| Melhor que explicar-vos exaustivamente o percurso de algumas figuras conhecidas da vossa época é contar-vos uma das coisas que estou a fazer neste momento. Recentemente fui convidado para escrever o guião de um talk-show e a seguir transcrevo algumas das perguntas que foram feitas aos dois convidados do primeiro programa. NUNO GOMES – Capitão da equipa de futebol do Benfica - Qual é a sensação de ter 58 anos, ainda jogar e ter comemorado este ano as bodas de prata como capitão do Benfica? - O que pensas da substiuição de Mourinho à frente da selecção pelo treinador Cristiano Ronaldo que viste crescer ao teu lado? - O teu neto, o Sandro Gomes, joga na mesma posição que tu. Não achas que seria mais educado oferecer-te a ti o lugar que ocupa no banco dos suplentes? - Os teus colegas do lar de terceira idade costumam assistir aos teus jogos ou nem têm licença para sair? - Não te sentes um pouco deslocado quando nos momentos de lazer nos estágios os teus colegas jogam Hyper-Playsation e tu vais à pesca? - Há 25 anos atrás eras acusado de ser um jogador lento e agarrado ao lugar. Como é que lidas com as críticas, agora que mal te mexes? - Tinhas fama de ser um sex-symbol que comia tudo. Como é hoje em dia? Continuas a papar tudo ou já só papas as papas? - Quem é, para ti, melhor dirigente desportivo dos dois clubes rivais: Futre ou Pinto da Costa apesar dos seus 94 anos? Obrigado Nuno e que continues por muitos e bons anos a jogar para regalo de todos os adeptos do futebol ANA BOLA – Actriz e escritora detentora do prémio Nobel da Literatura 2023 - Em primeiro lugar os meus mais sinceros parabéns. Alguma vez pensaste ser distinguida com este prémio, ainda por cima com a forte concorrência da obra poética de Saddam Hussein? - Mas não achas que o Nobel da Literatura ficou assim um pouco abalado quando há 9 anos atrás o Pipi o ganhou? - Sim, um Nobel é sempre um Nobel. Depois de Saramago, Pipi e Bola pensas que há outros valores na língua portuguesa com possibilidades de algum dia chegar onde tu chegaste? - Qual é a tua opinião sobre a nova corrente literária chamada “Abaixo de Lixo” com títulos publicados como (vai mostrando os livros) Ya, Então é assim:, Geração GuGu DaDa, Dassss entalei-me (não há livro para mostrar, porque o apresentador entalou-se a sério) e Aguenta a Cena ? (põe o último livro debaixo da caneca que está em cima da secretária) Este último também se vende no Aki. - Eu sei que toda a gente te faz sempre perguntas sobre a tua auto-biografia Bola por Bola – do óvulo à bisavó e refere-o como o mais emblemático da tua carreira. Mas, para ti, qual foi o que te deu mais gozo escrever? - Já lá vão mais de 20 anos desde que lançaste o teu primeiro Absolutamente tias, não é verdade? Planeias lançar mais algum brevemente? - Porque é que achas que ainda não ganhaste nenhum Óscar apesar dos teus brilhantes desempenhos na sétima arte? Será por causa do tão propalado preconceito em relação aos actores-escritores? Muito obrigado, muitos parabéns pela tua carreira e continua a trabalhar para os Ócares ou então para o teu 2º Nobel. |
Neste exacto momento vivo no ano 2044. Através de uma das onze dimensões existentes consigo fazer passar estes textos que escrevo no meu presente sobre o passado de há 25 anos, ou seja o seu presente, caro leitor. Para mim são crónicas escritas no presente sobre o passado, para si são crónicas sobre o presente escritas no futuro.
27.1.05
Quem diria?
Com que então é infalível, hein?
| “…de repente o fonógrafo começa a redizer, sem descontinuação, interminavelmente, com uma sonoridade cada vez mais rotunda, a sentença do conselheiro: -Quem não admirará os progressos deste século?” Eça de Queiroz in Civilização
Todos nós em algum momento da vida já nos debatemos com a questão de transpor informação de um sistema anacrónico, para um suporte mais evoluído; das fitas de gravação para as cassetes, das cassetes para os cd’s, do super 8 para o vídeo, do vídeo para DVD, etc. Recentemente, popularizou-se um sistema holográfico que permite armazenar praticamente toda a informação num simples cartão que cabe dentro duma carteira. Uma vez introduzido num aparelho próprio esse cartão reproduz tridimensionalmente toda a informação acumulada. Qualquer tirada aparentemente genial inventada no momento assim como um simples arroto que provocou um riso indescritível poderão ficar registados para a eternidade, deixando uma marca distinta e indelével da existência de um vulgar ser humano. Ainda me lembro que quando apareceu a tecnologia digital nos anos 80, nos foi impingida a ideia de que ao contrário dos discos de vinil, o CD era puro e indestrutível. Claro que bastou pouco tempo de utilização para esse mito cair por terra. Também não deviam pensar que as pessoas eram tão estúpidas para engolir assim essa teoria. Então se toda a gente sabe que os lasers na ficção científica servem para matar ou explodir naves imaginem o que fará a um CD. Sim, porque a “leitura” dos CD’s fazia-se através do bombardeamento de raios laser no plástico. Quem já não terá passado pela experiência de ouvir uns inadvertidos scratches ao mais puro estilo rap em cima duma Avé Maria barroca ou de vêr a princesa Fiona parar subitamente e desfazer-se em quadradinhos assim que ia dar um beijo ao Shreck? Se tendermos a confiar na tecnologia também temos mais tendência a enraivecer-nos com as suas falhas e por isso um dia em ameno passeio na praia à beira das ondas um amigo meu, certamente devoto seguidor de Schopenhauer me confessava: “É Fantástico! Porque será que a merda das garrafas de plástico não se conseguem destruir nem por nada e o cabrão do CD com tanta informação que me fazia falta está todo riscado?” Um dos casos mais divertidos sucedeu no fim dos anos 90 quando a Rádio Energia foi encerrada mas mantiveram a frequência aberta com a passagem de música feita através de uma máquina pré-programada de CD’s. Durante um fim-de-semana inteiro deliciei-me a ouvir dias seguidos o tema “Mr. Bombastic” que ininterruptamente não parava de tocar: riscava a meio e saltava para o princípio. Estabeleci logo uma rotina curta mas agradável enquanto durou: durante o dia ligava para amigos meus ou recebia chamadas em que ninguém falava do outro lado, simplesmente deleitavamo-nos a ouvir “Fan… Fan… Fantastic” e à noite antes de me deitar a dormir voltava a ligar o rádio, só para confirmar. Ao outro dia de manhã a primeira coisa que fazia era correr impaciente para o aparelho e durante vários dias sosseguei confortado porque lá estava ele, o inabalável “Fantastic, Mr. Bombastic” a dominar a frequência! Segundo me contaram o estúdio foi fechado à chave e a pessoa que a tinha foi para fora uns tempos, sem ser possível contactá-la, quem sabe se a fugir da civilização… Perguntam vocês que confiança é que eu tenho na nova tecnologia dos hologramas? Só vos digo que ainda hei-de assistir à notícia em que uma criança entornou um copo de leite em cima dum holograma, a família foi sugada para a sétima dimensão e o prédio onde viviam incendiou-se todo. É que são sempre os putos que descobrem com simplicidade as falhas dos “inteligentes” e nós, os burros é que pagamos. Ainda se lembram dos sistemas operativos Windows, por exemplo? |
19.1.05
OS PAÍSES GRANDES DA EUROPA OCIDENTAL
É sabido que os maiores países do mundo materializam simbolicamente o seu poder em monumentos fálicos. Vamos começar com os franceses que vivem no centro da Europa. Há vários séculos atrás era o mesmo que dizer arrogantemente, no centro do universo; portanto só poderiam ser chauvinistas e andar sempre a cantar de galo. Como são os maiores fanfarrões em relação ao sexo não se podiam achar melhor retratados do que com a sua torre Eiffel: “- oh la la, comme elle est belle; é de áçô, êlêgante e está na modá. A realidade sexual dos franceses seria melhor traduzida através da “Linha Maginot”, uma espécie de cinto de castidade que não resistiu às investidas dos Panzers alemães, que entraram por ali dentro como se fosse manteiga; de facto, deviam era ter vergonha, deixarem-se de grandezas e mudar a designação de "Linha Maginot" para "Linha Imaginária" que é onde eles ainda vivem. Os romanos tiveram o mundo ocidental nas mãos durante séculos mas foram ridicularizados por bárbaros desorganizados e incultos; isto é dramático! Actualmente vivem numa bota e o nome do país começa por um “I”, e hi, hi, hi é o som do riso de escárnio; eles próprios já aceitaram esse papel e são os palhaços da Europa. De Berlusconnis a Cicciolinas, o seu símbolo deixou de ser o Coliseu em ruínas e passou a ser a torre de Pisa (em português, Piça): “- Vejam como a nossa é bella, buffa, tão brincalhona e até faz habilidades; entorta, entorta, entorta… (rufo de tambor) Ta-tchan, mas não cai! Os alemães conseguem o feito de serem odiados por quase toda a gente; ninguém gosta da sua língua nem dos seus ares de superioridade. Quando tentam demonstrar a sua real capacidade tecnológica através dum conflito, todos os outros se reúnem para os derrotar e já começam a ficar fartos de perder guerras. Só mesmo os jokers dos italianos é que se aliaram a eles; em resumo: ninguém gosta de fazer figura de parvo ao ponto de se mostrar amigo dum alemão. O máximo que conseguiram como símbolo é a porta de Bradenburgo que não é propriamente fálica, mas vaginal e, ainda por cima, sempre escancarada ao inimigo. Parece que está a dizer: “- willkomen, willkomen, pode entrar se quiser”. Daí a expressão “foi assim que a Alemanha perdeu a guerra”. Os castelhanos dominaram mais de um continente, e a imagem que temos deles é uma fiesta bárbara em que se torturam e matam animais. São muito estúpidos e 20 séculos depois dos romanos continuam a construir coliseus para gáudio da populaça. Uma praça de touros é o monumento que melhor simboliza o avanço cultural deste povo. Se lhes derem rédea solta têm uma forte tendência para espezinhar as culturas dos outros, não esquecendo as de dentro da sua própria casa… Há séculos que têm várias pain in the ass com os ingleses, uma das quais ainda lhes está lá enfiada em forma de rochedo. Os ingleses são cinzentos como o nevoeiro e tão chatos que o seu símbolo fálico, o “Big Ben”, tem um relógio na ponta: “-I’m sorry dear mas agora não; são cinco em ponto, hora do chá!”. Dlim-Dlão: “- Oops, eight o’clock, temos de terminar.” Como foram educados para ser escravos do tempo, tendem a rebelar-se e a ser calões e por isso é que os pubs fecham à hora de almoço, senão não iam trabalhar de tarde. O “rei da selva” pode ser o símbolo dos seus dirigentes, mas o do povo é mais o “cão de Pavlov” já que são obrigados a funcionar a toque de sinete para tudo, até para parar de beber cerveja. Vivem numa ilha e isso faz com que se sintam reunidos à volta de valores familiares e que brinquem muito com eles próprios, salvo seja. Só eles é que acham que o Ben é Big e como se sentem incompreendidos fazem amizade com gente estranha de outras ilhas, como por exemplo os portugueses. Os portugueses têm com os ingleses o tratado de amizade mais antigo do mundo, podem-se considerar uma ilha e aparecem aqui neste capítulo dos grandes, por uma razão: o seu símbolo fálico, a torre de Belém, pode ser pequenino mas é ladino. Tudo começou com a escola de D.Henrique (filho de uma inglesa) na famosa ponta de Sagres; com este impulso os portugueses espalharam-se pelo mundo, quais espermatozóides, fecundaram algumas terras, foderam outras, inventaram novas raças e deixaram de esperanças um país que tem um formato de grávida. Continuamos à espera de vêr quando é que o Brasil dá à luz o V Império…
OS PAÍSES PEQUENOS DA EUROPA OCIDENTAL
Um indivíduo tem características próprias; vários indivíduos vivendo ao mesmo tempo, sob as mesmas condições atmosféricas no mesmo espaço linguístico-geográfico, criam a chamada identidade nacional. Os símbolos dos países pequenos também o são, sem todavia deixar de ser muito significativos. A Bélgica tem uma criança a “urinar” água da pilinha; quem é que não fica logo cheio de sede, uhn, uhn? E quem não ouviu falar do Tin-Tin esse rapaz do qual nunca se vislumbrou uma namorada e cuja relação mais íntima que se conhece é com um cão que não sabemos se é cadela? Por falar em cadela, a outra relação íntima deste rapaz é com um velho bêbado… A Dinamarca já usou cornos na cabeça e vandalizou tudo à sua passagem. Agora é uma sereiazinha em cima duma rocha: “- Olhem para nós tão pequeninos e delicados em cima do rochedo alemão!”. A Suíça… enfim, tem a mania que é diferente, nunca se junta com os outros mas é tão quadrada como a sua bandeira. Sim, a bandeira desse aglomerado de cantões não é rectangular. Esta particularidade revela a imaginação presente no símbolo da cruz vermelha inventada na Suíça: é a mesma cruz que está na bandeira só que… com as cores ao contrário; voilá! Não saímos disto… Os Holandeses só se interessam pelo negócio e ponto final. Os moínhos e as vacas a pastar são o mais emblemático cinismo destes comerciantes: liberdade (o vento) para explorar o sexo (a vaca) e a droga (a pastar erva). Ganham milhões a exportar pornografia e ecstasy, uma droga que não suja as mãozinhas, e vendem-nas como se fossem rebuçados ou cromos do rato Mickey aos putos do mundo inteiro. O símbolo do Luxemburgo são os emigrantes portugueses. Este país só é mencionado porque foram para lá viver estas pessoas. A sua bandeira tem um truque que serve para enganar os participantes dos concursos de trívia: é praticamente igual à da Holanda e já chega de conversa! Os irlandeses, ai os irlandeses, tão giros, tão genuínos, tão autênticos, tão “guinesses”… Aquilo que não gostam dizem logo, nem que seja à bomba. O seu símbolo é uma harpa e é realmente através da música e dos sons que os podemos definir: as melodias tribais cantadas por bandos de bêbados nos pubs, o som das mesas a partir, dos vidros e copos a quebrar, das canas do nariz a rachar, da voz das suas esposas a cantar no coro da igreja, e a gritar em casa com o ensaio de porrada que levam deles. Mas não se pense que algo vai mudar: no fundo tudo está bem neste verde país. A Áustria gosta de pensar que é uma espécie de Alemanha elegante mas há mais de um século que só produz aberrações: o seu "império" despoletou a 1ª guerra mundial, deram à luz o génio que começou a segunda e a partir daí só nos lembramos de cientistas loucos e enfermeiras assassinas. Os países escandinavos têm fama de que é tudo à brava em relação ao sexo mas isso é um mito: todos preferem suar num sauna a suar numa cama. Os finlandeses são absolutamente frios como o vodka que produzem, sem cor e quase sem cheiro. Também o devem beber em grandes quantidades: só assim se explica o arrastamento e repetição de letras seguidas na sua língua entaramelada. De falta de cheiro não se podem queixar os noruegueses; estes ainda são os que estão mais próximos do mito: está sempre presente no nosso imaginário o “cheirinho” a peixe e principalmente a bacalhau pescado sabe-se lá quando. Os suecos, que são os que têm tudo controlado, vivem obcecados com normas de prevenção e segurança contra todos os riscos, gozam o sexo como? Alguém me explica? Esqueci-me dos gregos mas o melhor é nem falar disso porque há muitos séculos que não têm nada em pé…
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