Neste exacto momento vivo no ano 2044. Através de uma das onze dimensões existentes consigo fazer passar estes textos que escrevo no meu presente sobre o passado de há 25 anos, ou seja o seu presente, caro leitor. Para mim são crónicas escritas no presente sobre o passado, para si são crónicas sobre o presente escritas no futuro.
9.12.04
O Verdadeiro e Triste Futuro
Infelizmente este texto não é nada bom e se não querem ler coisas tristes passem ao seguinte. Continuaram os ataques terroristas por todo o lado, as pirâmides do Egipto têm escapado mas já estão na agenda do terror há muito tempo; foram referenciadas por alguns líderes como um ícone pagão cuja destruição causaria mais dor no ocidente. Por falar em dor, o Muro das Lamentações foi todo graffitado por um palestiniano tresloucado; parece que viver sob constante iminência de guerra causa um "bocadinho" de stress e agora os judeus têm mais um motivo para irem chorar para o Muro. O Taj Mahal foi atacado por uma pulverização de ácido, atirada de um avião de carga desviado por paquistaneses; passou a ser um monte de espuma mineral fervilhante. Porém, o pior estava para vir e os ataques mais surpreendentes e devastadores foram os económicos e informáticos. Em 2008 vários estados e instituições entraram em colapso por causa das movimentações de fundo dos falcões da economia mundial, revelando a nossa fragilidade e a total dependência duma confiança baseada em... nada. Em 2019 os sistemas informáticos colapsaram por sabotagens vindas de todo o lado; durante muito tempo voltámos ao século onde vivem os muçulmanos. Quem tinha hortas com couves galegas e capoeiras com criação foi quem mais se safou, provando a secreta sabedoria do povo português; os ricos arrancaram a relva e começaram a ver-se campos de golf com plantações de alfaces e batatas. Caíram satélites, a economia ocidental faliu, as Testemunhas de Jeová não se cansaram de repisar “-nós bem avisámos”, as igrejas encheram-se, anunciou-se a última vinda do Salvador e o Nuno Rogeiro passou a convidado fixo no único programa de rádio existente (em onda curta). Noventa e cinco por cento da população activa, ou seja economistas, gestores, advogados, comerciantes, funcionários públicos e "artistas" caiu no desemprego. O único sítio da Europa onde houve um silencioso júbilo foi em Portugal: os ficheiros dos bancos, segurança social e ministério das finanças foram todos apagados resolvendo de vez as dívidas dos cidadãos (isso: vão sonhando… Não sei qual é a piada até porque o estado somos todos nós ih, ih, ih). A água tornou-se no bem mais precioso do planeta e a Espanha nacionalizou as nascentes do Douro, Tejo e Guadiana. Com o descalabro económico, várias forças antes desequilibradas passaram a equiparar-se e por isso estalou a terceira guerra mundial. Facções radicais islâmicas implodiram na Europa que se desfez em estilhaços e até o Papa fugiu a sete pés das sete colinas. Os Estados Unidos, para variar, meteram o bedelho, os russos também, os indianos andaram entre a guerra civil e fronteiriça, tudo ao mesmo tempo; a única potência que manteve um neutral cinismo foi a China que assim emergiu da guerra como a maior do mundo. Mais uma vez, à custa dum conflito, as economias tiveram um sopro de vida e saíram do marasmo. Deu-se um êxodo maciço para os países a sul do equador e uma das poucas coisas divertidas dessa época foi ver os arrogantes europeus a lutar desesperadamente por um passaporte de países do terceiro mundo, invocando contactos, familiares, férias no passado, etc.. Muitos pensavam coisas do género: “- Talvez aquele empregado do hotel se lembre que lhe deixei uma gorjeta… Bolas! Porque é que eu não fui mais simpático ou não lhe dei qualquer coisa?” Pois é "civilizados": a vida é lixada e dá muitas voltas, hein? Cuidado... Uma grande parte dos portugueses zarpou para as ex-colónias, nomeadamente Angola e Moçambique ou seguindo a rota de D. João VI, para o Brasil; pagava para ter visto o que é que os dentistas portugueses disseram que faziam em Portugal quando lá chegaram: "- nome? José Santos; a minha profissão? Ehhh, trabalho com... berbequins". Felizmente a guerra acabou e se por um lado houve uma evolução no sentido da globalização, por outro desenvolveu-se um sentido de individualidade e mesquinhez às vezes levado ao ridículo: há três anos restaurou-se a antiga divisão nacional por províncias e dois meses depois a Beira-Alta cortou relações diplomáticas com a Beira-Baixa por causa de uma placa com o nome duma localidade estar um metro para lá da fronteira…
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