa de um obediente Baldrick às ordens de Black Adder.
Então qual é a nossa hipótese de sobrevivência? Numa investigação de carácter pseudo-científico que desenvolvi, concluí que só há duas, os chamados 2 g's, coeficiente que determina o limite de tolerância máxima que o corpo de um povo pode suportar; o primeiro g é o método Gandhi, organizarmo-nos para resistir, resistir, resistir, e o segundo é o método Gagarin...
Gagarin? Eu explico. Amanhã é uma data assinalável por outro motivo: foi no dia 12 de Abril de 1961 que o primeiro homem saiu para o espaço; cumprem-se amanhã 50 anos sobre esse feito fantástico. Portanto, cá está uma dica: fujam, carago! Fujam, se possível para bem longe, fujam como puderem! Quem não conseguir entrar em órbita que encha os hospitais com doenças e os hospícios com desarranjos psiquiátricos que impeçam de andar em contacto com a realidade. Gostava de ver qual seria o próximo passo dos nossos "donos" se toda a população enlouquecesse subitamente... Matavam-nos?
4.4.11
O CRIADOR, A OBRA E A FAMA
Ainda hoje persiste no imaginário colectivo a ideia romântica de um artista envolto em fumo, mergulhado em álcool ou drogas, deambulando pela noite, abraçado a musas reais ou imaginárias e com pactos com deuses ou diabos… O grande público julga que é assim que se cria e muitas vezes essa imagem acaba por se sobrepor ao próprio trabalho. Dois dos maiores mitos acerca do trabalho criativo de um artista prendem-se com os seguintes aspectos: 1- a dependência de substâncias, algo ou alguém que levam à inspiração, e 2- a necessidade de experimentar previamente o que descreve na sua criação.
Poucos conhecem devidamente a obra de Fernando Pessoa mas toda a gente sabe que ele "gostava de beber uns copos"; o foco neste aspecto da personalidade do criador parece ser mais excitante do que o trabalho em si, descrito pelos eruditos como fantástico mas muito longe da realidade da massa inculta ou desinteressada. Assim, um simples traço de comportamento aproxima mais o "génio" ao comum mortal; o "deus" tem um defeito que todos nós podemos ter e acaba precisamente por ser essa a razão que o torna "popular", é um de nós "mas em bom". Esse caminho tem provado ser o mais duradouro no tempo em termos de fama, basta constatar o sucesso das histórias dos míticos heróis helénicos ou de Cristo, por exemplo.
Bach, Mozart e Beethoven não seriam seguramente modelos de carácter, eram imperfeitos como qualquer um de nós mas a obra não reflecte necessariamente os fait-divers pessoais pelos quais os criadores são conhecidos. Não precisaram de viver todas as emoções que as suas obras nos provocam, simplesmente precisaram de ter conhecimento delas e souberam criá-las com técnica musical. A música transporta consigo inspiração que por vezes consideramos divina mas os criadores não são deuses; quanto muito foram antenas ou canais de transmissão dessa inspiração. Portanto, estes três exemplos tinham um talento fora do comum, estudaram e trabalharam. Quem tem esse tal talento sabe que a criação é um processo solitário, implica liberdade individual e silêncio; só quem não os tem é que julga que precisa de ver e ouvir tudo o que existe, provavelmente para encontrar o seu espaço, ser reconhecido como parte deste ou daquele movimento ou para sugar qualquer coisa a obras que já tinham nascido elas próprias de reciclagens anteriores.
Na área do show-business a definição de artista passou a englobar criadores, reprodutores de formas de arte, entertainers, cozinheiros, bailarinas de strip-tease, fabricantes de produtos, etc, etc e a promiscuidade entre a personalidade do novo "artista" e o que ele produz é a norma. A proliferação de gente vulgar leva a que a popularidade destas pessoas esteja inevitavelmente ligada à exibição de alguma faceta mais excêntrica do seu aspecto ou do seu carácter; podemos julgar que isso é mais comum nos nossos dias mas na verdade, sempre foi assim. Não temos consciência disso porque não há nenhum contemporâneo das famosas excentricidades das vedetas do show-biz do século XIX, as das vedetas dos anos 60 morrerão com quem as viveu na sua juventude, as da Lady Gaga serão esquecidas assim que surgir outra diva; tirando isso, o trabalho que ficou sobreviverá ao autor?…
Por outro lado, se hoje perguntarmos a alguém quem é, quase toda a gente tende a dizer o que faz; é a profissão que define a pessoa? Não deveria ser a profissão apenas uma extensão do que ela própria é? Hoje, no modelo de sociedade industrializado, o reconhecimento da individualidade e do nosso lugar na hierarquia está intimamente relacionado com a actividade que produzimos; logo, se não formos reconhecidos pela actividade não somos ninguém… Por isso toda a gente procura algum tipo de notoriedade mediática, acompanhar a moda em permanência, para se sentir alguém em vida e tenho a certeza que essa pessoa morrerá mais feliz se o conseguir plenamente; certo, mas o que deixou de si para inspirar gerações vindouras?
Sem uma obra, o espírito do tempo condenará ao esquecimento estas pessoas; para os artistas com obra uns serão lembrados como caricaturas e outros como retratos duma determinada época; muito poucos transcenderão o seu tempo, acabando por se tornar clássicos e como tal, modelos de intemporalidade a seguir. "Os clássicos são livros que, quanto mais pensamos conhecer por ouvir dizer, quando são lidos de facto mais se revelam novos, inesperados, inéditos" - Italo Calvino.
E já agora Fernando Pessoa dizia que "a fama é para as actrizes e para os produtos farmacêuticos". Pois é: tirando a Aspirina e a Coca-Cola, assim de repente não me lembro de nenhum produto que tenha passado tantas gerações; actrizes, lembro-me de várias cuja lembrança morrerá comigo; só não morrerão se tiverem participado num filme de um daqueles realizadores que transcendem a época. A obra de Fernando Pessoa viverá eterna; e além disso, com ela, o homem que a criou.
Poucos conhecem devidamente a obra de Fernando Pessoa mas toda a gente sabe que ele "gostava de beber uns copos"; o foco neste aspecto da personalidade do criador parece ser mais excitante do que o trabalho em si, descrito pelos eruditos como fantástico mas muito longe da realidade da massa inculta ou desinteressada. Assim, um simples traço de comportamento aproxima mais o "génio" ao comum mortal; o "deus" tem um defeito que todos nós podemos ter e acaba precisamente por ser essa a razão que o torna "popular", é um de nós "mas em bom". Esse caminho tem provado ser o mais duradouro no tempo em termos de fama, basta constatar o sucesso das histórias dos míticos heróis helénicos ou de Cristo, por exemplo.
Bach, Mozart e Beethoven não seriam seguramente modelos de carácter, eram imperfeitos como qualquer um de nós mas a obra não reflecte necessariamente os fait-divers pessoais pelos quais os criadores são conhecidos. Não precisaram de viver todas as emoções que as suas obras nos provocam, simplesmente precisaram de ter conhecimento delas e souberam criá-las com técnica musical. A música transporta consigo inspiração que por vezes consideramos divina mas os criadores não são deuses; quanto muito foram antenas ou canais de transmissão dessa inspiração. Portanto, estes três exemplos tinham um talento fora do comum, estudaram e trabalharam. Quem tem esse tal talento sabe que a criação é um processo solitário, implica liberdade individual e silêncio; só quem não os tem é que julga que precisa de ver e ouvir tudo o que existe, provavelmente para encontrar o seu espaço, ser reconhecido como parte deste ou daquele movimento ou para sugar qualquer coisa a obras que já tinham nascido elas próprias de reciclagens anteriores.
Na área do show-business a definição de artista passou a englobar criadores, reprodutores de formas de arte, entertainers, cozinheiros, bailarinas de strip-tease, fabricantes de produtos, etc, etc e a promiscuidade entre a personalidade do novo "artista" e o que ele produz é a norma. A proliferação de gente vulgar leva a que a popularidade destas pessoas esteja inevitavelmente ligada à exibição de alguma faceta mais excêntrica do seu aspecto ou do seu carácter; podemos julgar que isso é mais comum nos nossos dias mas na verdade, sempre foi assim. Não temos consciência disso porque não há nenhum contemporâneo das famosas excentricidades das vedetas do show-biz do século XIX, as das vedetas dos anos 60 morrerão com quem as viveu na sua juventude, as da Lady Gaga serão esquecidas assim que surgir outra diva; tirando isso, o trabalho que ficou sobreviverá ao autor?…
Por outro lado, se hoje perguntarmos a alguém quem é, quase toda a gente tende a dizer o que faz; é a profissão que define a pessoa? Não deveria ser a profissão apenas uma extensão do que ela própria é? Hoje, no modelo de sociedade industrializado, o reconhecimento da individualidade e do nosso lugar na hierarquia está intimamente relacionado com a actividade que produzimos; logo, se não formos reconhecidos pela actividade não somos ninguém… Por isso toda a gente procura algum tipo de notoriedade mediática, acompanhar a moda em permanência, para se sentir alguém em vida e tenho a certeza que essa pessoa morrerá mais feliz se o conseguir plenamente; certo, mas o que deixou de si para inspirar gerações vindouras?
Sem uma obra, o espírito do tempo condenará ao esquecimento estas pessoas; para os artistas com obra uns serão lembrados como caricaturas e outros como retratos duma determinada época; muito poucos transcenderão o seu tempo, acabando por se tornar clássicos e como tal, modelos de intemporalidade a seguir. "Os clássicos são livros que, quanto mais pensamos conhecer por ouvir dizer, quando são lidos de facto mais se revelam novos, inesperados, inéditos" - Italo Calvino.
E já agora Fernando Pessoa dizia que "a fama é para as actrizes e para os produtos farmacêuticos". Pois é: tirando a Aspirina e a Coca-Cola, assim de repente não me lembro de nenhum produto que tenha passado tantas gerações; actrizes, lembro-me de várias cuja lembrança morrerá comigo; só não morrerão se tiverem participado num filme de um daqueles realizadores que transcendem a época. A obra de Fernando Pessoa viverá eterna; e além disso, com ela, o homem que a criou.
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