Um dos grandes marcos rituais da minha vida, foi a passagem para a adolescência que coincidiu exactamente com o 25 de Abril de 1974. Era uma época de grande abertura de costumes e ainda me lembro, por exemplo, que nenhuma revista de anedotas era engraçada mas tinham muitas mulheres nuas; hoje as revistas são uma anedota, todas têm mulheres nuas mas sem graça nenhuma... Dantes eram pin-ups com pentelheeeeeiras, agora são gajas com tatuaaaaagens; dantes havia fotos muito manhoooooosas, agora têm photo-shop! Se os adolescentes queriam ver algo com sexo podiam escolher entre as revistas Tânia e Gina; hoje, qualquer criança que vá ao Google tropeça em sexo. Dantes usava-se bigodinho na cara dos homens, agora usa-se bigodinho na pachacha das mulheres. O gel usava-se no cabelo, agora é nas unhas. Dantes o plástico ia substituindo o vidro, agora substitui as mamas.
Neste exacto momento vivo no ano 2044. Através de uma das onze dimensões existentes consigo fazer passar estes textos que escrevo no meu presente sobre o passado de há 25 anos, ou seja o seu presente, caro leitor. Para mim são crónicas escritas no presente sobre o passado, para si são crónicas sobre o presente escritas no futuro.
8.7.10
DANTES E AGORA
Como vivo em 2035 e quero evitar confusões mentais com os meus leitores que vivem em 2010, esclareço que o termo "dantes" que doravante usarei neste post se refere aos anos 70/80 do séc. XX e que o termo "agora" se refere precisamente a 2010.
Um dos grandes marcos rituais da minha vida, foi a passagem para a adolescência que coincidiu exactamente com o 25 de Abril de 1974. Era uma época de grande abertura de costumes e ainda me lembro, por exemplo, que nenhuma revista de anedotas era engraçada mas tinham muitas mulheres nuas; hoje as revistas são uma anedota, todas têm mulheres nuas mas sem graça nenhuma... Dantes eram pin-ups com pentelheeeeeiras, agora são gajas com tatuaaaaagens; dantes havia fotos muito manhoooooosas, agora têm photo-shop! Se os adolescentes queriam ver algo com sexo podiam escolher entre as revistas Tânia e Gina; hoje, qualquer criança que vá ao Google tropeça em sexo. Dantes usava-se bigodinho na cara dos homens, agora usa-se bigodinho na pachacha das mulheres. O gel usava-se no cabelo, agora é nas unhas. Dantes o plástico ia substituindo o vidro, agora substitui as mamas.
Dantes atirávamos comida para o lixo, agora há quem vá buscar comida ao lixo. Dantes só se bebia água da torneira, agora a água da torneira compra-se em garrafas. Dantes só nos despíamos perante um médico, agora até para entrar num avião nos despimos. Dantes fazíamos exames porque estávamos doentes, agora fazemos exames para provar que somos saudáveis. Dantes a televisão era um luxo, agora a televisão é um lixo. Dantes o futebol português era mau e não ganhava nada, agora é bom e não ganha nada. Dantes adoravam-se deuses, agora adora-se tudo. Dantes havia casamentos para encobrir a homossexualidade, agora há casamentos para expor a homossexualidade.
Dantes o natal era a 25 de Dezembro, agora são dois meses! Dantes apanhava-se mais depressa um mentiroso que um coxo, agora os mentirosos governam-nos, deixam-nos coxos e ninguém os apanha. Dantes trabalhávamos para gozar a reforma, agora é a reforma que goza connosco. Dantes as férias eram um mês num ano de trabalho, agora, com sorte, o trabalho é um mês num ano de férias. Dantes ganhava-se muito dinheiro com negócios da China, agora os chineses ficam com o negócio todo. Dantes, com o Salazar, vivíamos orgulhosamente sós, agora com a União Europeia vivemos envergonhadamente acompanhados pela Grécia. Dantes toda a gente se preocupava com o importante, agora toda a gente se preocupa com o supérfluo. Dantes, "cultura" era mais lavrar a terra que a identidade própria de um povo; agora nem uma coisa nem outra...
Um dos grandes marcos rituais da minha vida, foi a passagem para a adolescência que coincidiu exactamente com o 25 de Abril de 1974. Era uma época de grande abertura de costumes e ainda me lembro, por exemplo, que nenhuma revista de anedotas era engraçada mas tinham muitas mulheres nuas; hoje as revistas são uma anedota, todas têm mulheres nuas mas sem graça nenhuma... Dantes eram pin-ups com pentelheeeeeiras, agora são gajas com tatuaaaaagens; dantes havia fotos muito manhoooooosas, agora têm photo-shop! Se os adolescentes queriam ver algo com sexo podiam escolher entre as revistas Tânia e Gina; hoje, qualquer criança que vá ao Google tropeça em sexo. Dantes usava-se bigodinho na cara dos homens, agora usa-se bigodinho na pachacha das mulheres. O gel usava-se no cabelo, agora é nas unhas. Dantes o plástico ia substituindo o vidro, agora substitui as mamas.
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2 comentários:
Brilhante!!!
E reforço a ideia mais importante deste texto lançando aqui a pergunta: PARA QUANDO O REGRESSO DA BOA E FARTA PINTELHEIRA??
Bigodinhos à Hitler, já não há pachorra!
Acabou-se com o Terceiro Reich, agora a pintelheira a acabar no Rego é que era de louvar!
Muito legal!!!
Adoro a sua escrita.
Beijos do Brasil, nem aqui somos como antes :)
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