9.12.04

Estranhas Coincidências parte 1

Demonstrando um grande conhecimento do modus operandi da mentalidade portuguesa que faz com que em 6 cabines de pagamento de portagem, 5 estejam vazias e 1 com uma fila enorme, um estranho grupo de terroristas por apenas dois mil e quinhentos euros parou a cidade de Lisboa por uma semana. Numa segunda-feira do ano 2012 (2 +1 + 2 = 5, o pentagrama, o demo!) de manhã, dia da Lua e símbolo do Islão um “exército” de 66 (falta um 6 para ser o número da besta) carros velhos, entre Renault’s 5 (o pentagrama), Fiat’s Uno e outros a cair aos bocados estava, como é normal, parado nas filas de trânsito para entrar em Lisboa. Em todas as principais entradas da capital por Cascais, pelo IC 19, pelas pontes, pelo norte e na 2ª circular, às 8 e 27 em ponto (os investigadores ainda não perceberam se há algum simbolismo nisto) simultâneamente todos os ocupantes dessas viaturas tocaram as buzinas durante 3 minutos e meio (?), o que por simpatia provocou um coro monumental de toques de claxon, discussões acaloradas e acidentes em cadeia; ao fim desse tempo arrancaram os cabos de distribuição eléctrica e abandonaram os veículos. Milhares de condutores pensaram tratar-se de uma manifestação (só podia ser contra o governo) e naturalmente tocaram as suas buzinas e alguns até abandonaram também os seus veículos. Quem se estava a preparar para sair de casa e ouviu as notícias já nem foi trabalhar, tendo-se mantido a confusão todo o dia porque não se percebiam bem os motivos desta “manifestação”. A CGTP e os comunistas bem se defendiam dos ataques do governo que os responsabilizava pela situação e o Bloco de Esquerda aplaudia entusiasticamente a reacção de descontentamento dos cidadãos e da classe trabalhadora às políticas deste governo; a polícia não tinha meios para remover tantas viaturas e o caso arrastou-se pela noite dentro. Às 4 e 24 (os investigadores ainda não perceberam se há algum simbolismo nisto) de terça-feira, dia de Marte, o deus da guerra, a esquadra da PSP do Rato (o primeiro signo da astrologia chinesa) recebeu uma chamada anónima revelando que esta acção tinha a autoria de um grupo religioso islâmico radical denominado “Oxalá Alcântara” (tradução literal: Deus queira a ponte) e que “- não tentassem remover os veículos, pois a maior parte deles estavam armadilhados”. As autoridades viram-se perante uma verdadeira roleta russa. Escusado será dizer que ninguém se atreveu a ir trabalhar nesse dia provocando um prejuízo total ao país de vários milhões de euros. Com medo de atentados em locais aglomerados de gente, os escritórios e repartições públicas esvaziaram mas curiosamente os cafés, as praias e os centros comerciais encheram. O homem das Bíblias do Rossio continuou a cantar frases incompreensíveis ao megafone, e as cervejas e jogos de computador esgotaram nos hipermercados. Um grupo de jovens tatuados, fechados numa casa para um reality-show televisivo fez um profundo e sentido minuto de silêncio pela paz no mundo. Um conhecido vidente veio à noite ao telejornal dizer que tinha tido uma visão, há uns meses, onde via vários carros parados em Lisboa mas nessa altura toda a gente o gozou; agora estava ali a prova de que tinha razão. Aproveitou para tentar hipnotizar o Nuno Rogeiro, crónico convidado na qualidade de comentador de questões de guerra, e ainda conseguiu cantar a capella uma cantiga do seu último CD.

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