No ocidente habituámo-nos a pensar que as pragas são fenómenos naturais que têm origem nas zonas pobres do mundo. Nos anos 90, no entanto, surgiu uma praga artificial originária dos países ricos: refiro-me aos telemóveis. Na natureza todos os insectos têm um lugar próprio na cadeia ecológica mas em demasia tornam-se agressivos, invadem o espaço dos outros e causam danos por onde passam; em excesso, os telemóveis têm exactamente estas características. O seu “tiriri” ou musiquinha transistorizada revela as preferências e nível socio-económico dum receptor que automaticamente se torna emissor sem ninguém lhe pedir; no meio de um cinema ou de uma reunião pode ser tão desagradável e irritante como uma mosca no prato da sopa ou um grilo no quarto numa noite de insónias. Os telemóveis da primeira geração eram como os escaravelhos no antigo Egipto: não tinham uma utilidade real sendo apenas um símbolo de boa fortuna; serviram, porém, para revolver o terreno e prepará-lo para a próxima geração. A segunda era como as abelhas: ainda eram grandes e pesados mas ganharam “asas”; víamo-los sob uma perspectiva utilitária. Rapidamente evoluíram para melgas, mais pequenos e leves, zuniam que se fartavam e chupavam-nos a carteira. Tal como estes insectos o seu corpinho era muito frágil, desmanchando-se irremediavelmente ao primeiro acidente. No entanto, esta débil constituição escondia uma eficácia terrível quando se tratava de atacar: sugavam-nos o orçamento, deixavam-nos marcas de baba nas contas por pagar e de destruição nas células do cérebro. Todos os animais de maior porte transportam consigo outros mais pequenos ou mesmo microscópicos; alguns cooperam com o hospedeiro, outros parasitam-no. Os humanos passaram a transportar um que por mais escondido que esteja nunca deixa passar despercebida a sua pesença visual ou sonora. Começaram por ser pretos mas rapidamente se tornaram metálicos e garridamente coloridos, espelhando a magnífica diversidade cromática do maravilhoso mundo dos insectos. As cores mais usadas para iluminar os seus visores eram o verde-pirilampo, o azul-varejeira e o laranja couráceo. A manifestação sonora da sua existência era feita através de toques e musiquinhas em frequências por vezes tão elevadas que quase roçavam os ultra-sons, tal como o voo dos mosquitos mas em sintético; em grandes concentrações de pessoas eram uma nuvem de milhares a zunir ao mesmo tempo. Mais do que meros objectos que facilitam o nosso quotidiano, tornaram-se motivo de adoração em si mesmos e há 25 anos esses “bichos” sofreram a metamorfose da terceira geração: tornaram-se louva-a-deus fêmeas; um pouco maiores por causa do ecran com imagens e o estabelecimento de uma ligação passou a ser um momento quase orgásmico. Hoje em dia isso ainda continua assim mas se não temos cuidado e fugimos a tempo, somos comidos vivos pelas contas e violados na nossa privacidade. Porque continuamos então tão dependentes e como poderemos libertar-nos desta praga? Não sei. Parece que afinal nos portamos é como vegetais à espera que um insecto transmita a nossa informação a outro vegetal. Talvez imitando a interacção que existe entre estes dois reinos na natureza o melhor seria falar com as plantas e perguntar-lhes o que fazer.
Neste exacto momento vivo no ano 2044. Através de uma das onze dimensões existentes consigo fazer passar estes textos que escrevo no meu presente sobre o passado de há 25 anos, ou seja o seu presente, caro leitor. Para mim são crónicas escritas no presente sobre o passado, para si são crónicas sobre o presente escritas no futuro.
10.12.04
9.12.04
Estranhas Coincidências parte 2
Ao terceiro dia (a simbologia do 3, o triângulo, a pirâmide, à terceira é de vez, etc.) uma quarta-feira, dia de Mercúrio o deus das comunicações, foi restabelecida alguma normalidade com a remoção de quase todas as viaturas, sem que nenhuma chegasse a explodir. As pessoas ainda tinham medo e como quinta-feira, dia de Júpiter, o deus dos deuses, era feriado (graças a Deus, Deus é grande, Alá), todos aproveitaram para não ir trabalhar na quarta, situação que se repetiu na sexta-feira, dia de Vénus, a deusa das artes e do prazer e neste caso também a deusa das pontes para o fim-de-semana. Em resumo, foi uma semana inteira sem fazer nenhum (os investigadores ainda não perceberam se há algum simbolismo nisto). Alguns estudiosos do para-normal procuraram fórmulas milagrosas para explicar o significado oculto dos factos e locais dos acontecimentos tendo sido descobertos, entre outros, o diâmetro total da pirâmide de Gizé, a distância da Lua ao Sol passando pela Terra e a data de nascimento do Emídio Rangel. Se digitarmos no computador a frase “segunda-feira66fiatvelhos” em Times New Roman, pendurarmos uma cenoura no ecrã e olharmos fixamente durante um minuto enquanto fazemos o pino, com algum esforço conseguimos vislumbrar o popular Zé Povinho a fazer um manguito.
Também muito popular na internet foi a descoberta nas profecias de Nostradamus da 5ª Centúria (outra vez o número 5), verso 70 (noves fora 7: as colinas de Lisboa) com a seguinte quadra:
“As regiões sujeitas à Balança (Lisboa é regida pelo signo da Balança)
Farão perturbar os montes por grande guerra (os tais sete montes ou as entradas de Lisboa estarão em guerra com filas, acidentes, discussões, etc.)
Cativos todo sexo deus (deu); e toda Bizâncio (em francês antigo, deu é o deus cristão e Bizâncio é islâmica, a acusada do acto; portanto todos os credos e todos os sexos, logo toda a gente ficará presa nas filas de trânsito)
Que se gritará ao amanhecer terra a terra (buzinarão logo de manhã em vários sítios por simpatia)”.
Incrível, não acham? O que ainda é mais espantoso é que houve 4 !!! veículos (66+4=70, o número do verso) que a polícia ainda não revelou se já estavam abandonados dentro da cidade ou faziam parte do esquema, ajudando também a empatar o trânsito todo. Mas o cúmulo do espanto é o governo não reagir a estas evidências e continuar desconfiado que houve aqui um dedinho de alguma organização ou partido de esquerda, como vingança de não querer dar ponte de quinta para sábado…
Nota: de facto espantoso, espantoso é ter inventado esta história toda, finalmente pegar num livro de profecias do Nostradamus, abrir numa página qualquer, olhar para um verso qualquer, ver a referência à Balança que é realmente o signo de Lisboa e dizer para mim próprio: “- É um bom princípio…”. No entanto, não deixo de pensar que a piada está em conseguir explicar tudo nem que seja à martelada ou de uma maneira idiota; logo este ou outro verso vão servir para trabalhar. Quando tento encontrar justificações através deste, subitamente tudo faz um terrível e arrepiante sentido. Será que é assim com todas as profecias? Serve esta nota para não pensarem que inventei a história a partir do verso.
Também muito popular na internet foi a descoberta nas profecias de Nostradamus da 5ª Centúria (outra vez o número 5), verso 70 (noves fora 7: as colinas de Lisboa) com a seguinte quadra:
“As regiões sujeitas à Balança (Lisboa é regida pelo signo da Balança)
Farão perturbar os montes por grande guerra (os tais sete montes ou as entradas de Lisboa estarão em guerra com filas, acidentes, discussões, etc.)
Cativos todo sexo deus (deu); e toda Bizâncio (em francês antigo, deu é o deus cristão e Bizâncio é islâmica, a acusada do acto; portanto todos os credos e todos os sexos, logo toda a gente ficará presa nas filas de trânsito)
Que se gritará ao amanhecer terra a terra (buzinarão logo de manhã em vários sítios por simpatia)”.
Incrível, não acham? O que ainda é mais espantoso é que houve 4 !!! veículos (66+4=70, o número do verso) que a polícia ainda não revelou se já estavam abandonados dentro da cidade ou faziam parte do esquema, ajudando também a empatar o trânsito todo. Mas o cúmulo do espanto é o governo não reagir a estas evidências e continuar desconfiado que houve aqui um dedinho de alguma organização ou partido de esquerda, como vingança de não querer dar ponte de quinta para sábado…
Nota: de facto espantoso, espantoso é ter inventado esta história toda, finalmente pegar num livro de profecias do Nostradamus, abrir numa página qualquer, olhar para um verso qualquer, ver a referência à Balança que é realmente o signo de Lisboa e dizer para mim próprio: “- É um bom princípio…”. No entanto, não deixo de pensar que a piada está em conseguir explicar tudo nem que seja à martelada ou de uma maneira idiota; logo este ou outro verso vão servir para trabalhar. Quando tento encontrar justificações através deste, subitamente tudo faz um terrível e arrepiante sentido. Será que é assim com todas as profecias? Serve esta nota para não pensarem que inventei a história a partir do verso.
Estranhas Coincidências parte 1
Demonstrando um grande conhecimento do modus operandi da mentalidade portuguesa que faz com que em 6 cabines de pagamento de portagem, 5 estejam vazias e 1 com uma fila enorme, um estranho grupo de terroristas por apenas dois mil e quinhentos euros parou a cidade de Lisboa por uma semana. Numa segunda-feira do ano 2012 (2 +1 + 2 = 5, o pentagrama, o demo!) de manhã, dia da Lua e símbolo do Islão um “exército” de 66 (falta um 6 para ser o número da besta) carros velhos, entre Renault’s 5 (o pentagrama), Fiat’s Uno e outros a cair aos bocados estava, como é normal, parado nas filas de trânsito para entrar em Lisboa. Em todas as principais entradas da capital por Cascais, pelo IC 19, pelas pontes, pelo norte e na 2ª circular, às 8 e 27 em ponto (os investigadores ainda não perceberam se há algum simbolismo nisto) simultâneamente todos os ocupantes dessas viaturas tocaram as buzinas durante 3 minutos e meio (?), o que por simpatia provocou um coro monumental de toques de claxon, discussões acaloradas e acidentes em cadeia; ao fim desse tempo arrancaram os cabos de distribuição eléctrica e abandonaram os veículos. Milhares de condutores pensaram tratar-se de uma manifestação (só podia ser contra o governo) e naturalmente tocaram as suas buzinas e alguns até abandonaram também os seus veículos. Quem se estava a preparar para sair de casa e ouviu as notícias já nem foi trabalhar, tendo-se mantido a confusão todo o dia porque não se percebiam bem os motivos desta “manifestação”. A CGTP e os comunistas bem se defendiam dos ataques do governo que os responsabilizava pela situação e o Bloco de Esquerda aplaudia entusiasticamente a reacção de descontentamento dos cidadãos e da classe trabalhadora às políticas deste governo; a polícia não tinha meios para remover tantas viaturas e o caso arrastou-se pela noite dentro. Às 4 e 24 (os investigadores ainda não perceberam se há algum simbolismo nisto) de terça-feira, dia de Marte, o deus da guerra, a esquadra da PSP do Rato (o primeiro signo da astrologia chinesa) recebeu uma chamada anónima revelando que esta acção tinha a autoria de um grupo religioso islâmico radical denominado “Oxalá Alcântara” (tradução literal: Deus queira a ponte) e que “- não tentassem remover os veículos, pois a maior parte deles estavam armadilhados”. As autoridades viram-se perante uma verdadeira roleta russa. Escusado será dizer que ninguém se atreveu a ir trabalhar nesse dia provocando um prejuízo total ao país de vários milhões de euros. Com medo de atentados em locais aglomerados de gente, os escritórios e repartições públicas esvaziaram mas curiosamente os cafés, as praias e os centros comerciais encheram. O homem das Bíblias do Rossio continuou a cantar frases incompreensíveis ao megafone, e as cervejas e jogos de computador esgotaram nos hipermercados. Um grupo de jovens tatuados, fechados numa casa para um reality-show televisivo fez um profundo e sentido minuto de silêncio pela paz no mundo. Um conhecido vidente veio à noite ao telejornal dizer que tinha tido uma visão, há uns meses, onde via vários carros parados em Lisboa mas nessa altura toda a gente o gozou; agora estava ali a prova de que tinha razão. Aproveitou para tentar hipnotizar o Nuno Rogeiro, crónico convidado na qualidade de comentador de questões de guerra, e ainda conseguiu cantar a capella uma cantiga do seu último CD.
Donaldim, o Pato Ventríloquizado
Donaldim, habitual colaborador do programa SIC 10 Horas tem uma das histórias mais pungentes que me foram dadas a conhecer. Como o seu manipulador, o artista José Freixo usava bastante a mão esquerda, ao longo dos anos desenvolveu-se uma extensa rede de vasos sanguíneos que tornaram Donaldim num ser com vida própria e quase autónomo. À medida que o tempo ia passando, cada vez mais Donaldim contestava os textos que Freixo escrevia para os espectáculos do duo; é certo que as punch-lines estavam reservadas para o pato mas este ia-se insurgindo contra a qualidade das mesmas, até que um dia começou ele a escrevê-las. Na mesma medida em que o seu papel no seio do duo ia aumentando, a influência do seu dono ia diminuindo até que este se começou a tornar desinteressado e desleixado chegando ao ponto de, a partir de uma determinada altura, ser o pato que fazia de ventríloquo do dono.
Muitas vezes era Donaldim que arrastava José Freixo com a barba por fazer e óbvios sinais de embriaguez para cima do palco e praticamente fazia o show sozinho. Com frequência se ouviam violentas discussões dentro dos camarins, acompanhadas de sons de cadeiras a voar, vidros partidos e grasnados horríveis. Um dia, Donaldim chegou a aparecer de óculos escuros no plateau do estúdio e há quem diga que era para esconder um olho negro. Um dos técnicos da produtora do programa garante que ouviu José Freixo murmurar entre dentes que “um dia o cabrão ainda vai aparecer cozinhado”; depois riu-se malevolamente com a ideia e chegou a deixar escapar alto e bom som: “-Olha que engraçado, Donaldim à Pequim”. Talvez Freixo nunca tenha levado avante os seus intentos porque teria de cozinhar também a sua mão com os dedos incluídos. É óbvio que nessa altura o ambiente era literalmente de cortar à faca, e depois do pato questionar constantemente a utilidade de um apêndice tão desnecessário como o José, a insatisfação no seio da parceria levou a um inevitável divórcio entre os dois.
Andaram em advogados mas a coisa nunca correu bem porque as duas partes litigantes estavam sempre presentes nas consultas que deveriam ser privadas. Com a parte do dinheiro que ganhava nos espectáculos, o pato que era o mais poupado pois não saía da caixa e nem sequer comia, juntou uma pequena fortuna; a troco de uma avultada quantia e com o apoio jurídico da Associação para a Defesa dos Animais conseguiu um dia convencer o depauperado José Freixo a marcar uma operação para a mútua separação. Foi uma intervenção muito delicada, similar à separação de gémeos siameses, requerendo imensos cuidados, dada a imensidão de veias, artérias e músculos que os dois partilhavam. Aproveitou na mesma altura para fazer uma lipo-aspiração à barriguita e uma plástica ao bico; começou a calçar o 45 porque com os pezinhos que tinha estava sempre a cair de bruços; cortou a guedelha, largou os trapos de velha que o seu manipulador lhe vestia e passou a usar fatinhos do Augustus. Depois de uma bem sucedida separação e um re-styling geral, Donaldim dedicou-se a uma carreira a solo actuando principalmente em espectáculos de stand-up comedy sentado. Freixo retirou-se do show-biz e passou a viver indigente no meio da rua. Infelizmente Donaldim, por ser muito novo, não percebeu que a razão do sucesso do duo era a dicotomia palhaço rico/palhaço pobre e uma vez eliminado um dos elementos, ele tinha deixado de ter graça porque não havia ninguém a seu lado para enxovalhar, e o público não estava para ser gozado por um pato; resta acrescentar que os fatinhos do Augustus também não ajudaram muito, ainda por cima num país de invejosos que não gosta de ver ninguém bem.
Um dia no programa da Fátima Lopes, ficou registado para sempre na memória do público o momento em que Donaldim, vagueando pelas ruas ao volante do seu Smart, encontrou José Freixo a remexer num caixote do lixo, o convida para entrar no seu carro e dão um forte abraço cheio de comoção. Correram as lágrimas, trocaram-se juras de amor e fidelidade eternas, e esta foi mais uma história que apesar dos reveses da vida acabou em bem… Até a imprensa sensacionalista, chata como a sarna, ter agora “levantado a lebre” de que pode haver indícios de um escândalo sexual relacionado com o duo, ainda nos tempos em que estavam ligados. Várias comentadores juridicamente abalizados têm discutido se neste caso, a utilização da mão que manipulava o pato com o objectivo de obter satisfação sexual, poderia ser considerada masturbação ou coito oral. O Fernando Rocha no seu talk-show na SIC Comédia sugeriu que talvez fosse o facto de ser constantemente amamentado que deu vida ao pato; disse também que agora já percebe a expressão “fazer um bico” …
O Verdadeiro e Triste Futuro
Infelizmente este texto não é nada bom e se não querem ler coisas tristes passem ao seguinte. Continuaram os ataques terroristas por todo o lado, as pirâmides do Egipto têm escapado mas já estão na agenda do terror há muito tempo; foram referenciadas por alguns líderes como um ícone pagão cuja destruição causaria mais dor no ocidente. Por falar em dor, o Muro das Lamentações foi todo graffitado por um palestiniano tresloucado; parece que viver sob constante iminência de guerra causa um "bocadinho" de stress e agora os judeus têm mais um motivo para irem chorar para o Muro. O Taj Mahal foi atacado por uma pulverização de ácido, atirada de um avião de carga desviado por paquistaneses; passou a ser um monte de espuma mineral fervilhante. Porém, o pior estava para vir e os ataques mais surpreendentes e devastadores foram os económicos e informáticos. Em 2008 vários estados e instituições entraram em colapso por causa das movimentações de fundo dos falcões da economia mundial, revelando a nossa fragilidade e a total dependência duma confiança baseada em... nada. Em 2019 os sistemas informáticos colapsaram por sabotagens vindas de todo o lado; durante muito tempo voltámos ao século onde vivem os muçulmanos. Quem tinha hortas com couves galegas e capoeiras com criação foi quem mais se safou, provando a secreta sabedoria do povo português; os ricos arrancaram a relva e começaram a ver-se campos de golf com plantações de alfaces e batatas. Caíram satélites, a economia ocidental faliu, as Testemunhas de Jeová não se cansaram de repisar “-nós bem avisámos”, as igrejas encheram-se, anunciou-se a última vinda do Salvador e o Nuno Rogeiro passou a convidado fixo no único programa de rádio existente (em onda curta). Noventa e cinco por cento da população activa, ou seja economistas, gestores, advogados, comerciantes, funcionários públicos e "artistas" caiu no desemprego. O único sítio da Europa onde houve um silencioso júbilo foi em Portugal: os ficheiros dos bancos, segurança social e ministério das finanças foram todos apagados resolvendo de vez as dívidas dos cidadãos (isso: vão sonhando… Não sei qual é a piada até porque o estado somos todos nós ih, ih, ih). A água tornou-se no bem mais precioso do planeta e a Espanha nacionalizou as nascentes do Douro, Tejo e Guadiana. Com o descalabro económico, várias forças antes desequilibradas passaram a equiparar-se e por isso estalou a terceira guerra mundial. Facções radicais islâmicas implodiram na Europa que se desfez em estilhaços e até o Papa fugiu a sete pés das sete colinas. Os Estados Unidos, para variar, meteram o bedelho, os russos também, os indianos andaram entre a guerra civil e fronteiriça, tudo ao mesmo tempo; a única potência que manteve um neutral cinismo foi a China que assim emergiu da guerra como a maior do mundo. Mais uma vez, à custa dum conflito, as economias tiveram um sopro de vida e saíram do marasmo. Deu-se um êxodo maciço para os países a sul do equador e uma das poucas coisas divertidas dessa época foi ver os arrogantes europeus a lutar desesperadamente por um passaporte de países do terceiro mundo, invocando contactos, familiares, férias no passado, etc.. Muitos pensavam coisas do género: “- Talvez aquele empregado do hotel se lembre que lhe deixei uma gorjeta… Bolas! Porque é que eu não fui mais simpático ou não lhe dei qualquer coisa?” Pois é "civilizados": a vida é lixada e dá muitas voltas, hein? Cuidado... Uma grande parte dos portugueses zarpou para as ex-colónias, nomeadamente Angola e Moçambique ou seguindo a rota de D. João VI, para o Brasil; pagava para ter visto o que é que os dentistas portugueses disseram que faziam em Portugal quando lá chegaram: "- nome? José Santos; a minha profissão? Ehhh, trabalho com... berbequins". Felizmente a guerra acabou e se por um lado houve uma evolução no sentido da globalização, por outro desenvolveu-se um sentido de individualidade e mesquinhez às vezes levado ao ridículo: há três anos restaurou-se a antiga divisão nacional por províncias e dois meses depois a Beira-Alta cortou relações diplomáticas com a Beira-Baixa por causa de uma placa com o nome duma localidade estar um metro para lá da fronteira…
6.12.04
Marta da Ok Teleseguro
Estava velha e gorda depois de ter casado com um cliente da OK Teleseguro que não parava de a melgar ao telefone. Este mandava mensagens, dizia que tinha acidentes, chegou mesmo a ter acidentes de propósito, ligou várias vezes do hospital, no meio da auto-estrada só para falar com ela… Um dia conseguiu marcar um encontro, começaram a namorar e finalmente pediu-a em casamento. A Marta deixou de trabalhar, teve vários filhos, engordou, mas o marido traía-a constantemente e ao fim de 16 anos de casamento ele deixou-a para ir viver com a Jessica, uma brasileira de bumbum gostoso que trabalhava numa linha de sexo. Uma manhã a vida da Marta modificou-se completamente depois de ter ligado para o programa “Hola Iberia”, apresentado pelo sempre irrequieto Manuel Luís Goucha, e em desespero ter pedido um conselho à taróloga Maria Helena Martins. Ela disse-lhe que a Marta era um meu anjo Sagitário, uma minha querida dum signo de fogo, e que por isso, eu sei, eu sei, deveria combater o fogo com o fogo. A Marta pegou na ideia, fez um empréstimo ao banco, comprou um computador e um videofone, trabalha em casa e agora a voz dela atende sempre dizendo: “-Ok Telesexo fala a Tânia!” Enquanto os tachos do jantar fervem no fogão da cozinha e os miúdos pululam pela casa fora a outrora Marta vai falando ao videofone ao mesmo tempo que a imagem que o paspalho tem do outro lado gerada no computador é a de uma jovem stripper que vai mexendo os lábios em simultâneo com o que diz a Marta. Hoje está feliz e realizada, só lamenta ter passado 16 anos de insegurança ao lado do marido e não quer ouvir falar mais em homens nem seguros.
Utopia e Realidade
No século passado, ironicamente ou talvez não, alguns dos maiores agentes propagadores de mensagens do tipo “peace and love–soft core–budista de esquerda” possuíam muitos zeros à direita nas suas contas bancárias. Quem não se lembra de Paulo Coelho, o Alquimista e suas sequelas que transformava papel impresso numa tipografia, em papel moeda da reserva federal americana? E dos folhetins do Lobsang Ranpa com um olho no meio da testa que garantia ter viajado através de várias dimensões? Parece que a partir da fantástica venda dos seus livros se fartou de viajar, mas só pela Terra. E quem não se lembra das filosóficas mensagens do misterioso Júlio Roberto? Quem? Eu explico: nunca cheguei a saber quem era esta figura mas pelo nome imagino-o um pseudónimo, brasileiro, com barbas, vestes brancas e a meditar. Nos anos 70 os seus pensamentos enchiam as paredes nas salas de espera dos consultórios e ofereciam-se nos aniversários algumas dessas elucubrações espirituais em forma de poster, ou bibelot para enfeitar uma prateleira. As lições de vida do Júlio Roberto eram quase sempre frases em cima de uma fotografia; este Dalai Lama do ocidente tinha uma especial predilecção pelos pôr-de-sol manhosos na praia, e a junção de duas espécies antagónicas por natureza: casalinhos abraçados em contra-luz, bebés humanos a pegar em animais bebés e gatos a dormir enroscados em cães. A mensagem implícita era a amizade, esse sentimento tranquilo ao contrário da paixão que pode ser tumultuosa. No entanto, toda a gente sabe, pelo menos desde o aparecimento dos desenhos animados, que o Tom é inimigo do Jerry e o coiote quer comer o bip-bip. Ele tentava explicar-nos que as coisas não tinham de ser assim. Por exemplo, um textozinho lamechas em cima duma fotografia dum bebé com um pintainho ao colo pode comover a alma mas vejam o que sucede a seguir à sessão fotográfica: o bebé tem fome e dão-lhe a comer franguinhos moídos numa papa da Blédine; uns anos mais tarde, já adolescente, anda a comer frangos de churrasco. Ou seja: o bicho é que fica sempre a “arder” com a amizade; não lhe pagam para ser modelo fotográfico e ainda acaba comido de uma maneira ou de outra. Mas afinal qual era o motivo de ele nos tentar impingir uma realidade distorcida? Eu digo-vos; o que ele queria era vender, vender-nos um ideal: “- Ó amigo, é a cem escudos cada pensamento”. É como um arrumador que em vez de nos cobrar por um espaço de estacionamento (o real) cobra-nos por um pedaço do seu pensamento (o utópico). No fundo o que ele queria era viver “na boa” e quando morresse deixava uma obra. Como viveu, não sei mas o que deixou foi um rasto de caracol. Esses posters foram desaparecendo, tornaram-se foleiros a partir dos anos yuppies mas a esperança não morreu: a sementinha ficou lá e desabrochou novamente após um período de pousio. PC, na pragmática linguagem anglófona significa computador pessoal/privado; imagino que eu deva ter o chakra da amizade espontânea desequilibrado mas tantos anos depois ainda receber, via internet, indesejadas mensagens de amizade de conhecidos e pessoas que nunca vi na vida, ilustradas com os mesmos bebés, gatinhos e paisagens bucólicas é fucking amazing! Ok, não as pago mas também não as pedi; ainda por cima entopem-me a caixa de correio e alguns ordenam-me que as passe aos meus amigos de modo a construirmos um mundo melhor… Mais: se eu resolver quebrar a corrente iniciada num tempo em que ainda nem existiam computadores, ou sou mordido pelos remorsos ou trespassado pela espada do azar e da vingança. Os que mandam esses pensamentos, das duas uma: ou roubaram-nos ao Júlio ou se são eles os autores nem com pseudónimos assinam. São como aquele mítico quadro com a puta da criancinha de olho marejado com uma lágrima; também nunca soube quem era o autor de tais pinceladas. Há muitos anos o slogan de um conhecido anúncio dizia: “- Se de repente um desconhecido lhe oferecer flores, isso é Impulse”. Fazendo a ponte para a actualidade eu responderia a esses amiguinhos: “- Se de repente um desconhecido lhes oferecer um estalo, isso é Repulse “.
Admirável Mundo Novo
Vivo em 2029 e depois do lançamento do blog “Crónicas do Futuro” recebi milhares de mensagens (Ya, pois!) de cibernautas que me diziam mais ou menos o mesmo: “- até pode ser giro o que escreves mas falas pouco sobre o teu próprio presente”; ou seja, o que o pessoal quer sempre saber é como vai ser o futuro. Embora não seja bem o propósito destas crónicas vou tentar saciar um pouco a curiosidade, revelando como é o mundo nesta altura.
No sul de França continua-se a realizar o festival de cinema de Cannes e na última edição, Manoel de Oliveira agora com 119 anos, levou a concurso a sua nova obra-prima “O Caixão”. São 73 minutos de plano único sobre um caixão fechado, ouvindo-se em off a voz de Luís Miguel Cintra a divagar sobre a ironia da vida. A música é de Pedro Abrunhosa, outra ironia mas mais do canto. Continuou sem ganhar nenhuma Palma de Ouro mas a iluminada crítica gaulesa não deixou de tecer rasgados elogios, salientando a modernidade e coragem do realizador. Também não se esperaria outra coisa de um país cujo maior fetiche é cortar cabeças; devem ver com outros olhos que não os da cara…
Houve grandes avanços científicos mas o preço pago foi, por vezes, demasiado elevado. Riram-se da ficção científica apresentada na série Star-Treck? Pois fiquem sabendo que o ano passado foi testado um tele-transportador espacial em cobaias humanas. É certo que algumas experiências não correram lá muito bem, mas desbravar novos caminhos sempre provocou alguns acidentes de percurso. Uma das primeiras vítimas foi desmaterializada em Denver e reconstituída em S.Francisco; qualquer coisa deve ter falhado porque o homem apareceu materializado com o pé esquerdo no meio da testa, um pulmão no braço e o pénis enfiado no ânus. Está milionário com a indemnização recebida e a venda de fotos na internet. Quanto ao seu último "problema" consta que ele pediu para não repararem o defeito, confirmando assim aquela velha máxima de que “quem experimenta já não volta”; esta é uma das razões porque eu em particular encaro estas experiências como a droga: o melhor é não experimentar.
Já se descobriu a cura para inúmeras doenças que afligiam a humanidade, os hieróglifos das pirâmides não escondem mais segredos mas ainda ninguém conseguiu decifrar o raio do significado daquele célebre refrão da música popular hispânica: “Asereré, asé…!” Houve vários escândalos no domínio económico e soube-se, por exemplo, que muitos vírus informáticos eram fabricados pelas companhias de anti-vírus para vender computadores associados a essas marcas, tal como certas doenças foram produzidas por laboratórios que fabricavam as suas vacinas. Dizia-se que a famosa receita da Coca-Cola estava religiosamente guardada num cofre da companhia em Atlanta, mas afinal o que lá estava guardado era ainda mais surpreendente: os documentos que revelavam que a Pepsi fora uma invenção da própria Coca-Cola. A ideia era produzir um produto pior e investir barbaramente em publicidade, de modo a criar uma ilusão de concorrência, cujo objectivo era salientar as qualidades do “original”.
No domínio da genética evoluímos bastante e para além de há muitos anos já se produzirem melancias sem pevides, há agora o “Malamo”, uma fruta nova que é uma espécie de salada de frutas: um terço é manga, outro terço é laranja e o último é morango. Estão prestes a sair para o mercado novas variedades. Há também frangos sem cabeça e sem patas (um desperdício resolvido), sardinhas sem espinhas e um carapau que tem uma bolsa debaixo da guelra: quando a rebentamos escorre um magnífico molho à espanhola. Na área dos animais de estimação geneticamente modificados, também se podem adquirir hoje em dia gatos sem garras e cães que repelem pulgas e carraças. No domínio da clonagem humana ainda há alguns atrasos oficiais na investigação mas suspeita-se que existam alguns modelos bem sucedidos vivendo entre nós. Senão como se explicaria que, por exemplo, Valentim Loureiro e Pedro Santana Lopes conseguissem estar à mesma hora em vários locais ao mesmo tempo e em diferentes funções? Como vêem, tudo normal entre avanços e retrocessos. Embora em 2004 julgássemos que nos íamos aproximando do mundo dos Jetsons, a verdade é que ainda vivemos no dos Flintstones.
No sul de França continua-se a realizar o festival de cinema de Cannes e na última edição, Manoel de Oliveira agora com 119 anos, levou a concurso a sua nova obra-prima “O Caixão”. São 73 minutos de plano único sobre um caixão fechado, ouvindo-se em off a voz de Luís Miguel Cintra a divagar sobre a ironia da vida. A música é de Pedro Abrunhosa, outra ironia mas mais do canto. Continuou sem ganhar nenhuma Palma de Ouro mas a iluminada crítica gaulesa não deixou de tecer rasgados elogios, salientando a modernidade e coragem do realizador. Também não se esperaria outra coisa de um país cujo maior fetiche é cortar cabeças; devem ver com outros olhos que não os da cara…
Houve grandes avanços científicos mas o preço pago foi, por vezes, demasiado elevado. Riram-se da ficção científica apresentada na série Star-Treck? Pois fiquem sabendo que o ano passado foi testado um tele-transportador espacial em cobaias humanas. É certo que algumas experiências não correram lá muito bem, mas desbravar novos caminhos sempre provocou alguns acidentes de percurso. Uma das primeiras vítimas foi desmaterializada em Denver e reconstituída em S.Francisco; qualquer coisa deve ter falhado porque o homem apareceu materializado com o pé esquerdo no meio da testa, um pulmão no braço e o pénis enfiado no ânus. Está milionário com a indemnização recebida e a venda de fotos na internet. Quanto ao seu último "problema" consta que ele pediu para não repararem o defeito, confirmando assim aquela velha máxima de que “quem experimenta já não volta”; esta é uma das razões porque eu em particular encaro estas experiências como a droga: o melhor é não experimentar.
Já se descobriu a cura para inúmeras doenças que afligiam a humanidade, os hieróglifos das pirâmides não escondem mais segredos mas ainda ninguém conseguiu decifrar o raio do significado daquele célebre refrão da música popular hispânica: “Asereré, asé…!” Houve vários escândalos no domínio económico e soube-se, por exemplo, que muitos vírus informáticos eram fabricados pelas companhias de anti-vírus para vender computadores associados a essas marcas, tal como certas doenças foram produzidas por laboratórios que fabricavam as suas vacinas. Dizia-se que a famosa receita da Coca-Cola estava religiosamente guardada num cofre da companhia em Atlanta, mas afinal o que lá estava guardado era ainda mais surpreendente: os documentos que revelavam que a Pepsi fora uma invenção da própria Coca-Cola. A ideia era produzir um produto pior e investir barbaramente em publicidade, de modo a criar uma ilusão de concorrência, cujo objectivo era salientar as qualidades do “original”.
No domínio da genética evoluímos bastante e para além de há muitos anos já se produzirem melancias sem pevides, há agora o “Malamo”, uma fruta nova que é uma espécie de salada de frutas: um terço é manga, outro terço é laranja e o último é morango. Estão prestes a sair para o mercado novas variedades. Há também frangos sem cabeça e sem patas (um desperdício resolvido), sardinhas sem espinhas e um carapau que tem uma bolsa debaixo da guelra: quando a rebentamos escorre um magnífico molho à espanhola. Na área dos animais de estimação geneticamente modificados, também se podem adquirir hoje em dia gatos sem garras e cães que repelem pulgas e carraças. No domínio da clonagem humana ainda há alguns atrasos oficiais na investigação mas suspeita-se que existam alguns modelos bem sucedidos vivendo entre nós. Senão como se explicaria que, por exemplo, Valentim Loureiro e Pedro Santana Lopes conseguissem estar à mesma hora em vários locais ao mesmo tempo e em diferentes funções? Como vêem, tudo normal entre avanços e retrocessos. Embora em 2004 julgássemos que nos íamos aproximando do mundo dos Jetsons, a verdade é que ainda vivemos no dos Flintstones.
Crónicas do Futuro
Embora até agora tal não tenha sucedido por manifesta falta de tempo, este blog tem como objectivo a publicação de textos supostamente escritos no futuro, daqui a 25 anos. Para o autor que vive em 2029, são crónicas escritas no presente sobre o passado; para o leitor são crónicas escritas no futuro versando o presente. Confusa/o? Continua, agora com o a/o? Não ficará depois de ler os próximos episódios de "Crónicas do Futuro"!
2.12.04
Celebrar o 1º de Dezembro?
Eu nasci nos anos 60 e toda a minha educação reflecte as estáticas orientações da época até ao 25 de Abril. Em termos políticos, Portugal definia-se como um império que tinha o mundo contra nós cobiçado pelas maiores potências, nas ex-colónias éramos amados paternalmente à parte uma meia-dúzia de “turras”, os ingleses eram nossos aliados embora nos tenham traído inúmeras vezes e os espanhóis sempre foram nossos inimigos com apetites imperialistas; curiosamente, todos esses conceitos foram caindo com o tempo excepto a malvada sensação acerca dos espanhóis. Não tem sido fácil descartá-la sobretudo se somarmos a isso uma natural antipatia fonética pela sua língua, pelos seus modos e por quase todas as suas realizações. Serve este preâmbulo para explicar que cheguei há poucos anos à triste conclusão que no dia 1 de Dezembro de 1640 não foi só o desgraçado do Miguel de Vasconcelos o único defenestrado; nesse dia também atirámos pela janela a oportunidade soberana de nos mantermos ligados a uma federação que provavelmente seria mais benéfica para os nossos interesses.
Esquecendo toda a repugnância que o assunto espanhóis me merece vou tentar fazer de advogado do diabo e exercitar um raciocínio que até já foi feito por outros estrangeiros que nada têm a ver com o assunto. Pouco se sabe sobre D. Afonso Henriques mas Freitas do Amaral no seu brilhante livro sobre o tema (nesta vertente gosto dele) consegue dar uma imagem que julgo bastante correcta, dentro das possibilidades documentais. Aparentemente, quase ninguém no território que deu origem a Portugal queria ser independente de coisa nenhuma e tudo se deve ao notável génio do nosso primeiro rei que carregou praticamente o mundo às costas para tornar realidade o seu propósito. Desde aí se prova que Portugal é um projecto inviável só fazendo sentido num mundo sem regras de civilização em que se podia roubar e guerrear sem grandes consequências; vivia-se a lei do mais forte e ainda hoje assim é com os Estados Unidos, outra jovem nação. Como não temos recursos naturais, não produzimos nada e estamos entalados entre uma “muralha” e o mar, houve a necessidade de em 1415 ir roubar Ceuta, entre outras coisas, uma grande produtora de cereais.
A nossa maior glória como nação vem do facto de ambicionarmos ser os maiores comerciantes do mundo pondo para isso um país a trabalhar durante décadas para chegar à Índia. Entretanto humilhámos ou corremos com os judeus que foram para a Holanda, país que nos roubou essa posição passando os séculos seguintes a piratear todas as nossas posições; já ouviram falar de “olho por olho, dente por dente”? Hoje continuamos sem recursos naturais, ainda não produzimos nada e já não há colónias para ratar; o que é que nos resta? A paisagem? Mesmo que viéssemos a produzir qualquer coisa, os meios de transmissão das mercadorias saem-nos sempre mais caros devido à nossa localização, inviabilizando veleidades concorrenciais. Será que deveríamos ficar à espera que se invente um tele-transportador espacial? Dentro de uma lógica de mercado Yuppie e de terceira revolução industrial, o professor Cavaco Silva, percebendo a importância das vias de comunicação como um dos principais factores de implementação por exemplo, do império romano ou norte-americano, fomentou obsessivamente a construção e diversificação dos meios de comunicação, com as consequências sociais que ainda recordamos e facturas que ainda pagamos.
A maior parte dos políticos portugueses que pensa governar acho que o faz por ambição mas aqueles que se mantêm, salvo raríssimas excepções fazem-no, desculpem-me o populismo, por tacho e nada define melhor do que este termo. Quem lá chega rapidamente constata, se não o sabia antes, que esta “empresa” chamada Portugal está condenada à falência; se fossem rigorosamente honestos já a tinham declarado, “fechado as portas” e mandado toda a gente para a rua, vulgo estrangeiro. Tal como os mafiosos americanos, instala-se-lhes um auto-indulgente espírito nacionalista e a partir daí gerem o momento tendo apenas como objectivo a manutenção do status-quo e o aproveitamento pessoal do cargo. Penso muito sinceramente que só temos duas hipóteses e as duas passam por uma indignidade nacional: como não é possível continuar a viver neste aperto permanente em que constantemente somos violentados com novas obrigações económicas, fazemos uma revolução, tomamos uma atitude escapista e terceiro-mundista de negação da realidade, cagando para todas as responsabilidades assumidas; pode ser que outros sigam o exemplo e se é para haver merda vai tudo para a lama. Nesta opção corremos o risco daquele adepto furioso contra o árbitro que invade o campo julgando que todos o seguem e de repente constata que está sozinho cheio de polícia à volta.
A outra hipótese que me parece mais viável do ponto de vista do direito internacional é pedir formalmente a adesão à Commonwealth! Porque será que Moçambique a pediu? Para além de ser parceira comercial e territorial da África do Sul devo aqui recordar que ao contrário do que nos foi doutrinado, todas as ex-colónias portuguesas à notável excepção de Angola são extremamente pobres ou com recursos caríssimos de obter; já percebem porque é que o mundo em 1974 ainda nos permitia manter um “império”? Dentro da hipótese “b” ainda temos outra opção: pedir a adesão ao reino de Espanha revogável a cada 10 anos. Pensem bem: hoje em dia qual é o problema? Embora Olivença legalmente ainda nos pertença nunca quis largar a soberania castelhana e tirando os bascos ou Gibraltar verificamos que os outros povos hispânicos não se dão nada mal. Podemos é sujeitarmo-nos à vergonha de eles não nos quererem como os empréstimos que pedimos ao banco quando não temos nada. O mal acumulado mais recente foi o dr. Mário Soares imaginar que na Comunidade Europeia, uma das referências da economia de mercado, ia deixar de haver países na Europa mas parece que isso ainda não é para já e também é óbvio que ele não teve outra saída. Que pena não se poder, como nos computadores, fazer reset…
Esquecendo toda a repugnância que o assunto espanhóis me merece vou tentar fazer de advogado do diabo e exercitar um raciocínio que até já foi feito por outros estrangeiros que nada têm a ver com o assunto. Pouco se sabe sobre D. Afonso Henriques mas Freitas do Amaral no seu brilhante livro sobre o tema (nesta vertente gosto dele) consegue dar uma imagem que julgo bastante correcta, dentro das possibilidades documentais. Aparentemente, quase ninguém no território que deu origem a Portugal queria ser independente de coisa nenhuma e tudo se deve ao notável génio do nosso primeiro rei que carregou praticamente o mundo às costas para tornar realidade o seu propósito. Desde aí se prova que Portugal é um projecto inviável só fazendo sentido num mundo sem regras de civilização em que se podia roubar e guerrear sem grandes consequências; vivia-se a lei do mais forte e ainda hoje assim é com os Estados Unidos, outra jovem nação. Como não temos recursos naturais, não produzimos nada e estamos entalados entre uma “muralha” e o mar, houve a necessidade de em 1415 ir roubar Ceuta, entre outras coisas, uma grande produtora de cereais.
A nossa maior glória como nação vem do facto de ambicionarmos ser os maiores comerciantes do mundo pondo para isso um país a trabalhar durante décadas para chegar à Índia. Entretanto humilhámos ou corremos com os judeus que foram para a Holanda, país que nos roubou essa posição passando os séculos seguintes a piratear todas as nossas posições; já ouviram falar de “olho por olho, dente por dente”? Hoje continuamos sem recursos naturais, ainda não produzimos nada e já não há colónias para ratar; o que é que nos resta? A paisagem? Mesmo que viéssemos a produzir qualquer coisa, os meios de transmissão das mercadorias saem-nos sempre mais caros devido à nossa localização, inviabilizando veleidades concorrenciais. Será que deveríamos ficar à espera que se invente um tele-transportador espacial? Dentro de uma lógica de mercado Yuppie e de terceira revolução industrial, o professor Cavaco Silva, percebendo a importância das vias de comunicação como um dos principais factores de implementação por exemplo, do império romano ou norte-americano, fomentou obsessivamente a construção e diversificação dos meios de comunicação, com as consequências sociais que ainda recordamos e facturas que ainda pagamos.
A maior parte dos políticos portugueses que pensa governar acho que o faz por ambição mas aqueles que se mantêm, salvo raríssimas excepções fazem-no, desculpem-me o populismo, por tacho e nada define melhor do que este termo. Quem lá chega rapidamente constata, se não o sabia antes, que esta “empresa” chamada Portugal está condenada à falência; se fossem rigorosamente honestos já a tinham declarado, “fechado as portas” e mandado toda a gente para a rua, vulgo estrangeiro. Tal como os mafiosos americanos, instala-se-lhes um auto-indulgente espírito nacionalista e a partir daí gerem o momento tendo apenas como objectivo a manutenção do status-quo e o aproveitamento pessoal do cargo. Penso muito sinceramente que só temos duas hipóteses e as duas passam por uma indignidade nacional: como não é possível continuar a viver neste aperto permanente em que constantemente somos violentados com novas obrigações económicas, fazemos uma revolução, tomamos uma atitude escapista e terceiro-mundista de negação da realidade, cagando para todas as responsabilidades assumidas; pode ser que outros sigam o exemplo e se é para haver merda vai tudo para a lama. Nesta opção corremos o risco daquele adepto furioso contra o árbitro que invade o campo julgando que todos o seguem e de repente constata que está sozinho cheio de polícia à volta.
A outra hipótese que me parece mais viável do ponto de vista do direito internacional é pedir formalmente a adesão à Commonwealth! Porque será que Moçambique a pediu? Para além de ser parceira comercial e territorial da África do Sul devo aqui recordar que ao contrário do que nos foi doutrinado, todas as ex-colónias portuguesas à notável excepção de Angola são extremamente pobres ou com recursos caríssimos de obter; já percebem porque é que o mundo em 1974 ainda nos permitia manter um “império”? Dentro da hipótese “b” ainda temos outra opção: pedir a adesão ao reino de Espanha revogável a cada 10 anos. Pensem bem: hoje em dia qual é o problema? Embora Olivença legalmente ainda nos pertença nunca quis largar a soberania castelhana e tirando os bascos ou Gibraltar verificamos que os outros povos hispânicos não se dão nada mal. Podemos é sujeitarmo-nos à vergonha de eles não nos quererem como os empréstimos que pedimos ao banco quando não temos nada. O mal acumulado mais recente foi o dr. Mário Soares imaginar que na Comunidade Europeia, uma das referências da economia de mercado, ia deixar de haver países na Europa mas parece que isso ainda não é para já e também é óbvio que ele não teve outra saída. Que pena não se poder, como nos computadores, fazer reset…
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